Thinking Bout You [HIATUS]

3 Capitulo 3 - A Prisão


Notas iniciais
Oi pessoinhas Fiquei mt feliz e triste ao mesmo tempo... feliz porq a história teve mts acessos, mas triste porque apenas um comentario.. :v

Pov Kate’

ATERIORMENTE:

–-Meu nome é Rick Grimes. E eu gostaria de te fazer três perguntas.

–-Sou Katherine Austen e... ok. -Depois de um curto período constrangedor que passei o encarando (admirando sua beleza, diga-se de passagem) consegui formular apenas essas palavras idiotas.

–-Quantos walkers você já matou? -Sério que ele queria me perguntar isso? Dos milhões de perguntas interessantes, se é que me entendem, que esse cara podia me fazer ele pergunta justo isso? COMO DIABOS EU VOU SABER?

–-Dezenas? Centenas? Milhares? Como eu vou saber? -Revirei os olhos. As pessoas ao nosso redor fizeram o mesmo, pareciam entediadas, mas ao mesmo tempo atentos á minhas respostas.

–-Quantas pessoas você já matou? -Ok, essa sim era uma pergunta pra valer. Eu poderia mentir, mas se quisesse mesmo leva-los pra Alexandria eu teria que ser o mais verdadeira possível. Eu falaria a verdade, aceitariam ou não, a escolha é deles.

–-Mais do que eu poderia contar. -Sim, o que mais ficou surpreso ali foi o Glenn. Ele sempre soube que eu não era flor que se cheire, mais nunca deve ter me visto como uma assassina. Ninguém me vê assim na realidade, eu acho que quando olham pra mim veem uma garota mimada que só esta viva por sorte. Mas eles estão enganados, já lutei em mais guerras que eles podem imaginar. Antes e depois do apocalipse.

–-Por quê?

–-Simples... -Respirei cansada de tudo aquilo, o vento batia em meu rosto e empurrava meus cabelos pretos embaraçados para trás. Fiz meu melhor olhar de indiferença e fitei aqueles olhos azuis. –Você mata ou morre. E digamos que eu não estou interessada em morrer.

Ele assentiu. Pareceu pensar um pouco e se virou para a pequena multidãosinha que nos encarava.

–-No inverno passado eu disse que isso não era uma democracia. Eu estava errado, não pode ser assim. Vocês decidem, se a querem aqui ou não.

Poucos me fitavam com compreensão no olhar, alguns tinham medo e a maioria parecia indecisa. E foi ai que eu soube, ali eu nunca estaria em casa.

–-Ah, qual é gente, eu a conheço. Ela é confiável. -Glenn olhava pra eles com uma cara de cachorro pidão. Eu sei que ele não queria ficar longe de mim agora, eu também não queria, poxa acabamos de nos reencontrar. Mais eu também sei que ele não os deixaria por mim. Ninguém nunca deixaria nada por mim.

–-O que acham disso? -Rick me parecia tenso e perguntou para os irmãos Dixon, acho que pelo fato deles já terem passado um tempo comigo.

–-A gracinha me pareceu bem confiável. E sei que a conheço de algum lugar, quem sabe ela ficando aqui posso lembrar onde. -Eu simplesmente odiei aquele apelido que Merle me deu, mas também sinto que o conheço, não sei de onde, mas o nome Dixon não me é estranho.

–-A deixamos ficar, se nos entregar suas armas. -O outro Dixon se pronunciou, eles acham que eu sou burra ou o que?

–-Fora de cogitação! Se não me querem aqui tudo bem, abram os portões e eu vou embora, mais não tem nenhuma chance de eu entregar minhas armas. NENHUMA.

