The (my) Bodyguard
10 #10. Dor ou Prazer?
Notas iniciais
Ainda encarava a porta boquiaberta. Eu não precisava ler nenhuma porra de contrato para saber que Tobias estava falhando em sua tarefa de me vigiar. Mas esse não é o ponto, o fato é que ele tinha me abandonado. Eu realmente joguei limpo com ele, falei toda a verdade e o que ele fez? Me abandonou.
Respirei fundo e reprimi as lagrimas. Não iria chorar por meu guarda-costas. Ele foi um idiota e não merecia minhas lagrimas. Iria chorar pela fome na África ou pelas pessoas doentes, mas não por Tobias. Limpei meu rosto na manga de minha blusa e sai da sala destruída.
Não queria voltar para a mesa. Eu teria que falar com Al uma hora ou outra, mas agora seria impossível. Precisava encontrar Tobias. Será que ele tinha voltado para casa? Jesus, que ele não faça nada de estupido.
– Nossa, você demorou. Onde está Quatro, ein? — Chris me lançou um olhar malicioso e eu bati em suas costas sem piedade.
– Quatro foi embora, ele tem algumas coisas para fazer. — Menti.
– E ele pode te largar assim? — Al me perguntou.
Fazia um mês que não via Al. Todos os meus amigos estavam os mesmos, apenas o corte de cabelo ou a aparência diferentes, mas Al estava totalmente diferente, não só aparentemente como em sua atitude também. Ele nunca foi de me questionar ou ser curioso. Albert sempre foi manso e sensível.
– Nossa, Albert. O guarda-costas é ele, então deve saber o que faz. — Zeke defendeu Tobias que nem sequer estava conosco.
– Eu não acho legal um cara qualquer estar cuidando da minha garota, é isso.
– O que? — Indaguei incrédula. — Como assim sua garota?
– Esse Quatro está na sua, Tris! É só você que não consegue ver. — Al exclamou arrogante.
– Olha aqui, Albert. — Me aproximei dele completamente desintimidada, mas totalmente chocada com o que ele dissera. — Quatro não tem nada com isso, não coloque ele em nosso assunto sendo que ele nem ao menos está aqui para se defender. Essa coisa é entre nós dois e eu não te dei nenhuma resposta para você ter o direito de me chamar de 'sua garota', entendeu?
– Caralho, Tris! Estou esperando a sua resposta há três meses e você sempre foge do assunto. Você demostra que gosta de mim, mas não tem coragem de admitir isso! Como você quer que eu me sinto? Feliz?! — Al se levantou da mesa alterado. Ele nunca se alterava. Pegou suas coisas e saiu da mesa bruscamente, deixando sua cadeira cair para trás.
– Não. A resposta é não! — Gritei. Foi quando percebi que o refeitório inteiro assistia a nossa pequena discussão.
Me senti totalmente esgotada. Não queria ficar mais aqui, queria ir para casa, queria me enrolar em uma coberta, botar tudo para fora em minhas lágrimas, dormir e esquecer tudo isso. Pouco me importava o refeitório, Al ou às aulas. Queria saber onde estava Tobias , eu fui completamente estupida com ele. Estava com medo de Tobias tentar se ferir de novo, é isso que me deixava preocupada.
Peguei minha bolsa e o caderno de Tobias e me retirei do refeitório, ignorando completamente os chamados de Uriah, Zeke e Chris. Eu só queria saber de Tobias.
***
Fui para casa com um táxi. Tobias não tinha levado o carro consigo, mas o esperto ainda estava com às chaves, como ele quer que eu dirija um carro sem às chaves? Então, devido a grande inteligência de Tobias Eaton tive que deixar o pequeno Audi de mamãe na faculdade e fui para casa tomando o táxi.
Abri a porta de casa e percebi que as luzes estavam acesas. Oh, graças a Deus Tobias estava em casa! Larguei minha bolsa no chão, tirei meus estúpidos saltos e corri para o quarto bege na procura de Tobias.
Seu quarto estava trancado e as luzes apagadas. Uma pequena onda de pânico se passou pelo meu corpo. Eu não devia ter deixado Tobias sozinho, eu fui completamente egoísta. Jesus, que ele esteja apenas dormindo.– Orei em silêncio.
– Tobias, eu sei que você está ai. Abre essa porta agora! — Bati meus punhos contra à porta de madeira desesperada. — Tobias!
– Tris? — Ouvi sua voz rouca e agoniante. Ah, meu Deus, o que ele fez?!
– Abre, Tobias. — Pedi novamente aos prantos. — Por favor.
– Você não quer me ver assim, vá embora. — Ele murmurou novamente.
