This Is About You
8 Garotas perdidas
Notas iniciais
***
Entrei na rua levemente iluminada e logo a avistei, extremamente bêbada caminhando na calçada sem nenhuma coordenação motora. Segurando os sapatos, cantarolando uma musica enquanto subia numa mureta relativamente alta, considerando seu estado de embriaguez. Diminui a velocidade e encostei o carro ao lado da calçada.
– Elena você não tem talento pra equilibrista, então desce daí. — falei num tom arrogante.
– Não... Isso é um pesadelo! – resmungou abrindo os braços tentando se equilibrar – O que você tá fazendo aqui? Perseguição é crime Salvatore! — continuo sem olhar para o lado, enquanto caminhava pela mureta.
– Anda Elena, eu vou te levar pra casa. – Disse tentando me manter paciente, já que isso não era uma das minhas virtudes.
– Quando você ficou tão bonzinho? – riu incrédula.
– Eu não sou bonzinho. Só estou sendo educado te oferecendo uma carona. – demorei alguns segundos antes de prosseguir – E considere isso como um ato de bondade. — Ela franziu o cenho fazendo uma careta engraçada. — Quero poupar os cidadãos de Manhattan... Ninguém merece ouvir você bêbada, cantando a essa hora – ri.
Surpreendentemente ela se virou de repente, e arremessou um dos sapatos na direção do carro.
– Você é louca, garota? – pergunto perplexo com sua infantilidade.
– Você é insuportável, arrogante e presunçoso! Argghh... Eu te odeio. – recolheu o sapato cambaleando pela calçada.
– Entra logo no carro. – rangi entre dentes.
– Já disse que não! Sai daqui, eu quero distancia de você. — cruzou os braços frente ao corpo e saiu pisando fundo.
– Que coincidência, compartilho o mesmo pensamento. – rebati irritado — Mas Stefan não ficaria muito feliz se descobrisse que te deixei sozinha e completamente bêbeda no meio rua. – falei um pouco mais alto, já que ela estava um pouco mais distante. Acelerei o carro e fiquei no seu encalce.
– Eu não preciso de babá Damon! Sei exatamente o que estou fazendo, pode parar de fingir ser o pai preocupado.
– Então pare de agir como uma adolescente rebelde. – ela finalmente se virou e pude ver seu estado, o vestido completamente amassado, os cabelos lisos grudavam no seu rosto e pescoço, e suas bochechas estavam parcialmente ruborizadas, e imaginei se ela ficaria assim após uma noite de sexo selvagem. Q
ue diabo de pensamento foi esse? Questionei-me.
– Se soubesse que você daria esse trabalho todo bêbada, não tinha permitido sua saída da boate. Ela cruzou os braços e bufou.
– E quem você pensa que é? O dono da boate? – riu em tom de deboche.
– Na verdade sim — ela me lançou um olhar incrédulo e eu continue — sou sócio de Richard Lockwood. – ergui a sobrancelha e dei um sorriso convencido.
– Tem algum lugar na porcaria de Nova York que seu maldito nome não esteja envolvido? — Disse exaltada gesticulando com os braços.
– Na verdade não. — disse presunçoso — Eu sou um homem de negócios múltiplos Elena. Não me contento com pouco. – disse serio.
– Vai pro inferno, você e a porcaria do seu dinheiro! – me fuzilou voltando a caminhar.
– Entra. na. porra. do. carro. Agora. – permaneci com a voz calma e a lancei um olhar ameaçador. A vi estremecer e recuar alguns passos, mas então quando voltou a falar, sua voz parecia tão cortante como vidro.
– Vai. Pro. Inferno! – falou pausadamente e me mostrou o dedo do meio em um típico gesto infantil.
– Quantos anos você tem? 12? — droga de garota teimosa.
Olha onde foi que você se enfiou Damon. Meu subconsciente me repreendeu. Pus uma mão no volante e a outra apoiada sob a testa.
– Elena eu não tenho a noite toda. Entre no carro, que eu vou te levar pra casa — disse vagarosamente como se falasse com uma criança.