Eles pensam que alguém hoje em dia faria isso? Estar preso -literalmente já que é uma prisão- com desconhecidos, num apocalipse cheio de assassinos e estupradores por ai, sem contar esses projetos de monstros que chamamos de walkers e ainda entregar as armas? Só se a pessoa for muito burra ou estiver muito desesperada. Mas eu meio que entendo o lado deles. É só olhar pra essa gente e percebe-se como já passaram por muita coisa. E a julgar pelos vários cartuchos e pelo sangue por esse pátio diria que muita coisa recente. Porém, eu também não daria o braço a torcer.

–-Ok você pode ficar. -Rick finalmente falou, o que fez algumas pessoas bufarem irritadas, está claro que minha presença ali não é bem vinda. –Se nos deixar te trancar em uma cela durante a noite.

–-Não. Não vou ficar presa em um lugar assim de novo. -E essa foi a pior coisa que eu podia ter dito. Ouvi alguns murmurarem ‘’de novo!?’’E se eu não disser nada vão começar a me encher de perguntas sobre o passado. E eu não quero isso. –E aquelas torres? -Apontei para uma delas. Tinham quatro, uma em cada canto da prisão, e uma delas parecia ter sido... bombardeada? Não importa por enquanto.

–-Usamos pra vigia. -Dixon caladão respondeu.

–-Ótimo, eu posso vigiar. -Dei de ombros. Sr. Grimes ( ‘’Sr’’ mesmo porque reparei que ele usava aliança. Agora o porquê diabos eu reparei nisso eu não sei.) arqueou as sobrancelhas, foi caminhando até um ponto mais afastado e fez sinal para mim o seguir.

Caminhei hesitante com uma mão sempre no meu facão preso na cintura, caso ele tentasse me matar ali eu não hesitaria em tentar o matar também. Seria um desperdício mais ok. Ele ficou meia hora -tá, nem foi tanto mais pra mim pareceu- discursando sobre como aquelas pessoas eram sua família, de como já passaram por muita coisa e de como não hesitaria em me matar caso eu tentasse algo, e que eles teriam ordens expressas para fazer o mesmo caso me vissem em uma atividade suspeita. Gostaria de negar, mais ele é exatamente o tipo de pessoa que precisamos em Alexandria. Porque como todas as comunidades têm guerras, nós temos a nossa, e uma pessoa como Rick Grimes nos ajudaria a vencer. Respirei fundo, entediada com seu discurso e quando finalmente acabou, me pronunciei também.

–-Sei que passaram por muitas coisas -usei minha linha de pensamento anterior —é só olhar pra vocês que eu vejo, apenas os fortes sobreviveram. Mais como pode ver, eu também sou forte. E não hesitarei em matar caso me sinta ameaçada. -Ele soltou um longo suspiro sussurrando um ‘’bem vinda’’ e caminhou até aquelas pessoas de novo. O escutei dizendo que eu ficaria mais que iria ficar de olho em mim. Sabe, eu adoraria que você ficasse de olho em mim. Que diabos eu estou pensando? O que Spencer diria? Diabos ele não falaria nada, não temos nada sério mesmo, porém existe um combinado que quando acharmos uma ‘’pessoa especial’’ temos que avisar o outro. Mas provavelmente isso nunca acontecera, isso é o fim do mundo, não um conto de fadas. Ok, como foi que eu cheguei a esse pensamento? Assim que conclui minha linha de raciocínio uma Maggie sorridente seguida por uma garota loira com um bebê vieram até mim e disseram que iam me mostrar o lugar.

**

Acabou que eu não fiquei na torre. Depois de Maggie quase implorar para eu não tirar o único lugar que ela e seu amado japa podiam ‘’ter um tempo sozinhos’’-já que apenas uma das torre estava habitável- claro que eu não ia querer ficar morar lá sabendo que meu melhor amigo usava o local pra transar. Então fiquei com uma cela mais afastada, mas por insistência e desconfiança de Rick, no mesmo bloco que a dele ‘’para poder me vigiar de perto’’, palavras dele.

