Notas iniciais
Boa leitura = D

Oras, eu também sou uma exorcista, eu posso muito bem tomar conta da Fuyu. Rebate Bea, ela e Kanda estão nesse impasse há algum tempo já.

Depois de reencontrarmos Beatrice, o que só foi possível graças a uma nova habilidade que aprendi com Lizzy, comunicação telepática, nós decidimos voltar à Inglaterra. O problema é que no meio do caminho, eu senti outra inocência, dessa vez ela se encontrava em um bracelete, por sorte ainda não era compatível com ninguém, entretanto o bracelete tinha uma dona e ela parecia estar viajando, pois assim que chegamos a cidade onde o senti pela primeira vez, sua presença já tinha mudado de lugar.

Ela não vai estar segura com você.

Argh! Você é insuportável, não é como se ela estive em perigo iminente de ser atacada e outra, ela viveu até agora sem exorcistas grudados nela 24 horas por dia. Fala a morena, estupefata.

O general apenas a respondeu com um olhar cortante, e voltou a andar, os dois andavam lado a lado discutindo, enquanto eu andava atrás procurando uma solução, nós tínhamos chego a cidade onde se encontra a inocência, porém eu não conseguia saber o local exato, parece que havia uma interferência, por essa razão, íamos procurá-la do método mais difícil. Para facilitar nosso trabalho, eu descrevi e desenhei a pulseira, depois sugeri que nos separássemos, foi então que tudo começou, o moreno decidiu que eu iria com ele e Bea procuraria sozinha, em contrapartida, ela disse que eu deveria ir com ela e ele que procurasse sozinho, e o único momento em que concordaram, foi quando eu sugeri que procurássemos os três separados, e recebi dois nãos categóricos.

O que você acha? Beatrice estava parada de frente para mim.

Ahm? Indaguei confusa.

Pare de sonhar acordada, eu quero saber o que você prefere? Ainda sem entender, minha cabeça pendeu para o lado como de costume.

Ir comigo ou com ela, foi isso que ela disse. Esclareceu Kanda.

Tanto faz. A expressão dos dois, me fez engolir em seco, parece que dei uma má resposta.

Corta essa de tanto faz, você prefere vir comigo ou prefere ir com Kanda? Nem ouse dizer sozinha. Soltei uma risadinha, e antes que eu pudesse abrir a boca, a morena completou. — Você não tem outra opção, ou você vai comigo ou com ele.

Não era legal quando ela colocava desse jeito, eu nunca fui muito boa em me decidir nem sobre assuntos fáceis, quem dirá decidir entre duas pessoas que eu gosto.

Por que não vamos todos juntos? Bea levou a mão ao rosto e balançou a cabeça, o moreno soltou um suspiro.

Fuyu, isso não é algo assim tão difícil, nós não vamos ficar bravos com você, e da próxima vez, você pode escolher o outro, não leve a questão tão a sério, só escolha alguém para ir hoje. Era mais fácil falar, do que fazer, eu não queria incomodar nenhum dos dois, mas ao mesmo tempo eu queria estar com ambos.

Por que não tiram no pedra, papel e tesoura? Dessa vez a expressão de ambos era descrença.

Fuyuki, por Deus, você não consegue dizer, hoje eu vou com você, na próxima com você?!

Não. Respondi, baixando os olhos e mordendo o lábio.

Certo então, já que… Meu estômago interrompeu a frase de Beatrice, os dois se voltaram para mim e senti meu rosto esquentar. — Eu vou com Fuyu comer alguma coisa e você vai atrás do bracelete, que tal? Eu aposto que você não quer fazer uma pausa para o lanche.

Estava na cara que o general não queria mesmo fazer uma pausa para comer, por isso ele acabou concordando, e depois nós duas iríamos procurar pelo bracelete juntas, antes de ir, Kanda fez questão de me fazer jurar que iria chama-lo telepaticamente caso acontecesse alguma coisa, e de relembrar Bea que eu era sua responsabilidade, comentando ainda que eu tinha tendências suicidas, por isso ela teria que tomar o dobro de cuidado.

Onde você quer ir comer, ou melhor, o que está com vontade de comer? Pergunta a morena.

Tanto faz. Respondi dando de ombros, ao que sua expressão se tornou mordaz, fazendo com que eu desse um passo para trás, ela sabia ser assustadora.

Fu-yu-ki! Seu rosto estava a centímetros do meu e eu estava paralisada, parece que a irritei de verdade, para minha surpresa, ela soltou um suspiro e se afastou chacoalhando a cabeça. — Sabe, você realmente anda demais com ele.

Ahm? Ela apontara com a cabeça a direção que o moreno tinha tomado. — Por quê?

Tanto faz! Olhei-a sem entender. — Você já notou o quanto fala isso? A única coisa que me passa pela cabeça é que como ele adora dar ordens, você simplesmente responde com tanto faz para tudo.

Sua conclusão me fez rir, na verdade, desde que passei a viajar com Kanda, eu sinto que tenho sido muito mais opinativa do que fui toda a minha vida. Passamos na frente de um café que me lembrou do Vollemaan, segurei o braço de Beatrice para que ela parasse.

Vamos comer aqui? Um enorme sorriso surgiu em seu rosto e ela concordou com a cabeça. — Antes de entrar para a ordem, eu trabalhava em um lugar parecido com esse.

De certo modo eu consigo imaginar isso. Disse, sentando-se de frente para mim. — Eu trabalhava em um cabaré, ao menos foi o ultimo lugar que trabalhei.

