Thinking Bout You [HIATUS]
2 Capitulo 2 - Reencontrando meu japa
Pov Autora’
Katherine caminhava a mais de meia hora pela floresta que parecia ser infinita. Havia cansado de xingar a vida em cima daquela arvore então desceu, decidida a tentar achar uma local para passar a noite. Sentia-se sozinha, mais do que o normal. E sabia que daqui pra frente seria assim, pois o preço de sua estupidez de jogar seu rádio foi o mesmo quebrar. Ela é uma mulher inteligente, conseguiria concertar, porém levaria um tempo, e ainda precisava achar os materiais necessários, coisa que não seria fácil. Precisava achar muitas coisas na realidade, mas por hora, ela só queria um lugar em que pudesse por uma noite fechar os olhos e esquecer-se do mundo.
Quando enfim saiu da floresta e passou a caminhar pela estrada demorou mais duas horas até chegar na área urbana da cidade qualquer em que estava. O sol já havia se posto há muito tempo e devia ser por volta das 21hrs da noite, estava completamente escuro. Após dobrar inúmeras esquinas para ver como estava a situação de walkes pela cidade, surpreendeu-se ao não ver nenhum. Sabia que isso não era algo para se alegrar, pois normalmente quando isso acontece, é porque eles estão em uma horda em algum lugar próximo. Tentou então ao máximo não fazer barulho. Porém isso de nada adiantaria, pois seu ouvido ainda chiava e ela não escutava o barulho que fazia com os próprios pés direito. Seus pensamentos vagavam por lembranças felizes que tivera na infância, e de como perdeu tudo rapidamente. Murmurava palavras desconectas, enquanto virava ao que parecia ser a ultima esquina, pois chegara em uma rua sem saída. Estava delirando, devido à febre por causa da infecção e perda de sangue na perna. Tentava ao máximo não fechar os olhos e desmaiar ali mesmo na rua, pois sabia que se fizesse isso, seria o seu fim.
–-Ei você! -Uma voz grossa e rouca interrompeu seus pensamentos, a principio achou que era só mais um delírio de sua mente, e continuou a caminhar, mas sua teoria foi por água a baixo quando outra voz, incrivelmente conhecida, chamou sua atenção, de novo.
–-Ei! -A voz conhecida sussurrou. –Está vendo, é um Walker. Mata logo ele. -A voz pareceu conversar com alguém, mais antes que pudessem fazer alguma coisa, Katherine parou bruscamente, mas sem se virar. Não estava afim de morrer por ser confundida com um Walker.
–-Eu estou perfeitamente.. -‘’ou quase’’ pensou. –-viva. -Fez-se silêncio por alguns longos segundos, até outra voz se manifestar.
–-Largue as armas e vire-se devagar. -Ela rio baixo, pensando o quão ingênuos aquelas pessoas seriam de pensar que ela largaria suas armas só porque lhe pediram. Meio tonta e com a visão turva virou-se devagar, enquanto sacava uma de suas automáticas com a mão livre e apontava para ao que parecia ser três homens, mas ela não sabia dizer já que sua visão estava completamente distorcida agora.
–-ABAIXE A ARMA! -Alguém gritou, mais não soube distinguir de quem diabos era aquela voz, já que aos poucos ia desistindo de manter os olhos abertos, quem a visse, e provavelmente aqueles homens, pensariam que Katherine estava chapada, mais era só a vida lhe deixando. Mas assim que escutou o conhecido som de gemidos e pés se arrastando, foi como um ‘’clic’’ em sua mente e seus sentidos voltaram.
Atrás daqueles três homens, ainda um pouco distante, pode avistar uma das maiores hordas que já tinha visto vindo em sua direção devido ao grito de algum deles para ela abaixar a arma. Arregalou os olhos, e tudo o que conseguiu sussurrar foi um ‘’corram’’. Os homens olharam para trás e assim como ela arregalaram os olhos, porém não havia pra onde correr. Era uma rua sem saída e assim que chegaram ao final dela Kate olhou em volta e pode reparar naqueles três homens. Glenn. Não conseguiu conter o sorriso ao rever o velho amigo. Há alguns poucos minutos atrás já estava conformada que morreria ali, sozinha, numa rua qualquer daquela cidade. Mas assim que o viu teve um motivo pra viver. Sacudiu a cabeça deixando os pensamentos serem levados, pois não era hora pra isso.
Glenn por sua vez, não reconheceu a garota, já que ela estava coberta de sangue e com um capuz que lhe cobria o rosto. Não teve muito tempo para reparar nisso, pois já se encontrava dentro da ultima casa da Rua com Daryl e Merle. A garota parecia perdida em pensamentos, mas ele não tinha tempo para ficar a observando, tinha que verificar os fundos da casa enquanto Merle verificava o primeiro andar e Daryl o segundo, mais antes de sair pela porta dos fundos pode escutar a voz de Merle sussurrando para a garota entrar.
