The last bar
1 Hard life
Notas iniciais
“The last bar”
Domingo 23h00
Mas que dia... Eu aqui nesse bar, tão sujo que não consigo sequer enxergar as janelas de tão empoeiradas. É estranho porem em lugares assim fico intimidado e limito a mexer a cabeça no Máximo 20 graus para os lados. As únicas coisas que podia ver eram as pequenas e chamativas luzes de LED escrito “Cerveja”, claro o rostos aparente de decepção e tristeza de cada um no local.Que horrível esse tipo de lugar deveria ter uma grande seta na porta de entrada escrita “autodestruição”.
Domingo 23h20min
Ele finalmente chegou Pedro, o cretino me chama pra tomar uma cerveja num domingo em um lugar horrível desses, por amigos assim é que não sinto falta de inimigos cuidando da minha vida.
Cumprimentamos-nos e Pedro não deixa de dizer uma de suas pérolas.
Pedro: — Te deixei esperando muito tempo? Desculpe-me, é que sua mãe não me dava folga haha... Como vai Derek?
Derek: — Haha, muito engraçado você, como sempre.
Pedro: — Não esta bebendo nada? Garçonete, duas cervejas, por favor. Mas então... Como vai?
Naquele Momento penso em dizer a verdade, que meu pai esta muito doente, minha situação financeira esta caótica e minha falta de comoção me enoja... Mas prefiro mentir e dizer:
Derek: — Tá tudo bem e você?
Pedro: — Sabe como é, vou indo.
Domingo 23h35min
Pedro: — Ai, você sabia que nos mentimos cerca de 70 a 120 vezes por dia?
Derek: — Não, não sabia, mas e dai?
Pedro: — E dai que isso faz pensar... Porque mentimos, porque você mente?
Derek: — Eu não sei, talvez para nos mantermos bem emocionalmente para-nos mesmos e para os outros a nossa volta.
Pedro: — Ta mais, por que sempre queremos esconder as coisas?
Derek: — Talvez por que a vida seja difícil.
Pedro: — Talvez? A vida para uns é uma experiência incrível cheia de arco íris e flores bonitinhas e para outros, uma causa sem razão, por quê?
Derek: — Hã... Quer mesmo conversar sobre isso? Quer dizer se vamos, vou precisar de mais uma taça (risos).
Domingo 23h45min
Derek: — Pra mim a vida é difícil, pois o mundo é vago e sem pretexto.
Pedro: — E porque acha isso senhor alma corrompida?
Derek: — Me responda você, porque você vive? Como você explica um motivo para estarmos aqui?
Pedro: — Com “aqui” você abrange o mundo ou o porquê de estarmos nesse bar?
Derek: — Os dois.
Pedro: — Você me conhece, alem do motivo da faculdade estar nos matando, precisarmos de grana e de um emprego melhor, bem acho que é por isso que vivemos. Já o motivo de estarmos neste bar é porque a cerveja é barata e cinema é caro de mais.
Derek: — É disso que estou falando, sem nexo, a vida parece tão complexa e agradável, mas na verdade ela é muito simples, nascemos, crescemos, lutamos um contra os outros na juventude para que na vida adulta tenhamos um mínimo de conforto, alguns têm família outros não, envelhecemos e bem... Morremos.
Sem motivos claros, estamos aqui para apenas isso.
Pedro: — Apesar de tudo viver tem suas vantagens não?
Derek: — Tipo quais?
Pedro: — Nos temos um copo de cerveja na mão, isso já não basta?
Derek: — Quero um motivo menos superficial.
Pedro: — Ah você quer falar sobre coisas superficiais? Logo você, que não vive um dia sequer sem seu celular ou computador, usa tênis vans, não por que acham eles bonitos e sim por que eles estão na moda, me diga o que é mais difícil, escolher a garota que vai sair pelo tamanho dos peitos dela ou se ela vai te dar no primeiro encontro?
Eu, você, o mundo somos pura superficialidade.
Mesmo assim essas coisas não deixam de serem boas, não é verdade?
Domingo 23h55min
Derek: — Essas coisas nos distraíam, pra mim não me basta.
Pedro: — E o que você quer? Que Deus te de os motivos certos?
Derek: — Talvez Deus seja a escolha certa no momento pra preenchermos esse vazio.
Pedro: — Não coloque essa pressão toda nele.
Até por que se nossos pais são nossos exemplos de Deus e nos abandonaram... Como você descreveria Deus?
Domingo 23h59min
Ali, Pedro me deixou sem ter muito que dizer, mas como sempre o vazio não era tão grande com quatro taças de cerveja e suas palavras de impacto.
Segunda 00h00min
Pedro olhou o relógio em seu pulso, deu uma risadinha de lado, deixou umas moedas sobre a mesa e disse:
Pedro: — Não importa onde iremos chegar psicótico, já é segunda feira e até sexta, vamos morrer cada dia um pouquinho. Até a próxima.
Derek: — Se você esta dizendo... Até.
Então, foi embora, eu ali parado no ultimo gole da minha cerveja barata, pego minhas chaves no bolso e risco na mesa de madeira: “The life is not so difficult, in bar table”.
Pois bem, já era hora de ir... Afinal, já é segunda feira.
Autor: Vinicius Emidio dos Santos
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