The warmth of Winter
44 A função de um guardião
Notas iniciais
Por longos minutos continuamos sentados de mãos dadas, Aki havia se aproximado e encostado sua testa na minha, ao que fechei os olhos e abri um sorriso.
– Fuyu! O moreno se afasta, seu tom e sua expressão entregam que há algo errado. — Se importa de me acompanhar um pouco?
O olho um pouco desconfiada, mas termino acenando com a cabeça e o seguindo, ele me oferece o braço, aceito-o e lhe dou um apertãozinho, ao que ele sorri, contudo o sorriso não chega a seus olhos.
– Eu espero que me perdoe. Diz, assim que paramos em frente a uma porta, abrindo-a.
O interior tem a aparência de uma sala de estar, em um dos longos sofás, se encontra Natsumi, sorrio contente em vê-la, porém, ao adentrar mais o cômodo, descubro que ela não está sozinha, sentado no peitoril da janela está Kanda. Imediatamente sinto meu estômago afundar, ela contou a ele, penso, tentando recuar, entretanto Akihiko segura meu braço.
– Você prometeu que não diria nada a ele! Acuso-a, desistindo de fugir.
– E não disse. Arqueio uma sobrancelha, ao que ela abre um sorriso astuto. — Em compensação, Aki não tinha um bom motivo para manter segredo.
Olho para o moreno me sentindo traída, ele desvia os olhos, parecendo constrangido. Suspiro, dividida entre raiva e culpa, por que eles não podiam ficar quietos?
– De qualquer maneira, isto não muda nada. Falo tentado um tom conciliador. - Não pretendo mudar minha decisão.
– Fuyu você não entende!? Meu irmão fala desesperado, a aflição em seus olhos, me fazendo sentir desconfortável. - Mais do que qualquer outro, você precisa de um guardião.
Sinto minha expressão mudar radicalmente, ele me acha assim tão incompetente?
– Você não estava suposta a se tornar a compatível e nem sequer recebeu treinamento, ou realizou a cerimônia necessária. Explica, parecendo notar a direção de meus pensamentos.
– Você está colocando a todos em uma posição difícil. Viro-me surpresa para Natsumi, que havia se levantado e vinha em minha direção. - Talvez você ache que guardar tudo para si seja algo generoso, mas saiba que você só está machucando aqueles que se preocupam com você, ao não deixa-los se aproximar.
Olho de um para outro de meus irmãos, suas feições igualmente preocupadas fazem com que eu sinta o peso daquelas palavras. Não quero machucar ninguém, e é por esta razão que tento lidar com tudo sozinha, sinto que não preocupar os outros é a minha forma de protegê-los, porém eu sei o quanto dói querer fazer algo por alguém e aquela pessoa não lhe permitir.
– Eu não quero que ninguém sofra. Sussurro, baixando a cabeça. — E é por isso que não posso aceit…
– Isto não muda nada. Olho para Kanda, surpresa por ele ter se manifestado. — Se acha que isto irá colocar em risco minha vida, saiba que não faz a menor diferença, eu continuarei a te proteger com o sem o título.
Sinto minhas bochechas corarem, e luto para me manter impassível. Realmente sou uma pessoa muito egoísta, ainda que isto signifique que ele estará em perigo, não consigo deixar de me
sentir feliz por suas palavras, mesmo sabendo que isso é completamente errado.
– Fuyu. Aki havia me soltado quando começáramos a conversar, agora, contudo, ele havia pegado minha mão. - Eu pedi a ele para se tornar seu guardião.
Meus olhos se arregalam, ele foi tão longe, ao ponto de pedir ele mesmo a Kanda, eu achei que eles apenas tivessem o contado sobre isto, e que pretendiam se juntar para me convencerem.
– Eu havia prometido que iria lhe proteger, mas não posso fazer isso sozinho. Novamente o moreno parece magoado, o que faz meu coração se apertar, detesto vê-lo neste estado. — Infelizmente não tem nada que eu possa fazer por você agora. Eu pretendi trazê-la de volta para casa e fingir que nada disto aconteceu, mas sei que agora que se recuperou, não irá aceitar ficar em casa e ignorar a guerra. Por essa razão, tudo que posso fazer por você é lhe implorar que tome cuidado, eu já quase te perdi duas vezes, não quero correr este risco uma terceira.
