Thinking Bout You [HIATUS]

4 Capitulo 4 - Futuras memórias felizes


Notas iniciais
No proximo capitulo teremos um salto no tempo e aí sim que a história vai começar B| vou explica tdo o que aconteceu por meio de flashbacks u_u então aproveitem o ultimo cap que se passa na prisão, e COMENTEM! Kissão

Pov autora’

Katherine adentrava lentamente pela porta de vidro quebrada, com cuidado para não acabar se cortando nas bordas que ainda continham enormes cacos. Na mão direita levava uma de suas automáticas, sempre preparada para algum imprevisto, e na outra seu inseparável facão de caça. Tentava não pisar nos cacos e acabar fazendo muito barulho, tentativa falha, já que o chão estava escorregadio por causa da chuva.

Assim que chegou a entrada lateral a cena que viu apertaria o coração de qualquer um, menos o dela. Os corpos espalhados pelo chão, às sacolas de suprimentos, as armas, tudo exatamente como ela viu pela ultima vez. Exceto que agora alguns de seus antigos ‘’companheiros de sobrevivência’’ -como ela gostava de chamar- caminhavam sem rumo por ali, a procura de algo vivo para tacar os dentes. A maioria das pessoas que encontrasse um antigo grupo naquele estado, ficaria no mínimo triste, mas como Kate é Kate tudo o que ela sentiu foi pena. Sentia-se mal por não sentir pela morte de pessoas conhecidas, mas por mais conhecidos que fossem, eram pessoas más, e tudo o que conseguia sentir por pessoas más era pena, alem de raiva, às vezes. Descobriu o que eram naquela noite em que todos acabaram mortos. Já havia revelado tudo sobre Alexandria e todos ficaram contentes com a noticia que finalmente teriam um lugar seguro. Quando os encontrou não ficou os dois meses estipulado por Douglas com o grupo para leva-los, achou que porque tinham mulheres e crianças eram boas pessoas e a trataram bem eram boas pessoas. Como ela estava errada. Mas quem pode culpada? Era um dos primeiros grupos que recrutaria não sabia que existiam tantas pessoas más assim no mundo. Ela aprendeu que existiam sim, da pior maneira possível. Não gostava de lembrar-se daquela noite, foi um dos piores dia da sua vida, na realidade só perdeu para o dia que sua mãe se foi. Mas não adiantava lamentar-se. Matou os poucos walkers que por ali andavam,e pegou todas as armas que viu pela frente, assim o xerife não reclamaria que ela só pegou bobagens.

–-Olha o que temos aqui... sua danadinha senti sua falta. –Exclamou incrivelmente feliz assim que avistou sua antiga foice, que no meio da correria daquela noite acabou jogada em um canto qualquer. Foi difícil no começo já que a foice era sua arma branca preferida, mas de certo modo foi bom, porque assim acabou aprendendo a manusear qualquer tipo de arma branca, mas como sempre do jeito mais difícil.

Espantou aquelas lembranças guardando o facão na cintura, agora com a sua querida foice em mãos. Juntou todas as armas e coisas uteis que tinha conseguido daqueles corpos em um canto, e foi em direção as escadas rolantes, já que no segundo andar do shopping tinha uma loja que vendia mochilas enormes, daquelas de acampar.

Surpreendeu-se de não haver nenhum morto no andar de cima, estava tudo absolutamente calmo. Inspirou lentamente o ar e percebeu que nem aquele cheiro de podridão o local tinha, e ficou feliz, já que hoje em dia achar um lugar com o cheiro agradável estava difícil. Correu até a loja, e pegou duas mochilas grandes, uma para as armas, outra para as coisas sem utilidade que acabaria pegando só para se divertir. Apressou-se a pegar tudo, já que o xerife estava esperando por ela a um quarteirão dali, e não queria ser deixada pra trás e ter que procurar outro carro para voltar pra casa.

Voltar pra casa.

