This Is About You
3 Conhecendo o Inimigo
Notas iniciais
Citação: "O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso."
Elena Gilbert
– Bom... Estou aqui. – disse enquanto sentava em uma das cadeiras desconfortáveis da terceira fileira. – Agora é com você Bonnie. Jeremy ligou, já deve estar chegando.
Olhando a minha volta notei os universitários tomando seus lugares no amplo auditório devidamente organizado para a palestra de boas vindas. Todos os anos algum empresário de renome era convidado a abrir a festa de boas vindas com alguma palestra “motivacional” como o diretor Collin se referia.
O grande palco estava preparado para quem quer que fosse o palestrante, havia um projetor direcionado a uma extensa tela centralizada ao fundo do palco, um banner escrito em letras grandes “Liderança: O caminho Para o Sucesso” , no meio do palco havia uma mesa de carvalho com uma jarra de água e algumas pastas.
– Lena... — Bonnie choramingou pela 10ª vez. Ela fez isso durante todo o trajeto do nosso dormitório até ao auditório. Olhei novamente para o banner e abaixo do tema da palestra estava escrito Damon Salvatore. Salvatore... Aquele nome não era desconhecido, mas resolvi deixar minhas duvidas pra outra hora e tentar persuadir Bonnie novamente.
– Bonnie você está fugindo, como sempre faz quando se trata do Jeremy... — levantei cruzando os braços, irritada com a baixinha vestida em uma calça jeans e uma blusa florida combinada com suas botinas. Bonnie me olhou com seus grandes olhos amendoados.
– Elena, você tem que me entender, eu não sei o que falar... – dizia movimentando os braços num típico sinal de nervosismo. – Ou agir, eu não sei. Ele é tão lindo e legal, e eu... — terminou tristonha referindo-se a si mesma.
Sem dizer uma palavra me aproximei e a envolvi em meus braços.
– Olha, você é incrível Bonnie! – disse enquanto olhava diretamente nos olhos que agora ganhara um brilho especial.
– Sou?- ela murmurou esperançosa.
– Obvio que é! — abri um largo sorriso — Você é linda, inteligente, se preocupa com seus amigos, ama sua família, é um amor de pessoa. Jeremy que é idiota por não perceber que você gosta dele. – sorrimos e ela hesitantemente concordou, em seguida a soltei e apontei para seu rosto em formato de coração – Agora a senhorita vai sentar aqui do meu lado e quando o Jeremy chegar, você não vai arranjar nenhuma desculpa, como por exemplo, ir ao banheiro.
– Pode deixar. – levantou as mãos pra cima em forma de rendição – Hey aquela não é a vicki?!
Olhei na direção em que Bonnie apontava, e lá estava ela com sua famosa calça de couro, uma blusa azul com um colete da mesma cor que a calça, e seus cabelos vermelhos soltos dando-lhe um ar jovial, e era exatamente isso que vicktoria Donovan era. Jovem, porém um pouquinho louca, admito.
– Hey garotas... – ela falou enquanto se aproximava – Oi Bon! – sorriu abraçando a baixinha — Estava com saudades. – murmurou.
– Claro você some o verão inteiro, e nem um sms com “oi pessoal, estou viva” você nos manda... – disse indo ao encontro da ruiva que exibia um sorriso sincero no rosto.
– Senti sua falta. – confessei enquanto a abraçava.
– Ah desculpa Lena... — desculpou se ainda me abraçando – É que a Kelly sumiu e Matt e eu ficamos preocupados, porém ela tinha ido embora novamente com um dos seus namorados então formos pra Vegas. – se afastou dando um pulinho animado.
– Vegas vicki? meu Deus, vocês são dois malucos. — falei acompanhando a risada de Bonnie.
– Foi maravilhoso, eu pensei, ficar em casa me lamentando por minha mãe nos deixar mais uma vez, ou aceitar a proposta do Jason para passar as férias nos cassinos de Las Vegas! — falou animada – claro que escolhi a segunda opção, Leninha.
– Não me chame de Leninha, detesto esse apelido ridículo, vick. – digo brava cruzando os braços.