Ela subitamente parou sua caminhada de passos largos, e senti um arrepio subir pela minha espinha quando ela andou sensualmente na minha direção, inclinou-se na porta do carro e apoiou os braços na janela, me agraciando uma visão deliciosa dos seus seios sob o decote do justo vestido. Inconscientemente passei a língua pelos lábios secos e quase gemi com aquela visão.
– Elena. Entra. Agora. — disse num fio de voz, dominado pelo desejo latente de agarrar sua nuca e cair de cabeça naquele decote.
Ela se debruçou ainda mais contra a janela, e me chamou com o indicador enquanto prendia o lábio inferior entre os dentes. Ela não fazia ideia do quanto estava sexy.
Remexi-me no assento, desconfortável com aquele aperto na calça.
Aquela mulher estava literalmente me enlouquecendo. Balancei a cabeça, tentando usar meu lado racional e quando me aproximei para abrir a porta do carro ela piscou e disse:
– Eu não vou. – disse com vigor e saiu rebolando o quadril convidativo pela calçada, me deixando frustrado, com raiva e cheio de tesão. Ataquei o volante furioso.
– QUE SEJA! – gritei e acelerei saindo dali. Olhei pelo retrovisor e a vi chutando algumas pedras, ainda no longo calçadão da Avenida Street Place. Fiquei seriamente dividido em ir embora de vez e acabar com essa dor de cabeça chamada Elena Gilbert, depois ligar pra repórter gostosa e ter uma noite regada a muito sexo, ou voltar ate lá e fazer as coisas realmente do meu jeito.
Parei abruptamente e dei marcha ré no carro.
– Droga de garota teimosa! — agarrei o volante com força e parei o carro — Elena, ou você entra por livre espontânea vontade ou eu vou ser forçado a usar medidas drásticas. – murmurei entre dentes.
– Você não ousaria. – estreitou os olhos que me desafiavam petulantes.
– Ótimo! Foda-se! – abri a porta do carro com violência e caminhei ate ela, que arregalou os olhos pela minha aproximação brusca, tentou correr pelo lado contrario, mas eu a impedi segurando firmemente pelo seu cotovelo e literalmente a arrastando em direção do carro, já que ela a todo custo tentava se soltar.
– Me larga seu ogro! Me deixa em paz! Me solta... Damon! – ignorei seus gritos e com um solavanco abri a porta do carro e a coloquei no banco, me inclinei ao passar o cinto sob seu corpo e ela acompanhou meu gesto com os olhos, depois me olhou com o cenho franzido, parecendo confusa. Fechei a porta, contornei o carro e tomei meu lugar no banco de motorista.
Fazia algum tempo que estavamos na estrada e Elena permaneceu calada, olhando as luzes que iluminavam a grande Manhattan.
– Não trouxe sua namorada? – perguntou com desdém, após vários minutos de silencio.
– Como? – perguntei confuso.
– A loira do restaurante. – disse com a voz enrolada e rolou os olhos
– Rebekah. Ela não é minha namorada... – expliquei – É minha secretaria. – porque eu estava explicando isso a ela, mesmo? Me repreendi no segundo seguinte.
– Então, ela "oferece" algumas atividades extracurriculares, como acompanhar o chefe? – enfatizou a palavra oferece fazendo aspas de uma forma dramática.
– Você cursa jornalismo? – perguntei divertido com tal situação.
– Por quê? – sussurrou enquanto encolhia o corpo no banco, apoiando a cabeça na janela ao seu lado.
– Você é muito curiosa. – conclui voltando atenção para a pista deserta iluminada pelos faróis do carro.
Pude ouvir seu riso abafado e me dei conta que era a primeira vez que ela não se pronunciava por algo que saísse da minha boca, franzi o cenho confuso e avistei a placa identificando as varias ruas daquela avenida.