A olhei pasma, por mais que também fizesse sentido, ela é alta e magra, seus cabelos são longos e pretos, olhos azuis, o tipo de mulher linda e sempre está maquiada, bem maquiada, suas roupas também não são exatamente o que se costuma ver por ai, no fim, aquilo se adequava a sua imagem.

Muito chocada?

Não, na verdade, eu também consigo visualizar isso. Falei sorrindo.

Então me conte mais da sua vida, eu já sei que você é a “preciosa” inocência coração, fugiu da ordem e está atrás de um garoto que está de conchavo com o inimigo. Ela parou por um minuto. — Ah, e que você é a rainha da paciência e que tudo tanto faz para você.

Não é bem assim. Respondi sorrindo. — De fato eu sou a compatível da tão importante inocência coração e por isso tenho poderes curativos, como você mesma já experimentou, sendo assim, sou a única capaz de ajudar o Allen. Sobre ser a rainha da paciência, bem, eu não me vejo exatamente assim, acho que é um pouco como você falou, eu não ligo muito para as coisas, por isso é um pouco difícil me irritar.

Convivendo com o senhor bom humor, não era para menos.

Um garçom apareceu, cortando nossa conversa, pedi um café com chantilly e panquecas com calda de frutas vermelhas, Beatrice pediu um cappuccino e um Apfelstrudel.

Na verdade, eu não diria que minha convivência com Kanda tenha algo a ver com isso, está mais para isso ser o motivo de eu não me estranhar com ele. Ela arqueou uma sobrancelha. — Eu cresci em um orfanato, bom, minha primeira memória é de lá, contudo eu já tinha sete anos, porém, o que houve antes disso eu não sei, o diretor me contou que minha família morreu em um acidente, de alguma maneira eu sobrevivi mesmo que fosse quase impossível.

Nossa casa pegou fogo, ninguém sabe dizer por que eu não me queimei ou morri intoxicada com a fumaça, agora eu já sei a explicação, mas até pouco tempo, nem eu sabia. Bea pareceu entender a razão de eu ter sobrevivido. — Eu estava inteiramente bem, exceto por minha memória, eu não me lembrava de nada, por essa razão eu me fechei, de certo modo foi como se eu tivesse acabado de nascer, porém as outras crianças da minha idade já tinham muitas memórias.

O garçom voltou com nossos pedidos, agradecemos e passamos a comer, parando para pensar agora, eu nunca tive nenhuma particularidade, até mesmo agora, eu estava comendo o prato favorito de Lala, já que foi a primeira coisa que me veio a mente.

Bom, eu não falava, não brincava, não fazia nada que não fosse olhar pela janela ou olhar o céu, eu costumava dormir muito, acho que isso ainda continua. Comentei rindo. — Chegaram a pensar que poderia ser uma sequela, mas não encontraram nada, decidiram por me deixar ser invisível como eu queria. Isso foi até o dia que conheci Layla, ela era tão cheia de vida e sonhos, você pode dizer que ela me contagiou, eu a seguia para todo lado como se fosse uma sombra, para mim, tê-la ao meu lado era tudo que importava.

Você parece gostar mesmo dela, essa Layla. Diz a morena rindo, ao ver-me perdida em pensamentos.

Sim, Lala não só é minha amiga, como é minha família, depois que ela se aproximou de mim, eu finalmente voltei a falar e a interagir, porém eu não tinha nenhum interesse, ela tentou várias vezes me fazer experimentar coisas novas, entretanto eu não ligava muito para nada, se eu pudesse estar ao lado dela, para mim estava bom, eu passei então a fazer tudo como ela, e vendo que não adiantava esperar uma resposta minha, ela passou a escolher por mim.

A expressão de Beatrice era de puro choque, ela parecia pensar que eu estava fazendo uma piada.

Meu guarda-roupa, meu corte de cabelo, nossos programas de final de semana, o local onde trabalhávamos, até mesmo o que comer, eu sempre copiava Layla. Eu gostava que ela escolhesse por mim, e ela também parecia feliz fazendo isso, então… Fui interrompida por Bea, que socou a mesa com tudo.

COMO ASSIM VOCÊ GOSTAVA QUE ELA ESCOLHESSE TUDO POR VOCÊ? Diante de seus berros, eu me encolhi na cadeira.

Você não deveria gritar. Falei, olhando em volta e vendo que todos nos encaravam.

Humpf, que se danem. Vamos, vamos pagar e sair.

Certo. Uma vez que saímos da cafeteria, a morena me fez continuar a história. — Por favor, não grite mais, certo?

Ela acenou com a cabeça, concordando, decidimos ir para o centro da cidade, pois era o local mais provável para esbarrarmos com a dona do bracelete.

Continuando, eu nunca achei nada que eu realmente gostasse, ou me importasse o suficiente para chegar a querer aquilo, como posso explicar? Pensei em como faria com que ela entendesse. — Por exemplo, mesmo que eu goste muito de café com chantilly, se você quisesse ir a um lugar que não sirva, eu preferiria ir com você, acho que pode-se dizer que é uma questão de prioridade, entre algo que eu gosto, ou alguém que eu gosto, eu sempre escolherei a pessoa.

Mesmo se isso significar fazer algo que você não goste? Sua expressão era de compaixão.

Não é como se eu não gostasse, hum, é, já sei, entre você e o café, eu sempre escolheria você. Ela me encarou por um instante e então desatou a gargalhar.

Certo, agora me… senti realmente, especial. Disse enquanto recuperava o fôlego, me fazendo perceber o que de fato eu tinha dito.

Não, não foi isso que eu quis dizer, eu só…

Eu entendi. Dessa vez sua expressão era maternal. — É só que para você, os outros sempre virão na frente, até mesmo se você quiser fazer algo, você sempre dará preferência ao que os outros querem.