Notas iniciais
Antes que alguém pense que está lendo a fic errada, esse capítulo se passa pelo ponto de vista de um personagem novo, por isso vocês vão estranhar. Ao longo do capítulo vocês encontrarão os personagens já conhecidos, mas eu queria apresentar melhor os novos personagens, espero que gostem desse jeito, pois de agora em diante pretendo variar mais os POVs. Boa leitura = )

Daniel Smutter POV

Isso não é justo! Reclama Arabela, cruzando os braços e virando a cara.

Por favor, Daniel, eu lhe imploro. Você sabe com Ary é, me faça esse enorme favor, Dan, você é o único que pode me salvar. Olhei de Michael para Arabela, e suspirei.

Certo, certo. Você venceu, eu te acompanho ao baile, mas que fique bem cla… Não pude terminar a frase, pois a loira pulara em mim.

É por isso que eu te amo tanto, Dan. Fala Ary, beijando minha bochecha.

Eu voltarei de noite para pegá-la.

Não pense que se verá livre de mim tão rápido. Mike da uma risadinha, e recebe um olhar fulminante. — Eu vou com você para a casa da mamãe e do papai, não quero passar a tarde toda trancafiada, dentro desta casa solitária.

Ela se joga nos braços do marido e ele aproveita para falar, apenas movendo os lábios, dramática, diz ele, ao que rio disfarçadamente. Depois de nos despedirmos de Michael, que está indo em uma viagem de negócios a Alemanha, eu e Ary rumamos para a casa de nossos pais.

Você não acha que está na idade de se casar, não? Pergunta a loira, sempre direta penso melancólico.

Ary, irmãzinha. Ela franze o cenho, Arabela detesta que eu a chame de irmãzinha, pois ela é mais velha, contudo, é vinte centímetros mais baixa, como poderia chama-la de irmãzona. — Com espera que eu me case, se costumo ir acompanhado aos bailes.

Sua expressão se torna ainda mais mortal, e ela bufa, para ser honesto, não tenho nenhuma vontade de me casar tão cedo, nenhuma moça que conheço, chamou minha atenção, todas parecem se preocupar com os mesmos assuntos tediosos, ou talvez, eu que não consiga me encaixar, Arabela sempre amou bailes, jantares e reuniões, ela ama o luxo e a riqueza, eu sempre preferi passar meu tempo cavalgando ou estudando ao ar livre, amava brincar na terra e escalar árvores, nunca fui exatamente o que se esperava de um nobre cavalheiro.

Sabe Dan, eu estive pensando, você se lembra do…

Do que eu deveria me lembrar, não cheguei a ouvir, larguei do braço de Arabela e me virei, acompanhando-a com o olhar, quem era aquela garota, por que eu sentia que a conhecia, ou que, não sei, que deveria conhecê-la, de alguma maneira maluca, eu sentia como se tivesse ansiado por conhecê-la minha vida toda. Seu cabelo era longo, chegando a cintura, cachos marrons, porém que brilhavam levemente avermelhados com a luz do Sol, quase como se estivessem em chamas, ela se virou, como se procurasse por algo, ao me ver, sorriu, seus olhos eram da cor do chocolate, e pareciam tão doces quanto um.

DANIEL! Minha irmã acertara minha cabeça e se colocara em minha frente. — O que aconteceu?! Por que me deixou falando sozinha? O que te deu para me largar e sair correndo?

Ela seguiu a direção de meu olhar, porém agora, a garota já voltara a andar, notei que junto com ela, havia outra garota, as duas estavam de braços dados, a outra parecia mais velha, talvez tivesse a minha idade, era mais alta, com cabelos lisos e pretos.

O que exatamente você está olhando? Questiona Arabela, era compreensível, afinal, tinha bastante gente passando na rua, eu porém, só conseguia ver a pequena figura que se afastava, até que a perdi de vista, quando entrou em uma padaria.

Havia uma garota… Falei, ainda sem entender, de certo modo, eu sentia vontade de correr até ela, mas por que, nem eu sabia.

Ah, uma garota. Diz a loira, abrindo um enorme sorriso, do tipo de um lobo que acabara de achar um cervo distraído e pronto para virar o jantar.

Não. Rebato, balançando a cabeça, como ela podia pensar isso, como todo o resto, isso não fazia sentido, contudo, eu vira a garota como via Arabela, eu queria protegê-la e não corteja-la, de fato deve ter algo errado comigo. — Deixa para lá.

O resto do caminho todo, e por boa parte da tarde, Ary fez questão de me importunar sobre o assunto, chegando até mesmo a compartilha-lo com nossos pais, eu até entendia de certo ponto, era realmente estranho isso, eu nunca fora do tipo que mostrava grande interesse por garotas, por mais bonitas que elas fossem, o problema, é que eu não sabia explicar o que exatamente eu sentira por essa menina, sem dúvida, não era nada romântico, mas ao mesmo tempo, eu sentia como se fosse capaz de dar minha vida por ela, talvez eu devesse procurar ajuda, é impossível que isso seja normal.

Dandan, já está vestido? Pergunta Arabela, batendo a porta.

Sim, pode entrar irmãzinha. Ela me lançou um olhar assassino, ao que respondi com um sorriso sarcástico, eu odeio Dandan com todas as minhas forças, mas ela parece amar. — Você está muito bonita.

Sempre estou. Responde, me dando uma piscadela. — A carruagem está pronta, e você?

Sempre estou! Rebato, sorrindo irônico, ao que ela também sorri, enganchamos os braços e descemos as escadas.

Será que encontraremos a tal garota na festa? Indaga minha mãe, assim que a carruagem começa a se mover.

Espero que sim, vocês precisam ver a cara do Dan, foi impagável, ele parecia mais estar vendo um anjo na terra do que uma garota, tão fofinho. Provoca a loira, apertando minhas bochechas, ao que suspiro resignado.

No fundo, desejo muito revê-la, sua imagem está gravada em minha mente e durante todo o dia, tive dificuldade de me concentrar, tanto por causa dela, quanto por não saber o como ou o porquê, ela me causou o efeito que causou.

A festa seria na residência dos Peverett, eles são amigos de longa data de meus pais, e queriam muito que Ary se casasse com seu filho Antony, contudo, ela escolheu Michael, eu a invejo um pouco, ela sempre soube o que queria e também seu lugar no mundo, eu sempre me senti perdido, como se estivesse fora do meu lugar, como se estivesse vivendo minha vida da maneira errada.

Daniel, saia de seu estado de meditação e venha dançar comigo. Fala minha irmã, me puxando pela mão para a pista de dança.

Valso com ela pelo salão, ouvindo-a reclamar de diversas coisas, criticar outras tantas, e elogiar apenas algumas, afinal, Arabela Smutter tem altíssimos padrões e pouquíssimos se encaixam nele. Assim que nos aproximamos da janela, sinto-a, antes de vê-la, a pequena garota está parada do lado de fora da janela, ela usa um vestido branco de manga comprida, que a faz parecer um verdadeiro anjo, suas mãos estão agarradas uma a outra e ela sorri timidamente para mim, como se me esperasse.

É ela? Questiona Ary, percebo que havíamos parado de dançar, pois novamente me distraí com a presença dessa menina.

Sim. Olho rapidamente para Arabela, e volto o olhar para a morena. — Preciso falar com ela.

Notas finais
E então, opiniões sobre o Daniel?