The secrets about me

12 Mentindo ou omitindo?


Notas iniciais
Obrigada novamente a "The Girl of Darkness" pelo comentário, adorei saber sua opinião. Queria agradecer também a você que está lendo isso nesse momento. Quero pedir aos leitores que deixem um comentário, mesmo que seja um "Está ficando legal." ou até mesmo um "Estou odiando.", quero saber a opinião de vocês em relação a tudo e também quero saber se tem alguém além da "The Girl of Darkness" lendo. "The Girl of Darkness" peço para que você continue comentando, porque seus comentários são muito estimulantes. Bjsss

Acordei e me virei para trás a fim de ver o movimento na sala em que eu me encontrava. Vi Jenn mexendo o pescoço como se o mesmo estivesse doendo, enquanto preparava o que parecia ser um café da manhã. Ele vinha em minha direção, por isso resolvi fingir dormir.

— Bom dia. — ele disse beijando minha testa. — Trouxe seu café da manhã. — abri os olhos lentamente. — Você está melhor? — ele perguntou com um tom de voz preocupado.

— Acho que isso nunca vai acontecer. — respondi já me sentando no sofá e quase chorando.

— Não fale assim... — ele disse enquanto me abraçava. — Você é forte, vai superar. -ficamos em silêncio.

— Vim assim que me avisaram. — uma voz disse enquanto entrava na sala quebrando o silêncio. Me virei para ver um Daven desesperado. — O que houve Maree? — ele perguntou preocupado enquanto vinha em minha direção. Jenn já havia se afastado de mim.

Daven chegou até mim e me abraçou enquanto deixava cair lágrimas de seus olhos.

— Leonard... — tentei lhe contar assim como havia feito com Jenn.

— O que houve? — ele perguntou desesperadamente. — O que tem Leonard? — ninguém reuniu forças suficientes para responder. — O QUE HOUVE? — ele gritou como ninguém o respondeu. Ele não me abraçava mais, mexia no cabelo sem parar, desesperadamente.

— Se acalma cara. — Jenn tentava a todo custo acalma-lo. Daven não o deu ouvidos, jogando uma pilha de livros no chão enquanto era movido pela raiva ou tristeza.

— Ele... Ele morreu? — perguntou desesperado, como que temendo a resposta. Como ninguém o respondeu ele tomou um "sim" como resposta. — Não. Deve ser um engano. — eu chorava assim como ele, enquanto Jenn entrelaçava nossos dedos escondido como para me dar forças. — ELE NÃO MORREU! ELE NÃO PODE TER MORRIDO. — gritou isso para logo em seguida sair da sala chorando, sem nem forças para mexer no cabelo, gesto que ele fazia quando estava nervoso.

Por que ele havia ficado tão nervoso? Ele nem era tão amigo de meu irmão. Ou será que era? Não sei. Eu não entendia mais nada, estava mais perdida que qualquer coisa nesse mundo. Eu estava sem Leonard, e era essa a sensação que estar sem meu irmão me causava, uma sensação de estar vazia, sem ninguém, perdida. Mas uma pessoa ainda tentava me achar, ainda tentava me dar forças e por mais que eu não quisesse admitir essa pessoa era Jenn. Ele continuava com nossos dedos entrelaçados, mantendo a postura, ignorando suas próprias dores para me dar forças.

{...}

Ficamos cerca de uma semana sem se falar, eu e Daven. Nós passamos uma semana sem ir a nada enquanto Jenn, Julian e Tyn me davam forças. Nessa semana, os inimigos se aproximavam cada vez mais do palácio, os treinos continuavam e eu olhava com uma tola esperança todos os dias para o colar para ver se não mudava de cor. Eu continuava a me dar esperanças e a dor nunca diminuía.

— Daven foi hoje para o café da manhã, disse que não iria comer, pois estava sem fome. Ele estava com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar, ele falou que precisa falar com você e pediu para você ir para o quarto dele. — Tyn disse ao chegar na sala em que eu havia ficado a semana toda, a sala em que Daven havia recebido a notícia. Não fui para o quarto pois não queria ter que dar satisfação a Isabel, não queria ter de contar a ninguém sobre o ocorrido. — Vá tomar um banho Maree e coloque uma roupa decente. — ela falou com a voz carregada de preocupação.

— Tá. — falei me levantando a contragosto, mas eu realmente queria ver Daven e saber o que ele tinha a me falar. — Vou tomar um banho rápido, pegue uma roupa para mim por favor. — ela assentiu.

