Num primeiro momento não acreditei no que estava vendo, fiquei parada, olhando para o robô a uns 10 metros no refeitório. Eu não escutava nada ao meu redor, parecia que estava hipnotizada pela figura na minha frente. Alguém estalou os dedos na minha frente e consegui voltar para a realidade.

– Terra chamando Kayla. – Ela jogou uma batata frita na minha cara – o que você estava olhando? – Ela virou na direção do robô, mas ele não estava mais lá. Entranho, ele tinha sumido. Não estava entendendo mais nada.

– Só estava vendo a vista do campus. – Nem eu mesmo acreditei no que estava falando. Será que eu era esquizofrênica? Essa ideia me deu calafrios. Balancei minha cabeça afastando essa ideia. Devia ser cansaço, estava chegando as provas finais e eu estava muito nervosa.

– Ok, eu não acredito em você, mas ok.

– É sério! – Argumentei- Eu só estou cansada por causa das provas. Eu vou ficar bem- acalmei Lívia. — Eu só preciso de algo para me distrair.

– Festa! É para já! – Minha melhor amiga quase berrou no meu ouvido.

– Ai, Lívia, você e as suas festas. — Joguei uma batatinha nela. – Agora vamos, que temos que ir para o shopping.

– Temos? – Lívia não entendeu nada.

– Ah! Eu não te contei, John Evan me convidou para sair essa semana, ele me disse que iria me levar para conhecer uns “lugares bacanas em Cardiff”. – Fiz aspas com meus dedos.

– Garotos! Achando que são a última bolacha do pacote. — Lívia revirou os olhos. — Pelo menos ele é muito bonito, né?

Quase engasguei com o que ela disse, John tinha entrado recentemente para a nossa faculdade e já tinha todas as garotas do campus babando por ele. Eu só não entendia por que diabos ele tinha me chamado. Talvez ele prefira loiras naturais ao invés daquelas loiras oxigenadas.

– Precisamos comprar roupas nova para você! Urgentemente. – Revirei os olhos com aquela observação.

– Eu tenho roupas para sair, sim. – Falei irritada.

–Só se for para ficar em casa. Você não tem nenhuma roupa para sair. Literalmente, nenhuma. – Ela falava isso como se fosse o fim do mundo.

Cruzei os braços e encarei Lívia.

– Acabou de me insultar?

– Sim. — Ela pegou meu braço e me puxou para fora do refeitório. — Agora, vamos as compras! — Ela deu seus famosos gritinhos e pulinhos. Ela estava mais animada do que eu mesma. Ri de sua reação e peguei a chave do meu carro.

Chegamos no estacionamento, um vento gelado passou por nós e fechei meu casaco. Estava estendendo a mão para abrir a porta do carro quando uma voz atrás de mim chama meu nome.

–Kayla! – Virei meu rosto e vi Peter correndo pelo estacionamento em minha direção. – Preciso falar com você. – Ah não. O que ele queria agora?

– Olha, eu acho que não é uma boa ideia. Estou saindo com a Lívia. — Apontei com a cabeça em direção a minha amiga. Ela ainda estava sensível, o garoto tinha destruído seu coração.

– Ah –Peter olhou para ela, seus olhos estavam tristes, seria remorso? Sério mesmo? Depois de tudo que ele fez? – Então a gente se vê amanhã. – Deu as costas e foi embora. Bufei irritada e entrei no carro. Lívia estava pondo seu cinto de segurança.

– O que ele queria? – Falou num sussurro. — Por que ele está nos seguindo hoje?

Peguei seu rosto com as duas mãos e encarei seus olhos negros assustados e tristes.

– Eu não sei –admiti- Mas ele nunca mais vai te incomodar. Eu prometo, nem que eu tenha que obrigá-lo a ficar longe de você. Está bem?

Ela balançou a cabeça concordando. Ela parecia mais calma. Isso era bom, não queria ver ela mais abatida do que já estava.

– Agora- Falei mais animada- Vamos passear. — Seu rosto se iluminou, liguei o rádio e pisei no acelerador.

X

Entrei em casa exausta. Desabei no sofá, Lívia decidiu comprar tudo que via pela frente. No fim, consegui comprar uma roupa para sair, mas nada que saísse do comum. Uma camiseta e um jeans rasgado. Esse era o meu uniforme.

– Não acredito que você não comprou aquele vestido maravilhoso que a gente viu. – Lívia parecia inconformada.

Revirei os olhos lembrando do vestido horroroso cheio de brilho que a morena me forçou a experimentar. Além de brilhante era todo colorido. Tinha me dado até calafrios.

– Me desculpe se eu não quero parecer uma perua dos anos 80.

