This Is About You
4 Doce Coincidência
Notas iniciais
“O destino é o que embaralha as cartas, mas nós somos os que jogamos”. (William Shakespeare)
Damon
“Não, por favor, fique.” o garotinho pediu tentando segurar a mão da mulher de cabelos negros que o olhava com ternura.
“Eu tenho que ir querido.” respondeu ela acariciando a face e olhando diretamente nos olhos vermelhos do garoto devido ao choro preso na garganta.
“Não, você não tem que ir.” tentou convencê-la, ele estava assustado olhando no fundo das orbitas azuis da bela mulher a sua frente.
“Tenho sim, eu tenho que ir.” Ela respondeu tentando se afastar.
“NÃO PODE ME DEIXAR.” gritou o garotinho, libertando uma lagrima solitária que caia do pequeno rosto assustado.
“Eu estarei sempre com você meu pequeno Damon.” a mulher voltou-se para ele e limpou as lagrimas salgadas que escorriam livremente pela pele alva do menino.
“MAMÃE! MAMÃE!” seu grito desesperado ecoou por todo aquele lugar solitário enquanto sua mãe era lentamente levada pela escuridão.
O garotinho sentiu o no que se formou em sua garganta e gritou em desespero. Ele correu os doces olhos assustados de um lado para o outro e só conseguiu enxergar uma escuridão imensa como se as paredes estivessem se fechando ao seu redor.
DAMON! GAROTO INSOLENTE VENHA AQUI AGORA! VOU TE DAR UMA LIÇÃO SEU MOLEQUE!
O garoto arregalou os olhos e sentiu o sangue gelar em suas veias, suas pernas tremeram e ele sentiu que não seria capaz de correr, mas ao ouvir novamente a voz do seu algoz o chamando ele correu o mais rápido que pode, quase tropeçando em seus próprios pés. A cada passo que suas curtas pernas conseguia dar, o tom sombrio daquela voz carregada de ódio o perseguia e se tornava cada vez mais nítida, o pobre do garotinho sem forças para continuar fugindo daquela escuridão, jogou seu corpo contra o chão frio daquele lugar desconhecido, e abraçou os próprios joelhos colocando as pequenas mãozinhas contra os ouvidos na tentativa de acordar daquele cruel pesadelo.
TE ENCONTREI!
Assustado, jogou-se para trás tentando se esquivar daquela presença assombrosa que se aproximava do seu frágil corpo, ele estava exausto e sem forças para lutar, sentiu o cheiro do cigarro e mãos ásperas o puxando pelos ombros, depois foi engolfado pela escuridão.
Ofegante.
Suado.
Trêmulo.
Assustado.
Eram os quatro estágios que me deixava em pânico sempre após um pesadelo, era sempre o mesmo. Uma parte da minha mente sempre permanecia presa em algum lugar daqueles sonhos que me atormentava desde a morte dela.
Minha mente girou, meu corpo se agitou quando fui abruptamente arrebatado de mais um pesadelo pelo toque constante do telefone.
Ainda atordoado, sentei na cama alcançando a fonte do barulho.
– Alô? – sinto uma fisgada no lado esquerdo da nuca e massageio o local com a mão livre.
– Hey maninho! Tudo bem Dam? – A voz preocupada de Aprill ressoa pelos meus ouvidos.
– Não. Você acaba de me acordar. – Constato a hora mo Rolex prata em meu pulso e dou uma risada abafada tentando não preocupá-la.
O que ela espera que eu diga “está tudo bem só ando tendo sonhos estranhos e assustadores desde os dez anos de idade com a nossa mãe.” não mesmo.
– Desculpe estar ligando a essa hora da manhã, mas estou com o voo marcado para Europa e queria falar com você antes de embarcar. — ela usou aquele tom de “preciso te pedir algo Dam” típico da Aprill. Pensei tentado a revirar os olhos.
– Hum... Então você me acorda às seis da manhã em pleno domingo, onde eu poderia dormi a manhã toda afinal só irei para o escritório pela tarde, apenas para falar com seu irmão? — pergunto sorrindo.
– Sim. – pausou – Espera, você trabalha em pleno domingo? – pelo tom da sua voz, parecia chocada com a recém-descoberta.
– Tenho algumas pendências para resolver. – expliquei despreocupadamente – Então seja breve pirralha. – brinquei. Aprill odiava quando a chamava assim.
– Nem vem Damon, você é diretor daquela empresa pode chegar o horário que quiser sem ser questionado. – falou com tom obvio. E afinal era.
