The secrets about me
11 Todo mundo pode trair todo mundo!
Notas iniciais
Haviam se passado cerca de uma semana desde a descoberta de que algo estava se aproximando do palácio. Praticamente todas as pessoas mostravam um desempenho maior em alguma coisa, sendo isso sua provável nova especialização. Mas ainda tínhamos que treinar mais e era preciso ter certeza das funções de cada um. Por isso estávamos tendo nesse exato momento uma aula de estratégia com Daven e sr. Vesonnin, nosso professor de matemática, pelo que dava para entender eles haviam juntado os conhecimentos sobre história e matemática para poderem nos ensinar estratégias.
–Srta. Pennegyn, você quer vir testar seus conhecimentos aqui?-a voz de Daven interrompeu meus pensamentos.
–Claro.-respondi já que eu estava entendendo bem a matéria.
–Vou escolher alguém para ir contra você.-o professor de matemática falou.-Camille.-ele disse apontando para ela. Eu iria acabar perdendo o controle e começaria a bater nela.
Camille passou rebolando por Daven. Eu realmente não me aguentaria!
–Lembrem-se que não é possível usar a peculiaridade aqui, e esse jogo é como uma prova.-Daven nos avisou. Nós duas confirmamos com a cabeça, depois de um tempo olhei para Daven de novo, ele piscou para mim.
O jogo que iríamos jogar era um de tabuleiro, podia parecer um jogo de criança mas na nossa situação não era, fingi que estava em uma batalha real, usando todos os conhecimentos adquiridos. Ganhei de lavada, acho que Camille não tinha prestado muita atenção na aula para ser bem sincera. Mas foi ótimo ver a cara de ódio dela quando avisaram a vencedora. O sinal tocou, era para irmos para os treinamentos.
–Pronta para perder?-Camille perguntou esbarrando em mim enquanto andava.
–É o que vamos ver!-respondi. Durante o treino todos me temiam por já saberem do meu poder.
–Quero que vocês formem grupos de cinco.-Sr. Gillespie disse enquanto entrávamos no ginásio.
O professor deu um tempo para formarmos os grupos.-Quero que um representante de cada grupo venha aqui.-dito isso, Daven foi para frente.-Digam-me os grupos.
Sr. Gillespie parecia ter seus trinta e poucos anos, eu não conseguia vê-lo com menos de vinte e quatro anos, mas deveria ser coisa da minha cabeça, já que ele estava vivo e no palácio.
–Professor?-uma garota baixinha chamou.-Eu não estou entendendo o que faremos.
–Depois de anotar os grupos eu explicarei.-a menina assentiu.
–Daven Wynne, Maree Pennegyn, Ashtyn Fain, Julian Frowall e Jenn Frowall.-Daven falou para o professor.
–Camille Shint, Richard Bulton, Victoria Montezuma, Caroline Gutten e Jonas Wood.-Jonas era outro bad boy, amigo de Richard.
–Certo.-o professor falou depois que todos disseram os nomes dos participantes dos grupos.
–O que faremos?-varias pessoas perguntaram em coro.
–Vocês não farão nada hoje, mas amanhã vai ter basicamente um campeonato. Esse campeonato ocupará o dia todo de vocês, por isso vocês irão andar mais um pouco pelo palácio hoje. Vocês terão de saber tudo sobre o palácio, cada esconderijo... Amanhã será basicamente um teste para sabermos se vocês estão sabendo usar seus poderes, se estão sabendo fazer estratégias e se vocês se lembram dos locais do palácio.-alguns alunos comemoraram.-Então podem acompanhar os senhores Frowall para conhecerem melhor os locais do palácio.-o professor continuou.-Amanhã explicaremos melhor o que vai acontecer.-disse por fim.
Os alunos começaram a se retirar e seguir Jenn e Julian.
{...}
Estávamos esperando no ginásio para que o Sr. Gillespie terminasse de explicar a atividade que realizaríamos.
–Bom dia!-o professor falou chegando ao local.
–Bom dia!-respondemos.