Pov Kath’
Ainda um pouco hesitante corri silenciosamente em direção a casa que um dos homens com Glenn me chamava. Eu normalmente não entraria em uma casa com estranhos assim, mais já não tinha tempo de arrombar e revistar outra sem nenhum dos walkers que agora já tomavam a rua me ver.
Entrei e fechei a porta atrás de mim, tentando não fazer barulho para não atrair a atenção da horda pra nós.
–-Aqui em cima, venham. -A voz que chamou a minha atenção a primeira vez agora vinha do segundo andar, vi Glenn voltando do quintal dos fundos e subindo as escadas rapidamente, seguido por o cara que disse para mim entrar aqui. Os segui ainda hesitante, eles ao que parecem ficariam escondidos no sótão, eu poderia ir com eles mais não vou abusar da sorte. Qual é, ainda são estranhos e o ‘’Glenn’’ pode muito bem ser algum outro japa que com um delírio por causa da febre minha mente fez ficar parecido com meu entregador de pizza preferido. Abri rapidamente uma porta a minha esquerda e reparei que era o banheiro, sem olhar pra trás, entrei e me tranquei lá dentro.
Da mini janelinha pude ver a rua completamente infestada, e pelo que me parece eles ficaram ali um bom tempo, já que a rua não tinha saída e eles burros do jeito que são não sabem voltar pra trás, vão simplesmente ficar se espremendo contra aquele enorme muro. Sento-me no chão do banheiro e fecho os olhos, sem perceber o sono vai me levando aos poucos.
Não sei dizer se foram segundos, minutos ou horas, só sei que despertei com alguém batendo na porta e dizendo pra abrir.
–-O que você quer? -Perguntei um pouco alto demais, para a criatura que tentava abrir a porta.
–-Abre a porta, só queremos conversar. -A voz que parecia ser Glenn, falou.
–-Como vou saber que vocês não vão me matar?
–-Como vamos saber que você não vai nos matar? -Aquela primeira voz fala, não me convenceu mais já é um começo.
Seguro uma das automáticas com uma mão, e com a outra que ainda segura o facão destranco a porta devagar. Aponto imediatamente minha arma, que não tem munição -mas eles não sabem disso- pro cara mais próximo, ele era alto, tinha cabelos levemente compridos e castanhos, seus olhos que parecem ser azuis estavam escondidos por trás de uns fios que caiam ali. Ele me apontava uma coisa pré-histórica, digamos assim, que parecia ser uma besta. Percebo que fiquei o encarando tempo demais e desvio meu olhar rapidamente, procurando os olhos de Glenn, que esta mais atrás.
–-Quem é você? -O cara da coisa pré historia pergunta.
–-Glenn? Glenn é você? -Pergunto ignorando a pergunta do cara na minha frente, que pareceu franzir as sobrancelhas, provavelmente surpreso com o que eu disse.
–-Te conheço? -Sim, é o meu japa. Não consigo evitar sorrir, e com a mão que ainda segura firme o facão tiro o capuz devagar.
–-Lembra de mim, japa? -Sorrio ao dizer seu antigo apelido, ele arregala os olhos e empurra o cara da besta, me abraçando. Retribuo o abraço rapidamente, enquanto ele me ergue, girando. Caraca, ele tá mais forte. Quem vê pensa que somos aqueles casais de filmes aguados se reencontrando após a mocinha do filme sofrer alguma merda e o galã lhe salvar, rio com esse pensamento.
–-Kate! -Diz ele enquanto me solta, me encarando. –Ahhh, não acredito que é você! -E me abraça de novo, dessa vez mais rapidamente.
–-Vai nos apresentar sua namorada? -O outro cara, que eu nem tinha reparado que estava ali se manifestou, fazendo meu japa se afastar meio corado. É, certas coisas não mudam.
–-Pessoal essa aqui é Kate, minha melhor amiga.–Ele diz e eu arqueio as sobrancelhas, sem sorrir, já que nenhum dos outros caras está fazendo isso. –Kate, aqueles ali são os irmãos Dixon. -Dixon? Esse nome não me é estranho...
–-Merle Dixon ao seu dispor, gracinha.–Fala o cara mais afastado. Ele tinha aquela típica aparência militar. Mas o que me surpreendeu foi ver que o cara não tinha uma mão, deve ter sido mordido, pensei. Ele estendeu o braço que ainda possuía mão e eu apertei, fazendo-o sorrir maliciosamente.
–-Daryl. -Disse o irmão dele, que continuava a me apontar a besta.