Carl Grimes um dos seus filhos era meu vizinho de cela, me contou que tinha se mudado pra lá já que não aguentava ouvir sua irmãzinha Judy chorar a noite, e aquelas eram as celas mais afastadas disponíveis. Conversamos e em pouco tempo já ficamos amigos, Carl é um garoto muito legal que adora gibis e está chegando à adolescência. Ele me lembra um pouco eu na idade dele, sempre impulsivo e revoltado com o mundo. Igualzinho a mim na realidade. Enfim, no meio da conversa acabei por descobrir que eles foram atacados por Woodbury um dia antes de eu chegar, e por saber que eu estive lá, toda a desconfiança. Nos encontrávamos sentados na parte de cima do beliche do meu novo quarto conversando sobre banalidades. Se eu fosse morar ali ia ter que dar um trato naquele lugar, aquelas paredes mofadas e essa cama pelada não me agradam em nada, e ainda me lembram do tempo que eu passei em um lugar assim. Mas eu sei exatamente o que fazer.

**

Na manha seguinte mal tinha acabado de acordar e Hershel (que eu descobri ser pai de Maggie e da menina loira que se chama Beth) apareceu por lá pra dar uma olhada nos meus ferimentos. Claro que Glenn todo preocupadinho já foi fofocar que eu tinha levado dois tiros e feito uma auto cirurgia. No fim a infecção estava feia mais a febre pelo menos tinha baixado, ele me aconselhou a manter o local sempre limpo, retirar os pontos daqui a uma semana e disse que ia ver se me conseguia antibióticos.

Calmamente peguei minha mochila que estava na parte de baixo no beliche sujo e enferrujado, e catei uma das minhas poucas roupas limpas. Uma calça legging preta com uma camiseta duas vezes maior que meu tamanho de uma das minhas bandas favoritas. Rasguei um pedaço da minha antiga calça jeans que futuramente eu usaria como uma espécie de cinto, e fui em direção ao banheiro que Maggie e Beth tinham me mostrado ontem. Eu estava tão cansada que nem tinha tomado banho, assim que tive uma chance cai na cama. Encontrei algumas pessoas pelo caminho e as cumprimentei normalmente, estavam todos alertas e com as armas na cintura esperando um segundo ataque do Governador. Eu particularmente acho que ele não vá voltar, porque pelo que me contaram ele fugiu com o que, dois homens?! Deve estar escondido em algum lugar morrendo de medo daquela samurai fodona chamada Michonne o encontrar. Cheguei aos banheiros. Tinha duas portas a minha frente e eu não fazia ideia qual era o feminino e qual o masculino, lembro-me que as irmãs Greene tinham me falado sobre isso ontem, mais eu estava absolutamente entediada e não prestei atenção. Foda-se vai ser rapidinho, se eu entrar no errado ninguém vai notar.

Entrei na porta da direita, para minha sorte não tinha ninguém no lugar e nada que pudesse identificar se era feminino ou masculino, mais decidi não pensar nisso, eu seria rápida. Os chuveiros não tinham divisórias ou qualquer coisa que separasse uma pessoa que toma banho da outra. No meu tempo pelo menos tinham umas cortininhas, mas nem isso impedia as lésbicas de ficarem espiando.

Fui me despindo devagar e jogando minhas roupas todas no canto perto da porta -que pra minha sorte não tinha tranca- então se alguém passasse por ali veria as roupas e não entraria. A água era gelada, já que eles ligavam o gerador só às vezes. Também não tinha shampoo, lavar meu cabelo com sabonete não foi legal, mais ao final de tudo era um banho, e um banho é sempre bom. Como sempre, me esqueci de trazer uma toalha. Eu também nem tinha toalha para trazer, mais uma coisa que terei de pegar hoje na cidade. Nos vários cabides espalhados na parede contraria dos chuveiros havia apenas uma toalha, alguém deve ter a esquecido.

