The warmth of Winter

17 Um enigma e algum conforto


Notas iniciais
Um capítulo para quem shippa KandaxFuyu! Boa leitura = )

Kanda Yuu POV

A febre continua alta constato tocando sua testa, de acordo com a dona da pousada o remédio deveria fazer efeito em no máximo duas horas, já haviam se passado seis, suspirei, ela não para de se remexer, deve estar tendo outro pesadelo, torço o pano e o coloco novamente sobre sua testa.

Sento-me e volto a fitar o céu, o que aconteceu enquanto estávamos batalhando, aquela intenção assassina sem dúvida não pertencia a ela, não é primeira vez que sinto aquela presença, contudo é a primeira vez que estava tão forte, a presença de Fuyuki fora completamente suprimida, era parecido ao que acontecia ao Moyashi, porém o que estava a sobrepondo, poderia ser a inocência coração, eu me lembro que ela dissera que a inocência tinha consciência, mas…

NÃO! A morena acordara gritando e se sentando na cama, me aproximo, ela olha em meus olhos por um momento, seus olhos estão marejados, todavia ela engole as lágrimas e sorri. — Kanda, desculpe, foi um pesadelo.

Ela tenta acalmar sua respiração, parece que essa garota é incapaz de dormir sem ter pesadelos, ela então volta os olhos, que tinha baixado para o cobertor, para mim.

O que aconteceu? Como você conseguiu destruir os akumas e fugir dos crows? Ela pergunta baixando os olhos, sua voz treme na ultima palavra, ela não se lembra de nada?

Do que você se lembra? Sinto que não devo lhe dizer sobre o que aconteceu.

Só me lembro de você ter sido arremessado longe e então eu corri para… Você já está bem? A morena se interrompe e agarra as cobertas com força se inclinando em minha direção e me olhando com urgência.

Sim, eu me curo rápido, você sabe disso. Seus olhos estavam brilhando com lágrimas novamente, ela esticou a mão e tocou meu pulso, ah, era sobre isso que ela estava falando.

Eu sei, mas, já está mesmo curado? Sua voz não era mais que um sussurro.

Sim.

Mesmo?

Sim.

Eu sinto muito, você se machucou para me proteger, de novo. Ela parecia sentir um enorme remorso.

Quando ela fora atingida pelo level 3, ele tentou se aproveitar para atingi-la novamente, eu tive de intervir, contudo ele acabou por acertar meu pulso, o que fez com que eu pudesse contar com apenas um braço na batalha, agora porém eu já estava praticamente curado, mas não pretendia dizer isso a ela, havia algo sobre sua habilidade de cura, ela sempre ficava esgotada, e eu acreditava que aquilo podia ser realmente perigoso, mesmo que ela dissesse que era só um efeito colateral.

Depois disso, eu me lembro do akuma disparando e o Crow me protegendo. Suas mãos ainda agarravam o cobertor com força.

Você o salvou. Ela levantou os olhos, um enorme sorriso surgindo em seu rosto.

Verdade? Eu consegui mesmo salvá-lo? Mas como, ele foi atingido por veneno akuma.

A inocência é o oposto da matéria negra, que é o que constitui aquela bala, então faz sentido que você seja capaz de cura-lo. Ela inclinou a cabeça para o lado, pesando o que eu dissera, por fim abriu um sorriso cândido.

Eu fico tão feliz, eu realmente me senti muito mal por ele ter se sacrificado por mim, eu queria ser capaz de ser mais forte, queria poder lutar e me proteger sozinha. Soltou um suspiro, murchando um pouco. — Eu realmente invejo o Kanda, você é tão forte, você pode até mesmo proteger os outros. Ah, você ainda não me disse como escapamos dos crows.

Eles estavam desmaiados. Essa parte ao menos, era verdade.

Eu também, né? Sinto muito, eu só te dou trabalho. Falou de modo afável.

Você estava com febre, está sentindo algo?

Seus olhos se arregalaram, e ela levantou as mãos, colocando-as na testa, sua expressão era agitada, soltou um lamento e virou-se para mim.

Eu não sei se estou quente, para mim, minha temperatura está normal. Disse, balançando a cabeça. — Eu realmente só te dou trabalho.

Estiquei o braço e empurrei sua franja, colocando a mão sobre sua testa, a temperatura tinha baixado, contudo ainda não era o ideal.

