The warmth of Winter
48 Drowning
Notas iniciais
Meu único pensamento antes de cair na água, afinal não foi mais que uma fração de segundo do momento em que percebi o que Natsumi pretendia até já estar afundando, foi que aquela era a segunda vez em menos de um mês que eu afogaria.
Não consigo achar um sinônimo para o estado da água, turbulenta não chega nem perto de explicar o quão revolta ela está, sem contar também o como está gelada. Mesmo se eu não estivesse machucada, não seria capaz de fazer muito mais do que ser jogada de um lado para o outro, exatamente como agora. Em meu estado de estupor penso saudosa na última vez em que quase me afoguei, por mais irônico que pareça, aquela vez havia sido muito menos traumática.
Giro de um lado para o outro, sendo jogada em todas as direções possíveis e atingindo diversas coisas em meu caminho, ao mesmo tempo em que começo a sentir minhas extremidades ficarem insensíveis. Imagino que Natsumi esteja evitando que eu desmaie, mas não me sinto exatamente grata por isso, quanto tempo ainda ficarei neste turbilhão aquático?
Mesmo se tratando de uma ilusão, a sensação é bem real, e nada agradável. O que será que ela pretende com isso, quer dizer, ela tinha me dito que o teste era bem simples, ela iria se passar por mim e ver se o Kanda conseguiria descobrir quem era a verdadeira, em momento nenhum falou sobre testar minhas capacidades… Não são as minhas capacidades, droga, este teste ainda é para o Kanda, agora faz bastante sentido, talvez o teste inicial nem fosse importante, o que Natsumi realmente pretendia desde o começo deve ter sido esta parte. Isso também explica por que não estou desmaiando, apenas me sentindo terrivelmente sem ar, ela quer saber se o general seria capaz de me resgatar mesmo sem saber nadar.
Nunca imaginei que fosse possível sentir tanto frio, a sensação era de que meus órgãos internos estavam congelados, o que doía muito. Também não sei exatamente como posso me sentir completamente sem ar e ainda assim continuar consciente. Não imagino o que esteja se passando fora da água, mas espero que este teste termine logo.
Kanda Yuu POV
Olhei para dentro da água e de volta para Natsumi, que havia retornado a sua aparência original.
– Ela está se afogando.
– Acabou a prova. Retruquei, afinal, estava bem evidente quem era a verdadeira desde o começo, mas agora não havia mais motivos para continuar.
– Na verdade, não. A morena se espreguiçou. — Aquela era uma etapa da prova, e você se saiu muito bem nela, em compensação, se você não completar a próxima etapa, bom, Fuyu terá de procurar outro guardião.
– Eu devo apenas retira-la de lá? Questiono. — Então será encerrada a prova?
– Sim, sim. Natsumi balança a cabeça. — Esta etapa é para testar o quanto você está disposto a arriscar. Não se preocupe, é a última, se você de fato se jogar na água e for capaz de tira-la de lá, ainda respirando de preferência, terá completado a prova e mostrado que está disposto a qualquer coisa para protegê-la. Uma pena para ela que sua fraqueza fosse logo não saber nadar, seria muito menos…
Não dei tempo a ela para continuar seu discurso, se o objetivo era tirar Fuyuki ainda respirando, eu precisava encontra-la o quanto antes, o que com a água naquele estado, não seria uma tarefa fácil.
A água congelante me envolveu, fazendo com que lembranças indesejadas voltassem, empurrei-as para o fundo de minha mente, havia coisas mais importantes para eu me preocupar agora. Em condições normais Fuyuki seria capaz de sair da água sozinha, ou ao menos de se agarrar em algo, porém Natsumi fizera questão de dificultar ao máximo, o que me faz acreditar que ela ainda esteja à deriva.
Mesmo sendo perigoso, a melhor ideia era mergulhar para procurá-la, então foi o que fiz, contudo o escuro não me permitia ver muita coisa. Para minha sorte a morena vestia uma estranha túnica branca, o que ao menos lhe destacaria. Tive de voltar a superfície para recuperar o ar, se ela não voltara a superfície ainda, já devia estar sufocando, que droga, quanto tempo Fuyuki ainda é capaz de aguentar?
Depois de longos minutos na água, finalmente avistei algo claro um pouco adiante, porém, logo em seguida uma onda o encobriu, decidi que não podia se tratar de outra coisa que não Fuyuki, e mergulhei. Sob a água era impossível distinguir do que se tratava, ainda assim, me esforcei para me aproximar da estranha forma. Uma vez que estava a distancia de um braço, descobri estar certo, apenas um ser humano teria algum calor, mesmo submerso naquela água enregelante.
Fuyuki não parecia consciente quando a segurei, mas não era possível saber até que voltássemos à superfície, o que estava bem difícil, de fato Natsumi levava a sério este teste.
Surpreendi-me quando algo se agarrou a mim, contudo, notei se tratar da morena, ao menos ela estava consciente, pensei aliviado, agora teríamos que sair daqui o quanto antes, para que continuasse assim.
Finalmente fomos jogados contra a margem do rio, me agarrei à parede e usando-a de apoio conseguimos chegar a superfície, puxei Fuyuki comigo e caímos na terra. Ambos tossimos até recuperar o fôlego, ela ainda estava agarrada a mim enquanto eu mantinha o braço em torno dela, porém sua temperatura estava preocupantemente baixa.
– Meus parabéns! Vocês acabam de completar a prova para guardião. Natsumi aparecera em pé a nossa frente. — Agora já podem acordar.
Em um piscar de olhos eu não estava mais na floresta ao lado do rio, eu estava de volta ao templo da família Ichinose, dentro dos terrenos deles, completamente seco e bem, a minha frente se encontrava Natsumi, sentada na mesma posição em que estivera antes de começarmos o teste.
– E ai, o que achou da prova? Perguntou a morena em tom zombeteiro, mas era possível perceber o quanto aquilo a havia esgotado, seu rosto estava pálido e sua respiração saia cortada.
– Como está Fuyuki? Desta vez se tratava de Akihiko, que se encontrava sentado em uma poltrona, perto de onde eu e Natsumi nos encontrávamos sentados, encarando um ao outro.
– Uau, você não consegue aguentar nem um minuto. Reclama a sacerdotisa. — Ela está ótima, e deve estar vindo para cá agora mesmo, afinal de contas temos uma cerimônia para realizar.
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