The (my) Bodyguard
9 #9. Sentimentos Confusos.
Notas iniciais
Tobias
– Você tem um namorado, Tris? — Sussurrei, incapaz de demostrar qualquer tipo de reação. Meu peito doía como se eu tivesse levado uma punhalada no coração, eu estava paralisado, não conseguia nem sequer me mover.
Por quê eu me sinto traído? Não é como se Tris fosse minha namorada, portando ela deveria ter me contado. Ela nunca mencionou o nome dele. Ela nunca mencionou que tinha um namorado. Por quê?
É isso, eu sou um idiota. Alimentei esperanças que sei que não tenho. Tris nunca vai ser minha. Fingi ver coisas que eu sei que eram fantasias. Todos os sorrisos que eu tirei dela acreditei que eram para mim. Todas as suas roupas acreditei que ela as vestia para mim. Criei esperanças falsas. Nessa semana, apesar de tudo, eu finalmente acreditei que estava conseguindo o que sempre quis, minha felicidade. Tris é minha felicidade. Tris foi minha felicidade desde que eu tinha onze anos.
Como é possível gostar de uma pessoa na qual você viu apenas uma vez? Essa era a pergunta que fazia todos os dias a mim mesmo. Fiz essa pergunta até o dia do escritório, quando eu revi Tris novamente, depois de dez anos. Agora minha pergunta é outra: Como é possível gostar de uma pessoa sabendo que você nunca vai ser correspondido?
"Você é um masoquista, Quatro, você gosta de se machucar." Me lembrei das palavras de Eric. Se eu sou um masoquista por quê a dor que sinto agora é insuportável?
– Pare de passar sua mão no pulso. — Tris bateu em minha mão. Não respondi. Se abrisse minha boca iria falar algo que provavelmente me arrependeria depois.
Eu já tinha uma noção das possibilidades que Tris poderia ter um namorado e o que me deixa mais puto nessa situação é que eu me preparei para isso, eu prometi a mim mesmo que eu não me abalaria. Ela não é minha. Ela não é minha.
******
– Tobias, fala comigo.
– Você vai querer o que?
– Não se esquive de minhas perguntas.
– Você não me perguntou nada.
Estava usando todas as forças que tinha para ter um dialogo com Tris e olhar em seus olhos. Eu não estava com raiva dela, estava magoado comigo mesmo.
Estávamos no refeitório. Graças a Deus a aula tinha acabado. Por um momento eu pensei que não iria me segurar e atiraria aquela mesa para longe. Eu precisava tomar um ar ou fazer qualquer outra coisa para não pensar no que eu realmente queria fazer.
Tris estava na fila da cantina comigo. Ela estava quieta e parecia prestes a chorar. Isso me deixava mais magoado ainda. Ela estava feliz hoje cedo.
Culpa minha mais uma vez.
– Por que você não fala comigo? — Ela perguntou tão baixo que quase não ouvi.
– Eu estou falando com você.
– Você não está sendo o Tobias que eu conheço. — Ela procurou meus olhos.
– É porque aqui eu sou o Quatro. — Forcei um sorriso. — Vou pegar um hambúrguer para você.
– Eu quero bolo.
– Não. Sem doce. — Disse severo. Ela apenas deu de ombros. Ela não me xingou, não retrucou e nem revirou os olhos, apenas deu de ombros. — O que você tem?
– O que você tem, Tobias? — Tris saiu da fila sem me olhar e caminhou até a mesa onde Chris, Uriah e Zeke estavam. Me perguntei se o tal de Al estudava aqui.
Peguei o hambúrguer de Tris, uma Schweppes para mim e caminhei até a mesa entregando o lanche da loira. Ela me agradeceu com um sorriso fraco e eu me sentei desviando o olhar.
– Então o guarda-costas tem um lado travesso? — Uriah chamou minha atenção.
– Ele se chama Quatro. — Zeke intervenho.
– Quatro? Tipo um, dois, três e quatro?
– É. — Assenti tomando um gole de minha bebida. — Algum problema?
– Nenhum. — Os dois disseram juntos.
– Olha quem está aqui! — Chris gritou se levantando da mesa em um pulo. — Will! — Ela correu até o garoto loiro, que estava ao lado de um outro garoto moreno.
– Sentiu tanta saudade assim?
– A ultima vez que te vi eu estava no terceiro ano.
– E isso foi só há dois meses. — Will riu e pegou uma cadeira da mesa ao lado e outro garoto fez o mesmo. — E ai, meu povo?
– E ai, viado. — Uriah respondeu. — Conhece Quatro? O segurança da Tris?
– Não. E ai, mano? Conseguindo controlar nossa anã aqui?
– Eu vou te dizer o que é anão em você, Will. — Tris retrucou.
– Estou dando meu jeito. — cumprimentei Will.
– Tris deve te dar um trabalhão, né cara? Só Deus sabe o que passo com essa garota. — Ele sorriu para Tris de um jeito muito mais intimo que os outros. Esse filho da puta era Al.
– Limpe a baba, Albert. — Chris riu confirmando minha suspeita.
– Desculpe, qual é seu nome mesmo? — Al me perguntou, envergonhado com o comentário de Chris.
– Quatro. — A mesa inteira respondeu por mim com vozes entediadas. Até eles estavam fartos de responder isso.
– Você é bem novo para ser um segurança. — Ele comentou. Deus, como eu queria esfolar esse Albert.