– Você vai ter que me dizer qual a rua do apartamento? – perguntei me voltando para a morena... adormecida? Droga! – Elena – tento acorda-la, em vão, só o que se ouvia era sua respiração calma – Porra! – murmurei enquanto sacava o celular de dentro do blazer, enquanto dividia minha atenção à estrada e a lista de contatos. Uma, duas, três vezes e nada do Stefan atender. Por que todo mundo resolveu testar minha pouca paciência hoje? A única maneira era leva-la pra minha casa já que Stefan possivelmente estava mandando ver com a loirinha, enquanto sua amiga estava desacordada no banco de passageiro no carro do homem que ela jurou ódio eterno.
Olhei de soslaio para uma Elena doce e inocente, dormindo tranquilamente enquanto eu estava travando uma batalha interna de certo ou errado, aquela garota me deixava totalmente exposto a esses sentimentos confusos de fazer a coisa certa.
– É Damon... Seria cômico, se não fosse trágico. — sorri amargo.
*
Estacionei o Porsche na garagem e olhei mais uma vez pra Elena, que parecia uma menina frágil e indefesa, figura diferente daquela garota petulante e atrevida que há poucos minutos atrás, estava me levando a níveis elevados de irritação e excitação, Tenho que admitir.
– Elena? – nenhum movimento – Elena – cantarolei. Nada.
Desci, contornei o carro e passei meus braços sob suas pernas a pegando no colo, ela murmurou algo incoerente enquanto eu a carregava, com um pouco de esforço tateie a chave em meu bolso traseiro e abri a porta.
– Droga! — as luzes apagadas não cooperavam muito com minha tentativa de subir as escadas, tateia a parede esquerda ate achar o interruptor. Já com a luz acessa, comecei a subir os degraus. Elena começou a resmungar algo, e passou os braços pelo pela minha nuca se aproximando ainda mais, respirei fundo ao sentir sua respiração quente tocar meu pescoço, fazendo os pelos da minha nuca se arriçarem desencadeando uma onda de prazer em todas as células do meu corpo. O que me fez questionar, por que um simples ato como esse pode me atingir tanto?
– Damon? – ela lentamente abriu os olhos, quando a luz forte do quarto de hospedes, iluminou o ambiente. – Me larga! Me solta! – começou a estapear meu peito o que me fez coloca-la no chão – Droga! – Reclamou quando tentou buscar equilíbrio.
– O que foi que você bebeu? – perguntei despreocupado
– Um bartender muito simpático, me ofereceu um tal de Black Rússia. — ela se afastou de mim rindo — Ele disse que era um coquetel – deu de ombros enquanto parou a alguns passos e apoio as mãos na mesa de cabeceira.
– E um coquetel com vodca. – expliquei olhando para suas pernas descobertas pelo tamanho do vestido. Era sempre assim, não importava onde estávamos ou em que situação estávamos, sempre aquela nevoa luxuriosa e latente de tesão quase palpável nos cercava. E eu não sabia se era capaz de me controlar, com ela me olhando daquela forma tão... Intensa!
– Então, você tem conhecimento sobre tudo? – perguntou erguendo uma sobrancelha bem feita.
– Sim. – falei firme
– Não. – balançou a cabeça – Você não sabe sobre tudo. – alegou enquanto caminhava lentamente na minha direção – Eu vejo a maneira que me olha Salvatore... – sussurrou ficando a centímetros do meu rosto, ela mordeu o lábio inferior me fazendo soltar o ar pesadamente. A sequei dos pés a cabeça, passando em suas pernas e coxas torneadas, sua cintura fina e seus tão convidativos seios e enfim sua boca, que naquele momento eu necessitava sentir a textura daqueles lábios de palavras atrevidas. – Exatamente assim – seu hálito de menta misturado com álcool golpeou o meu rosto.
– Elena – avisei olhando no fundo dos olhos castanhos, que agora possuía uma intensidade esmagadora.
– Você me quer. – mordeu o lóbulo da minha orelha, e sem conseguir me controlar solto um gemido sôfrego – Eu vou te contar um segredo... – beijou minha nuca – Eu também te quero. – grunhi quando ela segurou na barra do blazer e tentou passar pelos meus ombros usando as unhas propositalmente, me deixando a beira da loucura de tanto tesão reprimido. Como uma gata manhosa, passou a língua pela extensão do meu pescoço. Eu estava quase mandando meu lado racional pro inferno e transar com ela até que estivesse sem forças pra levantar da cama, mas ela estava Bêbeda e eu não faria isso.