– Eu sei, mas aquela empresa não funciona corretamente na minha ausência, e o trabalho é minha única distração, então... – e era verdade, eu não fazia outra coisa além de trabalhar, com a exceção de transar com alguma mulher do clube ou simplesmente assistir futebol com meu grande amigo e contador da WST, alaric saltzman.
– Dam você trabalha demais, está precisando de um tempo pra você. – resmungou.
– Não exagera. – repreendi tentado a rolar os olhos.
– Você trabalha durante 12 horas todo o santo dia, e quando chega em casa após um dia cansativo na empresa, se enfurna no escritório e vai fazer o que? — antes que eu possa falar algo ela me interrompe. — Isso mesmo... Trabalhar e quando sai vai direto pra cama. Isso e sua rotina que para mim é super entediante. – se estivesse vendo ela, aposto que estaria revirando os olhos.
Apesar da descrição exagerada da minha irmã ela tinha razão. Eu trabalho demais, porém é meu único propósito, não me vejo longe do meu escritório.
– Não é entediante, só um pouco cansativo, mas eu me sinto bem e eu tenho tudo o que preciso, tenho uma ótima profissão, tenho você e o Stefan, amigos, não preciso de mais nada.
– Precisa sim. Precisa de uma namorada! – falou divertida.
–“Relacionamentos são como Roma. Difícil de começar, incrível durante a prosperidade dos anos dourados, e insuportável durante a queda.” Palavras de Helen Keller, não minhas.
– Você diz isso por que nunca se apaixonou de verdade. – sua risada ecoa pelos meus ouvidos me fazendo sorrir.
– Eu não preciso estar apaixonada pra saber o quanto é doloroso, sem sentido e superestimado. Então eu não preciso de uma namorada Aprill.
– O que aconteceu com a Loise? – perguntou com azedume.
– Loise e eu não temos nada. — e não tínhamos mesmo, a loira era aquele tipo de mulher pra uma noite, no meu caso duas, ficamos sem compromisso, sem ligações e sem sentimentos. Fácil, pratico e indolor.
– Sei... – falou desconfiada – Apenas sexo casual.
– Exatamente – confirmei — Espera um pouco. Quando foi que você descobriu o que era sexo casual mocinha?
– Pode parar Dam, eu já tenho 19 anos, não sou mais aquela garotinha que você jogava nas costas e corria pela casa toda.
eu sabia disso, Aprill sempre foi muito independente. É o meu orgulho, está estudando moda na Academy of Desing. Ela ainda mora na nossa antiga casa em Toronto e mora com nosso tio Zack que a considera uma filha, assim como eu e Stefan.
– Ainda posso de te jogar nas minhas costas. — a ameacei divertido.
– Nem pense nisso Salvatore! – repreendeu – Queria saber se posso passar minhas férias com você. Sinto sua falta. – declarou a ultima frase com um suspiro.
– Claro que sim, seria ótimo. — após um longo tempo eu estava verdadeiramente feliz pela visita da minha irmã.
Aprill não vem me visitar desde o que aconteceu com Rose, nem ela e muito menos Stefan, não por ser uma opção deles que tentaram a todo custo se aproximarem de mim quando eu deixei claro que não queria receber ninguém, mas a verdade e que eu não queria que me vissem fraco e vulnerável, e foi assim que eu me dediquei exclusivamente ao trabalho, fazendo-o se transformar na minha maior distração.
– Ótimo! – disse animada — Chego no próximo fim de semana. Pode vir me buscar no aeroporto?
– Não posso. – suspirei — Tenho uma conferência em Chicago, mas não se preocupe mando Finn buscá-la. Tudo bem?
– Ér.. Tudo — respondeu em um sussurro.
– Aprill...- tentei explicar.
– Eu sei. É seu trabalho. — falou num tom obvio. – Vou desligar, te vejo em uma semana. Te amo. – falou carinhosa.
– Também te amo. – Digo e desligo.
Deitado novamente, observo algum ponto fixo no teto do meu quarto e reflito palavras ditas a pouco pela minha irmã caçula.
“você trabalha demais, precisa de um tempo para você”.
Sorri amargo ao constatar que aquilo era nítido. O que eu faria com esse tempo livre afinal? Eu não tinha muitos amigos, meu relacionamento com a minha família era problematicamente complicado, não tenho namorada.
Sem falar que a grande maioria das mulheres que eu conheço, são todas iguais, as mesmas preocupações fúteis e o temperamento infantil.