– E você é bem curioso para ser o namorado da Tris. Ela nunca te mandou calar a boca não? — Soltei. A mesa inteira calou a boca por Al.
– Na verdade sim, muitas vezes. — Tris quebrou o silêncio. Mas antes ouvi Zeke sussurrar algo como um "Essa doeu em mim" e Uriah respondeu com um "Até eu calei a boca". — E vou pedir de novo: Albert. Cala. Essa. Boca.
Albert olhou lançou a Tris um olhar indignado e fez o que ela mandou completamente confuso e envergonhado.
Bem feito, idiota.
A mesa inteira voltou a conversar tranquilamente, mas Chris e Al ainda me olhavam atravessado, ao contrario de Tris que fazia de tudo para não me olhar e eu também; Já Zeke e Uriah estavam me perguntando coisas bizarras sobre armas e lutas. Os dois eram os únicos na mesa que ainda não me deixara irritado.
– Qual é sua próxima aula, Tris? — Al perguntou.
– Alguma palestra sobre economia, como sempre. — Tris respondeu e eu não vi sua reação já que me recusava a encara-lá.
– Posso te levar até lá?
– Já tenho um guarda-costas, Al.
Sinceramente? Nesses vinte minutos observando Tris e Al eu poderia até dizer que eles não se pareciam nada como namorados. Eles não trocaram nenhuma caricia, não se beijaram, nem ao menos conversaram. Será que Tris não é feliz com ele? Por um momento me senti aliviado, mas logo me arrependi, o que eu estava fazendo? Eu quero a felicidade de Tris mais do que qualquer coisa!
Se esse Al estiver deixando-a magoada... Eu nem sei do que sou capaz de fazer.
Tris se levantou e dessa vez tive que olhar para ela. Ela sibilou a palavra banheiro e eu me levantei também fazendo o meu papel de guarda-costas.
– Até para o banheiro? Essa é nova. — Tris comentou enquanto nos afastávamos do grupo.
– Eu te prometo que até amanhã você tem a droga do documento, Tris. Você vai ler e reler aquela porra até tudo o que está escrito entrar nessa cabeça loira. — Respondi silenciosamente.
– Você está bravo. — Ela não perguntou, confirmou.
– Não, eu não estou bravo, estou chateado.
– Com o que? — Ela me perguntou inocentemente.
– Estou chateado por ter que descobrir tudo sobre você sozinho ou na ultima hora, por você ter me visto em um momento fodido da minha vida, por você ter me dito só agora que tinha um namorado, por você ser tão temperamental, enfim, a lista é longa. — Desabafei.
Nunca fui essas pessoas que falavam tudo o que vinha na cabeça — como Christina, por exemplo -, mas naquele momento senti uma necessidade horrível de dizer à Tris tudo o que me perturbava no momento.
Estávamos em um corredor movimentado. Tris andava duramente e eu não pude dizer se ela estava brava ou magoada. Eu optava pela primeira alternativa.
– Olha aqui, Tobias. — Tris abriu uma porta aleatória e me fez entrar em uma sala de aula vazia. — O que você quer que eu diga à você? Qual é o numero do meu sapato ou o meu filme favorito? Você é meu guarda-costas, pelo amor de Deus! Você está aqui apenas para me vigiar! Eu nunca te obriguei a preparar meu café da manhã, nunca te obriguei a levar minha bolsa, você faz isso porque você quer! Agora você quer que eu saia falando da minha vida para você? Eu te conheço há uma semana! E além do mais eu também não sei nada sobre você! — Ela respirou fundo. — Eu te vi em um momento fodido de sua vida? Em qual momento? Quando você estava se cortando com um pedaço de vidro? Eu tentei falar com você, mas você nem sequer olhava para mim! Você disse que não queria conversar sobre aquilo e eu respeitei a sua droga de vontade! — Tris estava sem folego e poucas lagrimas caiam em seus olhos. Eu não sabia o que fazer, eu também estava em choque com suas palavras.
– Já acabou? — Foi tudo o que perguntei, agora olhando em seus olhos lacrimejados.
– Não. — Ela respondeu. — Al tecnicamente não é meu namorado ainda e eu estou o enrolando desde o colegial. Olha, eu não sei o que fazer sobre isso e por mais que eu não te deva satisfações eu não comentei isso antes porque nem mesmo eu tinha me lembrado, agora eu estou fodida e não sei como sair dessa confusão. — Tris passou as mãos em seu rosto e respirou fundo antes de me encarar novamente.
– Então por que você me disse que ele é seu namorado? — Perguntei. Um estranho sentimento de alivio se passou pelo meu peito.
– Porque eu estou confusa! — Ela exclamou. — Eu não sei o que fazer, eu não sei o que ele é para mim. Eu o amo, mas acho que não como namorado.
– Diz isso para ele, então.
– As coisas não são tão fáceis, Tobias. — Ela sorriu sem humor.
– Você gosta dele. — Conclui mais para mim mesmo do que para ela.
– Eu não sei. — Ela sussurrou olhando em meus olhos. Eu não queria ouvir um 'eu não sei' eu queria ouvir um 'não, eu não gosto dele.'
– Então quando você descobrir me avise. — Respondi, abrindo a porta. Não aguentaria passar mais nem um minuto nesse lugar. — Estou indo embora.
– Mas a aula nem acabou. E além do mais você não pode ir embora sem mim. — Ela tentou argumentar, mas nem isso me fazia mais tranquilo.
– Pede para Al me substituir nesse meio tempo, eu tenho certeza de que ele não vai se incomodar.
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