The world is ours
6 Ultimo dia em Londres
Notas iniciais
Estava drogada pela adrenalina, e por um segundo estava viciada por essa sensação, faria tudo de novo se pudesse. Me sentia envergonhada por pensar de maneira tão primitiva, e me sentir tão aliviada depois de ter feito. Tudo na minha cabeça soava com uma canção do Foo Fighters.
–Dylan? Você está bem? — Scott disse com um sorriso no rosto, parecia assustado mas feliz. Sua camiseta estava suja com sangue.
–O que? — Olhei para Scott por um minuto sem entender. Ao me tocar dei um suspiro — Isso... — Olhei para o taco ao joga-lo no chão.
–Uma atitude de um lobo. — Bren gritou
–Eu não deveria. — Comecei a ofegar de novo. — Ele saiu daqui sangrando. Deus o que foi que eu fiz?. -Andava de um lado para outro.
–Você salvou a gente. — Patrick disse ainda jogado no chão. Ainda tossia ao tentar falar. Sua respiração estava fraca.
Me abaixei de pressa ao perceber que Patrick estava no chão sangrando, com os olhos inchados. — Dei um impulso e tentei deixa-lo sentado.
–Olha só o que ele fez. — Tentava limpar seu sangue com as mãos. — Tem algum tipo de kit de primeiros socorros por aqui? — Disse olhando para Becca.
–Sim. — Becca se aproximou. — Nos fundos tem uma cozinha, deve ter algo lá.
–Traga toalhas com gelo e água. — Olhei para Scott e os outros, e percebi que todos estavam machucados. — Traga bastante toalhas.
–Black me pegou direitinho — Patrick gemia de dor.
–Você é maluco não é?! — Gritei. Patrick e os outros pararam por um segundo, ficaram todos em silencio. — Por quê provoca esses caras? Não vê que eles estão na maioria? — Estava bem irritada. — Sem mim você estaria fudido.
–Que bom que tenho você. — Patrick riu. — Relaxa, caras como o Black estão sempre procurando um babaca para bater sem motivo.
–Você procura ele Patrick, é diferente. — Becca chegou com as toalhas e o kit de primeiros socorros.
–Um pouquinho de emoção não mata ninguém. — Patrick disse em um tom sarcástico.
–Qual é a deles? — Perguntei enquanto passava a toalha molhada, suavemente em Patrick. — Quer dizer... Por quê fazem isso?
–Eles acham divertido. — Scott se sentou, e colocou a tolha no olho. — Desgraça alheia, entende?
–Eles são problemáticos. — Marcus disse irritado. — Uns fascistas.
–Ele vandalizam, a gente cria. — Patrick disse hesitando, colocando a cabeça para trás toda vez que tentava limpar os ferimentos. — Imagina como Black vai ficar ao acordar de manha e descobrir que apanhou de uma garota? — Patrick riu mas ainda fazia caretas com dor. Becca e os outros riram ao perceber que seria vergonhoso para um cara com quase 1,92 de altura apanhar de uma com 1,75 como eu.
–Isso serviu de lição? — Disse, ainda limpando seu sangue.
–Não. — Patrick olhou sério. — Quem sabe uma aventura a mais. — Todos riam.
–Isso não tem graça! — Gritei. — Você poderia acabar indo para o hospital.
–Mas não estou! — Ele gritou de volta. — Relaxa Dylan, para nós, ficar desse jeito é a coisa mais normal do mundo.
–Eu preciso de uma bebida. — John disse abaixando a cabeça, jogando a toalha no chão.
–Todos precisamos. — Jim se levantou.
–Eu também. — Patrick se atreveu a dizer na minha frente. Ao perceber meu olhar furioso tentou se explicar. — Vamos lá, gente... Eu ainda estou bonito? — Patrick olhou em volta com um tom arrogante. Todos riam, pois o rosto de Patrick estava inchado como uma batata. Scott e Bren ajudaram Patrick a se levantar:
–Eu não posso. — Disse chateada.
–Por quê? — Becca perguntou.
–Tenho que voltar para o Hostel, não vejo Luna e os grupo a dias. — Me levantei. — Eu adoraria, mas essa aventura foi demais, talvez não esteja acostumada com tudo isso. — Sorri.
–Você é um lobo agora. — Marcus disse.
–Um lobo? Acho que não. — E tudo aquilo estava ficando cada vez mais triste. — Vou embora em alguns dias. Talvez hoje eu tenha me sentido como um lobo... Mas não sou.
