The (my) Bodyguard

8 #8. Oh, a Faculdade...


Notas iniciais
Oie, tudo bem, amores? Capítulo fresquinho procês... hehe e um pouco maiorzinho para recompensar a demora. Obrigada pelos comentários e acompanhamentos. Quem não favoritou favorite, quem leu e gostou acompanhe e quem amou recomende! rsrsrs ♥ Boa leitura! *-*

"Have you no idea that you're in deep?
I've dreamt about you nearly every night this week
How many secrets can you keep?"
(Você não tem ideia de que é minha obsessão?
Sonhei com você quase todas as noites esta semana
Quantos segredos você consegue guardar?) — 'Do I Wanna Know?'
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Tobias

Uma semana. Fazia uma semana que estava cuidando de Tris. Uma semana que valia por um mês inteiro de tão exausto que eu estava. Tris conseguia ser pior do que duas crianças juntas, embora eu nunca cuidei de crianças. Na verdade eu nunca cuidei de ninguém. Não cuido nem de mim mesmo! No entanto, o fato é que Tris é completamente atrapalhada, frustante e muito, muito elétrica, ela nunca para em casa e vive correndo riscos, até mesmo para descer uma inofensiva escada.

Hoje seria seu primeiro dia na faculdade de economia (o curso cujo Andrew escolheu por ela) e por algum motivo a loira passou o dia bastante animada, mesmo sabendo que eu iria ficar do seu lado o tempo todo, e digamos que Tris não andava muito feliz com o fato de estar sendo seguida por mim constantemente.

Ah, sim. Eu também estava indo para faculdade de economia. E como aluno. Poderia eu estar mais puto? "Eu não quero que você fique com cara de paisagem por cinco horas naquela sala, vai estudar sim!" Essas foram as palavras de Tris antes de ligar para Andrew, que concordou com tudo sem a menor relutância.

É claro que ele tinha concordado. Andrew é o único que sempre se preocupou com meu futuro. E Tris, aparentemente. Um sorriso esperançoso sempre escapa de meus lábios quando penso sobre isso.

Não seja ridículo, Tobias. Guarda-costas, apenas isso.– Repreendi a mim mesmo.

Ainda sonhava com Tris todas as noites e esses sonhos não estavam tão inocentes comparados com meus sonhos de quando eu tinha onze anos. Não vejo mais aquela Tris com dentes banguelos e tranças, vejo ela como uma mulher e Deus, coloque mulher nisso.

Às vezes me pergunto se ser o guarda-costas de Tris é realmente melhor do que não ser nada. Ela não me trata como um segurança, mas também não me trata como um de seus amigos. Ela me repreende, me xinga, irrita, zoa, mas não é a mesma coisa com seus amigos de verdade. Tris ainda se sente um pouco intimidada por mim, essa é a verdade.

Tris nunca mais tocara no assunto dos cortes. Até hoje me sinto um idiota por fazer aquilo na frente dela, embora ela fosse descobrir de qualquer jeito, assim como descobriu meu nome. Ela também já percebeu minha mania de passar as mãos no pulso quando estou distraído, nervoso ou decepcionado.

– Tobiaaaas, já está pronto? — Tris berrou, descendo as escadas aos pulos como sempre fazia. Mesmo a repreendendo diversas vezes sobre isso, ela sempre fazia.

– Quer que eu leve sua bolsa? — Me ofereci, analisando-a discretamente. Blusa de mangas, cabelos soltos e saltos. Maravilhosa como sempre.

– Não precisa, obrigada. — Ela me lançou um sorriso tímido. Respirei fundo não me deixando levar pela sua beleza e caminhei até a garagem em silêncio. Os saltos de Tris batendo no chão atrás de mim.

– Vamos buscar Uriah e Chris, ok? — Ela se sentou no banco do carona e jogou sua bolsa no banco de trás. Fiz o mesmo, embora estivesse apenas com um caderno.

– Você é quem manda. — Sorri. — Coloque o cinto.

Nunca tinha conhecido os amigos de Tris para valer. Eu sempre a pegava conversando com eles em seu celular, mas nunca os vi pessoalmente. Tris finalmente desistiu e contou para todos que tinha um segurança. Não discuti, afinal é isso o que sou, certo? Apenas seu segurança.

– Sabe, eu fico me perguntando onde você guarda sua arma. — Tris comentou divertida.

– Você deveria mesmo ler o documento, Tris. — Revirei os olhos enquanto tirava o carro da garagem e seguia para a avenida principal.

– Então você não tem uma?

– Tenho.

– Cadê? — Tris se animou, olhando para todos os lugares do meu corpo esperançosa. Por que isso era tão quente?

– Oh, você não quer saber, Beatrice. — Lancei-lhe um olhar sacana.

– Ah, pelo amor de Deus! Não me diga que está em sua cueca? — Ela atirou.

– Você anda me espionando? — Arqueei uma sobrancelha. O transito estava tranquilo, então poderia olha-lá sem riscos.