Rebekah e Loise eram a copia fiel desse tipo de mulher.
Refletir sobre isso me levou direto para quem evitei pensar nas ultimas 48 horas, inesperadamente minha mente viajou para a morena com todo aquele atrevimento e petulância afeiçoados pelas duas perolas castanhas. Se eu fechasse os olhos poderia ouvir nitidamente o tom doce da sua voz, ou seus belos olhos me fitando com irritação.
Um sorriso escapa dos meus lábios, ao perceber que apesar dos insultos proferidos pela boca bonita, ela conseguiu que nenhuma outra pessoa conseguiu. Me tirar do serio.
Foi uma situação inusitada pra mim. Nunca nenhuma mulher me tratou daquela forma, pelo contrario elas normalmente se jogam aos meus pés, mas a morena me desafiou, em nenhum momento sentiu o que as pessoas sentem a me ver: Medo. Ela era diferente, uma garota de fibra. Franzo as sobrancelhas quando uma súbita e estranha vontade de vê-la novamente invade meus pensamentos.
Eu devo estar enlouquecendo.
– Damon querido, Stefan está na sala. – diz sorrindo genuinamente.
Sou desperto dos meu conflito de pensamentos pela voz tranquila de Carmem, minha governanta de 62 anos e segunda mãe.
– O que meu irmão quer? — perguntei entediado.
– Ele diz querer falar com você.
– Tudo bem. Obrigado Carmen. – Agradeci à senhora de cabelos grisalhos.
– O café da manhã já está pronto.
– Ok. Avise-o que já estou descendo. – ela sorri e sai.
Afastei as cobertas e me coloquei em pé. Depois de um banho, coloco uma calça de moletom qualquer, passo os dedos entre os fios desordenado de cabelos e sigo rumo as escadas. Encontro meu irmão no meio da sala, encarando um dos grandes quadros posicionados no hall.
– Bom... Estou aqui.
– Damon. – me comprimento com um educado aceno. – quanto tempo irmão. – sorriu.
– Não seja exagerado Stefan, foram só alguns meses.
– Foram longos para mim irmão, como você está? – perguntou verdadeiramente preocupado.
– Ótimo. Não poderia está melhor! – lhe lanço o meu sorriso mais sarcástico arrancando um sorriso largo dele.
– Você não mudou Damon.
– Não vejo razão para isso. – sorriu amarelo – Bom, seja breve preciso reler algumas papeladas. – queria acabar logo com aquela conversa, eu amo meu irmão, porém ele me faz relembrar algumas lembranças não tão boas. Lembranças dela.
– Claro, serei breve. – respondeu.
– Sente-se. – indiquei o grande sofá em tons de cinza escuro em formato de L posicionada na ampla sala.
– Obrigado. Bom estava em Seatton a negócios e conheci uma garota bastante especial e... – falou com um sorriso bobo nos lábios o que me fez revirar os olhos.
– Corte a melação e seja direto maninho. — interrompi sentando-me em uma das poltronas de madeira maciça em frente ao sofá.
– Estamos namorado e eu gostaria de apresentá-la a você.
– Por quê? – perguntei confuso.
– Porque eu estou apaixonado. – pausa – E vou pedi-la em noivado.
– Como? — disse ao ponto de Carmen ouvir da cozinha – ficou louco Stefan? Conhece ela há quanto tempo?
– Três meses. – falou como se fosse à coisa mais normal do mundo.
– E já quer pedi-la em casamento? CASAMENTO Stefan. — Disse bravo enquanto ele prosseguiu com tranquilidade.
– Eu sei. É pouco tempo admito, mas ela é a mulher da minha vida Damon, eu nunca senti isso por ninguém. — notei que enquanto ele falava seus olhos possuíam um brilho que eu nuca vi antes, mas que conhecia muito bem nos olhos dela.
– Se quer fazer besteira faça, mas não quero presenciar isso. — falei me levantando.
– Por favor, Damon. Você é meu irmão, eu preciso do seu apoio, queria que meu irmão estivesse presente.
– Stefan... – tentei argumentar enquanto ele andava até mim.
– É importante para mim irmão. – Seus olhos verdes imploravam enquanto segurou meus ombros esperando minha resposta.
– Tudo bem. – revirei os olhos, ele sorriu e inesperadamente me abraçou deixando-me sem reação, mas aos poucos me rendi aquele abraço que pelo que eu me lembro, não acontecia a um longo tempo.