–Dylan, não torne isso difícil vai. — Patrick tentara ficar em pé sozinho, mas não havia dado muito certo.
–Por quê vocês não me levam até o hostel, e depois conversamos? — Disse em um tom simpático. — Tomem. — Dei meu celular para Scott. — Salve o número de vocês. — Apenas Scott, Bren e Patrick aceitaram. Marcus parecia chateado, talvez se esquecera que eu de fato não era do grupo.
Os Lobos me acompanharam até o hostel, não era tão longe do campo de baseball. Vinte minutos de caminhada. Cansativo para Scott e Bren que tiveram de carregar Patrick por todo o caminho.
–Você pode ter ficado brava mas... Hoje foi o seu melhor dia aqui em Londres. — Becca comentou ao chegarmos ao hostel. — Vai dizer que não?
–Bom, foi uma grande aventura! — Gritei. — Não comentei para Luna que eu.... Bati em um cara.
–Ela vai ser a única pessoa a não saber. — Patrick sorriu, com um dos braços em Scott e o outro em Bren.
–Vem, vamos deixa-los sozinhos. — Bren disse, soltando Patrick e pegando na mão de Becca. Todos saíram em seguida.
Patrick veio mancando até mim:
–Como vai ser quando você for embora? — Ele passava as mãos em meu rosto.
–Vai ter que encontrar outra americana. — Me aproximei de sua boca devagar. — "Não vamos tornar isso difícil." Lembra? Não é algo tão ruim. — Menti.
–Não? — Patrick parecia estar confuso.
–Desde do começo, todos sabiam que a minha estadia aqui era curta, e agora ela está só no começo. — Me afastei. — Não estou dizendo que você foi só uma aventura. Mas tudo isso só ira ficar na nossa memória.
–Mas e se eu estiver... — Patrick tentou dizer aquelas palavras mágicas, mas ao perceber, eu o interrompi em pânico.
–Não se preocupe. Você também está a procura de algo. — Fingi não ouvir o que ele havia dito. — Quem sabe quando eu for embora, você pode se entregar a encontrar algo para o seu futuro também. Patrick soltou uma risada boba. Ainda gemendo chegou próximo a mim, agarrou gentilmente minha cintura e me dera um beijo. E toda minha aparência de resistente, havia indo embora. Ficava sem chão, toda vez que Patrick me beijava. Alguma coisa em mim não queria que ele me soltasse. Mas por outro lado, minha consciência sussurrava para eu tomar cuidado, para não dizer aquilo que Patrick estava tentando me dizer a alguns dias. — Cuide dos ferimentos, e fique longe dos Cobras. — Dei um ultimo beijo.
–Vou até eles agora mesmo. — Patrick tentou correr. — Só para você me salvar de novo. — Ele parou e olhou para mim. Fiquei corada ao ver Patrick dizer tudo aquilo. Me virei e vi Will olhar pela janela transparente, ele estava sorrindo, acenou para mim. Isso me fizera lembrar que tinha que entrar e falar com Luna. Me despedi de todos e entrei.
Já estava me preparando para ouvir de Luna. Já estava me preparando para mais uma briga, respirei fundo e entrei no quarto.
Ao entrar me deparo com o quarto completamente arrumado, não havia mais ninguém lá. Nenhuma bolsa no chão, nenhum tênis debaixo da cama. De primeira entrei em pânico, Na minha cabeça havia pensado que eles me abandonaram, estavam bravos comigo e me deixaram aqui.
Desci as escadas correndo, ultrapassava todos que estavam no meu caminho. Fui até a garagem, e encontrei Dan, Luna, Sam e Julie colocando as ultimas malas na Kombi.
–O que está acontecendo? — Corri até eles. Estava aliviada
–Olha só quem está viva. — Dan acendeu um cigarro. E ficou encostado na Kombi — Nós já iriamos atrás de você.
–Já estamos indo para Paris. — Luna pegou o cigarro de Dan.
–Agora? — Olhei para Julie e Sam que estavam atrás de mim.
–Amanha. — Julie olhou brava para Luna. — Então se divertiu? — Julie soltou um olhar malicioso.
–Um pouco. — Disse sem jeito. Voltei a ficar corada.
–Usou camisinha né? — Dan deu um empurrão de proposito em Luna.
–Não é da nossa conta. — Luna empurrou Dan de volta.
–É sim. — Dan provocou. — Ele é bom?
–Incrível. — Sorri provocando Luna.