Antigamente pensava em Alexandria como sua casa, mais passava tanto tempo fora que acabara em só um pensamento mesmo. A prisão havia sido diferente, em dois dias que estava lá o lugar já havia lhe conquistado. Diferente do que pensou a primeira vez que viu o local, sentia como se lá fosse sim a sua casa. Ou talvez fosse só por ali ser parecido com sua verdadeira comunidade.

Assim que terminou de pegar as coisas que mais tarde usaria para se divertir com seu novo melhor amigo Carl, desceu as escadas novamente, parando apenas para colocar as armas na outra mochila.

Da esquina já conseguia avistar o xerife parado em frente à caminhonete, a esperando. Sua silhueta estava diferente, porém não conseguia distinguir já que o Sol castigava seus olhos.

Completamente ofegante por estar carregando duas mochilas gigantes mega pesadas, em fim chegou até ele, e conseguiu ver o que estava diferente. Havia uma criança em seus braços.

–-Você demorou. -Disse ele enquanto ela colocava as mochilas na traseira da caminhonete.

–-Eu disse que se demorasse podia ir sem mim. Porque eu provavelmente estaria morta. -Abriu um sorriso. Sim ela havia dito, porém era da boca pra fora, era obvil que queria que Rick esperasse por ela. –-Mas enfim, quem é esse? –Apontava para a criança que estava em seus braços.

–-Eu o encontrei aqui... ele estava sozinho, e não falou nada. -Kate franziu as sobrancelhas. É claro que aquele garoto estava com alguém, era impossível uma criança sobreviver sozinha.

–-Mamãe. -Disse o garoto, que estava tremendamente assustado. Ele estendeu os braços em direção a Kath, e a mesma ainda hesitante o pegou em seus braços. –-Você parece com ela.

–-Vamos leva-lo? -Perguntou, se limitando a dar um sorriso amarelo ao menino.

–-Mas é claro, não podemos deixa-lo aqui. -O xerife pareceu irritar-se com a pergunta da morena.

–-E se ele tiver alguém? -Ela perguntou com as sobrancelhas franzidas, e voltou a encarar o garoto em seus braços. –-Onde está a sua mãe moleque?

–-Ela...ela...ela saiu a alguns dias, disse que já voltava, mais nunca mais voltou. –Ela deve estar morta. Pensou Kate.

–-Quantos anos você tem? -Perguntou Katherine, curiosa. O garotinho fez com os dedos o numero três e ela assentiu para ele, lhe dando um sorriso reconfortante. –-É melhor irmos antes que escurece Rick. -Voltou-se para o xerife que encarava a cena sorrindo. –-O que foi?

–-Só acho que você daria uma boa mãe. -Ela sorriu meio constrangida com seu comentário. –-Vamos.

O caminho de volta para a prisão foi silencioso, nenhum dos três presentes dentro do veiculo trocou uma só palavra. Rick preocupava-se em chegar antes da gasolina acabar, o menino que eles haviam descoberto se chamar Ethan, ainda estava no colo de Kate e parecia muito entretido em brincar com o colar da moça. Katherine apenas observava a ‘’paisagem’’ da janela, pensando nas palavras de Rick. Só acho que você daria uma boa mãe. Não, ele estava errado. Ela nunca colocaria uma criança em um mundo como esse. Na realidade nem antes do mundo acabar ela tinha o sonho de ser mãe, porque desde sempre seu único foco na vida foi sobreviver.

Pov Katherine’

Depois de explicarmos a todos de onde saiu aquele garoto e conseguir convencer ele a sair dos meus braços tive finalmente um momento de paz. Minha mochila de coisas inúteis se encontrava jogada no canto da cela ao lado da pequena cômoda. Mais ela não ficaria ali por muito tempo, logo eu chamaria meu novo amigo mini xerife para me ajudar a utilizá-la.

Mas antes que eu pudesse chama-lo, Carl já estava na porta da minha cela, agora com cortina.