Ela me mostrou a língua e foi guardar suas compras no quarto. Fechei os olhos tentando relaxar quando meu telefone toca. Vejo na tela que era uma mensagem de John me perguntando se eu gostaria de sair com ele hoje à noite. Me perguntei como que ele tinha encontrado meu número de celular. Respondi que adoraria, por que não? Eu estava precisando sair para algum lugar mesmo.

Joguei um celular num canto e levantei do sofá. Avistei Lívia arrumando suas novas roupas no nosso guarda-roupa.

– Vou sair com John daqui a pouco.

– Não acredito que ele está tão desesperado assim. – Lívia colocou suas mãos na cintura e balançou a cabeça. – Ele está caidinho por você. — Revirei os olhos e joguei uma almofada na cara dela.

– Cala boca. – Corri para o banheiro desviando de uma almofada que ela jogou em minha direção.

X

Estava arrumando meu cabelo no espelho quando ouço a campainha tocar. Corri em direção a porta e abri. Ele estava todo sorridente com o cabelo caindo em seus olhos.

– Vamos? – Concordei e ele me puxou para fora do apartamento. Sua mão era gelada e quente ao mesmo tempo.

– Para onde vamos? – Perguntei curiosa.

– Eu estava pensando e te levar para um parque aqui perto. Ele é lindo de noite. A gente consegue ver as estrelas.

– Uau, não sabia que você tinha um lado romântico. – falei brincando.

– Você não me conhece ainda. – Estranhei com sua convicção, como ele tinha tanta certeza que eu queria conhecer ele melhor?

– Então, o que estamos esperando? – Perguntei animada. Ele sorriu com a minha reação e me levou para seu carro.

Chegando no parque percebi que havia poucas pessoas no local. A noite estava congelante.

– Meu lugar favorito em Cardiff é aqui. Onde não ouço nada além dos sons da natureza.

– Concordo com você, as vezes precisamos de uma folga da cidade grande.

– Verdade. – Um silencio constrangedor pairou no ar e comecei a me amaldiçoar por não saber como me comportar num encontro.

– Então- John começou – você já se habituou com a nova cidade?

– Bom, ainda não. As vezes sinto falta de Londres, mas logo lembro que foi a melhor decisão. – dou um suspiro e coloco minhas mãos no bolso do casaco.

– Você estava fugindo de alguma coisa? – Perguntou curioso.

– Bem, — dei um suspiro – Foi lá onde minha mãe tinha morrido, era um lugar com muitas lembranças tristes. – Olhei para meus pés, não conseguindo olhar mais para seus olhos.

– Ah, sinto muito.

– Não sinta, ela morreu faz muito tempo. Mas só agora que eu tive coragem de seguir em frente. – Falei mais animada, não queria estragar tudo.

Ele entrelaçou seus dedos nos meus e me puxou para mais perto dele. Senti um leve cheiro de perfume, mas também um forte cheiro de metal. Estranhei, mas não me importei.

– Quero te mostrar um lugar. – Concordei e ele me levou para mais dentro do parque, onde tinha uma espécie de pedra gigante. Ele subiu em cima dela e estendeu sua mão para eu fazer o mesmo. Ele apontou para cima e eu vi vários pontinhos brilhantes sobre nossas cabeças. Elas pareciam tão perto, mas estavam a milhares de anos-luz de nós. John me abraçou e ficamos olhando para as estrelas até nos ficarmos cansados.

John me deixou em meu apartamento, mas parecia que não queria me deixar entrar. Olhei para aqueles olhos verdes e sorri. Ele sorriu de volta e me puxou para um abraço, estava correndo o risco de me apaixonar por ele, mas eu não me importava.

– O que você acha de sairmos de novo amanhã? Conheço um restaurante incrível.

– Claro, eu adoraria. – Já estava ansiosa para amanhã.

De repente ele me se aproximou de mim e me beijou. Seus lábios eram macios, mas rígidos ao mesmo tempo. Automaticamente minhas mãos foram para seu cabelo e me aproximei mais ainda dele. Quando ele se separou de mim meu coração ainda batia forte em meu peito. Não acreditava que ele tinha me beijado.

– Até amanhã, Kayla.

–Até – Me virei e abri a porta do meu apartamento, quando fecho a porta atrás de mim me deparo com Lívia me olhando com curiosidade. Não conseguia tirar o sorriso bobo da minha cara e parecia que ela tinha notado isso.

– Pelo visto o encontro foi bom. – Ela falou rindo de mim.

–E como. – Falei relembrando da noite no parque.

– Então é bom você me contar tudo. – Ela me puxou para o quarto e sentamos na cama. Pelo visto a noite ia ser longa.

Notas finais
espero que tenham gostado. ele ficou bem fofinho hehehehe