The warmth of Winter
52 Sem rumo
Notas iniciais
Kanda Yuu POV
– Kanda. Akihiko se aproximara com Fuyuki. -Vocês dois poderiam me acompanhar um pouco?
Algo não estava certo, ele tentava transparecer calma, mas estava visivelmente agitado. O seguimos para fora do salão, no corredor, várias pessoas corriam de um lado para o outro, a morena não parecia ver nada de errado naquilo, contudo, seus sentimentos pareciam fora de lugar, voltei o olhar para o Ichinose, aquilo provavelmente era obra dele.
Saímos da casa e seguimos na direção dos estábulos, pude sentir uma leve presença estranha, porém, minha atenção foi tomada, quando uma nova onda de “emoção” se abateu sobre Fuyuki, Akihiko realmente a queria alheia ao que acontecia a sua volta, e eu pressentia a razão por trás disto.
– Assim que terminarem de atravessar o túnel, sigam para noroeste, encontrará uma cidade a cerca de 60 quilômetros, infelizmente é a mais perto. Ele havia nos guiado por uma escada, localizada no interior de uma baia. — Tome cuidado, certo Fuyu? Kanda, estou contando com você.
Ele beijou a testa da morena, e de repente, ela se deu conta de onde estávamos e do quão estranha era a situação, mas antes que pudesse sequer abrir a boca, seu irmão a empurrou para dentro do túnel, ele me olhou, assenti e entrei, uma parede se materializou atrás de nós.
– Aki. Fuyuki procurou por um trinco, reparando que não havia um, ela bateu na parede. — Aki, o que está acontecendo?
– Aki! A esta altura a morena já compreendera do que se tratava. — Isto não é justo! Eu posso lutar. Eu preciso lutar, não pode me tirar da batalha. Eles estão atrás de mim!
A cada palavra o desespero de Fuyuki crescia, e ela batia na porta, como se aquilo pudesse ajuda-la a sair. Ao perceber que não receberia resposta, ela se virou para mim.
– Precisamos lutar. Temos que sair daqui, nós precisamos nos juntar a batalha, não podemos…
– Nós vamos seguir as direções que seu irmão passou. Seus olhos se arregalaram.
– Não podemos! Ela me encarava como se eu tivesse perdido a razão. — Precisamos ajuda-los. Eu não tenho ideia de quantos akumas sejam, nem se tem Noahs, mas aposto que eles vieram preparados. Eles sabem que estou aqui, estão procurando por mim, eu sei que estão.
– E é por esta razão que estamos te tirando daqui. Respondi, me mantendo o mais impassível possível, na esperança de que isto fizesse com que ela se acalmasse.
– Não… A morena murmura, seu olhar se torna perdido. — Eu não posso fugir.
Sinto um arrepio correr minha espinha, a mente de Fuyuki se torna turva, seus pensamentos começam a se embaralhar de forma vertiginosa, agarro os ombros da morena, chacoalhando-a, contudo, ela parece nem sentir.
– Fuyuki! Droga, era exatamente disto que o Ichinose devia estar falando.
Uma culpa avassaladora se abateu sobre ela, respirei fundo, não podia deixar que seus sentimentos me afetassem, do contrário terminaríamos ambos enlouquecendo.
– Eu preciso salvá-los. Lágrimas surgiram em seus olhos, contudo, eles se mantinham sem foco.
A ideia de que as pessoas na mansão estavam em perigo por sua causa, parecia consumi-la, no entanto, havia mais um sentimento, de alguma forma obscuro, que parecia se aproveitar da situação para se apoderar da mente da morena, era a presença que já havia sentido antes, toda vez que Fuyuki perdia o controle.
– Nós precisamos sair daqui. Fiz com que ela me encarasse, por mais que ela não estivesse de fato me vendo. — Fuyuki, controle-se. Você não será capaz de ajudar ninguém neste estado.
As lágrimas escorrem, e aos poucos seus olhos voltaram ao foco, muitos sentimentos ainda a atacavam, contudo, ela acenou com a cabeça. Soltei seus ombros, ela tomou um longo fôlego, e passamos seguir pelo túnel.
O túnel era extenso, o seguimos por cerca de uma hora, correndo o tempo todo. Fuyuki não voltara a abrir a boca, sua mente estava ocupada, tentando se conectar com qualquer exorcista que estivesse do lado de fora, porém, eu estava certo de que havia uma barreira na entrada do túnel impedindo que isto fosse possível, ainda assim, em nenhum momento ela desistiu de tentar.
Finalmente saímos na floresta, o céu estava encoberto, o que tornava a visibilidade baixa, me senti de volta ao teste para guardião, mas desta vez não se tratava de uma ilusão. Atrás de mim, ouvi a morena fungar, durante todo o percurso, ela não parara de chorar, sua mente ainda não havia registrado nossos arredores, em compensação, o vento frio a fizera ficar arrepiada, suspirei, ela realmente precisa aprender a controlar seus sentimentos.
Fiz com que ela vestisse meu paletó, e depois voltamos a andar, percebi logo que não poderíamos seguir o mesmo ritmo, a floresta era desnível e escura, o que naturalmente já a atrapalhava, além disto, Fuyuki usava saltos, que só serviam para atrasa-la mais.
Cerca de cinco horas depois, a morena tropeçou, segurei-a antes que fosse ao chão, sua mente já estava tão esgotada quanto seu corpo, por esta razão era mais difícil “ouvi-la”, como se sua mente estivesse distante. Ela tentou se reerguer, porém seu corpo mal se aguentava em pé, suspirei, pelo jeito aquilo era o que poderíamos andar por hoje.
– Vamos descansar. Digo ainda segurando seu braço, e a puxando para uma árvore próxima. — Podemos continuar amanhã quando o Sol nascer.
A morena mal parecia ter me ouvido, ainda assim aquiesceu, sentamo-nos e em questão de segundos ela estava adormecida, sua cabeça logo pendera e ela se encolhera mais ao meu lado.
Quando começou a amanhecer decidi verificar os arredores, eu não sentia nenhuma ameaça, e Fuyuki estava tendo um sono tranquilo, então era a oportunidade perfeita para procurar por comida e água.
Pelo jeito não havia água por perto, e mesmo com a enorme variedade de árvores, não reconheci nada comestível. Tsk, havia uma grande quantidade de esquilos, mas sem dúvida a morena não comeria um.
Decidi checar Fuyuki, e percebi que ela estava tendo um pesadelo, suspirei e me encaminhei de volta para onde ela dormia, agora, um sono muito agitado. O sonho provavelmente era resultado de sua preocupação, uma vez que nele, estávamos todos lutando contra os Noahs, porém um por um, os exorcistas eram mortos.
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