–-Hey garoto. -Cumprimentei-o.

–-Oi -Ele estava bravo com alguma coisa, isso é evidente. Fiz sinal para que ele se sentasse ao meu lado na cama e ele veio.

–-Pode falar.

–-Falar o que? -Respondeu ele, seco.

–-O porquê de você estar assim. Queria poder falar um ‘’te conheço garoto’’, mas infelizmente não posso, só te conheço há dois dias. -Ele riu de lado e respirou fundo.

–-Por mais que você me chame de garoto, criança e etc.. você é uma das únicas pessoas que não me trata como criança. -Eu franzi as sobrancelhas. Ele fala isso, mais ao contrario Rick diz que eu sou uma das únicas pessoas que faz Carl agir como criança. –Meu pai pegou minha arma e está me obrigando a brincar de fazendinha com ele e com o Hershel.

–-Fazendinha? -Falei entre os risos o fazendo bufar.

–-Ele disse que seria divertido. -Revirou os olhos.

–-Quer fazer uma coisa realmente divertida?

–-Quero! -Seus olhos brilharam. –O que?

–-Surpresa. -Levantei e caminhei até a mochila. Abri um dos bolsos menores e tirei uma das poucas armas que eu havia pegado da outra mochila antes de entrega-la para o Rick. Não conheço modelos, mais peguei a menor que tinha, assim ele poderia esconder. -Podemos estar seguros aqui, mais ainda é um apocalipse zumbi. -Disse lhe entregando a arma. Eu não devia me meter nessas coisas de pai e filho, mas o que Rick fez foi muita ingenuidade, o garoto tem que ter com o que se defender, imprevistos sempre acontecem.

–-Sabe que se meu pai descobrir que você me deu isso você vai tar muito encrencada né?

–-Por isso vai ser nosso segredinho. -Dei uma piscadela. –E não use a menos que for preciso, mantenha bem escondido. –Ele fez uma cara feia.

–-Não me trate como criança.

–-Nunca. Até mesmo porque você não é. -Dei de ombros. –Agora chega de conversa e vem aqui me ajudar. -Abri o compartimento maior da mochila e tirei de lá duas latas de tinta e vários frasquinhos de spray, junto com um rolo e dois pinceis. –Pega isso. -Disse lhe entregando um dos pinceis.

–-Sério isso? Tinta? Pinceis? Nós vamos pintar isso aqui? Como isso pode ser divertido?

–-Pare com o interrogatório e me ajude a arrastar isso aqui. –E juntos nós movemos a pequena cômoda e o enferrujado beliche.

Foi legal ter um momento assim com o Carl, gostaria de dizer que eu fiz isso para ganhar pontos com Rick, porque com ele sendo o líder se eu convencer ele convenço todos. Mas não foi. Eu realmente gosto do Carl, por mais que não admita ele é uma criança, e que se um dia isso acabar, eu não quero que ele tenha apenas lembranças de momentos ruins, pois as coisas que fizemos ficaram pra sempre na memória, isso eu não posso controlar, mas eu posso equilibrar as coisas lhe dando momentos agradáveis também.

Volta e meia aparecia um na porta perguntando que diabos nós estávamos fazendo, ou o porquê de estarmos fazendo isso. Eu geralmente dava-lhes o dedo e Carl respondia um ‘’não enche’’. Teve até uma hora que Gleen apareceu ali e acusou Carl de roubar seu posto de meu melhor amigo. Carl respondeu que roubou mesmo e que o problema era dele de ter perdido uma pessoa tão legal quanto eu. Não posso negar que rolou uma emoçãozinha na hora, mas era o Carl, e pelo que todos diziam ele era mega fechado e mal humorado, então quando rolasse alguma coisa assim era pra me emocionar mesmo.

–-Quanto rosa. -Carl fez uma cara de nojo observando a cama e três das paredes. A única que não tinha pintado de rosa era a do beliche, que para dar um contraste pintamos de preto.