–Dylan o que é isso na sua camisa?. — Luna se referia a camiseta dos Misfits.
–É do Patrick.
–Ainda levou a roupa dele? — Dan perguntou animado. — É assim que se faz. — Dan deu risada
–Não. Tem sangue. — Luna chegou mais perto e se certificou que era mesmo sangue. — Como isso foi parar ai?. — Luna ainda segurara a camiseta.
–Eu não sei. — Gaguejei. — Ela não é minha, Patrick deve ter se envolvido em alguma confusão e o sangue não saiu. — Tudo o que eu não queria era mentir para Luna, mas não queria lhe contar sobre a aventura no campo de baseball.
–O que você queria? — Sam perguntou. — O cara deve adorar esse tipo de coisa.
–E você transou com ele? — Luna finalmente tocou no assunto.
–Achei que não fosse da conta de vocês. — Retruquei. Agora havia deixado o clima ainda mais tenso. — Desculpa... A gente não transou. — Todos olharam decepcionados para mim menos Luna que os olhos brilhavam. — Foi só uma lição que tentei dar em você.
–Você querendo dar uma lição pra mim? — Luna estava aliviada. Mas ao pensar bem, e perceber que havia uma possibilidade de eu estar certa, mudara de assunto na mesma hora. — Vem já é tarde, vamos dormir. Iremos embora pela manha.
Entramos. Dan e Luna, decidiram jantar com Sam e Julie. Então fui para o quarto na frente. Will já estava no quarto, sentado em sua cama lendo um livro:
–Decidiu voltar? — Will se sentou em sua cama e colocou o livro em seu lado.
–É... Quer dizer. — Me sentei em sua cama. — Nós iremos embora pela manha.
–Que triste. — Will ajeitara os olhos que estava no rosto. — Bom, você aproveitou bem... Mas e aquele cara que você estava saindo ?
–O que tem o Patrick? — Por dentro rezava para que Will não tocasse nesse assunto
–Não está triste pelo fato de ter que deixa-lo? — Ele tocou na ferida.
–Eu tento não pensar nisso. — Tentava não olhar nos olhos de Will, de alguma maneira não conseguia mentir para ele. Não queria entregar tudo a um estranho.
–Parece estar tentando fugir de algo. — Will tirou os olhos e passara a mão na barba
–Eu não estou fugindo de nada. — Gaguejei.
–Parece estar fugindo daquela palavra. — Will se aproximou, olhava intensamente para mim.
–"Daquela palavra?". — Por quê de repente todos decidiram falar disso?
–Vamos lá, no fundo você sabe do que eu estou falando. — Will cruzou os braços e deu um suspiro na esperança de que eu me entregasse. Naquele momento estava assustada e nervosa, sentia que deveria dizer algo rápido antes que os outros voltassem. Mas não queria assumir e demonstrar tamanha fraqueza.
–Está falando de Amor? — Finalmente falei. Will concordou com a cabeça. — Eu não sei o que é isso.
–Não sabe, ou finge não saber? — Will foi até meu lado e pegou em minha mão. — Você nunca vai saber o que é o amor até senti-lo. — No mesmo momento me virei e fiquei de frente a ele.
–Quando soube que estava... Você sabe.
–Apaixonado? — Will riu, ao ver que não conseguia nem pronunciar. — Foi no primeiro ano do ensino médio. Ela era linda: Se chamava Sarah, ela tinha longos cabelos castanhos, usava óculos, e tinha umas espinhas como todo adolescente com quinze anos. — Will abaixou a cabeça e sorriu . — Nós namoramos por um ano.
–O que aconteceu?
–Um garoto mais interessante apareceu. — Wil não demonstrava dor ao dizer que na verdade sua namorada lhe deu um pé na bunda.
–Nossa, isso deve ter doído.
–Doeu. Mas foi assim que eu aprendi. Talvez eu tenha cometido o mesmo erro, mas evolui. Como vai crescer, se ainda não caiu? Como vai ir para outra fase da sua vida, sem uma lição de vida?. — Adorava isso em Will, ele era inteligente, me fazia pensar que dizer aquelas duas palavras pra Patrick não era uma coisa tão ruim.
–Mas eu não quero me machucar. Não quero sentir a falta dele. — Dei um suspiro, ainda tinha minhas duvidas sobre falar isso com alguém.