– Não esta mais aqui quem falou...- fez biquinho e deu uma pausa- leninha — sua risada foi acompanha da por Bonnie.
– Argggh! — virei para a grande porta de saída, decidida a ir lá fora tomar ar, mas a voz do Diretor Collin, interrompeu meus pensamentos e derrotada caminhei de volta e sentei ao lado das duas.
– Boa noite estudantes, espero que tenham tido ótimas férias, como sabemos todos os anos abrimos o período de aulas com alguma celebração é... –o reitor disse empolgado.
– Aff pra que essa droga de palestra... — bufou vicki do meu lado. – Alguém conhece o cara?
– O nome dele esta bem na sua frente. – ironizou Bonnie apontando o grande telão.
– Damon Salvatore. — testei o nome outra vez, tentando lembrar de onde já o tinha ouvido.
– Deve ser um velho rabugento com ao terno sujo de rosquinha e transpirando por chegar atrasado. – zombou Vicki me fazendo rir pela sua teoria.
– Shiiu! Eu quero prestar atenção... — Bonnie pediu. — E não importa qual a aparência dele, o cara é um gênio bilionário, tem sua própria empresa, é conhecido no mundo inteiro, fala cinco idiomas e...
– Espera um minuto Bennett... – disse Vicki levantando o indicador – Você estudou a vida do Salvatore.
– Não bobinha – Bonnie retrucou- Apenas ouvir o diretor falando quando entrei. Agora vê se ficam caladas.
Revirei os olhos e foquei novamente minha atenção no palco.
– É com imensa satisfação que a New York University recebe pela primeira vez o empresário, diretor, filantropo e gênio do empreendedorismo, Damon Salvatore presidente da Salvatore Segurity & Tecnology.
Todos se levantaram e um salve de palmas explodiu por todo auditório enquanto o homem vestido com um terno elegante subia majestosamente os degraus que o levaram até o palco. Minha primeira reação foi sentar novamente e a segunda foi o quanto a primeira reação era idiota.
– Uau! — Vicki disse empolgada — Que gato... – tracejava com o olhar descarado o corpo do homem.
E que corpo. Admirei o homem vestido em um terno cinza acompanhado da gravata negra, assim como os refinados sapatos que com certeza eram italianos, Damon Salvatore cumprimentou o diretor Collin com um aperto de mão firme enquanto se direcionava ao seu lugar no centro do palco.
– Ele é muito lindo mesmo. — Bonnie acrescentou encantada pela imagem a sua frente. – Não é Elena, ele não é lindo?
– Érr... Bonitinho. — dei de ombros não querendo demonstrar minha avaliação mental daquele homem de olhos extremamente azuis. Lindo não, perfeito.
Seus olhos eram claros, não dava pra identificar propriamente qual a coloração da sua Iris, mas eram claros, maravilhosamente claros.
– Primeiramente obrigado pelas palavras Sr Collin... – A voz grave verbalizou por todo o auditório eriçando os fios de cabelo da minha nuca, indireitei-me na cadeira enquanto tentava disfarçar o quanto aquele simples ato de falar mexeu comigo. – Bem eu vou ser sincero e falar que eu nunca ministrei uma palestra para um publico tão jovem quantos este, e realmente espero que não fique muito cansativa ou entediante.
– Impossível. – Vicki sussurrou maliciosa, balancei a cabeça em gesto negativo enquanto todos começaram a rir com a quase piada do Salvatore.
– O tema da palestra com todos sabem é o caminho para a liderança, que a propósito não é um caminho fácil a ser percorrido requer atitude, iniciativa por que o papel de um líder requer muito profissionalismo, tempo e responsabilidade, a função do mesmo é gerenciar e trazer para a sua empresa um excelente desempenho dos membros da sua equipe. – o moreno começou já deixando todos boquiabertos pela sua introdução ao assunto. Ele é bom! Pensei.
Enquanto ele continuava seu discurso, a única coisa que ocupava minha mente era o quanto sua pele era límpida em contraste com seus fios negros como a pena de um corvo, o seu olhar era duro, frio, calculista. O nariz romano, as maças do rosto moldadas, seu único defeito, talvez fosse que desde o momento em que entrou não esboçou no mínimo um sorriso simpático. Mas tinha uns lábios tão admiráveis que era quase uma ofensa não sair um sorriso dali.
