The warmth of Winter
22 Turbulência
Notas iniciais
– É só impressão minha, ou viramos penetras de bailes? Indago, enquanto Bea termina de arrumar meu cabelo, ao menos dessa vez eu iria com um vestido bem comportado.
– A culpa é toda sua, você é quem encontra inocências em bailes. Rebate a morena, ao que rimos. — Mas valeu a pena, o Kanda ficou muito bem de terno.
– Tsc.
Tampo minha boca para evitar rir, Beatrice nos arrastara até uma loja e fizera com que eu comprasse um vestido e depois comprou um terno para o general, pois o mesmo se recusou a experimentar, contudo, depois de horas de persuasão, e da Fontana chantagea-lo, ele acabou cedendo, pois ela disse que se ele fosse com roupas comuns, ela o entregaria para os guardas e ele seria retirado da festa, fazendo assim com que ele terminasse vestindo o terno, e Bea tinha razão, ele ficara muito bem.
– Por que é sempre você quem dança com os bonitões, enquanto nós fazemos o trabalho pesado? Questiona Beatrice, assim que adentramos a residência onde está ocorrendo o baile. — Estou começando a achar que você faz de propósito.
– Desculpa. Você até poderia ir no meu lugar, mas ele não sabe de nada, e será mais fácil que confie em mim, acho que você se lembra, você também sentiu uma afinidade imediata comigo, não foi?
– Sim, mas você é fofa, não tem como não gostar de você logo de cara. Eu rio, enquanto a morena me esmaga em um abraço de urso. — Agora vai lá, eu vou abaixar um galho, para que você possa subir nele e depois te elevo até a janela.
– Obrigada Bea, logo estarei de volta. Dessa vez, o plano era que eu e Kanda adentrássemos a festa, porém separados e Beatrice ficaria fora, de guarda.
Tomei o maior cuidado para não ser vista aterrissando de um galho numa janela, me aproximei levemente da entrada e logo reparei no garoto, sobre uma coisa a Fontana tinha razão, ele é muito bonito, alto, loiro com um penteado levemente bagunçado, como se o vento tivesse batido em seus cabelos, olhos violeta e a pele incrivelmente pálida, felizmente ele não me causava nada nem parecido ao que o outro rapaz me causou, isso é um alívio, seria trágico tentar lhe explicar sobre a inocência naquele estado vergonhoso.
Ele pareceu me notar instantaneamente, novamente ele me fitou confuso, é realmente complicado para os compatíveis, a reação que causo neles. O loiro se despediu da garota com que dançava e veio em minha direção, respirei fundo, seria bem complicado lhe explicar tudo, eu esperava conseguir fazê-lo, contatei Kanda mentalmente, lhe dizendo onde eu estava e que já me encontrava na companhia do compatível e pretendia lhe explicar tudo, suspirei, agora não tinha mais volta.
– Boa noite, senhorita. Diz, se aproximando.
– Boa noite, Daniel. Seus olhos se arregalam ao constatar que já sei seu nome.
– Me desculpe, eu a conheço? Não consigo me lembrar de onde, mas de fato, sinto que já a conheço, porém não me recordo de seu nome, sinto muito. Fala o loiro, parecendo encabulado.
– Kanashiro Fuyuki, é um prazer conhecê-lo. Respondo, esticando a mão.
– Daniel Smutter, o prazer é todo meu. Ele toma minha mão e a beija, eu me pergunto por que nobres não apertam as mãos.
– Na verdade não nos conhecemos, ou melhor, não pessoalmente. É uma longa história, está a fim de ouvi-la? Pergunto sorrindo.
– Eu adoro ouvir histórias. Diz o loiro.
– Já ouviu falar sobre exorcistas?
– Sim, um dos parceiros de meu pai já esbarrou com eles quando procurava por sua filha perdida. Fala o Smutter, aparentando confusão.
– Você sabe o que, é um exorcista? Indago.