–Bom, como eu havia dito, a atividade de hoje testará tanto os conhecimentos em estratégias, os conhecimentos dos locais do palácio e de como vocês estão conseguindo controlar seus poderes.-todos assentiram.-Vocês estão divididos em grupos com cinco integrantes cada.-assentimos novamente.-Pois bem, todos os grupos participarão ao mesmo tempo, terá apenas um grupo vencedor. O palácio estará com armadilhas, ou seja, vocês terão de tomar cuidado. Vocês usarão todas as táticas que lhe foram passadas e irão dar tudo de vocês, finjam ser uma batalha real.-o professor disse e uma menina levantou a mão.-Já irei responder as dúvidas, mas primeiramente deixe-me terminar a explicação.-O professor falou à garota, que rapidamente abaixou a mão.-Terão câmeras, então saberemos quem roubou, quem machucou...-Gillespie parou um pouco de falar.-Agora, a forma que o treinamento irá funcionar é a seguinte: cada grupo terá uma bandeira. Muito difícil de se retirar...por sinal. E cada grupo terá sua respectiva cor, que será também a cor da bandeira. O grupo que conseguir todas as bandeiras...-ele focou no "todas".-vencerá.-Houve múrmuros gerais.-Vocês devem estar pensando: "Isso é brincadeirinha de criança, é pique bandeira."-falou com uma voz um pouco mais infantil.-Não! Não é brincadeirinha. É sério, muito sério. Vocês terão de usar muito de seus poderes, de suas estratégias e conhecimentos, e além disso tudo, terão de tomar cuidado com as armadilhas, adversários e terão de proteger seu campo, onde ficará sua bandeira. Terão curandeiros em vários pontos, que estarão indicados nos caminhos, e eu ordeno vocês a não brigarem por lá. Alguma dúvida?-como ninguém levantou a mão, ele prosseguiu.-Cada grupo terá sua área, digamos. O local onde a bandeira já está localizada, ninguém saberá o local de cada grupo, apenas o próprio grupo, o resto terá de achar por si só. Essa atividade ocorrerá nos túneis!-falou com um tom mais elevado, para chamar a atenção.-Como, acredito eu, que essa atividade ocorrerá durante quase o dia todo, terão pontos com água, comida e vocês poderão ir ao banheiro. Mas em relação à água e comida, eu tomaria cuidado pois qualquer adversário pode atacar enquanto vocês se alimentam ou se hidratam.-quando o professor terminou de falar, um garoto levantou a mão.-Sim? Pode falar.
–As cores de cada equipe, quais são?-o menino perguntou.
–Vocês receberão uma folha com as cores e com um mini mapa do local onde a sua se encontra.
–Certo.-o garoto falou.
–Bom, vou chamar um representante do grupo e entregarei o papel, recebendo o papel vocês deverão ir para o local de sua bandeira. Ah...-o professor disse se lembrando de algo-Vocês terão uma hora para fazer as estratégias antes de começar.-ele falou se virando para pegar algumas folhas.
Gillespie começou a chamar alguns representantes até chegar no nome de Daven. Daven foi lá na frente pegar o papel para em seguida começar a caminhar em direção à nossa bandeira, com a gente atrás dele.
–Qual a nossa cor?-perguntei o alcançando, todos nos alcançaram também.
–Vinho.-ele disse analisando o papel.
–Posso ver?-Julian perguntou. Daven entregou o papel a ele.-Não estão todos os locais aqui.-Julian falou estranhando.
–Devem querer que nós nos lembremos da aula para nos locomovermos nos túneis do palácio.-Tyn justificou.
–É...Pode ser.
Continuamos a caminhar em silêncio.
–Você recebeu uma carta.-Jenn sussurrou mostrando um envelope escondido no bolso.
–De quem?-perguntei curiosa.
–Não sei. Não está falando, só diz que é para você.-ele respondeu.
–Achamos.-Tyn interrompeu minha conversa com Jenn.
–Certo, vamos fazer as estratégias então.-Daven disse.
Nós nos sentamos em círculo no chão e começamos a discutir.
–Não há defesas segundo o professor. Todos ficarão no ataque, pois caso alguém roube nossa bandeira nós podemos pegar de volta.-assim que Daven disse isso, me virei para trás e olhei nossa bandeira, era meio grande, tinha a cor vinho e parecia ser realmente difícil tirá-la de lá.
–Vamos ter que nos dividir, Daven, Jenn e Julian vão pela esquerda. Eu e Maree vamos pela direita.
