The warmth of Winter
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Notas iniciais
Kanda Yuu POV
Era enlouquecedor o como os sentimentos de Fuyuki se embolavam e sobrepunham, a sensação era fisicamente sufocante, não me surpreendia nada ela viver tão cansada. Finalmente entendi o que o Ichinose me dissera, se de fato aquilo era constante, ela terminaria entrando em colapso.
De acordo com Natsumi, uma vez que eu conseguisse manter meus sentimentos sob controle, os dela iriam se “espelhar”, e de fato parecia estar dando certo, uma vez que a morena estava aos poucos se acalmando.
– O que vocês dois pensam que estão fazendo?
Natsumi vinha em nossa direção com as mãos na cintura e uma cara de poucos amigos, ela parou cruzando os braços.
– Eu tive trabalho demais organizando esta festa para que os homenageados fujam na primeira oportunidade. Fuyuki parecia prestes a se explicar, porém a mais velha a cortou. — De volta para dentro, agora. Os dois!
Ela completou, ao me ver parado. A menor me lançou um olhar que dizia, não a contrarie, bufei e as segui para dentro.
– Não é aconselhado que se fale sobre este assunto, mas pode contar a seus amigos se quiser, só, não saia espalhando. A sacerdotisa explica a Fuyuki. - Não faremos nenhum comunicado formal, teoricamente, nada aconteceu. Para todos os efeitos, esta é apenas uma festa comum.
A morena aquiesce, imaginando o porquê de tanto segredo, a expressão da mais velha muda drasticamente, agora ela exibe um sorriso de ponta a ponta.
– Agora que tudo está explicado é hora de dançar. Ao ver que nenhum de nós se mexia, Natsumi estala a língua e se vira, parando de frente para nós dois. — É uma tradição! Vocês tem que dançar.
Fuyuki ri ao visualizar a cena, levando isto como uma ofensa pessoal, a sacerdotisa começa a ralhar com sua irmã.
– Ok, ok! Virando-se para mim, Fuyuki levanta um dedo. — Só uma.
Encaro-a incrédulo, será que ela é incapaz de dizer não? Contudo, vejo que está usando está oportunidade para se distrair, suspiro, se isso vai impedir que volte a surtar.
– Você sabe dançar? Pergunta Fuyuki enquanto nos encaminhamos ao centro do salão, dou de ombros, não deve ser tão difícil.
Ela volta a rir, depois de me dar uma breve explicação, nos posicionamos e ela volta a sorrir.
– Parece até que você está com medo de mim. Comenta ela entre risadas. — Esta mão você põe na minha cintura, mas será mais fácil se você chegar mais perto, pronto, agora me de a outra mão. Não faça esta cara, é divertido.
De fato ela estava achando muita graça na situação, bufo, não imaginei que algo assim estivesse envolvido quando aceitei ser guardião, porém, seu humor havia melhorado perceptivelmente, então ao menos estava servindo para algo.
– Kanda. Fuyuki se controlava para não rir, mas estava falhando miseravelmente. — É você quem tem que guiar.
Suspirei, começamos a dançar, seguindo os passos que eu via na mente dela, não chegava a ser tão difícil.
– Você está se saindo muito bem para uma primeira vez. Disse honesta. — Em compensação, este vestido não colabora muito.
Olhei para o mesmo, era claro com detalhes em rosa e comprido, porém, o que o tornava problemático era seu tamanho, de fato, usar algo assim tão cheio não parecia prático.
– Creme, é o nome da cor, e o rosa, na verdade é cereja. Explicou Fuyuki. — E de fato esta armação gigante não entra na lista de roupas adequadas para se lutar contra akumas.
– É um vestido ou um bolo? A morena desatou a rir.
– Parece que Natsu tem algo com cores com nome de comida, meu quarto é pêssego. E na verdade, me sinto um verdadeiro bolo confeitado.
Ela sorri, ao reparar em Akihiko ao nosso lado, dançando com Lenalee, mais para frente Daniel dança com Beatrice.
– Parece que todos estão se divertindo. Ela comenta rindo. — Se bem que Bea acha que a musica deveria ser mais animada.
Percebo que ela está se esforçando para não voltar a pensar no Noah, vejo o Ichinose fazer com que Lenalee de um giro, faço Fuyuki girar e ela começa a rir.
– Ok, você definitivamente tem um dom para dança, pena não gostar. Ela finge uma expressão triste. — Um verdadeiro desperdício.
– Onde aprendeu a dançar? Pergunto, para mantê-la distraída.
– Honestamente, eu não sei. Ela tenta recordar. — Sei dançar desde pequena, mas pensando agora, devo ter sido ensinada por um tutor ou algo parecido, uma vez que é um requisito para uma jovem nobre. Sabe, ainda é muito estranho pensar em mim como uma Ichinose, ou até mesmo no simples fato de ter uma família. Passei minha vida toda achando que minha família inteira tinha sido levada em um incêndio, e agora descubro que a única coisa que sabia sobre mim mesma era uma mentira, é tão confuso.
– Você não se lembrava de nada? Ela negou com a cabeça, ainda perdida em pensamentos. — E como soube do incêndio?
– Foi o que me contaram, na verdade, você tem razão. Fala a morena, em resposta a meu pensamento. — Não houve incêndio nenhum, não tem como ter tido. E além do mais, por que os Ichinose me abandonaram, quer dizer, eles que me mandaram para o orfanato?
Antes que pudéssemos continuar a discutir, contudo, a música terminou, Akihiko se aproximou e pediu para dançar com Fuyuki, ao que ela assentiu, por pensamento, ela me disse que continuaríamos a conversa depois.
Depois do Ichinose, a morena dançou com o Smutter, com Johnny, Layla, Beatrice, ela mal parava para beber algo, e já voltava a dançar.
– Kanda. Johnny se aproximava sorrindo. — Eu não teria acreditado se tivessem me dito, mas como vi com meus próprios olhos, não sabia que você dançava.
– Tsk. Suspirei irritado, de fato, nem eu teria acreditado.
– A Fuyuki-chan realmente é uma garota incrível. Arqueei uma sobrancelha. — Lenalee me contou sobre as habilidades dela, tenho certeza que agora conseguiremos ajudar Allen…
Não consegui ouvir o resto do que o cientista dizia, sua frase me pegara desprevenido, no entanto, fazia todo o sentido. Olhei para onde a morena dançava, novamente com seu irmão, ele a fizera girar tanto que ela ficara tonta, por isso ela estava com a cabeça encostada no ombro dele, porém os dois não conseguiam parar de rir do acontecido.
Eu saíra da ordem para resgatar o moyashi, Fuyuki viera junto por ser a única que talvez pudesse cura-lo, agora em compensação, eu já não cogitava a ideia de fazê-la usar a inocência para cura-lo, parecia completamente errado.
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