A peguei e passei em meus cabelos que pingavam, quase instantaneamente senti um cheiro de perfume masculino. Merda, era o banheiro errado. Apressei-me a me enrolar na toalha e sair logo da li, mais assim que me virei pra onde tinha deixado minhas roupas vi um vulto querendo sair apressadamente pela porta.

–-Ei! Quem esta ai? -Silêncio. Mas a respiração da pessoa denunciava sua estadia ali. Peguei minha arma (agora com munição) e apontei para a porta. –Eu posso te ouvir, sei que tem alguém ai. É melhor aparecer ou eu vou atirar! -Engatilhei a arma. Tudo que eu menos preciso agora é um maluco espiador de banhos.

–-Ok, ok, desculpe. -Uma voz masculina falou, e então ele apareceu. Rick Grimes estava com sua respiração acelerada e com os olhos negros. Eu sabia o que isso significava, desejo. Eu o encarava sem saber muito o que falar, não é sempre que se pega um policial gato te espiando tomar banho. Ele pode até ser gato, mas ainda estava me espiando! Então interrompi meus devaneios com uma raiva enorme tomando conta de mim.

–-O que estava fazendo aqui?! -Pergunto quase gritando, depois do que pareceu ser um século nos encarando.

–-Eu, hã... eu só... eu estava...hã...eu iaa...sabe..hã..banho... -Ele pareceu constrangido. Qual é, quem tinha que estar constrangida aqui sou eu. Arqueei as sobrancelhas e ele respirou fundo. –Sabe, é o banheiro masculino eu ia tomar banho. E essa toalha aí é minha. –Ok, ele venceu, agora quem estava com vergonha sou eu.

–-Você quer de volta? -Pergunto e só depois me dou conta do que eu disse. Ele pareceu se assustar tanto quanto eu.

–-Hã, não, pode ficar... eu tenho que... -Meio gaguejando com as palavras ele praticamente saiu correndo dali. Ri do seu desespero, e só então terminei meu banho.

**

Depois do meu constrangedor banho fui ajudar com os walkers das cercas, já que estou planejando sair depois do almoço não custa agradar um pouquinho. Tenho que ganhar a confiança e simpatia de todos aos poucos.

Na hora do almoço sentei em uma mesa afastada, e logo Beth se juntou a mim com Judy no colo. Ela era uma garota legal, forte, porém inocente demais para um apocalipse, mas eu entendo o lado dela, claro que ela queria estar lá fora mostrando que é forte e que pode se proteger, mas alguém tem que cuidar da pequena e meio que ninguém queria esse ‘’serviço’’, então o que ela esta fazendo mostra o quão forte ela é. Mas pelo jeito que tratam ela posso ver que sou só eu que penso assim.

Caminhava até Daryl que estava nas cercas para perguntar onde diabos estava as chaves de algum dos carros, quando senti um braço me puxando, pensei em gritar mais uma mão tapou minha boca. Imediatamente mordi aqueles dedos salgados que me impediam de gritar e virei, sacando a arma do coldre. Deparei-me com Merle Dixon.

–-Ei, ei, ei, calma gracinha eu só queria conversar, não precisa apontar essa coisa pra mim. -Suspirei e guardei a arma na cintura, algumas pessoas que estavam por perto observavam nossa pequena movimentação.

–-Conversar? Não da pra me chamar pelo nome não? Me puxando desse jeito até parece um maluco, porra. Eu podia por instinto ter cortado sua garganta seu idiota!

–-Ok, ok foi mal. Pera aí, você agora corta gargantas por instinto? -Revirei os olhos.

–-Fala o que quer logo, que eu tenho mais o que fazer.

–-Não da pra falar aqui, tem muita gente nos assistindo. EI, O SHOW ACABOU VOLTEM AOS SEUS AFAZERES BANDO DE INUTEIS. -E então caminhamos até perto da cerca. Ele me olhava de um jeito estranho, como se fosse cair na gargalhada a qualquer momento.