– Não. Responde o loiro, receoso.
– Exorcistas são pessoas compatíveis com a inocência, também chamada de o cristal de Deus. Respirei fundo, virando-me para o muro e apoiando os braços sobre ele, ao que Daniel me seguiu, passamos então a encarar a paisagem.
– Apenas aqueles compatíveis, ou seja, os exorcistas, podem derrotar os akumas, armas criadas pelo Conde do Milênio para destruir a humanidade. Novamente fiquei em silencio para que ele pudesse processar as informações. — Através da sincronização, um compatível torna a inocência em uma arma anti-akuma, podendo assim, usa-la para destruí-los. Entendeu até aqui?
– Sim, porém, não vejo qual a ligação disso, com eu ter a sensação de conhecê-la. Diz, parecendo levemente aflito, sei exatamente o quão incômoda é a sensação de que se conhece alguém e não saber de onde.
– Estamos chegando lá, eu disse que seria uma longa história. Falo rindo, o que o faz rir junto.
– Todas as inocências são ligadas a uma inocência principal, a inocência Coração. Faço uma nova pausa. - Eu sou compatível a esta inocência, o que faz com que todos os outros compatíveis me reconheçam, mesmo que inconscientemente.
Seus olhos brilham com compreensão, mas antes mesmo que Daniel seja capaz de proferir uma palavra, um grito penetrante é ouvido de dentro do salão.
– Ary! Diz o loiro, pânico estampado em sua expressão, ele então se vira e corre para dentro.
Corro atrás dele, porém paro ao avistar Kanda vindo em minha direção, me apresso em direção ao moreno.
– O que houve? Não senti a presença de akumas. Constato, varrendo o salão com os olhos.
– Não são akumas, alguma coisa aconteceu a aquela mulher. Informa o general, indicando a loira que acompanhava Daniel com a cabeça. — Ela foi afastada do centro e depois a disseram algo, ao que ela reagiu com o grito que você ouviu.
– Ela é a irmã de Daniel, o que quer que seja, irá afetá-lo. Pondero por um momento, e completo - É melhor irmos.
Aviso Bea para trazer o galho para perto, eu e Kanda subimos nele e ela nos leva de volta para o chão.
– Como foi? Indaga a morena, enquanto saímos da mansão.
– Eu não consegui terminar de explicar… Aconteceu algo a sua irmã, e ele teve de ir ajuda-la.
O percurso de volta foi silencioso, ou ao menos, me permitiu refletir, pois na verdade, Beatrice não parou de falar, porém eu tinha outras coisas na cabeça e acabei por não ouvi-la. Já tinha me decidido, eu iria até a casa de Daniel, preciso saber o que está acontecendo, pois seus sentimentos estão muito turbulentos, e como ele ainda não está sincronizado, não tenho total acesso a sua mente.
Como havia se tornado costume, a Fontana dividia a cama comigo, esperei que ela dormisse e lentamente me desloquei, peguei minhas botas no chão, mas não as calcei para diminuir o barulho, fui até a porta na ponta dos pés, agarrei meu casaco no cabideiro e estiquei a mão para agarrar maçaneta.
– Vai a algum lugar? Mordo meu lábio como forma de conter qualquer ruído e abro a porta o mais silenciosamente possível.
Paro no corredor e aproveito para calçar minhas botas, o general passa pela porta e a fecha atrás de si, virando-se para mim, visto meu casaco e o encaro de volta.
– Estou preocupada com Daniel.
Por um minuto ficamos no encarando, ele de modo reprovador e eu com um pedido mudo de clemência, mesmo sem ler sua mente, sei exatamente que ele pensa que se eu queria sair, deveria tê-lo chamado, afinal, eu nunca devo sair sozinha, contudo, eu realmente preferia ir sozinha dessa vez.
– Vamos atrás dele. Tento sorrir de modo agradecido ao moreno, porém não passa de um sorriso forçado.
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