– Não! — A loira exclamou chocada. — Não é difícil imaginar... Quer dizer... Não é difícil deduzir. — Tris começou a tossir descontroladamente. — Deduzir. — Ela repetiu com esforço.

– Tris? Você está bem? — Questionei preocupado. — Quer ajuda?

– Eu estou bem, — Respondeu ela entre suas respirações. — apenas me engasguei.

– Bom. — Quem iria engasgar era eu se ela não parasse de ofegar desse jeito... — Não, Tris. Eu não tenho arma.

E como sempre acontecia, entramos naquele silêncio constrangedor. A faculdade não ficava muito longe, mas a casa de Chris, a amiga de Tris, era completamente fora do caminho. E me fazia lembrar do pequeno acidente que aconteceu com a baixinha.

– Sexta-Feira haverá uma festa de boas-vindas para os novatos da faculdade e nós vamos ir. — Tris comentou repentinamente. Lancei um olhar em sua direção e franzi a testa.

– Acho que Andrew não concordaria com isso. — Respondi, aguardando Tris rebater com sua boca afiada.

– Você agora tem acesso ao cérebro do meu pai para saber o que ele concorda ou não?

Na mosca! Sorri internamente.

– Oh, se você está tão confiante que ele vai deixar, então ligue e diga a ele.

– Eu não disse isso! — Ela bateu as mãos nas coxas completamente frustada. Ainda bem que estava me acostumando com esse pavio curto.

– O que você disse então, Tris? Me conte. — Suspirei para não sorrir.

– Eu disse que vamos à festa e ponto final. Tenho dezoito anos, sou maior de idade e papai não tem nada com isso!

– E eu? O que eu tenho com isso? — Perguntei. É, eu queria irrita-lá.

– Você só pode estar brincando comigo, Tobias.

– Sim, eu estou. — Sorri. — Nós vamos, mas você sabe que não tem idade para beber.

– Eu sei. — Nem precisei olhar para saber que ela estava revirando os olhos.

– Nem fazer Strip tease.

– Como você... sabe? — Tris estava em choque.

– Você diz isso como se a cidade inteira não soubesse. — Tentei manter a diversão em minha voz, mas a sensação de saber que Tris estava seminua no meio de uma boate e que o vídeo dela ainda se espalhava não era uma das melhores. Apertei as mãos no volante e tentei relaxar.

– Foi uma brincadeira. — A loira explicou.

– Uma brincadeira bem idiota.

– Meus amigos me desafiaram!

– Oh, então isso explica tudo? Alguém te desafia e você prova o contrário? — Mantive minha voz calma, não iria brigar com a baixinha hoje.

– Não, não é assim! — Retrucou. — Se você fosse desafiado para fazer algo diria não e seria um covarde?

– É claro que não. Há limites, Tris. Se você for desafiado para, sei lá, comer cinco hot dogs é uma coisa normal. Agora ser desafiada para tirar a roupa em uma boate? Já é idiotice. — Expliquei. — Desafio é algo que você pode fazer, se não vira palhaçada.

Tris ficou em silêncio por um bom tempo, processando tudo o que tinha dito. Ela não me olhava, seus olhos estavam na avenida e sua testa franzida. Eu me perguntava o que ela está pensando.

– Então você está me dizendo que eu não sou capaz de fazer um Strip tease? — Tris finalmente abriu a boca. Levantei minhas sobrancelhas completamente confuso.

– Eu disse isso?

– Você disse que 'desafio é algo que você pode fazer'. — Ela repetiu minhas palavras.

– Exatamente. Se você foi capaz de fazer um Strip meus parabéns, loira, mas ainda é idiota. — Respondi. — E Sexta-Feira você não vai se meter em nenhuma aposta, agora você tem um guarda-costas e ele não é legal.

– Ah, é? — Tris riu e eu relaxei só por ouvir seu som. — Eu gosto dele, mesmo parecendo mais como meu pai do que meu segurança e sendo bastante misterioso.

– Talvez ele seja apenas reservado. E eu já te disse, baixinha, eu não posso ser seu pai. — Lancei outro sorriso sacana à Tris, me lembrando do dia no escritório e do tapa na cara que a garota me deu.

– É, tem razão, meu guarda-costas é um pervertido e não é legal. — Ela disse por fim, me lançando um olhar zombador antes de ligar o rádio.

Do I Wanna Know? estava tocando, por quê soava tão perturbador?

Não, Tobias, perturbador é viver com uma garota que você gosta sendo o seu guarda-costas. Perturbador é os sonhos que você tem com ela. Meu subconsciente me repreendeu como sempre. Precisava tirar Tris da cabeça, essa garota estava me afetando em todos os sentidos.

Você nunca tirou Tris da cabeça nem quando era criança, imagine agora!