Eu entrei no banho e em meia hora estava em frente à porta do quarto de Daven. Bati na porta e Jonathan, um dos caras com quem Daven dividia o quarto abriu a porta.

— Oi. — ele falou quando me viu. — Ele está no banho. Entre. — disse abrindo espaço para que eu entrasse. — Eu não sei o que houve mas... — de repente ele me abraçou. — Tudo vai melhorar. — ficamos por um tempo no abraço. — Bom... É ali a cama do Daven. Se quiser pode esperar lá. — ele falou enquanto se afastava de mim. Dei um meio sorriso em agradecimento e fui para a cama esperar lá.

Estava esperando a cerca de cinco minutos sem fazer nada, Jonathan tinha saído do quarto para, segundo ele, nos deixar a sós quando Daven saísse do banho. Fui me levantar mas acabei derrubando uma caixa cheia de cartas e bilhetes, comecei a arrumar todos aqueles papéis quando sem querer comecei a ver o nome de meu irmão no remetente. Mesmo sabendo que seria errado, minha curiosidade venceu e eu abri uma das cartas para ler, era de cinco anos atrás.

"Sei que você é como eu. Você pode negar, mas eu sei. Também sei que minha irmã gosta de você. Mano, ela gosta muito de você, vi poucas vezes alguém gostar tanto assim de outra pessoa! Por isso, não posso ser egoísta e sei que você da forma que é não vai ser também, você vai cuidar dela como sempre cuidou, amar ela como sempre amou, mas de uma forma que eu sei que você sempre vai ser incapaz de amá-la. Eu sei que você a ama como eu a amo, como uma irmã mais nova e sei também que isso nunca vai mudar, pois sei que você é diferente, assim como eu. A escolha é sua, mas aceitando ela ou não, continue ao lado dela, dando forças a ela, fazendo ela sorrir, sendo totalmente dela. Você pode não amá-la da forma que ela gostaria, mas não a magoe.
Com carinho,
Leonard"

Terminei de ler e percebi que estava de boca aberta e olhos arregalados. Eu havia entendido direito? De repente ouvi a porta do banheiro ser aberta, mas não consegui me mover para esconder aquela carta. Continuei do mesmo jeito e foi assim que Daven me viu, de olhos arregalados e boca aberta enquanto olhava para uma folha aberta na minha mão e uma caixa e várias cartas e bilhetes que agora eu sabia ser de Leonard espalhadas pelo chão.

— Maree... — ele disse quebrando o silêncio. — Eu... — ele tentou falar.

— Quando você iria me contar?

— Agora. Por isso te chamei.

— Então me explique. — pedi sem conseguir encara-lo.

— Como você deve ter percebido nessa carta, seu irmão é... — ele começou a explicar.

— Gay. — falei mais para mim do que para ele.

— É. — ele afirmou timidamente.

— E ele era apaixonado por você? — perguntei. Ele assentiu ficando vermelho. — E você por ele? — ele assentiu novamente. — Então por que você ficou comigo?

— Porque eu não queria acreditar no seu irmão que eu também era gay, ele sempre me dizia para ficar com você porque você me amava muito, eu devo ter confundido o amor que eu sentia por você como irmã com um amor de namorados e meu estilo super protetor não queria que você sofresse por algum garoto e como esse garoto podia ser eu, eu simplesmente... — ele não conseguiu terminar.

— Me aceitou.

— Eu não sabia que amava seu irmão, — ele falou ignorando a minha fala anterior — talvez no fundo eu soubesse mas eu sempre negava. Mas quando eu soube que Leonard havia morrido, eu tive certeza absoluta de que o que eu sentia por ele não era um simples amor de amigos. — Eu me sentia traída pelos dois.

— Então eu já vou indo. Acho que não tem mais muito motivo para eu ficar aqui. — falei.

— Leve isso. — ele disse me entregando a caixa em que as cartas se encontravam. — Talvez seja mais fácil para entender. Não peço que me perdoe, só entenda e perdoe seu irmão, ele te ama muito e tudo o que fez foi por você. — ele me pediu nervoso.

— Certo. — peguei a caixa e me virei para sair do quarto.

— Ei, Maree. — ele me chamou. — Não é porque eu seja gay que eu não te ame, ok? Você é como uma irmã e...