Eu a teria, mas não assim.
– Eu sei por que você ta fazendo isso. – segurei seus pulsos com força e dei um passo à trás — Elena você esta com raiva, quer se sentir desejada, ótimo. Você já conseguiu isso — olho sugestivamente para o monte formado sob o tecido grosso da calça jeans e ela acompanha meu gesto e engoliu seco ao se depara com a minha ereção. — Agora pare de jogar, eu não sou um cavalheiro Elena. — a lancei um olhar duro enquanto a segurava pelos ombros – Eu não faço o papel de bom samaritano e se você se oferecer pra mim... Eu não vou resistir. – passei a língua nos lábios secos — Se não quiser que eu rasque esse seu vestido minúsculo, te jogue nessa cama e te dê o melhor sexo da sua vida... é melhor parar de me provocar. – terminei ofegante. Ela me olhou boquiaberta, com a respiração tão pesada quanto a minha, e inesperadamente fez a ultima coisa que eu pesava que faria.
Ela me abraçou.
Passando seus braços esguios pela minha cintura e colando o rosto no meu peito caiu no choro. Que ótimo! Estagio dois da embriagues: O Choro compulsivo. Pensei revirando os olhos.
Ela me apertava como se de alguma maneira eu fosse fugir. Eu fiquei parado, verdadeiramente estático com tal situação, enquanto era envolvido pelo calor do seu corpo e das suas lagrimas que molhavam o tecido da minha camisa. Mesmo não retribuindo, ela continuou me abraçando cada vez mais forte e naquele momento, eu a enxerguei apenas como uma garota de vinte anos que a julgar pelas palavras desconexas como: como ele pode? Por que ele fez isso? Era um ex-namorado ou talvez até mesmo o cara de nome estranho... Kol, que estava a procurando mais cedo.
Eu não sabia como reagir, nunca tive que lidar com uma situação dessas, ter alguém assim... Chorando compulsivamente no meu peito, ali nos meus braços ela parecia tão frágil e pequena.
– Olha, eu não sei o que ele fez. Mas posso garantir que é um idiota. – rompi o silencio.
– Não precisa tentar me fazer sentir melhor. – murmurou
– Não estou te fazendo sentir melhor. – bufei — Só falei a verdade, se for quem eu estou pensando, ele é um idiota. – disse obvio.
Senti seu riso abafado em meu peito, e ela ficou alguns segundos agarrada a mim. fiquei tentado a circular seu corpo com os braços a inalar o aroma doce dos seus cabelos sedosos mas não o fiz. aos poucos seu corpo foi amolecendo e eu tive que a segurar pela cintura impedindo de colidir com o piso...
– Que ótimo! Resolveu brincar de Bela adormecida. – bufei caminhando em direção à cama a deitando gentilmente, ela ficou de bruços agarrando o travesseiro enquanto resmungava algo incoerente. Aproximei-me do seu corpo relaxado e analisei os detalhes dos seus traços dignos de um anjo, seu rosto delicado parecia tranquilo e leve. Enquanto dormia, claro.
Ela era uma garota incrivelmente bonita, apesar dos seus vinte anos, ela não tinha o porte físico de uma menina da sua idade, sua pele cor de oliva era definida por curvas poderosas que a deixava muito mais irresistível, se não fosse pelo seu temperamento forte e sua personalidade impulsiva, ela seria perfeita. Por outro lado ali ela parecia uma garotinha insegura e inocente.
– Linda. – sussurre sorrindo pelo fato que o tamanho do seu corpo se perdia naquela cama enorme.
Aquele sentimento de culpa se instalou no meu peito ao lembrar-se das palavras grosseiras que a direcionei no jantar e ali mesmo da minha forma torta, eu esta de certa forma cuidando dela.
– Me desculpa. – disse o que tentei falar desde o momento em que a vi na boate.
A cobri com o cobertor grosso e acaricie levemente seu rosto delicado e sai do quarto, não antes de olha-la mais um vez.
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