–... Então surge a pergunta que muitos de vocês estão se questionando nesse exato momento. Como gerenciar corretamente a equipe a obter sucesso? Em primeiro lugar é importante afirma que não existe uma solução mágica para que isso ocorra, um líder de sucesso não surge de um dia pro outro ele surge de um conjunto de experiências e habilidades. – continuo recebendo uma aglomeração de palmas. — Se querem realmente saber... – pausou — No meu ponto de vista, o líder deve esta à frente de tudo, ele não pode ser subestimado por nenhum dos seus funcionários, ele tem que ser autoritário se quer que a sua empresa progrida, subordinados são pagos para te obedecer e não contestar suas escolhas e... – Ele continuo a falar e todos do auditório estavam boquiabertos assim como Bonnie e Vicki que estavam estáticas ao meu lado.
Retiro o que eu disse, ele esta longe da perfeição. Grosso, arrogante, Prepotente, como ele ousa dizer uma coisa dessas.
Reunindo coragem que não sei de onde surgiu, me pus de pé em instantes e fiz algo muito arriscado, enfrentei Damon Salvatore.
– Sr. Salvatore, acho que você está sendo muito equivocado em seu ponto de vista. – Antes que eu pudesse pensar direito, as palavras apenas saíram da minha boca. Olhei para Bonnie ganhando o seu olhar repreensor, vi Vick afundar lentamente em seu assento e colocar os óculos escuros.
Respirei fundo e cruzei os braços frente ao corpo, só depois consegui levantar meus olhos para o palco e estremeci em seguida com o olhar glacialmente mortal que era direcionado a mim, engoli em seco, me arrependendo mortalmente de ter feito a estupidez de ter aberto a boca.
Muito bem elena Gilbert, você acaba de ferrar sua carreira acadêmica.
*
Damon Salvatore
– Sr. Salvatore, acho que você está sendo muito equivocado em seu ponto de vista. – Meus ouvidos alcançaram o tom enfurecido de uma voz doce o que soava totalmente irônico.
Voltei minha atenção para a plateia repleta de estudantes entediados e meus olhos correram até a terceira fileira estava uma morena de no máximo 20 anos, com os braços cruzados frente ao corpo e uma posição defensiva. Subi meus olhos pelos canos baixos que usava e subi pelas pernas bem definidas sob o jeans justo, a blusa de mangas compridas escondendo seus seios médios e finalizei minha avaliação focado nos olhos mais amendoados que já pus os olhos.
– Qual o seu nome senhorita? – Perguntei em voz baixa. Notei quando ela entreabriu os lábios e estremeceu de leve, entortei um pouco a boca em um meio sorriso pela sua reação.
– Elena. Elena Gilbert. – falou levantando o nariz de forma petulante. Meus olhos vasculharam seu rosto de traços delicados contradizendo bastante com seu tom de voz e postura. Seus cabelos eram amendoados e totalmente lisos, caindo em cascata pelos seus ombros até a altura da cintura fina.
– Então senhorita Gilbert... – avaliei seu sobrenome vagarosamente, que diabos de sobrenome era aquele. – Gostaria que compartilhasse suas perspectivas em relação ao assunto conosco.
Ela pareceu por um momento surpresa pelo meu tom de voz calma e piscou os densos cílios negros antes de responder.
– Com a permissão da palavra... No meu ponto de vista, um bom líder deve demonstrar ao seus subordinados que todos estão no mesmo barco, que são realmente uma equipe. – Ela tomou uma breve respiração antes de prosseguir. – O sucesso depende do esforço de cada um, as responsabilidades de liderar vão além de comandar uma equipe. Um bom líder cultiva, desenvolve e dá importância as pessoas da equipe, se quer servi de inspiração e exemplo, sem menosprezar diminuir ou intimidar ninguém, como suponho que seja um dos métodos usados pelo senhor. – Terminou franzindo os lábios rosados em uma Lina fina e mantendo seu olhar no meu. Aquilo me excitou, muito. Ela era audaciosa e apesar dos meus olhos queimarem em direção do seu ela não demonstrava medo ou arrependimento.