–-Fica frio que sobrou um pouquinho pro seu quarto também. -Eu adorava o provocar. E ao contrario do que as pessoas diziam aqui ele não ficava bravo e saia bufando, ele apenas ria.

Na parede da cômoda fizemos vários desenhos de digamos, humor negro. A maioria eram de walkers fazendo coisas que pessoas normais faziam, como por exemplo: comendo um brigadeiro gigante, pulando de paraquedas, mordendo outras pessoas. Com os sprays pichamos nossos nomes na parede e para provocar Carl fiz um coraçãozinho em volta. Em resposta recebi um tapinha e uma cara feia. Por fim quando terminamos, estávamos completamente sujos de tinta e famintos.

A caminho do refeitório eu recebi olhares de desprezo e raiva de quase todos, Carl me mandou ignorar e assim eu fiz. Mas qual o problema dessa gente comigo? Não vou falar nada, porque eu sei que daqui a um tempo eles vão gostar de mim. Isso é típico em todos os grupos. Sou odiada no começo e só alguém gosta de mim, mas com o passar dos dias eles vão me aceitando e gostando de mim, e depois quando eu conto que eu tenho um lugar seguro para leva-los aí sim, eu ganho a simpatia de todos. Bom, na maioria dos grupos é assim, vamos torcer para que este também seja. Não quero o ódio eterno de ninguém aqui.

No refeitório após nos servirmos, sentamos na mesa onde estavam Beth, Daryl e Judith. Beth Greene é uma das poucas pessoas aqui que já foram com a minha cara, e pra falar a verdade uma das poucas que eu gostei também. Judith Grimes... o que falar da Judy? É só um bebê, contanto que não chore perto de mim tem minha simpatia. E o Daryl Dixon, ou ‘’caipira/Dixon caladão’’ como prefiro chama-lo nunca reclamou de mim, então eu também não vou reclamar dele.

–-Meu Deus! Olha pra vocês, o que estavam fazendo? -Exclamou Beth, assim que viu nossa sujeira.

–-Estávamos pintando a cela da Kath. -Carl respondeu sorrindo. Fora eu, ela é uma das poucas pessoas que tem o prazer de ver o sorriso verdadeiro de Carl, acho que é porque ele gosta dela. Alguém tem que avisar esse garoto que ela é muito velha pra ele, mas essa pessoa não vou ser eu.

–-Não fale cela. -Fiz uma careta feia que fez Judith rir. –Me lembra que estamos em uma prisão... diga ‘’quarto’’, soa melhor.

–-Ok, quarto então. -Carl deu de ombros.

–-Gostaria de poder pintar o meu. Essas cores da prisão são tão broxantes. –Disse Beth, com sua inocência.

–-Você por acaso sabe o que significa a palavra broxante, Beth? Não devia falar essas coisas. -Dixon Caladão se manifestou pela primeira vez. Beth ficou vermelha na hora, tive que segurar o riso para não constrange-la mais. Carl pareceu não se importar e gargalhou auto.

–-Carl pode pintar sua cela... quer dizer, quarto, amanhã Beth. -Me apressei a mudar de assunto antes que a loira enfiasse a cabeça na terra pra esconder a vergonha, ela me lançou aquele olhar que diz ‘’obrigado’’.

–-Eu? Eu nada, amanhã tenho que ficar nas cercas. -‘’amanhã tenho que ficar nas cercas. ’’ Ele fala como se fosse a coisa mais importante do mundo. Rio comigo mesma.

–-Não tem mais. -Lhe dei a língua. –Eu fico lá por você.

Antes que ele pudesse responder a porta do local foi aberta e por ela entraram Carol, duas meninas loiras e Ethan. Carol pigarreou chamando atenção de todos.

–-Esse aqui é Ethan. Rick e Katherine os encontraram hoje. Sejam legais com ele. -Ela disse meu nome com tanta raiva que parecia que ela ia me dar um tiro ali mesmo, mas pelo que parece só eu reparei. O pequeno Ethan ao seu lado varria o local com os olhos, e assim que eles caíram sobre mim, o moleque saiu correndo e veio se atirar no meu colo.