Encarei meu irmão, sentindo lágrimas se formarem em meus olhos, recentemente eu andava demasiado chorosa, realmente a inocência deve ter parte nisso.
– Fuyu, ninguém pode te obrigar a nada, mas saiba que tiraria um enorme peso de nossos ombros se decidisse aceitar. Diz Natsumi, não, minha irmã, colocando a mão em meu ombro e apertando-o amigavelmente.
As lágrimas teimosamente desabam de meus olhos, por que tudo tem que ser tão difícil, será que não há uma maneira de todos sermos felizes, sem ninguém ter que se machucar?
– Como fazemos isso? Pergunta Kanda, tomando a decisão por mim.
– Também se trata de uma cerimônia, hum… Natsumi leva a mão ao queixo, parecendo ponderar diversas questões. - Amanhã de manhã. Se formos rápidos o suficiente, tudo estará pronto até lá.
Ela olha para Aki, que acena com a cabeça e se aproxima do general, o puxando consigo para fora da sala, Natsumi também não me dá tempo, e já sai me arrastando para outro cômodo.
– Por que outro banho? Pergunto assim que saímos de casa, de acordo com ela, este é o primeiro passo.
– Não é um banho. E o primeiro que você tomou, era apenas para lhe livrar de todas as energias desnecessárias. Agora, contudo, você irá para a cachoeira, e não deve sair de lá até que tenha conseguido alinhar seus pensamentos e sentimentos.
Encaro-a, me perguntando o que aquilo poderia significar. Ao chegar à supracitada cachoeira, ela se senta e me ordena que tire o quimono e entre debaixo da água. Depois que já entrei na lagoa, ela me explica que devo ir até a cachoeira, sentar debaixo da água e tentar me livrar de todas as minhas preocupações, todos os meus medos e tudo que for ruim e negativo.
Longas horas passam-se, porém não sinto nenhuma diferença, de acordo com ela, eu saberia quando fosse a hora de sair, mas já estava extremamente escuro, e nada. Natsumi havia me deixado horas atrás, afinal ela tinha que preparar o templo para a tal cerimônia.
– Fuyu. Uma voz tímida chama em minha cabeça.
– Lizzy! Respondo chocada, desde o acidente, eu não havia a ouvido mais. — Quanto tempo, você está bem?
– Mou, você realmente é muito despreocupada! Ralha a loira, ao que rio. — Não acha que tem algo mais importante para se preocupar agora?!
– Ah, é verdade. Concordo, acenando com a cabeça. - Lizzy, eu queria saber mais sobre você. Qual nosso grau de parentesco?
– FUYU! Mesmo sendo dentro de minha cabeça, seu grito faz com que eu me sobressalte. — A CERIMONIA DO GUARDIÃO, ESTÁ LEMBRADA?
Confirmo com a cabeça, não é como se eu fosse capaz de esquecer, contudo, não adianta me desesperar.
– Ouça, esta parte é um teste. Sinto-me um pouco confusa, como assim um teste? — É bem simples na verdade, Fuyu, qual a função de um guardião?
– Proteger a pessoa? Digo hesitante, fazendo soar como uma pergunta.
– No nosso caso. Especificamente no caso da inocência coração. Rebate Elizabeth.
– Além de nos proteger, eles também são capazes de pegar os efeitos colaterais da inocência, assim como suas vantagens, tudo é repartido pelos dois. Sinto como se uma luz tivesse se acendido em meu cérebro. - Não vou conseguir sozinha!
Mergulho na lagoa e nado em direção à margem.
– É isso. Sento-me na grama e pego a toalha que Natsumi havia separado para mim. — Ela me dissera que eu precisava de um guardião justamente para balancear meus pensamentos e sentimentos, obviamente eu poderia passar a semana ali e não seria capaz de acalmar minhas preocupações.
– Obrigada Lizzy! Digo vestindo a estranha túnica que minha irmã tinha separado para mim e correndo em direção ao templo.
– Acho que finalmente entendeu do que isto se trata. Sussurra a loira, sumindo do meu alcance.
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