— Também te amo! — o interrompi e sai logo em seguida do quarto.

Estava caminhando em direção ao meu quarto, tinha que parar de fugir de todos. Cheguei lá e vi uma cena que me chocou mais que qualquer outra, meu coração se apertou ao ver Isabel beijando ele, beijando Jenn. Ele a beijava ferozmente e demorou um tempo para me notar.

— É...oi. — ele disse nervoso enquanto se afastava de Isabel.

— Oi. — falei fingindo não me importar com a cena que havia visto. — Oi Isabel. — disse antes de me sentar em minha cama e abrir a caixa. Não queria encara-los.

— Oi Maree. — ela disse alegremente. — Que bom que você voltou ao quarto. — sorri por educação. Não sei por quê, mas eu estava com muita raiva dela. — Já vou indo amor. Combinei de me encontrar com Octavia. — ela deu um selinho em Jenn quando terminou a frase.

— Há quanto tempo? — perguntei quando Isabel saiu do quarto.

— Uma semana. — ele falou dando de ombros.

— Enquanto eu estava chorando pela morte do meu irmão você estava aos beijos com uma garota? — perguntei com raiva.

— Você tem que aprender que o mundo não gira ao seu redor. — ele falou calmamente. — Eu não posso ficar para sempre atrás de uma garota que não liga para a minha existência. — ele falou dando de ombros novamente. — Você tem Daven. — ele não tinha noção do quanto aquelas palavras me machucavam.

Ele nem me deu chance de responder, saiu do quarto. E eu fiquei lá sentada na minha cama indignada com o que havia acontecido. Percebi que estava me fazendo de boba quando senti algo frio escorrer por minha bochecha. Meu Deus, como eu estava dramática esses dias, resolvi ignorar o que havia acontecido e ler as cartas.

{...}

Já tinha lido várias cartas, mas algumas me chocavam profundamente. Uma delas era bem recente, quando meu irmão descobrira através de uma carta de Daven que ele seria meu professor.

"Você vai ser professor da Maree? Seja para ela mais que um cara que sabe muito e ensina, seja mais que um cara que ela vê com profundo respeito e admiração. Seja o cara que ela vê com amor. O amor não tem postos ou idade. Tenho que admitir que às vezes sou egoísta e penso que você virar o professor dela é mais um motivo para não rolar nada entre os dois, mas... Ela é minha irmã, ela te ama e te merece. E tem milhares de motivos para nós não ficarmos juntos: minha irmã gosta muito de você, você diz não ser gay e não gostar de mim. Mesmo que você admitisse, eu nunca trairia minha irmã desse jeito e sei que você também não, afinal, ela também é tipo uma irmã pra você. Mas... Eu não posso deixar de sentir o que sinto: e o que eu sinto é amor. Tenho certeza. Nunca senti algo assim com ninguém. Mas minha irmã também não e ela é tudo pra mim. Nunca vou fazer algo que a magoe. Por mais que eu talvez já esteja fazendo te amando, mas eu não mando no meu coração.
Só te peço: Seja dela!
Com carinho,
Leonard."

A carta mais recente era de quando nós havíamos ido para o palácio.

"Tenho que admitir: eu chorei. Chorei como nunca antes, chorei por ter perdido ela, por ter te perdido e pelo beijo dos dois. Sei que o que mais te pedi nesses anos foi para que você desse uma chance para ela, mas não consigo não sofrer. Eu te amei, te amo e sei que vou continuar a te amar. Eu sei que qualquer dia eu posso ver um mini Daven ou então uma mini Maree e chamá-los de sobrinhos mas nunca estarei pronto para quando esse dia chegar. Vibrarei com Maree pelo seu sonho realizado mas chorarei por esse sonho te envolver, por esse sonho te envolver longe de mim.
Te escrevi essa carta para te dar alguns avisos: estou bem. Sou imune. Se quiser saber sobre como estou olhe no colar de Maree.
Vermelho — Morto
Azul claro — Bem
Verde — Ótimo
Roxo — doente
Preto — Ferido
Essa é a última carta que te escrevo, tenho de deixar minha irmã com você. Tenho de te esquecer, sei que vai ser difícil, provavelmente impossível, mas não custa tentar. Torço por sua felicidade com minha irmã e te imploro para que cuide dela e a ame. Confie nela e saiba que ela é poderosa, minha querida irmã é muito poderosa Daven. Acho que isso é um adeus, sei que te verei mas tenho de te evitar, senão sentirei coisas erradas por você, estarei traindo minha própria irmã. Continuo chorando, como eu odeio chorar, me sinto fraco, inútil. Mas é essa a sensação que você me traz, me sinto pequeno, frágil, mas ao mesmo tempo me sinto preenchido quando estou com você.
Te amo,
Leonard."

