The warmth of Winter
58 Comparação
Notas iniciais
– Ray, Sue, Jane! Meu corpo responde mais rápido que minha mente.
– Droga, eles já nos acharam. Kanda havia impedido o ataque, ele vira-se para mim e vejo que há um casulo a nossa volta.
– Estou bem. Respondo mentalmente, abrindo as asas que nem me lembro de ter invocado e soltando as crianças.
– Vocês estão bem? Indago, checando-os.
– Uau, a nee-chan tem asas! Diz Ray parecendo fascinado.
Outro ataque, desta vez, destinado à construção principal, crio um escudo em torno de toda a área.
– Sensei, Clair, levem as crianças para dentro, nós tomaremos conta deles. Falo pegando os pequenos e os levando até as duas. — Kanda, eu…
– É melhor ficar. Olho incrédula para o moreno, a barreira está sendo fortemente bombardeada, ele já havia liberado os insetos do inferno que destruíram alguns akumas, ainda assim, eram muitos. — Você já está usando bastante energia no escudo e será mais fácil mantê-lo de dentro.
Engulo em seco, não quero manda-lo sozinho para a batalha, não gosto nem um pouco da ideia de nos separarmos, ele suspira e me olha.
– São os mesmos da mansão, vou destruí-los e logo estarei de volta. Você precisa proteger o orfanato, certo? Aceno lentamente com a cabeça, não quero que ele vá.
– Tome cuidado. Digo sentindo um nó se formar em minha garganta.
O general deixa a barreira e eu corro para o interior do prédio diminuindo a área do escudo, de fato, quanto menor, mais fácil é mantê-lo. Logo sinto que os ataques cessaram, porém vejo que Kanda decidiu seguir alguns akumas que estavam tentando fugir, tento convencê-lo do contrario, mas ele não me dá ouvidos.
– Fuyu-chan. Olho para professora Mary Anne, que me estica um xícara de chá, sorrio e a pego. — Olhar pela janela não vai fazê-lo voltar mais rápido.
– Obrigada. Falo levantando a xícara e depois dando um gole da mesma.
– As crianças já estão divulgando que a Fuyuki-nee-chan é um anjo. Rio, parece que essa é uma comparação frequente.
– É a inocência. Explico.
– Bom, você cura, tem asas e ainda cria enormes barreiras protetoras, acho que não é uma descrição tão descabida. Rimos juntas. — Realmente são habilidades incríveis, jamais imaginei que veria tal coisa na vida real.
– São apenas habilidades de suporte. Digo colocando a mão no vidro, queria estar do lado de fora. — Meus amigos que lidam com toda a luta.
– Oh, isto está me cheirando a alguém se menosprezando. Sinto minhas bochechas esquentarem. — Aposto que por mais incrível que ele seja na batalha, não pode fazer nada por alguém ferido.
Sei que ela está se referindo a Kanda, sorrio, não é exatamente verdade, mas de fato eu gostaria de ter melhores habilidades de combate, estou cansada de ser empurrada para fora do campo de batalha, e com o surgimento destes akumas, não consigo deixar de me perguntar o que aconteceu na mansão.
– Sabe Fuyu, eu tomei conta de muitas crianças, cada uma é diferente da outra em muitos sentidos, mas crianças são crianças. Choram quando se machucam, riem quando algo as diverte, reclamam quando algo as incomoda, menos você.
Olhei-a sem entender, tudo bem que no começo eu não falava, porém com o tempo eu comecei a falar e me enturmar, até onde eu me lembro era bem comum.
– Você não chorava quando se machucava, mas chorava bastante quando acontecia com alguém. Meus olhos se arregalam, não me lembro disso. — Não me lembro de ouvi-la reclamar uma vez se quer, e você sem dúvida sorria bastante, entretanto demorou a que o sorriso chegasse aos seus olhos.
– Agora em compensação parece que você mudou bastante, está bem mais expressiva, bom, isso é normal. Pisco algumas vezes tentando entender, vendo minha confusão ela completa. — Já que ele é seu namorado.
Rio e ela me acompanha, não adianta discutir com Mary Anne, uma vez que ela decide algo não há quem a faça mudar de ideia. Lembro-me do que havia me trazido ao orfanato.