–Então vocês trabalharão juntas e eu, Jenn e Daven também. Ou seja, vocês que farão agora as estratégias de vocês e nós fazemos as nossas, depois falamos para o grupo quais foram.-Julian falou. Eu e Tyn nos viramos para ficarmos de frente uma para a outra.
–Já tenho um plano.-ela disse.
–Qual?-perguntei.
–Eu leio a mente deles para saber o que estão querendo fazer e você pega os poderes deles para os atacar.-ela me respondeu.-Não exatamente nessa ordem.-disse por fim.
–Tenho um plano melhor.-falei ao ter uma ideia.-Ei-disse para que todos ouvissem. Eles se viraram na minha direção.-Tem algum walk talk aí?
–Sim. Veio nas coisas que talvez nós precisássemos.-Julian me respondeu.-Por que?
–Tenho um plano. Vocês atacam, nós passamos as informações para vocês.-falei.
–Então vamos mudar os grupos.-Julian disse.-Eu e Tyn vamos pegar as informações, porque ela consegue ler as mentes e saber o que eles estão planejando e caso vocês estejam com muita gente para lutar, vocês falam o nome de uma dessas pessoas pelo walk talk e eu tiro ela de lá.
–Mas aí essa pessoa vai acertar vocês. Vocês estarão sem defesas.-Jenn falou para o primo.
–Nós conseguimos nos manter bem sem os poderes, a pessoa vai estar confusa, com isso nós a acertamos com alguma coisa.
–Então está certo. Vocês terão de se virar e nós também, porque não dá para fazer mais nenhuma estratégia. Faltam vinte minutos, o tempo exato para nos prepararmos.-falei.
Estava indo em direção a um dos banheiros, quando sinto uma mão me parar.
–Sua carta.-Jenn diz quando me viro.
–Obrigada.-respondo pegando-a.
Acabo nem indo ao banheiro, fico com vontade de ler a carta. Quando a abro, descubro na hora de quem é.
Hlcvt lhn chnmv mrur hlzuhkhu, nrl khegv qxahu dth hlcvt ihn, hlcvt wtcreqv. Htcreqv mvu qvzh. Lh ztxqh h whniuh-lh: cvqc nteqv mvqh curxu cvqv nteqv mvqh curxu cvqv nteqv! Cvnh ztxqrqv. Ch rnv!
Whvreruq
Estou sem tempo para escrever, mas venho dizer que estou bem, estou lutando. Lutando por você. Se cuide, e lembre-se: Todo mundo pode trair todo mundo! Tome cuidado. Te amo!
Leonard
Fiquei com a frase na minha cabeça: todo mundo pode trair todo mundo! O que será que ele queria dizer com essa frase? E como ele estava vivo? Bom, não me surpreendia muito, ele era muito forte. Só fui perceber que estava chorando quando senti algo salgado passar por minha boca, mas eu não estava chorando de tristeza, chorava de alegria, por Leonard estar vivo, por estarmos em um treinamento e não em uma batalha real, por eu ter Tyn, Daven, Jenn e Julian ao meu lado. Por eu estar viva! Sei que é egoísta esse pensamento, mas eu não pude deixar de sentir um alívio por tudo isso. Enxuguei as lágrimas rapidamente e voltei para perto dos outros, faltava menos de dez minutos para o treinamento começar.
–Está tudo bem?-Jenn sussurrou, estávamos caminhando para o local que começaríamos. Mas Daven estava caminhando com mais rapidez e estava na nossa frente.
–Sim.-respondi no mesmo tom de voz.
–E com ele?-ele perguntou novamente.
–Como você sabe...?-comecei a perguntar.
–Só ele te deixaria tão triste assim, e pelo que você me contou, só ele seria capaz de sobreviver.-ele disse antes que eu terminasse minha pergunta.
–Ele está bem. Pediu para que eu me cuidasse.-respondi.
–Então por que você chorou?-ele perguntou com preocupação na voz.
–Por alegria. Fiquei feliz por ele estar bem.-respondi.-Eu sei, foi egoísta o motivo do meu choro. Não me julgue.
–Eu te entendo, não achei egoísta.-falou entrelaçando os dedos na minha mão.