–-Vai falar ou ficar ai se segurando para não rir?

–-Ok, ok, parei. Olha, eu acho que meu irmão está interessado em você... -PERA QUE? –-E eu meio que vi seu ‘’incidente’’ com o xerife no chuveiro, sabe, Daryl não é bom com essa coisa de sentimentos, e não quero que você o faça sofrer com sua primeira paixão. -PERA QUE?² MAIS QUE DIABOS ELE ESTÁ FALANDO? PORRA O DARYL NÃO ME OLHA NEM NA CARA.

–-É algum tipo de pegadinha? -Tento segurar a risada, mas não tenho sucesso. –-E como assim você viu o ‘’incidente’’? -Imito seu tom.

–-Porra garota, você não é fácil de enganar hein! Vi isso na sua cara dês do começo, mais quis confirmar. É claro que é pegadinha, onde já viu um Dixon se apaixonar? E sobre o seu pequeno ‘’incidente’’ com o xerife era um blefe, que você acaba de cair. Tudo o que eu vi foi ele correndo mais que quem corre do diabo, e logo depois você vindo da mesma direção. -Eu queria poder xinga-lo por me fazer cair em seu blefe, mais eu finalmente me lembrei de onde diabos eu conhecia o Merle, ou no caso deveria conhecer.

–-LEMBREI! PORRA! -Ele me olhava com aquela cara de ‘’tomou seus remédios psicológicos hoje moça?’’

–-Lembrou exatamente do que?

–-Da onde eu conheço você, porra! Ou na verdade deveria conhecer. -Já tinham um bando de curiosos nos observando de longe de novo, mas decidi ignora-los já que Merle ainda não tinha sacado. – Você está diante da chefona dos Blak’s querido. -Ele arregalou os olhos parecendo não acreditar no que eu estava falando.

Blak’s era o nome do meu... difícil achar uma palavra, vamos chamar de cartel. Sim, eu era traficante. Na realidade eu era muitas coisas e traficante estava entre elas. Acontece que na minha área estava chegando um outro produto, e então como você sabe a coisa fica preta quando traficantes invadem a área dos outros. Lembro-me que no dia que o vírus ‘’explodiu’’ eu tinha um encontro marcado com o Dixon, para resolver a nossa pequena guerra. Eu já tinha um ótimo plano em mente, eu o seduziria e o convenceria pacificamente a sair da minha área, mais caso não funcionasse, ou ele fosse gay ia acabar com uma bala na cabeça de alguém. Não é uma época da minha vida que eu me orgulhe muito.

–-PORRA NÃO ACREDITO! -Ele passava a mão na testa perdido em pensamentos.

–-Pois pode acreditar. Pense que essa merda de apocalipse serviu para uma coisa, salvar a sua vida.

–-Ah qual é, salvar minha vida? Eu estava te esperando no local do ‘’encontro’’ quando a merda aconteceu, ainda me lembro da primeira vez que vi uma daquelas coisas. Cara, eu ainda tinha a minha mão.

–-Pois a merda toda chegou antes até mim, e eu não consegui nem sair de casa pra meter a bala na sua cabeça, a bala que seria sua acabou na cabeça de um Walker.

–-Cara, eu ainda não acredito. Preciso contar para o Daryl. -E então saiu correndo em direção ao caipira caladão, eu ainda precisava perguntar dos carros mais não ia querer receber agora meu primeiro olhar de desprezo daquele Dixon, obvil que não iria gostar de saber que eu era a traficante que queria matar seu irmão.

–-Ei, o que aconteceu aqui? Vocês estavam gritando como uns loucos. -Rick veio andando até mim meio hesitante, provavelmente lembrado da nossa ultima conversa.

–-Nós só finalmente lembramos de onde nos conhecemos. -Ele arqueou as sobrancelhas. Sei exatamente o que ele estava pensando, que eu fui uma das prostitutas do Merle. –Não! Não é isso que você está pensando... mas não sei se devo te contar, sabe...

