Notas iniciais
Boa leitura = D

Realmente é ótimo. Digo sorrindo para Clair.

Enquanto comíamos, ela me contou que havia conseguido emprego no orfanato, aproveitei então e pedi para acompanha-la até lá, expliquei que eu estava pesquisando meu passado, e ela se ofereceu para me ajudar no que fosse necessário.

Sabe, você está diferente. Pisquei algumas vezes, levemente confusa. — É difícil de explicar, por que eu não sei o que está diferente, mas que está, está.

Ri, como ela pode me achar diferente, mas não saber no que estou diferente? Novamente entramos na rua do orfanato, senti um nó se formar em minha garganta, estou nervosa, a ideia de que finalmente vou desvendar este mistério me deixa agitada.

Com saudade? Indaga Clair, concordo com a cabeça, meu coração dispara, o que será que aconteceu.

Adentramos o terreno do orfanato e milhares de memórias começaram a voltar, todos os momentos divertidos que passei ao lado de Layla, todos os amigos que fiz e que considerava como família, cada lugar carregava uma memória. Quando nos aproximamos do prédio encarei a enorme árvore na entrada, ri ao perceber que eu e Kanda pensávamos a mesma coisa, fora daquela arvore que eu despenquei e ele me salvara, parecia tanto tempo e, no entanto não se passara um ano.

Clair! Gritos vinham em nossa direção. - Clair-nee-san!

Sue, você sabe que eu não fiz de propósito.

Mas você machucou a Jane!

Eu já pedi desculpas! Ambos estavam tão concentrados na discussão, que não notaram minha aproximação, parei e me ajoelhei em frente à Jane.

Se Ray já pediu desculpas, então acho que está tudo certo, não Jane? Os dois pararam e se viraram surpresos.

Fuyu-nee-chan!? Jane baixara as mãos de seu rosto, que estava coberto de lágrimas.

Onde machucou?

Ela esticou a perna, abaixo do joelho havia um corte bem sujo e do qual escorria sangue, aproximei minha mão, mentalmente ouvi Kanda me repreender, porém ignorei e curei o ferimento, era tão superficial que nem me fazia cócegas.

Prontinho! Digo afastando a mão, por um minuto todos encaram incrédulos, e no seguinte sou derrubada no chão pelos dois que antes discutiam.

É a Fuyu-nee-chan!

Rio, enquanto ambos me apertam o máximo que seus bracinhos permitem, Jane me olha parecendo constrangida, sorrio para ela, que toma aquilo como um incentivo e se junta ao abraço, aperto os três de volta, me sentindo emotiva.

Você voltou?! Diz Sue parecendo radiante.

Obvio, né? Rebate Ray. — Ou você acha que é uma cópia dela?

Eles parecem prestes a entrar em uma nova discussão, rio, abraçando-os e beijando o topo da cabeça de cada um, eles sorriem e beijam minha bochecha, os dois ao mesmo tempo, o que me faz sorrir genuinamente, só agora percebo o quanto senti falta deles.

Clair, que bom que chegou, o diretor disse que… Não consegui me conter, ao ouvi-la, larguei os dois e me levantei, correndo e me atirando contra Mary Anne. — Fuyuki-chan?!?

Ela passou os braços em volta de mim, apertei-me mais contra ela, enterrando o rosto em seu ombro, provavelmente ela estava chocada em me ver aqui, mas eu não queria me explicar, pelo menos não por enquanto, eu só queria seu abraço. A professora Mary Anne sempre foi a mais doce do orfanato, ela sempre se esforçava para ajudar a todos, e principalmente aqueles que mais precisavam, normalmente era ela que cuidava de quem estava doente.

Logo que eu cheguei ao orfanato, não queria falar, nem me socializar, aos poucos, as outras pessoas foram desistindo de mim, eu não podia culpa-las, eu mesma estava as afastando, mas isso nunca a impediu de tentar se aproximar, de falar comigo, me contar histórias e até mesmo me dar carinho. Por esse motivo, toda vez que eu tinha um problema, recorria a professora Mary Anne, ou melhor, toda vez que eu tinha um problema, ela vinha a mim, parecia que ela tinha um radar, ou eu talvez nunca tenha sido boa em esconder, qualquer que fosse o caso, ela sempre estava pronta a me ouvir e me ajudar com o que quer que fosse.

Como você está magra! Ela soltara os braços e havia colocado as mãos em minha cintura. — Não me diga que tem se esquecido de comer!? Fuyuki, você sabe que…

Eu tenho comido, como direitinho!

Sinto-me constrangida, Mary Anne não tem nenhum problema em me dar sermão em frente às crianças. Ela me olha de cima a baixo, analisando-me, sinto minhas bochechas corarem, ela não está acreditando em mim, o pior é que é verdade, ou melhor, tenho comido ainda mais depois que saí daqui, só que graças a inocência, eu estou gastando muito mais, bom, teve uma época na qual não me alimentei direito, mas não foi exatamente culpa minha, só que infelizmente ainda não fui capaz de recuperar.

Ela chega a fazer seis refeições por dia. Olho para Kanda, não pensei que ele iria se pronunciar, noto que ele estava acompanhando meus pensamentos e sorrio agradecida.

Vejo que a atenção de todos muda de mim para o moreno, há um instante de silêncio, no qual todos parecem se perguntar quem é ele.

Uau! Solta Sue, parecendo verdadeiramente fascinada. — O namorado da nee-chan parece um príncipe.

Desato a rir, ouço a professora Mary Anne concordar com ela e Clair tentando explicar que não somos um casal, já que a própria também cometera o mesmo engano antes.

Este é Kanda Yuu, nós trabalhamos juntos. Digo como explicação, depois que finalmente consigo parar de rir.

Eh?! Mas ele é tão bonito nee-chan.

Penso em que resposta dar a isso, não é como se eu pudesse discordar, sinto meu rosto corar ao me lembrar de que ele sem dúvida viu o que pensei, chacoalho a cabeça me sentindo terrivelmente envergonhada.

É verdade, já nos vimos antes. Agradeço mentalmente a professora por mudar o foco da conversa. — Foi você quem veio ver Layla. Daquela vez havia outro homem com você, como se chamava? Freud?

Froi. Responde Kanda, pois não consigo controlar meu riso. — Tiedoll.

Isso mesmo. Fala Mary Anne, como se não tivesse dito nada errado.