Ele deu um fraco aperto na minha mão-enquanto ainda estávamos de dedos entrelaçados-como se quisesse me dar forças. E depois, tirou sua mão da minha.
Ouvimos o sinal de que o treinamento estava começando, pegamos uma, duas, três... bandeiras. O dia já estava acabando e faltava por volta de três bandeiras.
–Pegamos uma.-Tyn falou pelo walk talk.
–Também.-respondemos enquanto derrubávamos uma pessoa usando seu próprio poder e pegávamos sua bandeira.-É verde.
–Falta uma.-Tyn falou pelo outro lado.-É de qual grupo Julian?-Julian estava com a folha das cores e times na mão.
–Vermelho. É do time de Camille.-ele respondeu.
–Lá vamos nós.-falei com desânimo.
Chegamos ao local onde Camille e os outros estavam.
–Eu vou em Richard.-Jenn falou.
–Eu vou em Jonas.-foi a vez de Daven falar.
–E eu em Camille e Caroline.-continuei.-Julian.-chamei pelo walk talk.
–Sim?
–Chame Victoria.
–Ok.
Fomos andando-ou melhor, correndo-em direção dos quatro.
–Lá vêm eles.-Camille disse fazendo Jenn parar no meio do caminho.
Peguei a eletricidade de Caroline e atingi Camille, Jenn voltou a correr, indo em direção de Richard. Ele ficou invisível enquanto corria, consegui perceber pela cara de Richard procurando por Jenn. Olhei um pouco mais para o lado e vi Daven todo encharcado-era a peculiaridade de Jonas: água-de repente, ele voltou no tempo com Jonas-Daven conseguia levar quem ele quisesse junto quando voltava no tempo.-Daven sabia tudo que seu adversário faria, ou seja, sabia o que era preciso fazer. Ele desviou de um, dois, três... montes de água, se voltou para Jonas, o acertando com um soco. Daven e Jenn haviam vencido os adversários e estavam tentando pegar a bandeira vermelha, ouvi Julian falar do outro lado que eles haviam vencido Victoria. Só faltava eu. De repente, sinto um tanto de eletricidade me atingir, caio no chão e solto um gemido.
–Maree...Você está bem?-escuto uma voz preocupada-que eu distingui ser a de Daven-perguntar.
Como resposta, levanto com um salto.
–Você consegue Maree.-escuto Jenn me dizer, mas não olho em sua direção, não posso ser atingida de surpresa.
Rapidamente, peguei a eletricidade de Caroline para mim, acertei Richard e Jonas que estavam começando a se recuperar. Depois, peguei o poder de Camille e fiz ela e Caroline se sentarem e não fazerem nada que pudesse nos atrapalhar.
Conseguimos com muito esforço pegar a última bandeira que faltava e combinamos com Tyn e Julian de nos encontrarmos em algum lugar para juntar as bandeiras e nos declararmos vencedores. Ao avistar Tyn corremos em direção uma da outra para comemorarmos nossa vitória.
–Parabéns.-uma voz que eu me lembrava conhecer disse nos interrompendo com um pouco de sarcasmo.-Já esperava que vocês fossem os grupos vencedores, afinal, vocês têm Maree...-agora eu reconhecia a voz: sr. Gillespie.-Maree Pennegyn. Era o que eu realmente esperava, tendo pais fortes como os seus, é lógico que você também seria.
–Você conheceu meus pais?-perguntei sem me conter.
–Sim. São ótimos amigos.-Por que ele estava falando no presente? Meus pais estavam mortos.-Pena que seu irmão os deixou, ele escolheu o caminho errado e tentou te levar junto, mas você pode mudar, você pode escolher seus pais a seu irmão. Se é que a opção de escolher seu irmão ainda existe.-eu não entendia nada que aquele homem falava.
–Meus pais morreram em um incêndio.-falei a ele.
–Foi essa a desculpa que seu irmão te contou?
–Meu irmão nunca mentiria para mim.-gritei já com raiva do professor.
–Procure as saídas dos túneis.-Julian gritou para que todos começassem a procurar.
–Não tem nenhuma saída. Vocês estão presos!-ele disse rindo ironicamente.-Nós estamos na frente, sabemos quem temer e quem faz o que.
