The last bar

3 Let it slide, your soul free


Notas iniciais
Fim da história, com conversas sobre liberdade da alma.

The last bar III: Let it slide, your soul free”

Domingo 22h40min

Derek:

Mas um domingo e estou indo para aquele bar, que vergonha, sou adulto e não condigo lidar com meus próprios problemas, por isso procuro refúgios, sou fraco, preciso de vícios.

Tudo isso para me sentir pior com as palavras de Pedro, estranho, a principal intenção em sair com ele, era me sentir melhor.

Agora não há mais volta, já estou dentro do taxi, a cada freada brusca que esse senhor dá (taxista), rezo para que ocorra um acidente, o seguro do meu emprego paga dois anos de salários para minha esposa, em caso de morte.

Eu não tenho esposa, mas, essa seria uma bela desculpa, para não falar que só queria ver a morte de perto.

Domingo 22h40min

Pedro:

Finalmente, o fim de noite do domingo, vou encontrar Derek e lhe dar um soco da mente. Ele deve estar vindo de taxi, ele tem sorte, quer dizer... Privilégios, sorte é uma coisa muito diferente.

Eu adoro aquele bar, sinto liberdade, minha alma fica livre, afinal, o que pode ser melhor do que um amigo e taças de cerveja, as coversas melancólicas e desgastantes.

Isso é viciante, lembram às pessoas, viciadas em dinheiro, drogas, sexo. Mas quem sou eu para julga-los? Até por que, quem não gosta de vícios? Eu amo ser um viciado.

Domingo 23h00

Pela primeira vez, eu e Pedro chegamos no horário, sem atrasos.

Pedro: — Vejam sós, chegamos juntos.

Derek: — Você tem talento em dizer coisas obvias não?

Pedro: — Haha, é isso aí, gosto de reafirmar as coisas, me faz bem.

Derek: — Como de praxe, você esta bem?

Pedro: — Melhor impossível, e você psicótico?

Derek: — Sim, muito bem.

Pedro: — Seria indelicadeza lhe apontar o dedo, e dizer que esta mentindo?

Derek: — Acho que não, aponte se quiser, gosto de mentir, me faz bem.

Pedro: — Esquece, não costumo julgar as pessoas, principalmente em um “lar”.

Derek: — Lar?

Pedro: — Essa é a terceira vez que vemos a este bar, já podemos o chamar de lar não?

Derek: — Talvez, meu pai trabalha a semana toda, aos sábados ia beber com os amigos, ficava somente o domingo comigo e com meus irmãos, mesmo assim, chamava nossa casa lar.

Domingo 23h20min

Pedro: — Nossos pais tinha liberdade.

Derek: — Será mesmo? Meus pais se casaram quando tinham 22 anos, eu nasci quando eles tinham 24, desde então eles tiveram que cuidar me criar, viver em serviço de alguém, isso é liberdade?

Pedro: — Acho que não, por isso nunca vou entender por que as pessoas têm filhos.

Derek: — Deve ser por que elas acham que com filhos estarem completas, como se o papel delas na vida fora completo.

Pedro: — Isso é loucura, ter um filho para preenche o vazio da alma, assim deve ter nascido o ditado: “As coisas que você possui, acabam te possuindo”.

Derek: — Mas de certa forma, precisamos preencher esse vazio não?

Pedro: — Sim, cada um faz o que bem entender, com esse “vazio”.

Domingo 23h35min

Derek: — O que você faz para preencher?

Pedro: — Você sabe, tomando essa cerveja com você agora, já é pó primeiro passo.

Derek: — Acho sua resposta assustadora.

Pedro: — Por quê? Meu pai dizia que a vida era feita de cinco coisas: beber, comer, fumar, foder e querer sempre mais.

Derek: — Seu pai deve ter sido um grande homem (risos).

Pedro: — O seu também.

Derek: — Merda, amanhã já é segunda feira de novo.

Pedro: — É isso, se fossemos livres, não haveria segundas, terças etc. Todos os dias, seriam domingos como este.

Derek: E por que será que não somos livres?

Domingo 23h45min

Pedro: — Psicótico, desde que nascemos somos criados cheio de padrões e regrinhas, não existe liberdade.

Derek: — Não, a liberdade existe sim, só precisamos conquista La.

Pedro:- E como sugere que façamos isso?

Derek: Eu não sei você que é o cara das ideias.

Pedro: — Teríamos que voltar no tempo, e nos perguntar o porquê nos ensinaram coisas que não queríamos aprender.

Derek: — Porque era obrigatório, todos passam por isso.