–Na sua primeira briga com Luna aqui. O que você disse? — Will colocara os óculos de volta. — Quando ela insistiu para que você não fosse ficar com Patrick, quando ela disse que não queria que você se machucasse. — Will fez uma pausa dramática, ele sabia que eu não iria dizer nada. — O que você disse a ela?
–Eu sei mas.. O que eu devo fazer? — Supliquei. Will me deixara cada vez mais confusa.
–Se entregue. — Os olhos de Will brilharam como se ele fosse o apaixonado. — Sinta a falta dele, chore por ele... Deixe-o dizer aquela palavra para você.
–Você aprende tudo isso na faculdade? — Sorri tentando tirar o clima tenso do quarto.
–Aprendo com a vida. — Will sorriu. — Posso te contar um segredo? — Confirmei com a cabeça. — Todos nós estamos apaixonados. Mesmo não sabendo, mesmo hesitando.
–Vou guardar essa, Boa noite William. Vou deixar você terminar seu livro. — Me deitei na beliche debaixo, e dormi no mesmo instante. Estava cansada, tinha sido um longo dia.
Acordei de manha com o despertador de Luna, que ao ver o celular desligou na hora e voltou a dormir. Sem me levantar, peguei meu celular e chequei a hora. Seis da manha, logo em seguida chequei a caixa de mensagens, caso tenha alguma do Scott ou do Patrick. Mas não havia nada. Por um lado estava aliviada, meu coração batia mais forte só de imaginar uma mensagem do Patrick e eu odiava sentir isso.
Me levantei, peguei minha toalha, uma roupa limpa e fui para fila tomar um banho. Dessa vez a fila estava um pouco maior, mas não estava com tanta pressa.
Tomei meu banho, fui á garagem guardar a roupa de Patrick. Em seguida fui a cozinha tomar o café da manha.
Na cozinha encontro Dan com os cabelos bagunçados, com os olhos encolhidos, com o rosto e a roupa amassada:
–Dormiu bem? — Dan se sentou ao meu lado. Me dando uma caneca com café puro.
–Por incrível que pareça... Eu dormir sim. — Disse com um sorriso no rosto.
–Está pronta pra partir? — Dan disse, passando as mãos nos olhos, tentando ficar acordado.
–Não. — Coloquei o cotovelo na mesa e apoiei meu queixo com a mão. — Mas eu nunca estarei preparada.
–Nós podemos voltar aqui depois da viagem. — Dan disse com segundas intenções. — Você me entende.
–Eu agradeço o apoio. Desde do começo mas... Até lá, ele já encontrou outra. — Me levantei, dessa vez deixando a caneca na mesa. Subi para o quarto, peguei minhas ultimas coisas, coloquei no carro e fui acordar os outros.
Esperei todos na sala de estar, onde havia uma estante com livros e poltronas. Peguei o primeiro livro que vi na estante, "Elogio de loucura" de Erasmo de Rotterdam. Foleando as páginas encontro um trecho um tanto peculiar:
"As mulheres correm atrás dos loucos, e fogem dos ajuizados como de animais venenosos."
Me fazia lembrar de que: De todos os caras normais de Londres, eu fui me envolver com o pior de todos. Talvez sentira feliz por encontrar alguém como Patrick. Nenhum cara iria fazer o que ele fez. Mas do mesmo jeito, não me dava o luxo de pensar assim. Mesmo depois de várias frases feitas de Will, ainda insistia em fugir do meu real sentimento por ele.
Foleando novamente o livro, me deparo com a maior indireta que poderia levar em toda a vida:
"O amor recíproco entre quem aprende e quem ensina é o primeiro e mais importante degrau para se chegar ao conhecimento."
Já havia perdido a vontade de ler.
Novamente fui atrás de Luna, ver se todos já estavam prontos. De alguma maneira, queria ir embora, o mais rápido possível. E finalmente todos estavam prontos. Nós despedimos de Will, e saímos.
Dan foi dirigindo, e Sam como copiloto, Luna, Julie e eu ficamos atrás. Resolvi mandar uma mensagem para Patrick, dizendo que estava partindo, perguntei como estava o rosto. E também agradeci por tudo, e também pelos Lobos que foram ótimos. Na mesma hora Patrick me respondeu:
"Nos vemos em breve, irei manter contado sobre tudo que está acontecendo aqui. Meu rosto está melhor, quer dizer ainda roxo, mas... Dylan? Eu estou tentando te dizer algo a dias, mas sempre sou interrompido, pois você nunca para de falar, mas por mensagem você não pode me interromper certo? Me desculpa mas eu acho que te amo..."
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