The warmth of Winter
57 F.I
Notas iniciais
Layla Foster POV
Fechei os olhos, queria poder parar de ouvir, infelizmente não é algo possível, suspiro irritada, voltando a abrir os olhos. Não quero me juntar a cerimônia que estão fazendo em honra aos que morreram, eu mal conhecia Beatrice, todos mal a conhecíamos, exceto por Fuyu, a Fontana me dissera que elas já estavam viajando juntas há algum tempo, imagino o como Fuyuki vai se sentir quando receber a notícia.
Puxo o pingente de dentro de minha blusa e o encaro, como será que Fuyu está, sei que ela não recebeu a notícia, mas ainda assim ela deve estar nervosa, quer dizer, não ter notícia nenhuma também não chega a ser algo confortante. Espero que o que Beatrice me disse seja verdade, bom, pelo pouco que vi, pareceu que de fato Kanda era mais gentil com ela, não quero imaginar o estado em que minha amiga vai ficar, então é bom ele ser no mínimo compreensivo.
Levanto o pingente e o giro em frente a meu rosto, uma folha de outono, outono, levanto-me, impossível, trago o pingente para mais perto e engulo em seco F.I, não pode ser. Corro para as escadas, as quais também desço correndo, havia me escondido no lugar em que fiquei durante o ataque, achei que ninguém pensaria em me procurar por lá. Lembranças de meu primeiro encontro com Akihiko passam por minha cabeça, ele quase arrancara o colar de meu pescoço, e foi por causa dele que eu descobri que ele conhecia Fuyuki, como pude ser tão lenta, Aki, essa palavra ecoava em minha mente, Fuyu só o chamava assim.
– Onde está o Ichinose? Digo parando uma das funcionárias da casa, que me olha um pouco espantada, uma vez que entrei correndo e quase a derrubei.
– Ichinose? Fala dando um sorriso tímido, e inclinando a cabeça para o lado, percebo o quão estúpida eu fui, devem ter uns quinhentos Ichinoses por aqui.
– Akihiko.
– Lorde Akihiko está descansando em seus aposentos. Continuo a encara-la. — É a terceira porta a direita no primeiro corredor do quarto andar, mas nã…
Não a deixo terminar, disparo escada acima, quarto andar, primeiro corredor, terceira porta da direita, abro a porta sem bater, não vou dar chance ao Ichinose para escapar de minh…
– O que você pensa que está fazendo?! O moreno senta-se na cama, parecendo incrédulo, sinto meu rosto esquentar, por que raios ele está sem camisa? — Se importa de me responder, ou pretende só continuar olhando?
– Aki. Digo, respirando fundo e me concentrando no que vim fazer. — Outono, certo?
Ele me olha como se eu estivesse louca, aproximo-me sem me importar, ele não vai fugir de mim, e é bom que tenha respostas satisfatórias.
– F.I, você reconheceu este colar assim que o viu. Falo, puxando o pingente de dentro de minha camisa. — Ichinose Fuyuki.
Olho-o firmemente, ele se levanta da cama com uma expressão de descaso, contudo, minha atenção é capturada pela corrente em seu pescoço, sem pensar duas vezes sigo até ele e a agarro virando-a, ele afasta minha mão, mas não antes de eu ver o que queria.
– A.I, Ichinose Akihiko, um floco de neve. Sinto meu coração apertar. — Como puderam abandona-la!?
– O que?! Sua expressão de descrença me irrita, como ele pode ser tão dissimulado. — Você realmente adora tirar conclusões precipitadas, não?
Ambos nos encaramos com raiva, não creio que Fuyu esteve ao lado de sua família e não sabia, não creio que ele não contou nada a ela, como pode ser tão cruel, em primeiro lugar, como foram capazes de se desfazer dela daquele jeito, sinto tanta raiva que meus olhos se enchem de lágrimas.
– Precipitadas?!? Grito revoltada, socando o moreno. — Vocês são família, você sabia quem ela era e não falou nada, você sabia sobre o passado dela e não a disse, vocês a abandonaram, vocês a deixaram sozinha acreditando que não tinha uma família, vocês…
– Pare de gritar! Ele agarra meus pulsos. — E de me bater!
– Você é um imbecil! Digo sem conseguir pensar em nada melhor.
– Quer se acalmar?! Ele me puxa para perto de si, fazendo com que eu o encare, aos poucos vou me acalmando, seus olhos são tão bonitos, se parecem tanto com os da Fuyu. — Ótimo, agora eu gostaria de uma chance de me defender de todas as suas acusações sem fundamento.
Continuo muito concentrada em seus olhos para prestar atenção ao que ele diz, é incrível o como ele se parece a Fuyuki, foi idiotice minha nunca ter notado.
– Sente-se um pouco Layla. Faço como ele sugeriu e me sento na cama, ele pega a camisa que estava jogada em uma cadeira e a veste, me sinto desapontada, era uma bela visão. — Abusada você, não?
Volto a meus sentidos e percebo que o estava encarando, sinto meu rosto ficar muito vermelho e me pergunto o como pude me distrair tanto, mentalmente o amaldiçoo, imbecil convencido.
– Agora que já está de volta aos seus sentidos, deixe-me lhe esclarecer algumas coisas. Ele termina de abotoa-la e se vira para mim. — Primeiro de tudo, não sei como chegou a esta conclusão descabida, mas eu nunca abandonei Fuyu, eu jamais a abandonaria.
Abro a minha boca, entretanto ele me da um olhar cortante, fecho-a a contragosto, decido ouvir tudo e só depois rebater.
– Muito sábio. Ele leu minha mente? — Continuando, eu também não deixei Fuyuki sem saber de nada, ela pode não ter te contado, mas eu e Natsumi a revelamos tudo. E somos irmãos gêmeos, antes que você pergunte, Natsumi é nossa irmã mais velha.
Olho-o pasma, eles se parecem, se parecem bastante, mas não diria que são gêmeos, bom, quer dizer, é complicado comparar uma garotinha fofa e delicada como Fuyu a um babaca arrogante como ele.
– Obrigada pela parte que me toca Foster. O moreno fala dando um sorriso irônico.
– E agora você lê pensamentos, é?
– Não, sentimentos. Suspiro, que droga. Lembro-me então de minha principal questão.
– Mas e quanto a Fuyu ter ido parar no orfanato, a história que nos contaram é que ela foi a única sobrevivente de um incêndio, mas a própria não tinha nenhuma memória do ocorrido, verdade seja dita, Fuyuki não tinha memória de nada. Era muito estranho, quando ela chegou, ela, não sei, ela não era ela.
– Não é totalmente mentira.
Akihiko olha para o teto, ele aperta os dedos sobre as pálpebras, de repente ele parecia muito cansado, não parecia o babaca irritante que eu conhecia, mas sim o Aki do qual Fuyu parecia gostar tanto.
– O que quer dizer? Pergunto temendo a resposta, ele tira a mão do rosto e me olha nos olhos, engulo em seco.
– Houve um incêndio, e Fuyuki foi a única sobrevivente.
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