– Claro, claro. Argumento totalmente aceitável senhorita, mas as competências de um bom líder não se restringe somente a textos de apostilhas ou disciplinas de setenta horas que a três ou quatro anos você não lembrará nem mesmo o significado, na pratica é totalmente diferente desse mundinho de Xerox.
– Primeiramente senhor Salvatore não use da sua arrogância comigo, por que não vai funcionar. — respondeu insolente, antes que possa abrir a boca e cotestar, ela levantou o polegar em um gesto de silêncio. Foi isso mesmo que eu vi? Ela me mandou calar a boca? No mesmo instante cerrei os olhos.
Iniciou-se um coro de burburinhos, todos abismados com a petulância e coragem da garota me encarando com a sobrancelha erguida e ainda de braços cruzados em forma de defesa.
– Tenha cuidado com as palavras senhorita Gilbert. Primeiro me chama de arrogante, depois duvida das minhas qualidades como líder e para finalizar supõe como seria minha forma de conduzi minha empresa, foi isso mesmo que eu ouvi?
– Sim — ela diz convicta. — Palavra por palavra. – Olhei no fundo dos seus olhos amendoados e desci do palco, a cada passo que eu dava na sua direção, ela dava um passo para trás, sorri com sua petulância e me aproximei dela.
– Vou ser mais claro senhorita – falei bem perto do seu rosto, pude ver os olhos dela se arregalarem, porém disfarçou a surpresa que sentia – Eu sou um dos maiores empreendedor dos Estado Unidos e não vou aceitar uma afronta vindo de uma mera estudante, atrevida, insolente, e intrometida como você... – à medida que falava percebi as bochechas da morena começar a adquirir um tom avermelhado, era nítido em seus olhos amendoados raiva que transbordavam deles. — E mal-educada ao ponto de interromper uma palestra, então pense duas vezes antes de me desafiar e dizer coisas ao meu respeito.
Ela soltou uma risada irônica e cortou o pequeno espaço que restava entre nós, senti sua respiração alterada golpear meu rosto e por alguns segundos me distrai com a beleza do seu rosto ali tão perto. — Primeiro não merece minha educação Sr Salvatore, você pode ser quem for inclusive o maior empresário de todo o continente e blá blá blá , o que eu vejo é um homem arrogante, prepotente, grosso, e petulante que o único propósito na vida é mandar e desmandar, então eu não vou retirar o que eu disse, por que é a mais pura verdade. — a fitei com ódio no olhar enquanto ela friccionava o dedo em meu peito. – O Sr. pode mandar na sua empresa, não em mim. – sussurrou e sorriu.
Não sei se passamos segundos ou minutos ali encarando um ao outro, eu poderia dizer alguma coisa, rebaixa-la, faze-la pedir desculpas, mas simplesmente fiquei ali, encarando seus olhos intrigantes e tentando evitar a todo custo olhar sua boca esperta.
A verdade é aquela garota me surpreendeu com sua atitude, nenhuma outra pessoa teve coragem de falar assim comigo ou me enfrentar, eu me divertia com a situação, era algo novo, improvável.
– Elena... Vem por favor, todo mundo esta olhando, você vai se dar mal, vem. – virei o rosto e notei uma baixinha de cabelos curtos falar segurando o cotovelo da morena estática a minha frente.
– Isso não acabou ainda. – murmurei olhando diretamente para as orbitas castanhas.
– Não mesmo. – a atrevida respondeu no mesmo instante em que a outra praticamente a arrastava pelo corredor de saída.
Soltei a respiração e subi novamente no palco, percebendo a áurea tensa que se instalou no local, olhei a minha esquerda e puder ver o diretor Collin petrificado no local com a face desfalecida, certamente confuso pelo ocorrido.
Continuei com a palestra como se nada tivesse acontecido e pouco a pouco os alunos foram prestando atenção e não pareciam nem um pouco entediados com a palestra ou abalados pelo ocorrido. Eu por outro lado, não conseguia parar de pensar na atitude da atrevida.
E foi assim que elena Gilbert entrou na minha vida.
Fale com o autor