–-Kate Austen. -Disse sem sorrir, encarando o tal de Daryl –Da pra abaixar essa coisa? -Ele faz uma careta mais baixa, eu hein.
E foi ai que tudo veio como um clic. Aquele Glenn que foi preso com a namorada era o meu Glenn? Faz sentido... Porra, pensar que meu melhor amigo estava alguns metros de mim, dias atrás, sendo torturado e espancado fez meu coração se apertar.
–-Por onde esteve? Cara, eu achei que nunca mais ia te ver de novo.
–-Vamos subir, não é seguro aqui. -Falou o cara carrancudo da besta, antes que eu pudesse responder. Todos assentiram, exceto eu. Começam a ir em direção ao sótão de novo e Glenn me olha antes de subir.
–-Eu já vou, japa. -Entro no banheiro, pego meu rifle colocando nas costas, e a outra arma colocando na cintura junto com a outra, porém não guardo o facão, vai saber.
Começo a revirar o banheiro atrás de qualquer coisa que pudesse me ajudar com o ferimento da perna. No fim, só achei um pequeno frasquinho com álcool gel, umas faixas e gazes, e por sorte uma agulha. Encho minha garrafinha com a água da descarga e subo a escadinha retrátil que dá no sótão.
**
Depois de responder as mil e quinhentas perguntas do japa, e o fazer responder as minhas, decidimos que ficaríamos aqui até o amanhecer e então se ainda tivessem walkers nas ruas nos ‘’camuflaríamos’’ entre eles, que cá entre nós, é uma coisa muito nojenta de se fazer.
Acabei por descobrir, na realidade confirmar, que eles eram o pessoal que vivia na prisão. Glenn me contou que estava noivo da tal Maggie que também estava em Woodbury e que estava aqui em busca de suprimentos, mas o carro pifou e foram encurralados. Contei a eles minha historinha fake, que contava para todos os grupos que encontrava. Talvez no final eu conseguisse leva-los a Alexandria, me parece um bom grupo. Mas até lá, tenho que concertar o radio e me manter viva, o que me lembra que estou com uma baita infecção na perna e uma das balas ainda está dentro de mim.
Levanto-me do sofá velho e empoeirado que estou sentada ao lado do Glenn e vou até um cochão jogado no chão, em cima do alçapão de descer. Acendo uma das velas que eles haviam encontrado e a coloco no chão, próximo a minha mochila. Com meu facão rasgo a calça jeans que um dia foi azul -mas que hoje se encontra vermelha de sangue, tanto meu como dos walkers- fazendo um barulho que atrai os olhares de todos para mim. Continuo o que estou fazendo, mass eles continuam a me encarar.
–-Que foi? -Pergunto sem encara-los.
–-O que esta fazendo, gracinha?–Merle Dixon passou a me chamar de gracinha, e quando contestei ele disse que combinava comigo e que continuaria a me chamar assim.
–-Vou limpar meus ferimentos. -Respondo sem muita emoção, passando uma gaze encharcada de álcool gel em meu facão. Eu até poderia perguntar se um deles tem um canivete para me emprestar, mais meu orgulho falou mais alto. Acho que eu devo ser a única pessoa na Terra que prefere arrombar a perna fazendo uma ‘’cirurgia’’ com um facão de caça, do que pedir um canivete emprestado.
–-Como se feriu? Você está bem? -Glenn me parece preocupado e vem se aproximando.
–-Levei dois tiros hoje de manhã, mais estou ótima.
–-O que? Você esta ardendo em febre! -Diz ele, colocando a mão em minha testa. É realmente eu estou a ponto de desmaiar aqui, mais é claro que isso nunca vai sair pela minha boca. –-Quem foi o filho da puta que atirou em você? O que aconteceu?
–-Ta tudo bem Glenn. -Tentei tranquiliza-lo – Foi enquanto eu fugia de Woodbury. -Completo sabendo a repercução que isso vai ter.
–-O que? Woodbury? Como eu nunca te vi por lá? -Diz Merle, enquanto ele e Daryl se aproximam também. Então esse filho da mãe era de Woodbury? Bom saber...
–-Não faço a menor ideia. -Respondo tentando fingir desinteresse, pegando o facão, já pronta pra fazer um pequeno corte na parte de trás da minha cocha direita, quando Glenn o toma da minha mão rapidamente. –Que diabos você esta fazendo?
–-Que diabos você esta fazendo? -Mais esses filhos da mãe, tem mania de repetir o que eu falo agora? Mereço.
–-A bala se alojou ali, tenho que tira-la antes que infeccione também.
–-Usa isso. -O Dixon caladão me jogou um canivete e como meus reflexos são ótimos o peguei no ar. Eu deveria gritar milhões de obrigados pra ele, mais decidi imitar o cara e ficar caladona, apenas assentindo com a cabeça. Até riria disso caso não estivesse prestes a esfolar minha própria perna.