– Ótimo, hoje as 20:00 no Plaza. – informou indo em direção ao hall de entrada.
– Ok. – respondi rumo à cozinha.
– Damon?
– O que? – perguntei girando os calcanhares e observando sua figura parada no hall.
– Obrigado. – abriu aquele sorriso de garoto que me fez sorrir em resposta, revirei os olhos e fui tomar café.
Elena
*
Eu estava a exatamente longos e tortuosos quarenta minutos naquela sala, sentada em uma cadeira nada confortável enquanto ouvia o sermão do reitor sobre minha “atitude desnecessária” de acordo com suas palavras.
– Desculpe-me senhor Collin, mas não me arrependo de nada do que falei ao Sr. Salvatore. — falei convicta – Além que ele ofendeu não somente a mim, mas todos naquele auditório.
– Não importa o que ele disse Elena, se trata de Damon Salvatore o homem que tem poder suficiente para demitir todos desta instituição e ainda não satisfeito ele te processa por danos morais. – ele estava realmente bravo – Espero que isso não volte a acontecer. – sentenciou.
– Como quiser. – respondi – Posso ir agora? – perguntei.
– Claro – não esperei nenhum segundo a mais, me direcionei a porta e seguir pelo extenso corredor rumo à sala de aula.
*
– Eu ainda não consigo acreditar no que você fez? – Bonnie se pronunciou pela primeira vez desde a nossa vinda ao apartamento naquela manhã calorosa de domingo.
– O que você esperava? Que eu ficasse ali sentada ouvindo aquele prepotente falar que pra crescer na vida tem que passar por cima dos outros? – perguntei incrédula enquanto saia do banho, enxugando os cabelos na toalha.
– Sinceramente? – Bonnie riu – Conhecendo você como eu conheço, já devia saber que ele teria uma resposta. – respondeu debruçando-se sob a cama, enquanto eu abria o pequeno closet à procura de algo confortável. – Porém ele poderia ter te processado, sorte sua ter levado apenas uma advertência do reitor, a propósito como foi? – fez uma careta.
– Cansativo e entediante. – dei de ombros ainda de costas para baixinha que riu com a minha resposta.
– Se fosse eu estaria morrendo de medo.
– Bonnie eu não tenho medo dele. – disse convicta, e não tinha mesmo, ele sendo quem fosse.
– Eu sei. – riu – mas vamos ser sinceras. Apesar de todo aquele jeito estranho dele, ele é o homem mais bonito que eu já vi. – Bonnie suspirou enquanto se referia ao Salvatore e eu revirava os olhos.
– O que tem de bonito tem de arrogante. – Muito bonito a propósito, se não fosse tão cheio de si. Pensei.
Virei para Bonnie que revirou os olhos pela minha resposta.
– Mudando de assunto, com estar indo com kol? – perguntou cautelosa.
– Normal – falei a verdade dando de ombros.
– Só... Normal? – quis saber.
– Nós não temos nos falado muito desde o começo das aulas. – respondi colocando o pijama de panda que parecia mais um conjunto de retalho de tão velho que estava. – Depois da discussão que tivemos, eu fui pra Richmond e ele foi visitar os pais em Boston, meio que estamos sem nos falar desde então. – sentei-me ao seu lado da cama.
– Vocês eram tão felizes no colégio. – Bonnie suspirou sorrindo.
E aquela sensação nostálgica se fez presente da época em que éramos adolescentes e vivíamos como se cada dia fosse o ultimo. Festas, diversão, vivíamos felizes.
Meu namoro com kol era perfeito, porém ele começou a planejar “nosso futuro” como ele costumava se referir e eu não queria aquilo... Não me sentia preparada, não naquele momento.
Eu era apenas uma garota de dezesseis anos com aparelho e cabelo engraçado. Ele também faz faculdade, está no penúltimo ano de administração, namoramos a três anos longos e felizes, mas com o tempo as coisas foram mudando e hoje nos encontramos assim, mais distantes que o polo norte.
– Éramos! — suspirei – Então... – tentei mudar de assunto. — A Carol deu noticias?
– Ainda não. – fez uma careta engraçada.
– Hurum. – respondi.
– E o Jer? – Perguntou ansiosa.
Desde o ocorrido noite passada, Bonnie e eu nos retiramos da maldita festa de boas vindas e preferimos ir pra casa ver maratona de Dr house e comer sorvete.
– Bom ele ainda está em Los Angels, disse que o voo foi cancelado, mas se tudo der certo chegará amanhã.
