Notas iniciais
Desculpem a demora! Boa leitura = )

Paro em frente a entrada do templo, por algum motivo não me sinto bem, parece haver um nó em minha garganta, como se algo muito errado estivesse para acontecer. Dou um passo para frente e sinto um arrepio.

– Lizzy, está aí? Pergunto levando a mão a meu coração, que se recusa a se acalmar.

O que houve? Indaga a loira, notando meu desconforto.

O general Cross… Penso em como dizer o que me incomoda, afinal, nem eu mesma sei direito o que é. — Você…

Você quer saber sobre os efeitos para o guardião. Suspiro. — Bom, primeiro de tudo, você de fato precisa confiar plenamente nele, do contrário, será um verdadeiro inferno. Eu já não tinha muitos segredos com o Marian, mas depois disso não tive mais nenhum.

Arqueei uma sobrancelha, ela fazia parecer que ele realmente conseguiria ler minha mente.

– Eu diria que ler a mente é um pouco exagerado, ele não vai saber 100% do que se passa na sua cabeça, porém, 85% …

– 85%!?!

– É, bom, o objetivo é que assim você consiga esvaziar melhor a sua mente, já que você tem que lidar com as emoções e pensamentos de todos, ao menos uma pessoa irá te ajudar a lidar com os seus.

A teoria era ótima,mas não estava disposta a ficar ainda mais transparente na pratica, Kanda já parece conseguir me ler como um livro aberto, imagina com esta habilidade.

E o que mais? Pergunto, temendo a resposta.

Bom, por exemplo, se você estiver tendo um pesadelo, e sim, é praxe que os compatíveis ao coração tenham pesadelo, ele também terá o pesadelo, mas de maneira diferente, no caso do guardião, ele apenas vê o pesadelo rapidamente, como se fosse um despertador, serve para que ele saiba que tem que te acordar.

– Hunf, não faz a menor diferença. Meus gritos já faziam isso. Digo deprimida.

É que na maioria dos casos a pessoa não divide o quarto com seu guardião. Isso não seria muito bem visto na família Ichinose.

Aceno com a cabeça, sentindo meu rosto corar, de fato não era algo muito socialmente correto, mas momentos de desespero pedem medidas desesperadas.

Só que isso também funciona quando vocês estão acordados. Não pude deixar de soltar uma exclamação. — Por exemplo, se você começar a se sentir muito assustada ou muito preocupada, é como se soasse um alarme no cérebro do seu guardião que você precisa de ajuda.

– Não muda muito do que acontece com os exorcistas em geral.

– Engano seu, já que eles simplesmente respondem ao seu chamado inconsciente por ajuda, e esta pessoa irá sentir exatamente o mesmo que você, podendo “tomar” este sentimento de você. Isto vale também para o seu dom curativo.

– O que isso significa? Indago, já desconfiada da resposta.

Ele pode pegar o efeito que cai sobre você, para ele.

Volto a acenar com a cabeça, Lizzy se retira para me deixar pensar, não vou submeter Kanda a isso, muito menos, sendo ele do jeito que é, no fim ele vai tentar carregar tudo sozinho, balanço a cabeça de um lado para outro. Gotículas de água caem de meus cabelos, decido ir até o meu quarto seca-lo, assim terei tempo de pensar em algo.

Não há mais luz no interior da casa, não tenho a menor ideia de horário, mas creio que já seja madrugada, tento me lembrar do caminho do meu quarto, porém noto que nunca tive um, eu fiquei no quarto de Kanda até agora, rio da ironia, mesmo em uma mansão com centenas de quartos nós continuávamos a dividir um. Assim que chego ao quarto, acendo uma vela e sigo para o banheiro, pego uma toalha e me sento em frente à penteadeira, secando meu cabelo, vejo largada sobre ela a pulseira que eu havia feito para Allen, e me surge uma ideia genial, levanto-me e vou até a mala do general.

Aqui! Digo animada, pego os destroços em minhas mãos e os carrego para a cama.

Fecho meus olhos e me concentro completamente no que um dia foi Timcanpy. Mantenho minha respiração controlada, não sei se isto vai dar certo, mas não custa nada tentar. Depois de um longo tempo, percebo não estar acontecendo nenhuma mudança. Suspiro, desanimada, eu queria tanto usá-lo para encontrar o general Cross, ele é o único que pode me dizer de fato, o que é ser um guardião.

Deito-me encarando o teto, não quero ir até o templo, percebo então o quanto estou com sono, de fato, faz muito tempo que não durmo direito, tento me lembrar, ontem fiquei conversando com Kanda, e antes estava cuidando dele, teve também o tempo que estive fora de área e antes eu…

Abro meus olhos lentamente, devo ter pegado no sono enquanto pensava em uma maneira de fugir da cerimônia, contudo, reparo que não me encontro mais na cama do general, o lugar em que estou se assemelha a uma floresta.

Eu não acredito que você fugiu! Assusto-me, não havia reparado em Natsumi.

Na verdade eu só estava fazendo uma pausa. Digo usando meu sorriso mais doce.

O olhar de minha irmã deixa claro que ela não acredita em mim.

Onde estamos? Indago voltando a correr os olhos pelo local.

Uma ilusão. Olho surpresa para ela. — Este é o meu poder, já nos vimos nestas condições antes, se lembra?

Concordo com a cabeça, analisando o ambiente ao meu redor, desta vez ao menos temos um cenário, era um pouco assustador ficar em uma sala completamente branca, sem saber o que era a parede, o chão ou o teto.

E por que estamos em uma de suas ilusões? Questiono, preocupada com a resposta. — Você veio me dar bronca por não ter ido para o templo?

Na verdade, isso é indiferente. Sinto me afrontada, por que ela me mandou ir para lá se isso era indiferente? — Já estamos onde tínhamos que estar.

E onde é isso? Pergunto erguendo uma sobrancelha e olhando a minha volta novamente.

O teste que visa saber se de fato Kanda Yuu está apto a ser seu guardião!