Eu não conseguia parar de chorar, eu chorava de raiva, mas não raiva dos dois, raiva de mim. Eu estava com raiva por não ter notado que meu irmão gostava dele, por não ter deixado eles ficarem juntos. Eu me odiava com todas as forças por não ter deixado meu irmão ser feliz, eu havia sido egoísta, não havia notado o amor que um sentia pelo outro.

Depois de um bom tempo chorando resolvi me levantar e sair para tomar um ar. Eu estava caminhando em direção ao jardim.

— Maree? — uma voz vinda de trás de mim me chamou. Virei para ver a quem a voz pertencia.

Era Daven, me aproximei chegando perto o bastante dele para o tocar.

— Você leu? — ele me perguntou enquanto mexia no cabelo, ato que demonstrava seu nervosismo. — As cartas.

— Sim. — respondi o pegando de surpresa com um abraço. — Desculpa... — tentava falar entre lágrimas. — Eu fui egoís... — fui interrompida antes de terminar a frase.

— Eu fui o verdadeiro culpado. — ele disse, neguei com a cabeça mas eu estava muito fraca para discutir, a única coisa que eu precisava era do abraço de Daven.

— Tenho que ir. — falei depois de um tempo. Ele me deu um beijo na bochecha e saiu do corredor em que nós nos encontrávamos.

Voltei a andar, indo em direção ao quarto, precisava falar com Tyn e ela provavelmente já teria voltado para lá. E Isabel certamente estaria com Octavia em qualquer lugar do palácio.

— Oi. — falei quando avistei minha amiga no quarto. — Preciso saber das notícias, estive uma semana sem nenhum aviso. Você pode me atualizar?

— Claro. — ela disse parando o que estava fazendo para olhar para mim. — São dois grupos. Mais um grupo foi identificado, tem mais pessoas vindo em nossa direção.

— Certo. — falei temendo o novo grupo que estava a caminho do palácio.

Deitei na cama e comecei a pensar em tudo que estava acontecendo.

— Ele estava certo. — Tyn disse me tirando de meus pensamentos.

— Ele quem? — perguntei confusa.

— Jenn. Ele merece ser feliz Maree. Você deveria torcer pela felicidade dele e como ele disse, você tem Daven. — como aquelas palavras doíam, por que era tão difícil de entender que eu não tinha Daven, que Daven era gay e que ele era apaixonado por meu irmão?

Tyn estava tirando minha privacidade, roubando meus pensamentos mas um deles estaria para sempre comigo, guardado, de forma que ninguém o roubasse de mim. Ninguém roubaria de mim algo que não era meu, ninguém roubaria de mim a felicidade que poderia ter ocorrido entre Leonard e Daven. A felicidade que eu já os havia roubado.

— Você não o quis, — Tyn continuou — mas quer que ele não seja de ninguém. — acabou soando mais como uma afirmação. — Ciúmes. Isso é o que você está sentindo.

— Pena, é isso que sinto. — comecei a falar coisas que eu sabia muito bem não ser verdade. — Sinto pena por ele não me ter superado e ter que arrumar uma menina qualquer para tentar me ferir. — Não parecia eu falando e pior, eu mentia descaradamente. — Sabe de uma coisa? Eu não ligo. — mais mentiras.

— Sabe de uma coisa? Ele já te superou. — mais e mais mentiras, uma pior que a outra. Nós queríamos nos ferir e usávamos uma pessoa para isso: Jenn.

— O olhar dele diz outra coisa. — digo com a intenção de acabar a conversa com a minha fala. Eu tinha de vencer esse "jogo".

— O seu também. O seu demonstra o que o seu coração sente e você é incapaz de admitir: amor pelo Jenn. — e é ela a última a falar. Ela vence nosso "jogo".

Notas finais
Daven e Leonard? Jenn e Isabel? Quem shippa algum dos dois casais-ou quase casais? Quero saber. Comentem. Obrigada por vocês terem lido esse capítulo e estarem acompanhando. Espero que tenham gostado. E não me matem! rsrsrs Bjssss