The warmth of Winter
46 Pequenas diferenças
Notas iniciais
Kanda Yuu POV
– Acha-la? Pergunto desconfiado.
– Isso mesmo, você precisa achar Fuyuki. Diz Natsumi com um sorriso nada confiável. — Tente ser breve, afinal ela está sozinha em uma floresta, imagine o quão isto pode ser assustador e perigoso.
Aceno com a cabeça mesmo não acreditando completamente nela, viro-me e entro na floresta, talvez haja armadilhas, ou Fuyuki nem mesmo esteja aqui, só sei que ela está me escondendo algo.
Mantenho-me atento a meus arredores conforme adentro mais a floresta, uma vez que este mundo é uma ilusão criada por Natsumi, ela pode muda-lo a qualquer momento, assim como pode fazer com que eu apenas de volta em círculos. Parecia uma tarefa realmente simples, encontrar Fuyuki e então a saída, e justamente por isso, não consigo deixar de desconfiar, se o objetivo é saber se sou apto a ser guardião dela, provavelmente vão querer colocar minhas habilidades à prova.
Ouço um barulho num arbusto próximo, preparo Mugen e me aproximo da direção do barulho, afasto-o e me deparo com Fuyuki, ela parece adormecida, olho os arredores, volto a embainhar Mugen e me agacho, chacoalhando a morena.
– Hum… Ela se vira para mim, parecendo lutar para manter os olhos abertos. — Kanda!
Ela sorri e se senta coçando os olhos, como sempre, completamente alheia ao que se passa a sua volta.
– O que está fa… zendo aqui? Sua pergunta é cortada por um bocejo.
– Você sabe onde é aqui? Ela chacoalha a cabeça, dando um novo bocejo, porém quando olha para os lados, parece notar que algo está errado.
– Onde estamos?! Questiona esticando o pescoço para ver mais distante, finalmente ela está completamente acordada.
– É só uma ilusão. Faz parte da cerimônia. A morena volta a me encarar, parecendo compreender, ela acena com a cabeça.
– E o que fazemos? Ela volta a olhar de um lado para o outro. — Quer dizer, qual o objetivo disso?
– Procurarmos a saída. Fuyuki também não parece muito convencida, mas concorda com a cabeça.
Seguimos floresta adentro, estranhamente, nada acontece, tirando os barulhos típicos da floresta não há nenhum som estranho, também não vejo nada que pareça fora do lugar, a cada momento me convenço mais de que há uma armadilha.
– Kanda, estou cansada. A morena reclama com uma voz manhosa. — Vamos sentar um pouco, estamos andando há tanto tempo.
Ela se senta no chão, aproximo-me lentamente, apertando Mugen em minha mão.
– Então esta é cilada. Aponto a espada para o pescoço da morena, que arregala os olhos. — Quem é você?
– Sou eu Kanda, Fuyuki. Ela tenta se levantar, aproximo mais a Mugen de seu pescoço e ela dá um passo para trás. — Hunf! Então você descobriu, é? Certo, já que você conseguiu descobrir, vou lhe contar um segredo, há varias Fuyus espalhadas pela floresta, mas só uma é a verdadeira. Boa sorte em encontra-la.
Com isso ela simplesmente sumiu, suspirei, isso sim se parecia mais a um desafio. Pelo jeito o verdadeiro teste era encontrar a Fuyuki original, para isso seria melhor que eu passasse a procurar por quantas Fuyukis pudesse, não devia ser tão difícil achar a verdadeira.
– Kanda.
Depois de algum tempo caminhando, finalmente encontrei outra Fuyuki, infelizmente todas eram replicas perfeitas, não seria possível diferencia-las por sua aparência, bom, eu teria que testa-la.
– Você está perdida há muito tempo?
– Sim. Você sabe onde estamos? Ela se aproxima. — Em um momento eu estava dormindo e no seguinte eu acordei aqui.
– Dormindo? Questiono erguendo uma sobrancelha, ela dá uma risadinha envergonhada e coça a cabeça desviando os olhos, até o jeito de agir é igual.
– Eu fui para o quarto secar meu cabelo, mas acabei pegando no sono. Aquela história não era nada convincente, porém Fuyuki nunca fora boa em arranjar desculpas, então não servia de parâmetro. — O que foi? Você parece tão concentrado.