Pedro: — Exato o que obrigação tem haver com liberdade? Ninguém é perfeito, se pedir a um macaco que suba em uma arvore, ele fará perfeitamente, mas obrigar lo a pegar um peixe num rio e esperar que faça corretamente, é idiotice.

Derek: — Foi por isso que sempre pensei que seriamos livre depois do colégio.

Domingo 23h55min

Pedro: — Quando percebeu que não?

Derek: — Não sei direito, percebi que não estou em um prego que gosta não faço o curso que gostaria na faculdade, não tenho tempo de ir ao cinema como antes. E tudo isso por obrigação.

Pedro: — Porque é obrigação?

Derek: — Porque precisamos de dinheiro, ter uma vida pré-estabelecida.

Pedro: Você só pensa no lado financeiro... (risos)

Domingo 23h59min

Pedro: — Dinheiro não é tudo psicótico, não me surpreende você ser tão controlador.

Derek: — Espera um pouco, eu controlador? Sei mais do que ninguém que dinheiro não é tudo, então não me venha com essa de “controlador”.

Segunda 00h00

Pedro: — Não quero conversar sobre isso psicótico.

Derek: — Mas eu quero. E não me chame de psicótico.

Pedro: — Porque toda essa revolta toda? Foi só porque te chamei de controlador?

Derek: — Não só por isso, há três semanas, e você só fala besteira nessa droga de bar. Você não tem sido muito legal Pedro.

Pedro: — Se você esta dizendo...

Então Pedro se levantou e começou a caminhar pra fora do bar.

Segunda 00h05min

Enquanto caminhava, tive vontade de bater em sua cara, queria destruir todas aquelas lindas praias cariocas que nunca conheceria, queria enfiar uma flecha na cabeça de cada urso panda que não se esforçava pra salvar sua espécie. Eu queria respirar sangue.

Derek: — Espera ai, aonde você vai?

Pedro: — Venha comigo Derek, estou de carro, posso te dar uma carona... Se quiser.

Segunda 00h10min

Estávamos em seu carro cheirava a cigarro e gasolina, combinação estranha e perigosa, Fiquei o inicio do trajeto em silencio, meu cérebro estava se dedicando a ignorar a vontade de brigar com Pedro.

Pedro: — Derek, o que você gostaria de fazer antes de morrer?

Derek: Não sei, por que da pergunta?

Pedro tirou o sinto de segurança, olhou para mim e soltou as mãos do volante.

Segunda 00h20min

Eu entrei em pânico, o carro começou a inclinar para esquerda, os outros carros buzinavam, íamos bater. Fiquei surpreso com minha reação, normalmente eu gritaria, não saberia o que fazer. Mas, era vida ou morte.

Segurei o volante, era muito complicado fazer isso do lado passageiro.

Derek: — Você ta ficando maluco? Pega esse volante Pedro, que DROGA.

Pedro começou a rir... Esse cara era doente.

Derek: — Do que você esta rindo? Para com essa merda.

Pedro: — Não, não, olha só pra você, parece uma dama inglesa que viu um bordel pela primeira vez, assustado, com medo, para com isso.

Derek: — Foda-se, Foda-se você, Foda-se a vida, Foda-se a esperança, a liberdade, eu to cansado dessa merda.

Pedro: — Tá bom cara. (risos)

Derek: — Para de fazer merda e pega logo esse volante.

Pedro: — Cala essa boca, quando você vai entender? Primeiro você tem que escutar e entender, depois falar e agir, primeiro você tem que fazer rir, pra depois dar risada.

Porque você acha que vínhamos a esse bar? Porque acha que venho tentando abrir seus olhos?

Derek: — O que? Do que você esta falando?

Pedro: — Você é ridículo, você e a porra do mundo. Para de ser tão travado. Para de tentar controlar tudo e deixa rolar.

Derek: — O que?

Pedro: — DEIXA ROLAR!

Porque não? Nada iria mudar, nunca ouvi duas palavras tão libertadoras, senti prazer, alegria, crueldade.

Senti que não devesse mais nada a ninguém, senti como se não precisa se ter um cérebro perfeito, porque meus professores diziam que deveria ter, não deveria ter um corpo perfeito e sarado, porque as propagandas das cuecas “Calvin Klein” me disseram pra ser. Eu respirava fumaça.

Nada importava mais, Pedro estava sem as mãos no volante, poderíamos bater ficar gravemente feridos, até morrer, tanto faz quem liga? Eu não.

Afinal... Já é segunda-feira, e decidi que vou deixar rolar.

FIM.

Autor: Vinicius Emidio dos Santos

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.