Tobias estava se machucando de novo. Eu sabia disso. Desci as escadas correndo e fui para o escritório de papai desesperada, era lá que estavam as chaves reservas. Abri a porta, empurrei uma cadeira próxima a estante, subi e tateei a mesma a procura do pote de chaves finalmente encontrando-o. Desci da cadeira e joguei as tantas chaves do pequeno pote na mesa de papai caçando a chave bege. Graças a Caleb e sua inteligência por isso. Há pouco tempo atrás meu irmão teve a ideia de pintar as chaves com as cores de seus devidos cômodos, então encontrei a bendita chave bege rapidamente. Droga, eu arrumaria toda a bagunça depois. Sai do escritório e subi os degraus de dois em dois morta de desespero. Por quê Tobias faz isso consigo mesmo?
"Porque eu te machuquei." Essas foram suas palavras no pronto-socorro. Contudo, ele não tinha me machucado agora. O que foi que aconteceu desta vez?
– Tobias! — Gritei socando a porta novamente.
– Tris, vai embora. — Tobias respondeu ofegante e meu coração errou uma batida. O que diabos ele estava fazendo? Ele estava tendo dor ou... Prazer?
Peguei a porcaria da chave bege e passei ao redor da fechadura. Abri a porta rapidamente e acendi a luz.
Ah, meu Deus.
Ah, meu Deus! Ah, meu Deus! Ah, meu Deus!
Eu não estava vendo aquilo. Eu não podia acreditar.
Tobias estava se batendo. Tobias estava se machucando com uma porra de um cinto de couro. Ele estava virado para mim me dando a visão de sua costa completamente machucada e irreconhecível com as marcas de cinto frescas, sua pele esfolada e sua carne praticamente aparecendo. Pelo tanto de marcas que tinha ali ele estava fazendo isso já fazia um bom tempo. Eu continuei paralisada, eu não podia acreditar, não podia. Eu queria gritar, mas minha boca não emitia qualquer tipo de som. Estaria com raiva se não estivesse tão chocada.
– Tobias. — Foi tudo e o que pude dizer e minha voz falhou. Estava paralisada, completamente sem reação. Era tudo muito pior do que a cena do hospital. Por que ele fez isso? Era tudo o que podia perguntar à mim mesma. Minha boca se abriu e eu fiquei sem ar procurando minha voz novamente.
– Tri... Tris? — Tobias se virou completamente assustado. Seus olhos azuis estavam sem foco, como se ele estivesse em outro lugar. — Tris? Como você...
– Por que você está fazendo isso? Diz, Tobias! Por que você faz isso com si mesmo?! — Encontrei minha voz. Lagrimas começaram a cair e deslizaram em minhas bochechas deliberadamente. Deus, era tudo muito horrível. Como ele podia aguentar toda essa dor? Como ele era capaz de fazer aquilo consigo mesmo?
– Beatrice, vai embora. Por favor. — Ele implorou. — Eu não quero que me veja assim. Por favor. Vai embora. Por favor.
Tobias estava chorando. Ele curvou sua cabeça e começou a chorar.
Oh, Deus.
Eu queria bater nele, queria gritar e dizer todas as palavras estupidas, todos os palavrões que pudesse encontrar. Estava furiosa, mas não aguentava ver Tobias assim. Uma dor latejante perfurava meu peito. Queria gritar e chorar mais ainda. Não aguentava ver isso, não aguentava ver Tobias desse jeito. Não estava com piedade, era muito além disso, é se como eu estivesse ali no lugar dele sentindo todas as dores nesse exato momento. Eu precisava ajuda-lo.
Corri para o banheiro de Tobias e peguei todas as toalhas que vi ali — que não foram muitas. Cade às toalhas desse homem? -. Encharquei todas com água gelada da torneira da pia e corri de volta à Tobias que ainda possuía sua cabeça baixa e as costas expostas.
– Calma, vai ficar tudo bem. — Sussurrei me aproximando dele. Tudo era muito pior de perto e eu também me senti muito pior. — Eu vou limpar suas feridas, ok? Você certamente irá aguentar. — Soei um tanto ríspida, mas era a verdade.
– Não. Por favor, Tris. Vai embora. — Tobias gemeu desesperado. — Por favor.
– CALA À BOCA E LARGUE ESTE CINTO! EU VOU LIMPAR A PORRA DE SUAS FERIDAS E PONTO! — Arrumei a úmida toalha na minha mão e pressionei levemente em suas costas. Tobias inclinou sua cabeça para trás e ofegou. Se era de dor ou prazer eu não sei, mas temia que fosse a última opção.
– Você não entende! — Ele murmurou sem folego. — Não faz isso, por favor, por favor. Você não entende.
– Não entendo o que? — Indaguei com um pouco de pavor. Tobias estava assustador dizendo isso, mas eu não parei, arrumei a toalha ensanguentada na minha mão e pressionei em sua ferida novamente. Ele suspirou pesadamente e gemeu. Oh, meu Deus.
– Pare, Tris. Pare! — Ele se contorceu entregue ao desespero. — Você está piorando tudo. Para, por favor. Eu sinto prazer, isso é bom para mim. Pare com isso. Por favor. Por favor.
Larguei a toalha abruptamente e mais uma vez abri minha boca chocada.
– O... O que?
– Tris, eu sou um masoquista.
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