**********

Tris

Tobias estacionou o carro em um lugar vago no estacionamento da escola. Tínhamos pego Chris e Uriah, e meu guarda-costas estava estranhamente natural, mas não abriu a boca para nada. Ah, agora sim ele parecia um segurança sério: Carranca no rosto, olhos cerrados e boca fechada, embora ele estivesse com sua calça jeans e camiseta preta. Eu me pergunto se Tobias nunca pensou em usar um uniforme. Acho que seria bem melhor, talvez de uniforme eu pararia de babar por seus músculos...

– Tris, a terra te chama. — Uriah parou na minha frente com seu habitual sorriso brincalhão no rosto. Sorri de volta e balancei a cabeça, tentando apagar a imagem de Tobias de terno cinza, como em meu sonho, de minha cabeça.

– Estou aqui. — Falei.

– Pensando em Albert? — Uriah voltou a andar e eu franzi a testa horrorizada.

Droga! Al! Ele não tinha nem sequer passado por minha cabeça nessas ultimas semanas. Olhei instintivamente para Tobias e recebi apenas uma sobrancelha arqueada. Corei, é claro.

Fazia três meses que estava enrolando Al. Ele gosta de mim, mas eu nunca senti a mesma coisa por ele e morria de medo de lhe dizer a verdade e perder sua amizade, então disse que iria pensar em tudo e lhe dar uma resposta. E eu pensei? Não! Eu nem sequer lembrei. Estava muito ocupada sonhando com meu guarda-costas nu em cima de uma mesa de escritório.

– Chris, preciso falar com você. — Murmurei distraidamente para minha amiga. — Em particular. — Acrescentei quando recebi os olhares curiosos de Uriah e Tobias.

– Já sei o que é. — Ele revirou os olhos divertida. — Depois.

– Depois.

*******

– Quem é Al?

– Tobias, silêncio. — Sussurrei.

– Não me chama de Tobias aqui! — Ele sussurrou de volta.

Cristo, quando eu o chamo de Quatro ele reclama, Tobias também...

– Desculpa, Quatro.

– Por mais que eu odeie você dizendo isso, é melhor assim.

– Quatro, cala a boca. — Chutei-o discretamente por baixo da mesa. Ele sorriu e voltou sua atenção à aula.

Como prova de que o mundo realmente conspira contra mim, Tobias tem os mesmos horários que eu e será meu parceiro daqui para frente. Para a minha surpresa, Tobias é um pirralho bagunceiro e tagarela. Zeke, o irmão de Uriah que também faz economia, estava se divertindo na mesa ao lado. Eu não sei se estava mais surpresa com o comportamento de Tobias ou o fato de ele já ter feito um amigo em quarenta minutos.

– Tem como parar vocês dois? — Repreendi-os pela quinta vez, os quais estavam brincando de atirar bolinhas no lixo.

– Cesta! — Zeke murmurou animado. Me ignorando completamente. Os outros alunos lançavam-lhe olhares lascivos, mas ele também ignorava.

– Os três mocinhos estão se divertindo? — Dessa vez foi o professor Max. Tobias se aquietou em seu lugar relaxado e Zeke reprimiu uma risada. Fiquei vermelha na hora. Nunca ninguém tinha chamado minha atenção antes! O professor se virou novamente e Zeke praticamente cuspiu sua risada abafada.

– Viu o que você fez? — Sussurrei para Tobias apavorada. — Ele chamou minha atenção por sua culpa! Você vai abrir seu caderno, pegar a porra da caneta e escrever nas poucas folhas que sobraram ai.

– Quem é Al, Tris?

– Tobi... Quatro!

– Fala quem é ele e eu fico quieto. — Ele murmurou.

– Sem chantagens. — Bufei.

– Quem é ele?

Ok, quem é Al, Tris? O que ele significa para você? — Disse a mim mesma.

Não sabia o porquê, mas senti meu coração se espremer contra meu peito. Eu gosto de Al, mas não como namorada. Quer dizer, eu gosto de Al mais do que uma amiga, mas eu não tenho certeza se quero ele como um amigo ou como algo a mais. Porra, eu estava confusa. Eu deveria ter pensado nisso. Por quê diabos eu não pensei nisto?

Culpa de Tobias. É tudo culpa dele e de papai! Por quê um guarda-costas? Por quê Tobias?

– Al é... Uh...

Anda Tris, pensa. Você quer magoar Al? Ou quer continuar suas fantasias impossíveis com seu guarda-costas misterioso? Ou quer lhe fazer ciúmes?

Não, Al não merece isso. Tobias não é nada meu, ao contrário de Al. Eu quero que ele seja?

Eu não sei!

– Al é meu namorado. — Sussurrei, por fim. Droga, o que eu estou fazendo?

– O que?

– Você ouviu. — Tive coragem o suficiente de olhar em seus olhos. O que eu via ali? Carinho? Confusão? Descrença? Dor?

– Você tem um namorado, Tris?

Notas finais
Essa Tris é uma cabeça oca sim ou claro? o/