The warmth of Winter

47 Esforço infrutífero


Notas iniciais
Preciso usar este espaço para algo muito importante. Estou me sentindo a autora mais feliz do mundo, acabo de abrir minha conta e me deparo com a minha primeira recomendação, que por sinal, foi tão linda, muuuuuuito obrigada Half Fae! Boa leitura = )

Apertei meus braços em torno de minhas pernas, tentando manter o calor o máximo possível. Pergunto-me quanto tempo ainda falta até Kanda me encontrar, tento adivinhar pelo céu quanto tempo será que já se passou, sem dúvida algumas horas, quatro ou talvez cinco. Meu estômago ronca, fazendo com que eu me aperte ainda mais em formato de bola, decido me desligar e pensar em outra coisa, quantas outras Fuyukis será que Natsumi fez, quantas será que o general já desmascarou, quanto tempo se passou na vida real, será que lá também faz horas que estamos nisso…

O som de um graveto se partindo chama minha atenção, prendo a respiração, preocupada, em toda a floresta estamos apenas eu, Kanda e Natsumi, que se passa por mim, então se não for nenhum dos dois, engulo em seco começando a me sentir nervosa.

Fuyuki. Solto o ar aliviada, quando vejo surgir na abertura no buraco em que caí, a cabeça do general.

Kanda! Chamo, lembro-me imediatamente que teoricamente não sei onde estou e nem o que faço aqui. — Que bom que você também está aqui.

Ao menos esta frase é verdadeira, mesmo que possa ser entendida de formas diferentes.

Você não consegue sair? Percebo desconfiança na voz do moreno, suponho que ele já deva ter encontrado algumas Fuyukis.

Não, sinto muito. Até eu tinha que admitir que aquilo não parecia verdade, provavelmente com um pulo eu sairia dali, se não fosse por minha perna.

Tsk. Kanda sai da minha linha de visão. — Eu vou lhe puxar para fora.

Ele volta a aparecer na entrada do buraco, o general parece estar deitado no chão, sua mão esticada para baixo, suspiro e forço meu corpo a se levantar, engulo um gemido de dor. Respiro fundo e estico minha mão, ele a agarra e me puxa, mordo meu lábio com força no momento em que minha perna faz contato com a parede do buraco.

Você está bem? O moreno havia conseguido me puxar completamente para fora, evitei encara-lo, não seria fácil convencê-lo.

Sim… Onde estamos Kanda? Olho de um lado para o outro. — Eu acordei nesta floresta sem saber o que fazer, então enquanto estava tentando procurar pela saída, acabei caindo no buraco.

E por que não saiu de lá antes? Ele me olhou de cima a baixo, ainda estávamos sentados no chão. — Está machucada?

Balancei a cabeça de um lado para o outro, o escuro deve ajudar a ocultar o ferimento, aposto que nenhuma outra das Fuyukis sofreu um machucado tão besta, sem dúvida ele vai saber que sou eu.

Uma rajada de vento faz com que eu me encolha, passando os braços em torno de mim mesma, está ainda mais frio aqui em cima, sinto meu queixo tremer, fecho os olhos, me apertando contra mim mesma. Algo quente encosta-se a minhas costas, abro os olhos, o general havia colocado seu casaco sobre mim, encolho-me dentro dele, está tão quentinho.

Obrigada. Murmuro me escondendo no casaco.

Um raio ilumina o céu, suspiro contrariada, por algum acaso minha irmã está tentando dificultar as coisas?

É melhor procurarmos um abrigo. Kanda também parece contrariado, provavelmente ele quer acabar com este teste o quanto antes, e já deve saber que o verdadeiro objetivo é me encontrar.

Levantamos-nos, porém sinto um choque assim que apoio o peso sobre a perna direita, não consigo evitar a exclamação de dor, não aguentando a dor, minha perna acaba cedendo.

Antes que eu caia no chão, contudo, o general agarrara meu braço, olho para seu rosto e me sinto completamente idiota, ele me encara com uma sobrancelha erguida, mesmo sem poder usar a inocência sei o que se passa em sua cabeça. Abro a boca, porém a fecho sem saber o que dizer, abro-a novamente, mas, sem esperar que eu me explique, o moreno me puxa, colocando-me em suas costas.

Obrigada. Sussurro depois de longos minutos em silêncio.

Kanda continua andando sem me responder, após mais algum tempo de caminhada sinto meu estômago roncar, escondo meu rosto em seu ombro, sei que ele ouviu também.

Kanda?! Levanto a cabeça surpresa, uma cópia minha está parada a alguns metros de nós, não achei que Natsumi fosse deixar que ele visse a nós duas ao mesmo tempo.

Tsc. O general sussurra algo, mas não sou capaz de entender o que. — Como conseguiu me encontrar?

Ahm? Uau, Natsumi é realmente uma boa atriz, sua expressão de confusão é totalmente acreditável. — Eu não sabia que você estava aqui… Quer dizer, onde estamos? Você sabe?

Uma floresta, faz parte do teste para guardião. Ele não me respondeu quando perguntei, penso começando a me sentir preocupada, será que ele já adivinhou que sou a verdadeira.

Kanda? Minha sósia se aproxima. — Quem está aí com você?

Meu rosto está parcialmente coberto pelo casaco e por meu cabelo, volto a abaixar a cabeça, tentando ganhar algum tempo, esta é minha ultima chance de evitar que o moreno se torne meu guardião, mas para isso, preciso fazê-lo acreditar que Natsumi é a verdadeira.

Eu que deveria lhe perguntar, quem é você e por que está se passando por mim?! Exijo com meu melhor tom acusatório.

Sou… Ela olha meu rosto e seus olhos se arregalam. — Essa… Eu… Você… É.

Quem é você? Elevo minha voz, tentando soar o mais irritada possível. — Um akuma, um Noah? DIGA!

Ela dá um passo para trás, parecendo assustada, dou um sorrisinho, até que minhas habilidades de atuação não são das piores também. A morena parece prestes a dizer algo, porém outro trovão ecoa e desta vez, água começa a cair do céu.

Vamos encontrar algum lugar seco, lá discutimos quem é a verdadeira. Diz Kanda, andando a passos largos.

A chuva só piora a cada instante, volto a sentir frio e não consigo evitar me aconchegar mais ao general, espero que arranjemos um abrigo logo.

O caminho se torna pior a cada momento, a chuva só atrapalha a visibilidade e torna o chão mais instável, percebo que Natsumi está tendo sérios problemas em nos seguir, e por mais que nunca vá assumir em voz alta, estou grata por estar sendo carregada.

Minha irmã sugere que sigamos na direção em que ela veio, uma vez que ela se lembra de ter visto uma caverna, sinto que há algo a mais nessa história, porém seguimos a direção apontada.

Que barulho é esse? Por algum motivo, a chuva parecia ainda mais forte ali.

É o rio. Natsumi diz se aproximando. — Estamos bem próximos à margem, vocês gostariam de fazer uma breve pausa para bebermos água?

Mesmo a simples menção de água, faz meu estomago se agitar, sinto meu rosto corar e agradeço a falta de claridade. Kanda acaba optando pela pausa, suspiro me sentindo contrariada, mas não discuto.

Assim que chegamos à margem ele me coloca no chão, agachamo-nos e bebemos um pouco d’água, inclino-me tentando imaginar a profundidade do rio, porém está tão escuro que sou incapaz de ver um palmo a minha frente. Volto a posição sentada, contudo, percebo tarde demais a presença de minha irmã atrás de mim, e antes mesmo que eu tenha a chance de me virar, ela me empurra para dentro da agitada água.