Bonnie concordou e baixou a cabeça.
– Não fique assim Bonn. – segurei seus ombros – Você ainda será uma Gilbert. – pisquei cúmplice antes de sorrir e levantar da cama — vou assistir algo, você vem? – perguntei na soleira da porta.
– Não. Tenho uma prova na segunda, vou ter que estudar. – disse cabisbaixa.
– Boa sorte então. – desejei seguindo para a sala.
***
– Chato, entediante, desnecessário. – Falei em voz alta, jogada no sofá zapeando os canais de TV, que em minha opinião não tinha nenhum propósito. Parei aleatoriamente em um canal qualquer enquanto me debruçava sobre a mesinha de centro em busca de mais um biscoito de chocolate com avelã. Ao longe se ouvia a voz insuportável da repórter local. Andie Smith com toda sua elegância, narrava mais uma das suas reportagens.
“ Gravamos uma entrevista especial para o programa de hoje. Apesar de muito ocupado ele nos presenteou com essa maravilha entrevista. O magnata dos negócios de Manhattan, gênio filantropo e bilionário Damon Salvatore, dono das empresas Salvatore Segurity & Tecnology.
“O que o senhor tem a dizer sobre essas diversas crises financeiras que muitas empresas enfrentam?”
“O principal motivo das empresas sofrerem essas crises é por que não sabem administrar seus negócios e...”.
Congelei ao ouvir o nome daquele que vem invadindo a minha mente há exatamente 48 horas.
O biscoito ficou parado a centímetros da minha boca e eu já não sentia mais tanta vontade assim de come-lo, minha atenção estava voltada para o movimento que seus lábios carnudos faziam a cada palavra pronunciada.
Damon falava como se aquilo fosse à coisa mais importante da sua vida e deveria ser mesmo já que ele é um dos melhores. Como da primeira vez ele estava em um impecável terno, só que dessa vez era negro, o que realçava a tonalidade exuberante da sua pele alva. Suas bochechas ligeiramente rosadas, dando-lhe um ar jovial e os olhos, meu Deus aqueles olhos eram como duas esferas de tão azuis.
Por mais que tentasse negar, aquele homem possuía uma beleza digna de um Deus do Olimpo ou então de alguma pintura renascentista, sem exageros. Mas apesar de suas feições esculpidas por Picasso ou Da Vince ele não escondia sua personalidade um tanto que bruta.
Foi o som estridente do telefone que me fez sair da hipnose dos olhos intensamente azuis de Damon Salvatore e hesitantemente levantei e alcancei o aparelho escandaloso.
– Quem é? – perguntei desinteressada ainda contemplando o moreno que sorria educadamente por algo que a repórter Oferecida falou, o que me fez estreitar os olhos para a TV.
– Primeira dica: Sou a loira mais linda e simpática de toda NYU, sem falar nas minhas habilidades de persuasão, acho filhotes de cachorro fofos, amo Dolce&Gabbana, e vou te contar um segredo. Aos sete anos queria ser uma princesa, porém estou prestes a balançar Manhattan e me torna a melhor jornalista do New York Times. Sem contar que tenho as melhores amigas de todo o mundo. Precisa de mais? – Tagarelou dando uma risada tão característica no final.
– Caroline Forbes! – respondi animada – Onde você estar? – reaprendi.
– Boa tarde para você também Elena, e obrigada por perguntar se estou bem. Estou no... Espera um minutinho. – disse enquanto certamente ia verificar sua localização. Ri com o pensamento.
– Estou no Plaza.
– Céus! O que você está fazendo em um dos hotéis mais caros e luxuosos de New York? Quando chegou?
– Acabei de chegar e respondendo sua pergunta, estou com meu amor. – juro que se estivesse a vendo, ela estaria com um sorriso de orelha a orelha.
– Que seria...? – perguntei confusa.
– Meu namorado. – falou como se fosse obvio.
– Ok. Calma, namorado? Desde quando?
– Longa historia te conto tudo depois.
– Quando vai voltar? – perguntei – estamos sentindo sua falta. – suspirei.
– Hoje à noite. Eu volto com vocês.
– Volta de onde? – perguntei confusa.
– É o seguinte, ele ficou curioso e quer conhecer você e a Bonn, então me pediu para convidá-las a jantar conosco no restaurante do hotel.
– Nossa! – falei animada – seria ótimo.
– Então esta combinado as 20:00, mande um beijo pra Bonn.