– Professora. Ela me olha, como se dissesse continue. — Eu queria perguntar sobre quando cheguei aqui. Como foi que me encontraram?
– Nós recebemos uma ligação do hospital. Começa ela, parecendo puxar da memória. — Disseram que havia ocorrido um incêndio, sua…
– Noah! Sinto um suor frio escorrer por minhas costas.
– Fuyu-chan?! A grisalha coloca a mão sobre meu braço, solto o ar que não reparara estar prendendo. — Está tudo bem? Eu…
– Não deixe que ninguém saia do orfanato. Agarro seus braços e olho-a nos olhos. — De jeito nenhum permita que alguém saia!
– Certo, certo, eu prometo. Largo-a e desato a correr. — Fuyuki-chan, aonde você vai?
– Vou mantê-los do lado de fora! Digo já sacando minha lança e a liberando, desta vez não há mais ninguém, eu terei de detê-los.
Sinto o momento em que atravesso a barreira, mordo meu lábio, não é o momento para ter medo, parados em frente ao orfanato, como se estivessem me esperando, estão Road e Wisely.
– Ohhh! A inocência coração é uma gracinha!
– Uhum, ela realmente é fofinha, não é? Sinto-me levemente desconcertada, que espécie de reação é essa, eles podiam ao menos fingir me levar a sério, bom, vou ter que fazer com que levem.
Empunho a lança e me coloco em posição de combate, respiro fundo, já pensando em todas as possíveis estratégias, não vou perder, não posso fraquejar, dessa vez vou provar que sou capaz de protegê-los.
– Hihihi, parece um filhotinho. Sinto minhas bochechas esquentarem, e começo a me sentir brava, ela é menor que eu, é impossível que eu pareça assim tão inofensiva.
– Sabe, agora com as bochechas coradas você ficou ainda mais adorável, tem certeza que precisamos lutar? Eu não me importaria nem um pouquinho de…
– O que vocês vieram fazer aqui?! Eu nunca fui uma pessoa muito orgulhosa, mas até meu pobre orgulho estava ferido com o descaso deles.
– Obviamente viemos te ver. Diz Road com um enorme sorriso. — Sabe Fuyuki-chan nós estávamos te procurando há bastante tempo, você nos deu bastante trabalho.
Chan, eles realmente não pretendem me levar a sério, somos inimigos, por que me tratam como se eu fosse criança?
– E o que pretendem agora que me encontraram? Indago franzindo o cenho, estou ficando cansada do tratamento amistoso.
– Leva-la conosco, o Conde está louco para vê-la. Do jeito que eles falam até parece um reencontro de amigos.
– Eu não pretendo ir a lugar nenhum. Eles olham um para o outro.
– Tão fofinha! Dizem em uníssono, sinto meu sangue esquentar, isto realmente está me irritando. — Sabe, não é como se você tivesse muita opção.
Velas voam em minha direção, uso a lança para rebater algumas, e o escudo para impedir outras, finalmente estamos progredindo.
– Talvez você não queira acreditar, mas seria muito melhor se viesse conosco. Tomo coragem e aproximo-me dos dois, Wisely se afasta e Road comanda mais velas para que me ataquem. — Fuyu-chan, isto não é sábio da sua parte, quanto mais lutar, mais pessoas irão se machucar.
As palavras de Road me atingem, porém continuo a progredir, não pretendo deixa-los fugir, mesmo que eu não queira machuca-los, também não posso fingir que não os vi aqui, eu preciso lutar, preciso enfrenta-los, mas acima de tudo, preciso destruí-los, preciso encontrar em mim a vontade de derrota-los.
– Eu não vou permitir que machuquem ninguém. Falo, tentando me motivar a continuar, eles são inimigos, eles machucam as pessoas, eles…
– Assim como não permitiu que machucássemos Beatrice? Viro-me para Wisely, péssima ideia, Road aproveita o momento de distração e as velas me atingem.
Caio de joelhos, largo a lança e arranco a vela alojada em meu ombro, logo depois retiro a de minha coxa, sai muito sangue, mas minha mente não processa a dor, o que houve com Beatrice?!
– Ah, então você ainda não sabia, é terrível que tenhamos que ser os portadores de tal notícia, mas Beatrice Fontana está morta.
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