Limpei rapidamente o canivete com a gaze com álcool gel e antes que a coragem me fugisse cortei a carne da minha cocha, que imediatamente jorrou sangue. Pra ajudar eu ainda não achei merda de pinça nenhuma. Mordi os lábios para conter um grito de dor enquanto eu tirava a bala com as mãos. Agradeci ao todo poderoso lá em cima mentalmente que ela estava inteira. E me surpreendi quando todos, inclusive Glenn me olhavam atentamente. Olha, devo dar parabéns pro Gleen, ele realmente mudou. Se fosse meu japa de antes já teria vomitado.
–-Que foi? -Pergunto enquanto limpo o sangue que escorre.
–-Você é durona. -Limpo o canivete e devolvo para Daryl, sorrindo com seu elogio.
–-Você não viu nada. -Glenn responde por mim.
–-Que diabos você era antes de tudo isso? Medica? -Pergunta Merle.
–-Médica? Ela? -Glenn gargalha, respondendo por mim de novo.
–-Olha, se eu te contasse você provavelmente não ia acreditar.
E a noite foi passando assim, comigo dando um jeito na minha perna enquanto conversava com meu japa e com aqueles caipiras surpreendentemente agradáveis.
**
No dia seguinte Glenn me convenceu a ir com eles, Daryl reclamou falando que para isso tinha que fazer umas tais de três perguntas, mais meu japa interveio e disse que depois um tal de Rick cuidava disso. Reviramos a casa do avesso praticamente em busca de suprimentos e coisas uteis. Acabou que uma das moradoras da casa era uma adolescente com o meu tipo físico, então passei logo a mão em umas roupinhas dela. Antes de sairmos troquei minha calça jeans completamente rasgada, minha regata suja e minhas botas desgastadas por um shorts jeans curto, uma baby look preta, junto com um all star vermelho. Só não consegui me desfazer da minha inseparável jaqueta de couro preta. Minha incrível sensação de limpeza acabou quando botei o pé pra fora do quarto e Glenn jogou em mim algo parecido com um... Coração?!
–-MAIS QUE DIABOS É ISSO? -Grito, completamente brava, por aquele japa maldito estragar minha roupa nova.
–-É o nosso disfarce, Kathezinha. -Glenn responde com um sorriso sacana no rosto. Volto pra dentro do quarto e soco mais algumas mudas de roupas na mochila, já que essa quando eu tirar essa provavelmente terei que jogar fora.
Nossa saída da casa foi um tanto... nojenta. Nos enchemos de órgãos, miúdos e sangue de Walker pelo corpo para podermos sair sem sermos atacados. Algumas ruas depois achamos um carro. Daryl dirigiu até o que abandonaram porque havia estragado e carregaram os suprimentos que haviam conseguido. Devo admitir que durante o caminho para a prisão meu estomago ficou se revirando de nervosismo. Isso é estranho, já que eu já estive em uns oito grupos e isso nunca aconteceu, nem na primeira vez. Olho pra frente e já posso ver de longe uma das torres da prisão.
Assim que o carro passa pelos portões, muitas pessoas veem nos recepcionar, espero pra descer do carro por ultimo. E assim que boto o pé pra fora do carro todos os olhares se voltam para mim. Fico desconfortável com aquilo.
–-Quem é essa? -Pergunta uma mulher esbelta de cabelos grisalhos curtos, que até poucos segundos atrás estava abraçada com o Dixon caladão, que me pareceu desconfortável com a demonstração de afeto.
–-Essa... -Glenn que estava se agarrando com uma mulher bonita, que eu deduzi ser a Maggie, vem na minha frente e me puxa pela cintura, me abraçando de lado. – ...é Kath. Minha melhor amiga.
Alguém que não consigo ver quem é, pigarreia atrás do bando de curiosos fazendo Glenn, Daryl e Merle irem até lá. Tento enxergar ficando na pontinha dos pés, mais Maggie aparece na minha frente sorrindo e estende a mão para me cumprimentar.
–-Maggie Greene. Sou a noiva do Glenn. -Eu imediatamente arqueio as sobrancelhas e estendo a mão a cumprimentando. Seu aperto é forte e seu sorriso por mais lindo que seja, esbanja sarcasmo. –Prazer. -Ela esta com ciúme? A ultima coisa que eu mereço no apocalipse é que a noiva do meu melhor amigo seja ciumenta.
–-Sou Kate. Katherine Austen.
Alguém pigarreia de novo e me dou conta que estávamos nos encarando. Desvio meu olhar para o Deus Grego homem que caminha até mim seguido por Glenn e os irmãos Dixon.
–-Meu nome é Rick Grimes. E eu gostaria de te fazer três perguntas.
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