–Por que você faz isso?-perguntei com muita raiva na voz. Mas eu não obtive resposta, ele não estava mais lá.-Todo mundo pode trair todo mundo!-sussurrei as palavras de Leonard que agora começavam a fazer sentido. Ele tinha me alertado.
{...}
Foram dois dias. Exatos dois dias que foram necessários para que conseguíssemos sair dos túneis, para que todos chegassem a conclusão de que nossos inimigos são mais parecidos conosco do que poderíamos imaginar e que eles estão mais preparados do que nós, demorou dois dias para que eu chegasse à conclusão de que Leonard havia mentido para mim para me proteger, mas que ele não tinha o direito de escolher por mim o que eu queria ou não fazer, mas cheguei a conclusão de que eu o amo e ele me ama e isso é o que importa. Demoraram exatos dois dias para que-depois de sair dos túneis-tivéssemos certeza de que não tinha mais nenhum traidor, escutas ou armadilhas no palácio.
Estavam todos no salão para ouvir Julian e Jenn dizer para tomarmos cuidado, treinarmos mais...coisas que eu já havia ouvido e não estava com nenhuma vontade de ouvir de novo, e como eu não estava com fome Julian me deixou faltar. Mas eu não estaria sozinha no quarto, Isabel estava passando um pouco mal, então ela estava de cama.
Resolvi dormir um pouco, mas acabei tendo pesadelos, então comecei a procurar pelo colar que meu irmão havia me dado, eu o olhava toda noite, a cor variava de verde a azul claro, mas naquela noite estava diferente, naquela noite estava vermelho. Senti lágrimas escaparem dos meus olhos, ficou tudo embaçado. Por que eu acreditara naquilo? Por que eu estava chorando se eu já sabia que um dia ele morreria e eu encontraria aquele colar vermelho? Porque eu o amava! E com isso eu sai do quarto, eu estava me sentindo sufocada, não queria chorar na frente de Isabel, não queria parecer fraca ou ter que dar satisfação a alguém.
Sem nem pensar fui para o primeiro lugar que veio a minha mente, o local que apenas Jenn, Julian, Daven, Tyn e eu íamos. Afinal, eles estariam todos jantando, ninguém iria me ver. Entrei na sala fazendo um grande barulho.
–Oi.-Jenn disse sem nem se virar enquanto eu entrava na sala.
Eu queria sair da sala mas não consegui, a única coisa que consegui fazer foi chorar ainda mais.
–Maree...-ele disse já virado.-O que houve?-falou vindo em minha direção.
Eu não queria falar nada, então fiquei em silêncio. Não conseguia entender por quê ele estava naquele local.
–Tudo bem.-ele falava tentando me acalmar.-Não precisa me explicar. Fica no sofá enquanto eu pego um cobertor para você se esquentar.-ele disse me levando em direção ao sofá que tinha naquela sala.
Ele me deixou no sofá e foi em um armário pegar um cobertor. Ele se sentou na ponta daquele sofá e me puxou para que eu deitasse colocando a cabeça em seu colo, em seguida ele me cobriu.
–Vai ficar tudo bem Maree.-Jenn me disse enquanto beijava minha testa.
–Leonard...-tentei falar para ele o que havia acontecido por entre soluços.
–Ele...?-Jenn perguntou sem conseguir terminar a frase. Assenti com a cabeça enquanto chorava.-Ele é forte!-ele disse enquanto entrelaçava nossos dedos.
–Não me dê esperanças.-falei ainda entre soluços.
–Vai ficar tudo bem.-ele disse ignorando a minha fala. Parecia que ele estava sofrendo com tudo aquilo.-Ele é forte, ele consegue sobreviver. Vai ficar tudo bem minha pequena!-consegui ver uma lágrima solitária por sua bochecha.
Ficamos em silêncio, até que eu comecei a sentir minhas pálpebras ficarem pesadas e tudo ficou escuro. Consegui sentir um beijo de Jenn na minha testa e ele logo em seguida fechando seus olhos também. Então acabei dormindo com a cabeça no colo de Jenn e nossos dedos entrelaçados, eu conseguia sentir a respiração pesada de Jenn e sua preocupação estava explícita. Antes de dormir, ouvi um sussurro dizendo "Eu te amo minha pequena.".
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