–-Aé, por quê?

–-Soube que você era xerife... e bom, era meio ilegal. -Ele riu, e depois deu de ombros.

–-Você era uma das clientes dele? –Eu o olhei confusa. -Quer dizer, ele era traficante.

–-E eu também. Éramos meio rivais. E pera aí, cliente? Eu tenho cara de drogada? -Ele sorriu, e porra que sorriso lindo dos infernos. Balancei a cabeça tentando mandar pra longe esses pensamentos. –-Eu queria mesmo falar com você, é que...

–-Olha, já sei, me desculpe pelo...hã...pelo que aconteceu no chuveiro. -Ele coçou a cabeça parecendo confuso.

–-Não, hã, não é isso não, eu queria é saber se pode me emprestar um dos carros, eu quero ir até a cidade. -Me apressei a mudar de assunto, eu realmente não queria lembrar do que tinha acontecido. Queria sim...

–-Nós não saímos assim... tem suprimentos o que você quer da cidade? -‘’Da cidade’’ parece até que somos um pai e uma filha fazendeiros que moram longe da cidade. Seu ar de confuso passou a desconfiado.

–-Umas coisas... -Ele arqueou as sobrancelhas. –-É só que aquela cela não está legal, e tipo, as coisas que eu vou pegar, não vale a pena ninguém se arriscar a ir comigo.

–-Olha, ninguém sai assim e...

–-PERA, NINGUEM SAI ASSIM? –Explodi. Prazer, sou a bomba relógio. –-Olha, tá certo que essa merda aqui é uma prisão, mas se fosse pra ficar presa eu não ficaria aqui de livre e espontânea vontade! Se eu não posso sair quando eu quero eu vou pegar minhas coisa e dar o fora daqui agora. Você pode ser o líder deles, mais não é o meu.

–-Sabe que você está parecendo uma menina mimada desse jeito né?

–-O que? Vá pro inferno. -Me virei lhe dando as costas, acho que ele não era sagaz o bastante para dizer ‘’estamos nele’’ pois caso ele dissesse minha mão ia parar de um jeito nada bonito na sua cara.

Eu não vou ficar presa nessa merda aqui não. Nem morta! Irônico não?

Entrei na prisão ignorando todos que via pela frente, fui até minha cela, juntei as poucas coisas que tinha e enfiei em minha mochila, a toalha dele ainda estava ali, e por algum motivo eu a guardei também. Estava pra sair da cela quando me dei conta. Estava agindo como uma menininha mimada sim. Tá certo que ninguém vai me prender aqui, mais não preciso ir embora só por causa de uma discussãosinha. Respiro fundo e me jogo na cama, fico olhando para o estrado da cama de cima até alguém aparecer na porta da minha cela, tampando o pouco sol que chegava ali.

–-Vou ir a algumas cidades próximas... -Era Rick, me sentei e encontrei seu olhar, lhe dei meu sorriso mais convencido. –... por causa do leite da Judy. -Meu sorriso se desfez, ele só veio me jogar na cara que pode sair quando quiser e eu não, porque ‘’não sou confiável’’? E eu também não entendi esse lance da Judith, ela era sua filha, porém não se parecia nem um pouco com ele e nem com nenhuma mulher daqui. E eu também não vi ninguém a chamando de filha, a única que esta mais próximo de ser sua mãe aqui, tanto por semelhança por proximidade, era a Beth, mais a garota têm o que, 17, 18 anos? Ele não me parece o tipo de cara e engravida adolescentes. – se você ainda quiser, pode vir comigo, enquanto vou procurar o leite, você vai e pega suas coisas. -Mordi o lábio pensando o que aquilo significava. Porque diabos aquilo tinha que significar alguma coisa? Assenti e levantei, sem nenhuma emoção.

–-Vamos.