Abaixou, mas continua febril. Ela concordou com a cabeça, soltando um suspiro. — Seria melhor você dormir.

Se importa de deixar uma vela acesa? Perguntou, se encolhendo. — Eu ainda estou, incomodada com o último pesadelo, era tudo muito escuro.

Levantei-me e acendi uma vela, colocando-a na cômoda ao lado da cama, ela voltou a se deitar e murmurou boa noite, puxando o cobertor até que apenas o topo de sua cabeça fosse visível, voltei a sentar na cadeira ao lado de sua cama.

Você não vai dormir? Indagou, puxando o coberta para o pescoço e se virando de barriga para cima.

Não.

Por quê?

Você ainda está com febre.

Você me lembra a Layla. Sua voz parecia sufocada. — Ela sempre cuidava de mim quando eu estava doente.

Uma expressão saudosa era visível em seu rosto, parecia reviver memórias agradáveis, ela segurava a borda do cobertor com as duas mãos, puxou-o mais para cima cobrindo sua boca e falou em um sussurro.

Eu me pergunto o quanto é efeito da inocência. Ela me fitou e se virou, deitando-se de lado e abrindo um sorriso terno. — Você sabia que vocês são compelidos a mim, é quase… Hum, um efeito químico. A inocência reage a inocência, e no meu caso, as inocências prezam pelo meu bem estar, então é normal que vocês se sintam preocupados e tentados a me proteger.

Eu imaginava algo do gênero, afinal a inocência coração deve garantir sua segurança, e uma boa maneira é usando as outras para protegê-la, por mais que hoje ela tenha se mostrado bem capaz de se proteger sozinha, meu pensamento foi interrompido por Fuyuki.

Se lembra de quando nos conhecemos? Ela mantém-se em silêncio, esperando a resposta.

Sim.

Você não me conhecia, mas ainda assim me salvou, acho que nem você sabia o porquê fez aquilo. Comenta, rindo levemente. — Foi uma resposta natural, a coração ao notar o perigo invocou a Mugen, e no fim você pulou da janela para me salvar, sorte que você não se machucou, seria uma queda absurda para outra pessoa.

Aquilo fazia sentido, desde que nos conhecemos, eu percebera que todos os exorcistas pareciam inclinados a protegê-la, eu mesmo acabava o fazendo, mesmo que não soubesse ao certo o motivo. Provavelmente a inocência coração também tinha outras habilidades, me pergunto se entre elas não estaria a habilidade de assumir o controle, contudo não vejo uma maneira de perguntar a morena, sem lhe explicar o que houve ou deixa-la desconfiada.

Kanda. Estávamos em silêncio há tanto tempo que pensei que ela não fosse falar mais nada.

Hum. Respondi, ao perceber que ela esperava que eu me manifestasse.

Você vai continuar aí? Questionou voltando a abrir os olhos.

Sim.

Se importa se segurarmos as mãos, eu não consigo dormir, e já que você não pretende dormir, eu me sentiria mais calma desse jeito. Encarei-a por um minuto, ela estava falando sério?

Como se para confirmar, ela esticou seu braço e agarrou minha mão que repousava sobre o joelho, olhei para baixo sem saber como reagir, quantos anos ela tinha, voltei o olhar para seu rosto, ela agarrava o travesseiro debaixo de sua cabeça com o outro braço, sua expressão realmente parecia mais tranquila, me perguntei o como era possível que segurar a mão de alguém pudesse acalma-la.

Tudo bem? Indagou num murmúrio.

Tsc! Trate de dormir. Sorrindo calidamente, ela fechou os olhos e apertou minha mão.

Desviei o olhar para a janela, era realmente inexplicável, ao descobrir que ela era quem acomodava a inocência coração, e que a mesma era incapaz de lutar, supus que a inocência pretendia se aproveitar do aspecto frágil da garota, era um disfarce perfeito, ninguém desconfiaria que alguém como ela fosse a compatível, porém depois de presenciar sua habilidade de combate, essa teoria não fazia mais sentido, a menos que a inocência pretendesse usar sua aparência inofensiva para enganar os inimigos, contudo, com tamanho poder destrutivo, não havia nenhuma razão para tal ato.

Voltei os olhos para a garota que agora se encontrava adormecida, sua expressão era completamente pacífica, ainda havia muitas coisas que eu precisava entender, e a inocência coração se tornara uma delas.

Notas finais