The warmth of Winter

39 O peso de uma decisão


Notas iniciais
Boa leitura = )

Entre.

Ouço a porta abrir e se fechar logo em seguida.

Eu lhe trouxe um suco, está bem reforçado. Mantenho meus olhos fixos a minha frente, apenas acenando com a cabeça.

O moreno coloca a bandeja ao meu lado, e retira o suco, me entregando, agarro-o com uma mão e levo o canudo a boca, bebo metade do copo e o ponho de lado.

Você não pode continuar com isso, irá à exaustão. Reclama Aki-kun.

Estou bem. Digo, sem desviar os olhos. — Não me sinto cansada.

Ouço-o suspirar, depois de alguns momentos, ele se senta em um sofá próximo a janela, sei que ele me encara, contudo, não o olho de volta.

Já foi feito tudo que se podia, os médicos, nossos curandeiros e até mesmo você, não tem por que continuar se forçando.

O ferimento foi causado pela inocência, então de fato, a única coisa que pode cura-lo é a mesma, você sabe que não posso parar.

O quadro dele já está estável. Rebate o Ichinose.

Ele está ferido e em coma.

Vai se recuperar sozinho. Fala o moreno, parecendo irritado.

Mas eu posso ajudá-lo.

Só que… A porta se abre, fazendo com que ele pare no meio.

Você sabe que ela não vai deixa-lo, então devia deixa-la você, achei que soubesse a hora de parar Aki. Natsumi-san diz, adentrando o quarto.

Ficamos em silencio por um longo tempo, continuo focada em curar Kanda, mesmo que saiba que isso não irá de fato cura-lo, isto irá ajudar a agilizar o processo, uma vez que diminuirá a carga sobre sua própria inocência, o que para mim, já é um alívio.

Você disse que deseja saber mais sobre Elizabeth-sama, e também sobre seu relacionamento com Marian Cross, certo? Aceno com a cabeça. — Pois bem, prevejo que o laço que os unia, será o mesmo que a vocês dois.

Olho de relance para a morena, o que poderia significar isso? Ao chegar à mansão dos Ichinose, conheci Natsumi, ou melhor, descobri seu nome, pois fora ela quem eu havia visto em sonho. Em vista da gravidade do estado do general, não tivéramos tempo de conversar, entretanto, eu havia comentado com Aki, que eu desejava vir à residência dos Ichinose, não somente pelo bem estar de Kanda, como para descobrir mais sobre Lizzy, e creio que ele tenha dito a ela.

O Apocrypho, com o qual você lutou antes, é o protetor da inocência coração, contudo, a inocência coração já teve muitos compatíveis. Aquela informação me surpreendeu, achei que fossem raras, as pessoas capazes de utilizar a inocência coração. — Obviamente, ele não foi capaz de ficar ao lado de todos, então, em seu lugar, cada compatível tem direito a escolher seu próprio guardião, isto é claro, se o compatível for capaz de suportar a inocência.

O general Cross era o guardião de Lizzy!? Meu tom acaba soando mais como uma afirmação do que eu pretendia, porém aquilo parece certo demais para mim.

Sim, ele era. Ela se levanta e se aproxima de mim. — Creio que vá pedir para ele ser o seu, estou certa?

Mesmo sem olhar para ela, sei muito bem a quem se refere, sinto meu estômago gelar, algo não me cheira bem nesta história.

O que envolve? Ser meu guardião.

Seria melhor explicarmos para os dois de uma vez só, contudo, sei que você não irá aceitar até ter todos os detalhes. Sorrio, mesmo a conhecendo há pouco tempo, nos entendemos muito bem.

Há vantagens e desvantagens, e sim, há perigos, porém, ele estará mais seguro se aceitar. Primeiro, sua inocência se tornará ainda mais poderosa, já que será sua obrigação, mantê-la segura.

Esse raciocínio é bem lógico, uma vez que a inocência coração está exposta a maiores perigos, ela precisa também de maior segurança.

Ele também terá maior capacidade de recuperação, para ser capaz de acompanha-la, suas habilidades de combate também serão aumentadas.

Tudo isso parece muito bom, mas você ainda não disse o preço que ele irá pagar. Digo desconfiada, após ela passar longos minutos em silêncio.

Ele será seu segurança, o que por si só, já é uma tarefa suicida. Por algum motivo aquilo não me convenceu, por mais que não conseguisse imaginar o que de pior poderia lhe ocorrer, eu tinha impressão de que de fato, havia algo pior.

Ele também será afetado. Aki-kun se pronuncia de repente, fazendo com que ambas o olhemos, vejo a expressão da morena se tornar negra, pelo jeito ela não queria que eu soubesse disso.

Afetado pelo que? Indago cautelosa, já imaginando os piores cenários possíveis em minha mente.

Tudo. Eu já havia voltado meus olhos para a forma inerte do general, mesmo assim, minha cabeça se inclina para o lado, tudo o que? — Seus sentimentos, seus ferimentos, seus pesadelos, as recaídas, tudo.

Não é exatamente assim… Olho para Natsumi-san, ela pretendia me esconder isso, penso bufando. — Veja bem, é como se vocês dividissem tudo.

Arqueio a sobrancelha, talvez eu realmente esteja cansada, já que não consigo entender o que eles estão querendo dizer, ou simplesmente a morena não é muito boa explicando.

Tanto as vantagens quanto às desvantagens. Diz Akihiko, provavelmente notando minha expressão. — O poder da inocência, a habilidade de cura, mas também seus efeitos colaterais e suas próprias preocupações e dúvidas. Tudo será repartido entre os dois.

Ele será capaz de ler minha mente?! Perguntei alarmada e desconfortável, particularmente sempre achei esta habilidade desagradável e invasiva.

Não. Responde Natsumi como se isso fosse algo obvio, me fazendo sentir encabulada. — Ele simplesmente será mais sensível aos seus sentimentos, por exemplo, se você estiver triste, com medo ou preocupada, ele será capaz de saber até mesmo se vocês estiverem separados.

Meus olhos se arregalaram, que horror, em resumo, eu vou condena-lo a passar pelo mesmo que eu, sabendo e sentindo o que os outros sentem.

A pessoa também poderá, digamos, pegar estes sentimentos para ela. Se intromete Aki-kun.

Ahm? Dessa vez acabei deixando escapar, a cada minuto isto se tornava mais confuso e menos vantajoso.

Não simplesmente tirar seus sentimentos de você, porém diminuir o impacto deles, afinal, seus sentimentos costumam ser aumentados graças a influência da inocência, e a pessoa poderá diminuir isso, tomando-os para ela. Meio que repartir o peso entre os dois. Explica o Ichinose.

Eu não…

Quer, sei disso. Corta Natsumi-san. — Só que você não tem escolha, se não escolher alguém, bom, eu te dou no máximo mais um mês, e depois você pode dar adeus a sua consciência.