– Nada, vamos seguir. Ela acenou com a cabeça e começamos a andar.
Começo a pensar em formas de descobrir se esta é a verdadeira Fuyuki, a última se entregou, porém não posso ficar esperando, se a verdadeira realmente está aqui, devo encontra-la o quanto antes.
– Você está cansada? Pergunto depois de algum tempo. — Quer que paremos um pouco?
– Ah, não. A morena balança a cabeça de um lado para o outro. — Eu estou bem, não se preocupe comigo, por favor.
Como eu já imaginava, nem todas irão ter o mesmo comportamento, obviamente reclamar de cansaço não é algo que eu deixaria de estranhar, porém penso no que mais elas podem se diferenciar. Um barulho próximo me desperta, Fuyuki se aproxima de mim, olhando em direção ao som.
– Kanda, o que você acha que é? Ela pergunta, sem desviar o olhar. Sorrio, esta é a oportunidade perfeita.
– Pelo som, creio que seja um lobo. Seus olhos se arregalam.
– É melhor o evitarmos então, vamos… Novamente aponto a Mugen para a réplica.
– Como você descobriu? Ela pergunta bufando.
– Fuyuki tem medo de lobos. Agora seus olhos se arregalam ainda mais.
– Sério?! Quer dizer, lobos? Por que medo de lobos? Pergunta a cópia parecendo descrente.
– A pregaram uma peça de Halloween, alguns dos colegas dela no orfanato se fantasiaram de lobisomem e a deram um susto, desde então ela tem medo de lobos. A morena riu.
– Eu jamais imaginaria isso, bom, sorte a sua. Surpreende-me que até isto ela te conte, agora vá atrás da próxima. Dito isto, ela também desapareceu.
Voltei a caminhar, já pensando sobre o que fazer para desmascarar as próximas. Obviamente as cópias eram provenientes de Natsumi, então eu precisaria encontrar coisas que ela não sabia sobre Fuyuki para usar como parâmetro.
– Oe! Sentada na beira do riacho, bebendo água, estava outra Fuyuki.
– Kanda! Ela correu em minha direção. — Que bom que está aqui, eu achei que estivesse completamente sozinha. Você sabe onde estamos?
– É uma prova, precisamos encontrar a saída.
– Entendo. Comenta a morena se virando. — Eu vim daquele lado, você veio por ali, né? Então o melhor é tomarmos outra direção.
Concordo com a cabeça, até agora nada suspeito, decido não testa-la no que as outras já erraram, sei que ela não vai cair. Seguimos pela floresta, a esta altura suponho que a floresta não tenha um fim, ficaremos dentro dela até que eu encontre a verdadeira Fuyuki.
– Desculpe. Diz a morena parecendo constrangida, após seu estômago ter roncado.
Olho para o céu, não sei ao certo que horas começamos o teste, mas suponho que antes do meio dia, e agora já está escurecendo, Fuyuki deve estar realmente faminta, isto me dá uma ideia.
– Que tal procurarmos comida? Sugiro, ao que ela parece ponderar. — Já estamos aqui há muito tempo, é melhor fazermos uma pausa.
– Eu vi algumas árvores frutíferas, talvez consigamos algo para comer.
Começamos a olhar de um lado para o outro, atrás de frutos comestíveis, porém, continuo com meu plano em mente. Vamos para perto do rio, na esperança de encontrar algo, e decido que é a hora perfeita.
– Por que não comemos peixe? Fuyuki olha para dentro da água, e acena com a cabeça. — Você consegue pegá-los?
Ela nega com a cabeça, sem tirar os olhos da água.
– E se eu te ensinar, você acha que consegue? Pergunto, já imaginando a resposta.
– Sim, não deve ser tão difícil.
– Você também não é ela. A réplica da de ombros levantando as mãos.
– Você é bom, o que me entregou? Vai dizer que Fuyu não come peixe?
– Ela não mataria o peixe. A morena arqueia uma sobrancelha. — Fuyuki não iria matar um animal nem mesmo para comer.
– Faz sentido, ela continua igual. Fala a suposta Fuyuki, balançando a cabeça. — Certo, tenho uma boa notícia para você. São um total de cinco Fuyukis, o que significa que agora só faltam duas, mas eu te aconselho a ir rápido, as coisas podem ficar perigosas em uma floresta a noite.
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