–-Mamãe. -Ele sorriu e eu arregalei os olhos. –Você parece com ela, posso te chamar de mamãe? -Lancei a Beth um olhar de ‘’socorro’’ e ela como todo o resto em nossa mesa gargalhou da minha cara de espanto. –Mamãe, tá tudo bem?

–-Tá tudo bem sim com a sua mãe. -Beth sorriu e eu a fuzilei com os olhos. –E ela não se importa, pode a chamar de mamãe sim.

–-É claro que pode chama-la de mamãe... -Carl me deu um sorriso que dizia ‘’vou aprontar’’. –A questão é, quem você vai chamar de papai? -Ethan fez uma cara pensativa tão engraçada que dessa vez nem eu me segurei para não rir.

–-Não sei, tenho que pensar. -Ele se virou para Daryl. –Quer ser meu papai? –Dei a risada mais alta de toda a minha vida agora, a cara que Daryl fez no momento foi a coisa mais engraçada que já vi na minha vida.

–-Hãa... não, obrigado garoto. -Ethan deu de ombros.

–-Acho que vou perguntar para aquele moço que me encontrou... -E nesse exato momento, Rick pareceu brotar atrás de mim.

–-O que que tem eu, garoto? –Meu estomago se revirou.

–-Eu queria saber se você quer ser meu papai. -Ele deu um sorrisinho e Rick arregalou os olhos. –Kate é minha mamãe.. -Sorri amarelo. –-E Carl disse que eu tenho que achar um papai também.

**

Duas semanas. Duas semanas desde que eu cheguei aqui e já me sinto diferente, como se eu realmente pertencesse a este lugar. As pessoas passaram a confiar mais em mim, até em uma busca eu fui semana passada. Ganhei a simpatia de todos, ou quase todos. Menos de Carol e Lizzie. Lizzie não gosta de mim porque gosta dos walkers, bom, deixe-me explicar: Quando eu fico extremamente estressada com alguma coisa eu vou para fora dos portões e desconto naquelas coisas. A primeira vez que eu fiz isso acabei com uma arma apontada pra mim, a garota fez um escândalo e tanto. Ela disse ‘’Às vezes temos que mata-los, mais não sempre. Não por diversão ou para se distrair como você está fazendo. Isso torna você mais monstro do que eles!’’Se eu parei por causa disso? Apenas faço escondido. Se isso me faz um monstro gostaria que ela conhecesse Negan e Lucille. E Carol, bom não sei o que Carol tem contra mim e não vou me arriscar a perguntar.

Carl e eu continuamos com nossos momentos divertidos, o que faz Gleen reclamar cada vez mais. O garoto não precisou usar a arma que eu lhe dei, e eu agradeço por isso, caso descubram eu perco a pouca confiança que adquiri de Rick Grimes. E sem a confiança do Rick já era Alexandria. Ethan continua a me chamar de mamãe, o que é estranho já que Carol cuida mais dele do que eu. Nunca me dei bem com crianças não sei o que eles veem em mim.

Meu trabalho aqui é ficar nas cercas durante o dia e vigiar um pouco a noite. É cansativo, acho que depois que leva-los pra casa vou tirar pelo menos um mês de descanso.

Já é quase meio dia e esta todo mundo no refeitório, menos eu. Não me sinto bem no meio de multidões, é uma coisa que eu tenho desde criança. Prefiro ficar enfiando cabos em crânios podres, e só então depois que todo mundo almoçou eu vou. Também não fica ninguém vigiando a essa hora, mas um motivo pra mim ficar aqui. Queria poder ficar lá na torre, assim eu vigiaria e mataria os walkers lá de cima, mas é proibido disparar armas de fogo aqui. A cada dia chegam cada vez mais walkers nas cercas e o conselho tentou fazer que façamos menos barulho, mais não se pode ficar em silêncio o dia inteiro. O ruim de tudo isso é que minha pontaria nunca foi boa, e quanto mais tempo passo sem atirar vai piorando.