– Ok. – disse enquanto ela me passava o endereço do hotel.
– E Elena?
– Quê?
– Vista algo bonito. – disse rindo. Bufei com aquele comando típico da Carol.
– Pode deixar! — a tranquilizei – Tchau.
– Tchau!
Desliguei e caminhei ate o sofá, desligando a TV onde a imagem do moreno tinha sido substituída por algum programa de culinária. Suspirei e segui pelo estreito corredor ate o quarto de Bonnie para informa-la do nosso compromisso a noite.
*
Exatamente as vinte horas e vinte quatro minutos — resultado do transito infernal da agitada New York — Bonnie estacionou seu carro na grande fachada do famoso Plaza.
Após passar a chave para o manobrista, seguimos rumo ao restaurante que observei encantada, exalando o perfume magnífico de Jamim Gardênia devidamente espalhadas por todo o local amplo, composto por diversas mesas impecavelmente organizadas, iluminadas pelos luxuosos lustres tornando o ambiente agradável e familiar.
Vagando pelo ambiente, avistei no lado oposto Caroline com um sorriso ansioso acenando em nossa direção, acompanhada do homem de cabelos castanhos claros que ao me aproximar fitei seus olhos verdes e seu sorriso genuinamente simpático, estampados em seu rosto de traços finos e corpo atlético, apesar do seu elegante terno cinza que o cobria.
Muito bonito. admiti, mas ainda assim não se comparava a beleza inumana do Salvatore, no mesmo instante me reprendi mortalmente por tal comparação e pensar no arrogante daquela forma.
Devo estar ficando louca.
Deixando meus confusos devaneios de lado, sorriu amigavelmente para o homem que acompanhava o gesto da namorada, que se levantou e me proporcionou um abraço considerado sufocante por muitos.
– Lena, você veio! – falou sem me soltar.
– Claro Carol. – retribui seu sorriso.
– Bonnie! – me largou abraçando a baixinha que ate agora permanecia calada – Eu estava com tanta saudade.
– Também estávamos. – respondeu mostrando seus dentes perfeitamente brancos em um sorriso contagiante. Carol se afastou de Bonnie ajustando o deslumbrante vestido dourado com um ousado decote V e posicionou se ao lado de homem.
– Meninas esse é o Stefan. O amor da minha vida! — apresentou com um sorriso bobo nos lábios ao pronunciar o nome do homem que retribui o sorriso em uma verdadeira forma de admiração. Dei um passo à frente e estendi a mão ao mesmo.
– Prazer, Elena Gilbert. – sorri simpática.
– Stefan Salvatore. – respondeu devolvendo meu comprimento.
No mesmo instante perdi o sorriso nos lábios dando lugar a um olhar confuso que aos poucos se transformaram em surpresa, ansiedade e algo desconhecido.
– Salvatore? Como Damon Salvatore? – eu sabia que aquela era um pergunta retórica, mas eu não conseguia associar algum parentesco entre o homem loiro de olhar simpático e aquele ogro de olhos azuis.
Antes que Stefan pudesse responder aquela voz aveludada ecoou pelos meus ouvidos eriçando os pelos da minha nuca e me deixando ligeiramente embriagada pela fragrância única da sua colônia masculina.
– Primeiro e único, mas acredito que a senhorita já saiba disso. – sussurrou atrás de mim, me fazendo virar o corpo lentamente e o analisando de baixo para cima. Prendi a respiração nos pulmões e fui esmagada pela presença daquele homem.
Ele estava ainda mais ridiculamente lindo. Olhei para seus sapatos negros, o terno azul escuro aberto que contrastava perfeitamente com a camisa social branca com os dois primeiros botões abertos, deixando amostra à pele alva do seu pescoço dando-lhe um ar ainda mais másculo e irresistível.
Como se aquilo fosse possível.
Seus cabelos estavam levemente bagunçados de uma forma selvagem e sexy. Fitei seus intensos olhos azuis acompanhado de um sorriso lateral de tirar o fôlego.
Meu Deus!
Senti algo quente subir pelo meu corpo quando seus olhos lascivos percorria cada centímetro da minha pele, me deixando quente, senti as palmas das mãos soerem vergonhosamente e podia jurar ouvir os meus batimentos cardíacos soando em meus ouvidos como um trem desgovernado.
Como ele consegue provocar todas essas reações no meu corpo com apenas um olhar? Eu não sabia dizer, minha única certeza, era que eu estava definitivamente atraída por Damon Salvatore.
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