The last bar
2 Fake hope
Notas iniciais
“The last bar II: Fake hope”
Domingo 23:00h
Que tempinho horrível… Incrível como esse bar continua cheio apesar do clima, pelo menos com a chuva, os rostos desesperados e sem esperança, combinam perfeitamente. Igual a um clichê, Shakespeariano.
É estranho, mas em lugares assim sinto algum tipo de transe que me faz sentir melhor, olho as pessoas aqui e penso “Nossa, eu achava que estava na merda”.
Mas me comparando com os bêbados ao meu redor, diria de uma forma arrogante que sou o próprio Moises abrindo o mar para os mais fracos.
Domingo 23h00min
Derek: — Chegou, estranho, ele não costuma se atrasar.
Pedro: — Olha ele ai, o psicótico, tá atrasado.
Derek: — Desculpa o atraso, essa chuva causou o maior trânsito. Mas não vamos fazer drama, já que não tem muitos motivos pra chegar no horário nesse bar.
Pedro: — Deixa isso pra la, e então como que você esta? Melhor que na semana passada?
Derek: — Ah, você sabe, o mesmo de sempre e você?
Pedro: — Estou bem... Como quase sempre.
Derek: — Você esta com um sorriso estranho, o que houve?
Pedro: — Nada de mais, seria estranho confessar que me sinto ótimo em bares como esse?
Derek: — Antes de entrarmos nessa discussão quero uma cerveja, por favor.
Pedro: — Você quem manda.
Domingo 23h35min
Derek deu um grande gole antes de responde, mal sabia ele, mas aquele gole, já era sua resposta.
Derek: — Pra ser sincero, qualquer pessoa que se sinta bem em um lugar desses precisa de remédios.
Pedro: — Porque acha isso?
Derek: — Essa pergunta é seria? Esse lugar exala a desesperança e empatia, eu não sou nenhum especialista, mas, não acho que tem maneiras de se sentir a vontade aqui.
Pedro: — Esperança... Tá aí algo que nos falta não? Você se lembra da ultima vez que sentiu esperança?
Derek: — Acho que foi quando terminamos o colégio, quando finalmente estávamos com 18... Foi quando o ar cheirava a liberdade, não devia mais nada a ninguém e que o mundo iria nos receber de braços abertos.
Igual aquele musica do nirvana sabe? “Smells like teen spirit” (Cheira a espírito jovem).
Pedro: — E foi o que aconteceu?
Domingo 23h45min
Derek: — O que você acha?
Pedro: — Bom, eu acho que não foi o que aconteceu.
Derek: — Parabéns, senhor Sherlock Holmes.
Pedro: — Mas qual seria a definição de esperança?
Derek: — Sabe aquele desanimo insuportável que sentimos quando o despertador toca de manhã? Aquilo que nos faz levantar é a esperança.
Quando ligamos a TV no jornal e vemos que um “ricaço”, que ira doar milhões para qualquer instituição de qualquer doença infantil, sinto esperança no mundo.
Pedro: — Que palavras bonitas, psicótico.
Derek: — Às vezes eu não falo tanta besteira, e pra você, o que é esperança?
Pedro: — Esperança é o que eu sinto a cada gole dessa cerveja. Vou te contar uma historia psicótico.
Quando eu tinha meus 15 anos eu namorava a Estther, você lembra-se dela né? Então ela era uma garota horrível e chata, os melhores assuntos dela era conversar sobre a nova cor que pintou a unha, ou zombar de suas “melhores amigas” pra mim, mesmo assim eu saia com ela, lhe dava presentes, a levava ao cinema.
Sabe por que fazia isso psicótico?
Derek: — Por quê?
Pedro: — Porque eu tinha a esperança que um dia, eu iria meter nela. E tudo valeria a pena.
Derek: — Haha, palavras muito bonitas as suas também.
Pedro: — Mas se eu não tivesse transado com a Estther? A minha esperança teria sido falha?
Derek: — Seu caso com a Estther foi puro interesse e não esperança.
Pedro: — Esperança e interesse são como nos... Amigos de infância, sempre andam juntos.
Domingo 23h55min
Derek: — Eu acho que uma coisa, não tem nada a ver com o outro Pedro.
Pedro: — É só pensar, por que você acha que as pessoas vão à igreja?
Derek: — Vão para rezar claro.
Pedro: — Exato, a igreja vende a esperança, a esperança de que seus desejos vão se realizar, se rezam, é porque querem algo, se querem algo tem interesse, então fazem promessas e afins... Com as esperança e o interesse em seus sonhos.
Derek: — Então você quer dizer que a esperança não existe?
Pedro: — Não, ela existe sim, mas é surreal, se quiser podemos ser cultos e chama La de “Fake Hope”.
Derek: — Eu não sei o que dizer, quer ter uma esperança que ainda exista a real esperança.
Pedro: — Psicótico, então me diga, como pode ter certeza, que aquele “ricaço” que vai doar milhões para alguma instituição, esta fazendo isso de coração e colocando esperança real no coração de cada criança que esteja morrendo, ou só esta fazendo isso para ganhar notoriedade na mídia e se tornar uma subcelebridade, por puro interesse?
Domingo 23h59min
Derek ficou pasmo, igual semana passada, eu me sentia como um traficante que a cada palavra que dizia, era uma droga diferente que lhe oferecia... Ele usava... E “BUUM”, sua mente explodia.
Segunda 00h00min
Pena que já era hora de ir.
Pedro: — Derek, fomos criados termos esperança, esperança em sermos um dia estrelas do rock, astros de cinema e grandes escritores, mas adivinhe, nos não somos e nunca vamos ser. Quanto antes aprendermos isso... Mas fácil será.
Até semana que vem Psicótico.
Derek: — Até, afinal... Já é segunda-feira.
Autor: Vinicius Emidio dos Santos
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