The unexpected
2 Ressaca
Notas iniciais
O rangido das correntes de ferro enferrujadas do balanço era o único som na noite fria. A sensação era a mesma que voar, era incrível. Olhei para meus pés e inclinei o corpo para trás fazendo com que balançasse mais alto. Fechei os olhos, o vento me deixava desperta, estava esperando minha mãe voltar do trabalho quando ouço uma porta bater com força dentro de casa. Saio do balanço assusta e me aproximo da porta de trás de casa. Abro a porta silenciosamente e encontro minha mãe fazendo suas famosas panquecas para mim. Respiro aliviada, talvez o barulho foi fruto da minha imaginação.
– Kay- minha mãe se aproximou de mim- Você vai querer amoras nas suas panquecas, amor?
Aceno com a cabeça, já esquecendo do suposto susto de 5 minutos atrás. Minha mãe volta para o fogão e faz uma panqueca para mim, mas quando ela está se aproximando da mesa de jantar ela larga a frigideira no chão. Dou um pulo da cadeira com o susto.
– Mãe- minha voz estava tremendo um pouco – O que aconteceu?
De repente vejo um ponto vermelho em sua barriga, ele começa a aumentar de tamanho e manchas escuras de sangue cobrem o piso da cozinha. Corro em direção a ela, mas algo me paralisa. Percebo que uma espécie de robô gigante estava atrás dela apunhalando –a, congelo no mesmo instante. Uma voz estridente surge, “ você será a próxima! ”.
– NÃO! — Grito tão alto que meu peito arde. Tento correr em direção a porta, mas meus pés estavam grudados no chão. Minha visão estava embaçada por causa das lagrimas que corriam pelo meu rosto. – NÃO! — Gritei.
Sento em minha cama ainda gritando. Minhas costas estão suando e minha respiração esta descontinua. Noto que estou de volta, no meu apartamento com Lívia ao meu lado. Ela parece assustada.
– Ka? Você está bem? – Ela pergunta como uma voz desconfiada.
–Sim, acho que foi só um pesadelo. – Esfrego meus olhos com as duas mãos e suspiro. Ainda consigo ouvir o som daquele robô em meus ouvidos.
– Você estava gritando para sua mãe. – Lívia me explicou. — Tentei te acordar, mas você se debatia muito. Estava começando a ficar preocupada com você.
– Foi só um pesadelo- Acalmei minha amiga.
Tentei levantar, mas uma forte tontura me fez parar. O que tinha acontecido comigo? Não lembrava nada do que tinha acontecido depois que sai do banheiro para procurar Peter. Peter! Flashbacks da noite passada passaram pela minha cabeça, Peter segurava um botão vermelho enquanto um robô sumia da minha vista. O robô? O mesmo do meu sonho!
–Lívia – Comecei- O que aconteceu depois que eu saí do banheiro lá na festa? — Ela revirou os olhos e sentou numa cadeira.
– Você não se lembra? Você me esqueceu lá dentro e ficou bêbada. Quando resolvi sair para procurar você, encontrei Peter te segurando para não cair de cara no chão. Não falei muito com ele, mas descobri que a senhorita aqui estava curtindo a festinha sem mim. – Lívia parecia muito zangada.
–Lívia- disse-Me desculpe, eu não lembro de nada disso. — Supostas lembranças da noite interior viam para minha cabeça, mas nenhuma fazia sentido. Como eu poderia explicar a ela que um robô tentou me matar e o ex dela me salvou? – Se eu te contasse do que eu me lembro, você nunca irá acreditar em mim.
– Deixa para lá. Estamos atrasadas para faculdade. – Levantei da cama, ainda sentindo tontura e uma dor de cabeça infernal. Deus! Tenho certeza que tudo aquilo fui imaginação minha, tinha provas em meu corpo inteiro. Eu estava definitivamente de ressaca. E me odiei por isso.
Chegando na faculdade, fui direto para sala de aula, mas no caminho procurei por Peter, precisava descobri a verdade sobre ontem, aquilo estava começando a me assustar. Infelizmente não o encontrei. Chegando na sala, sento nas ultimas cadeiras, ainda estava com uma forte enxaqueca e não queria ninguém me incomodando. A aula parecia não acabar nunca, olhava no relógio a cada minuto. Finalmente, o sinal tocou e todos começaram a guardar seus materiais. Queria sair o mais depressa possível, além da ressaca estava morrendo de fome.
Levanto e vou em direção a porta, mas alguém me para bem no meio do caminho. Bufei e olhei para cima. Me assustei quando percebi que era John, o cara mais gato da minha turma.
–Hey- ele disse com aquele sotaque do sul da Inglaterra. — Kayla, não?
–Sim, está tudo bem? – Perguntei um pouco desconfiada, foi um milagre ele ter lembrado meu nome. Ele nunca tinha falado comigo a não ser para pedir uma caneta emprestada na aula de cálculo.
–Sim. Então...- ele parecia nervoso, mas eu não entendia o motivo. — Você é nova por aqui né? Eu pensei que eu poderia te mostrar uns lugares bacanas em Cardiff, para quem morava em Londres, você deve estar meio perdida. — Não acreditava no que estava ouvindo! John Evans estava me convidando para um encontro!
–Pode ser. Eu adoraria. – Dei meu melhor sorriso, já esquecendo completamente da minha dor de cabeça. Calma, Kayla. Ele é só um garoto, um garoto muito bonito, mas só um garoto. John deu aquele seu sorriso sedutor e se afastou de mim.
– Até mais tarde então. — Falou já perto da porta. Fiquei uns minutos parada que nem uma idiota, olhando para a porta. Balancei a cabeça e obriguei meus pés a caminharem em direção a saída. Chegando perto do refeitório vejo Lívia sentada comendo seu hambúrguer sozinha. Me aproximo de sua mesa, mas alguém puxa meu braço. Me deparo com Peter.
–Kayla- Ele parecia ofegante. — Como você está? Eu fiquei preocupado com você na festa. – Então era isso, toda aquela história de robôs foi invenção da minha cabeça.
– Sim- respondi um pouco desconfiada. Eu ainda não confiava naquele sujeito, ele destruiu o coração da minha melhor amiga. — Aconteceu algo anormal ontem na festa? — Minha pergunta o pegou de surpresa, mas ele se recompôs rapidamente.
– Não notei nada de diferente. — Ele não aprecia tão confiante assim. Dava para perceber que ele estava nervoso.
– Ok. — Me afastei dele, mas ele me puxou me braço de novo. — Tenha cuidado, Ka – Peter falou num sussurro e se afastou de mim. Pisquei algumas vezes, ainda em choque e fui em direção a mesa de Lívia. Ela parecia curiosa.
– O que aquele desgraçado queria? – Perguntou impaciente.
- Ele só me perguntou se eu estava melhor, só isso. — Lívia me analisou por uns segundos e voltou a sua atenção para sua comida. Olhei para meu prato, tinha perdido a vontade de almoçar, só conseguia pensar no que aquelas palavras significavam. O dia não podia ficar mais confuso. Massageie minhas têmporas com as pontas dos dedos e olhei para a janela. Observava a paisagem tranquila quando percebo um movimento. Fico totalmente paralisada, meu coração começa a disparar em meu peito. Era ele. Era o robô do meu sonho!
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