–-Oi -Uma voz meiga e doce falou atrás de mim, parei de perfurar cabeças e me virei.

–-Ah, oi Lizzie. -Essa garota é tão silenciosa que chego a pensar que ela se materializa perto de mim às vezes. Nunca a escuto chegando.

–-Eu vi você ontem lá fora... -Lá vem outro discurso sobre não precisarmos matar. –De novo... e decidi fazer uma coisa. -Para minha sorte atirar em mim não vai ser, já que tiraram arma dela depois que ela me ameaçou.

–-Ah é, o que? -Perguntei sem encara-la.

–-Que eles não se machucam entre si, já reparou? -Assenti. –Talvez seja melhor se você se tornar um deles.

E foi tudo muito rápido, assim que me virei novamente pra ela, sem acreditar no que acabei de ouvir em deparei com ela segurando uma cabeça de Walker e uma arma na outra mão. Ela caminhava até mim lentamente, eu estava encurralada, já que se fosse para trás uma daquelas coisas do lado de fora poderia me arranhar. Larguei a barra de ferro que segurava no chão e busquei a arma do coldre.

–-Lizzie, não faça isso. –Disse enquanto apontava a arma para aquela cabeça asquerosa que ela carregava.

–-Acho melhor você não fazer isso. -Ela apontou com os olhos para minha arma. Um estrondo foi ouvido e então uma dor agonizante chegou até mim. Minha mão sangrava e minha arma tinha voado longe. –Desculpe por isso, não quero te machucar.

Segurei forte minha mão tentando fazer a dor parar, mas não parava. Agora Lizzie estava um paço a minha frente e a cabeça de Walker estava muito próxima ao meu pescoço. Com a mão boa tentei afastar a cabeça de mim, mas ela a empurrava na minha direção com toda força que tinha, e logo outro disparo foi ouvido. Mais dor. Dessa vez eu gritei, e quando vi que aquela coisa ia me morder, mais um disparo. Carl vinha correndo até mim com a arma em punho, ele tinha atirado na cabeça de Walker. Joguei-me no chão gritando de dor e reparei que a cerca estava cedendo. Dois walkers já conseguiram se espremer nos cantos e passar, peguei minha arma ao meu lado no chão e atirei nos dois, que se aproximavam de mim. O sangue e o barulho atraíram todos para aquela parte da cerca. Não tive tempo pra pensar em mais nada, me levantei e corri na direção contraria enquanto os mortos entravam. Lizzie já estava fora de vista e Carl atirava nos walkers mais próximos a mim e a ele. Tentei mata-los também mais com as duas mãos sangrando errei todos os tiros.

Começou a ficar tudo escuro, eu iria desmaiar. Mais os gritos de Carl me forçaram a fazer força para manter os olhos abertos. Em meio aos gritos dele consegui escutar algo como ‘’estou sem munição’’, tudo que consegui fazer foi jogar minha arma pra ele, que estava cercado por walkers. Fechei os olhos e me preparei para o impacto do meu corpo com o chão, mas ele não veio. Tentei abrir meus olhos pra entender o que aconteceu e tudo o que vi foram olhos azuis.

**

Abri os olhos com muita dificuldade e com muito esforço me sentei. Olhei em volta, eu estava na enfermaria da prisão. Está completamente escuro e o lugar só esta iluminado por uma vela em cima de uma cômoda ao lado da minha cama. Chego perto da vela e consigo ver que minhas mãos estão enfaixadas. Com um pouco de dificuldade porque ainda sinto dor na minha mão esquerda, pego a vela e caminho em direção à porta do local.

