The warmth of Winter
20 Uma solução para pesadelos
Notas iniciais
– Eu já te disse que não sei o que aconteceu. Reclamei, virando-me para a parede e puxando o cobertor o máximo possível.
– Você estava quase babando. Provocou a morena, evitando que eu conseguisse cobrir minha cabeça, ela apoiava a cabeça no cotovelo, para poder ver meu rosto.
– Você realmente não vai esquecer isso, né? Indaguei, tentando me ajeitar o melhor possível na cama, tudo o que queria agora era dormir.
– De jeito nenhum, Fuyu, o cara era um gato. Suspirei, eu estava bem ciente disso, só preferia não pensar sobre o caso, afinal, eu nunca havia me sentido de maneira nem parecida.
– Vaaaaai! Me conta, eu vi vocês dançando, mas sem dúvidas, tem mais coisa. Suspirei novamente, ao que Beatrice pulou sobre mim e passou a me fazer cócegas, me debati, rindo e tentando me livrar dela.
– Tsc! Vocês vão acordar o hotel inteiro desse jeito. Ralha o general, saindo do banheiro.
– Chaaaaato! Diz Bea, finalmente saindo de cima de mim, ela pega meu travesseiro e o arremessa no moreno.
– Fontana! Seu tom deixa bem claro o quanto ele ainda está irritado com ela, suspirando, ela sai da minha cama, me dando um beijo de boa noite.
Kanda joga meu travesseiro de volta para mim e vai para sua cama, apagando a última vela e deixando o quarto iluminado apenas pela luz da lua, viro-me de volta para a janela e penso sobre os ocorridos de hoje. Beatrice conseguira encontrar a pessoa que estava com a inocência e convencê-la a entregar o bracelete, o como, ela não quis me contar, depois a morena saiu a minha procura, mas acabou por esbarrar com o general primeiro, esse, ao se dar conta que eu não estava junto dela, quase a esganou, de acordo com ele, havia a presença de Noahs na festa, os dois passaram então a me procurar freneticamente, e foi Bea quem me encontrou dançado, e decidiu por espionar, contudo, o nobre a notou e me disse que minha amiga tinha chego, antes que eu tivesse chance de fazer qualquer outra coisa, ele beijou minha mão novamente e entrou no salão. Uma vez que eu saí de perto dele, notei o quanto sua presença havia de fato me afetado, e o pior, eu nem sabia dizer o porquê, Beatrice tinha razão sobre ele ser bonito, mas isso não explicava o porquê de eu ter ficado quase hipnotizada por ele, eu só sabia que de certo modo, ele me parecia familiar, tentando compreender o que se passara comigo, acabei por adormecer.
– FUYUKI! Acorda, acorda Fuyu! Acordei com Bea me chacoalhando violentamente, agarrei-me a morena, tentando me conscientizar que fora apenas um pesadelo.
– Outro pesadelo? A voz de Kanda vinha de algum lugar próximo, supus que ele estivesse próximo a cama e apenas acenei com a cabeça.
– Está tudo bem. Diz Beatrice docemente, acariciando meus cabelos, aos poucos sinto meu coração recuperar o ritmo normal, o único som do quarto é a voz da Fontana, enquanto ela me canta uma cantiga de ninar.
– Desculpem, acordei-os de novo. Falei suspirando, eu me afastara um pouco de Bea, mas continuava abraçada a ela.
– Na verdade, comigo é a primeira vez. Respondeu, sorrindo amigavelmente. — Isso é assim tão comum?
– Eu ter pesadelos, sim.
– Gritar é só de vez em quando. Diz o moreno, de uma maneira quase cômica, percebo que sua intenção é me fazer sentir melhor.
Mesmo quando são eles que são acordados no meio da madrugada, sua preocupação maior ainda é o meu bem estar, isso me faz sentir muito miserável, contudo, abro um sorriso, perturba-los está fora de questão, então devo parecer o melhor possível.
– Deveríamos todos tentar dormir, não? Sugiro, mesmo sabendo que voltarei a ficar nervosa assim que eles deixarem meu lado.
– Eu vou dormir com você, o que acha? Olhei surpresa para Beatrice, que me sorria amavelmente.
– Por quê? A pergunta escapou dos meus lábios.
– Por que era isso que minha irmã mais velha fazia por mim, quando eu tinha pesadelos. E sempre me fazia sentir melhor. Terminou, dando uma piscadela, sorri, abraçando-a apertado novamente.
O resto da noite foi tranquila, se bem que, eu mal me lembrava do pesadelo, a única coisa que sabia, era que aquele homem estava nele, mas isso é tudo.
Na manhã seguinte, Bea decidiu me arrumar novamente, dessa vez ao menos foi com as minhas próprias coisas, e ela diminuiu bastante a quantidade de maquiagem.
– Sabe, eu acho que você deveria usar o bracelete. Disse, ao terminar de trançar meu cabelo.
– Eu ainda não o vi pessoalmente. Ela foi até sua mala e o pegou, me entregando. — É realmente lindo.
– Então o use. Falou, já o colocando em mim, seu material era ouro negro, disse a morena, era incrustado com opalas brilhantes e seu formato era o de um dragão, que parecia se enrolar em volta do braço.
Descemos para o café, agora que já tínhamos recuperado a inocência, voltaríamos a procurar por Allen, eu não tinha comentado com nenhum dos dois, mas fazia algum tempo que eu simplesmente não sentia Lizzy, por isso quando me perguntaram sobre o paradeiro do Albino, eu disse que continuava na mesma região.
Pegamos o trem para a cidade portuária mais próxima, deveríamos estar de volta à Inglaterra, dentro de três dias, eu esperava recuperar meu contato com Elizabeth até lá.
– Quer comprar um lanchinho para comer no caminho? Indagou Beatrice, quando nos sentamos para esperar o horário de partida do trem.
– Parece uma boa ideia.
– Certo, então nós vam…
– Sem chances. Nós duas nos viramos para o general, surpresas. — Você já fez um ótimo trabalho tomando conta dela ontem. Então se você quiser ir comprar alguma coisa, eu vou com você.
Bea não teve argumentos para se defender, e eu não pude fazer nada por ela, acabei indo com Kanda a doceria, sua expressão era de puro desgosto, realmente aquele lugar devia lhe parecer terrível, por isso escolhi o mais rápido possível e logo voltamos para encontrar a morena que ficara cuidando da bagagem.
– Eu comprei um daquele que você pediu no café. Falei entregando a ela, que me abraçou apertado, me chamando de diversos sinônimos para fofa.
O trajeto que faríamos de trem era razoavelmente pequeno, duraria apenas quatro horas, entretanto, na primeira hora da viajem já tive uma surpresa.
– Fuyuki.
– LIZZY?! Kanda e Bea se sobressaltaram, ao me ouvir gritar do nada, corei e me desculpei.
– Lizzy! Você voltou! Onde você esteve? Questionei preocupada.
– Isso não é importante, não agora. O que importa é que vocês não voltem para a Inglaterra, o compatível deste bracelete está na Dinamarca, vocês devem encontra-lo.
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