Os corredores estão um completo breu, o que me faz tropeçar algumas vezes. Quando finalmente chego na minha cela minha cama já esta ocupada. Ethan dorme serenamente sobre ela, agarrado ao meu travesseiro. Sem fazer barulho para não acorda-lo, caminho silenciosamente até minha mochila de armas. Aquela que eu havia jogado para Carl está aqui, ele deve ter trazido de volta. Pego-a junto com um silenciador e a coloco no cinto, junto com meu facão e caminho até a saída. Surpreendo-me ao ver que a cerca já está no lugar e não tem walkers pelo pátio. Eu até diria que não aconteceu nada e que tudo foi um sonho (ou no caso pesadelo.) mais os corpos amontoados na grama confirmam o contrario. Ando até lá para verificar se não tem nenhum corpo conhecido e agradeço mentalmente ao confirmar que não.

–-Você finalmente acordou. -Uma voz atrás de mim fala. Não me preciso me virar para constatar que se trata de Rick.

–-Por quanto tempo eu apaguei? -Me virei para encara-lo.

–-Algumas horas... o suficiente para limparmos tudo. -Assenti. –Como estão as mãos? –Ele disse e pegou uma delas para eu acho, verificar se ainda sangrava. Torço mentalmente para que ele não tenha percebido a corrente elétrica que passou por meu corpo com seu toque.

–-A esquerda ainda dói... acho que vai infeccionar. -Ele então soltou a que segurava e pegou a outra. –Ai! -Reclamo puxando minha mão rapidamente.

–-Desculpe. -Ele parou de encarar minhas mãos e ergueu a cabeça me olhando nos olhos. Desviei o olhar rapidamente para qualquer coisa atrás dele. Nunca admitirei em voz alta, mas me sinto desconfortável o encarando.

–-O que fizeram com aquela peste? -Eu não devia chama-la de peste, ela é só uma criança, mas mesmo assim tentou me matar.

–-Tiramos dela tudo que ela possa usar como arma... e Carol meio que vai vigia-a 24hrs por dia.

–-Bom. — Fez-se um silencio constrangedor por um tempo, já que eu acho que ninguém sabia como continuar aquela conversa.

–Você deu uma arma pro Carl. –Ele finalmente quebrou o silencio.

–-Já entendi. -Respirei fundo. –Pode mandar à bronca. -Voltei a encara-lo.

–-Não vou te dar bronca alguma, não sou seu pai. -Ele sorriu de lado e eu franzi as sobrancelhas.

–-Se é um pedido de desculpa que você quer, saiba que não vai ter.

–-Eu não quero um pedido de desculpas! -Disse ele incredulo. –É só que... obrigado.

–-O que? Pelo que? -Agora eu estou mais confusa ainda.

–-Por... você sabe, dar a arma pra ele, depois de eu tira-la... -Ele soltou um suspiro. –Eu tenho essa ilusão que estamos seguros aqui.

–-Não se preocupe, estaremos seguros em breve. -Olha como sou enigmática! Sorri e me virei para sair andando, mas ele segurou meu braço.

–-Como assim? -Ele disse. Se não foi isso, foi algo parecido, mas pra falar a verdade não prestei atenção alguma. Minha atenção estava focada em seus olhos azuis. Sua respiração batia em meu rosto por estarmos muito próximos. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa sua boca avançou em direção a minha. Fechei meus olhos e logo esse contato já não era suficiente, pedi passagem com a língua e ele cedeu no mesmo instante, sua língua explorava minha boca e eu fazia o mesmo na dele. Quando o ar faltou, me afastei e arregalei os olhos percebendo a merda que eu tinha feito.

–-Desculpe! -Sussurrei baixo mais audível, e praticamente corri como se o diabo estivesse atrás de mim, em direção a minha cela.

Assim que cheguei lá vi que Ethan ainda dormia. Encostei-me na parede e fui escorregando com as costas, até acabar sentada. Fechei os olhos e ultima coisa que me lembro antes de pegar no sono era a sensação de seus lábios nos meus.