Cena 1 (na casa do pai de Castle)

Jack: Bom dia.

Castle: Bom dia.

Jack: Ninguém ainda?

Castle olhava ansioso pela janela. Tinha acordado cedo para vê-las.

Castle: Não.

Jack: É cedo ainda. Bom, eu vou ter que sair, fazer umas pesquisas no nosso caso.

Castle: Certo. Aonde vamos primeiro?

Jack: Eu vou. Você fica.

Castle: O que? Você acabou de dizer “nosso caso”.

Jack: Isso mesmo. E o seu papel é não aparecer.

Castle: Isso ta ficando cada vez mais chato.

Jack: Filho, confie em mim. Por favor. É a única coisa que eu te peço.

Castle pensou por um minuto. Não tinha outra opção, afinal.

Castle: Tudo bem. Eu confio em você. Mas me mantenha informado.

Jack: Ok.

Jack saiu e quando começou a trancar a porta...

Castle: O que? Você vai me trancar aqui?

Jack: Você confia em mim, mas eu não confio em você...

Jack trancou a porta e saiu.

Castle: Engraçadinho.

Castle voltou os olhos para a sala de sua casa e avistou Martha, Alexis e Jim tomando café da manhã.

Castle: Elas estão bem. Que alívio! Mas... cadê a Kate? Talvez ela ainda esteja na cama. Não vou desgrudar os olhos até vê-la.

E as horas foram se arrastando... Enquanto isso...

Cena 2 (na delegacia)

Esposito (chegando): Kate? Desde que hora você está aqui?

Kate: Cheguei ainda de madrugada. Não consegui dormir.

Esposito: Entendo. Alguma notícia?

Kate: Não... Javi, eu não entendo. Se eles estão com Castle, por que não entrar em contato?

Ryan (chegando): Talvez pra isso.

Kate: Isso o que?

Ryan: Te torturar.

Kate: É visível, não é?

Ryan: Kate, você o ama. Nós sabemos que está sofrendo.

Kate: Eu nem sei como consegui sair da cama. Mas eu preciso ter forças. Eu preciso saber que ele está bem.

Esposito: Nós procuramos nos contatos de Bracken, mas meu Deus, esse homem tem contatos com metade do país. Vai ser difícil encontrar um suspeito.

Ryan: Não temos pista nenhuma, não é?

Kate: Não... a não ser que...

Esposito: O que?

Kate: A prisão. Se Bracken é o mandante, alguém deve ter se encontrado com ele na prisão.

Ryan: Eu vou checar isso.

Kate: Lanie está checando as digitais na carta.

Esposito: E nós vamos continuar procurando. Uma hora encontraremos esse cara.

Depois de longas horas...

Kate debruçou-se sobre a mesa. Olhou a cadeira vazia onde ele se sentava e ficava a observá-la. Como ele fazia falta! Tinha dito tantas vezes que a deixaria, partiria para outros projetos. Mas Nikki Heat nunca saiu de sua mente. E Kate de seu coração. Ela sabia disso mais claro do que nunca agora. E como ele fazia falta!

Lanie: Kate?

Kate (levantando-se): Lanie! Me diz uma boa notícia, por favor.

Lanie: Sinto muito, querida. Só encontrei as suas digitais na carta.

Kate deu um suspiro cansada.

Lanie: Acho melhor você ir para casa. Já está anoitecendo. Amanhã vocês recomeçam.

Esposito: Lanie tem razão. Na prisão disseram que o guarda que cuidou da última visita que Bracken recebeu estava fora da cidade. Só amanhã para Ryan encontra-lo. E quem sabe talvez eles entrem em contato com você.

Kate: Vocês estão certos. Eu queria ficar mas não tenho forças. Amanhã recomeçamos.

Cena 3 (na casa do pai de Castle)

Castle: Ei, você demorou!

Jack fechou a porta.

Castle: E aí?

Jack: O caso é complicado. Muita gente envolvida. Teremos que ir com calma.

Castle: Calma? Eu não tenho calma. Eu quero que elas saibam que eu estou aqui!

Jack: Elas vão saber, Richard. Eu disse que é complicado, mas não sem solução. Sente-se.

Castle sentou-se ao lado do pai.

Jack: O carro que te seguia era um carro oficial.

Castle: Do senador Bracken.

Jack: Isso. Exceto pelo fato dele não ser mais senador. O que, teoricamente, tira-lhe o direito de ter em mãos um carro oficial.

Castle: Seria então mais alguém no poder...

Jack: Eu comecei pelos membros do partido. Alguém que se privilegiaria muito com a eleição do senador à presidente.

Castle: E encontrou alguém?

Jack: Bracken tinha muitos contatos. Mas um deles me chamou a atenção (mostrando uma foto) Steve Jordan, braço direito do senador e forte candidato ao cargo de Ministro das Relações Exteriores.

Castle: Isso envolve muito direito e poder.

Jack: Sim. Já comecei pela ficha dele e, olha, tem muita coisa ruim no meio. É o tipo de pessoa que chega ao poder tirando todos de seu caminho.

Castle: E Kate tirou a peça chave da sua nomeação a ministro.

Jack: Steve não é bem visto pelos outros membros do partido. Sem Bracken ele não chega nem perto do tão almejado cargo.

Castle: Então acho que estamos no caminho certo.

Jack: Eu espero que sim.

Castle lança mais um olhar para a casa.

Jack: Você olhou o dia todo?

Castle: Sim... minha mãe e Alexis parecem bem. Mas não saíram o dia todo.

Jack: Elas estão se precavendo.

Castle: Mas Kate não apareceu o dia todo... deve estar arrasada na cama...

Jack: Aposto que ela saiu cedo.

Castle: Não, eu teria visto.

Jack: Beem cedo.

Castle: Pra onde ela teria ido?

Jack: Para a delegacia, talvez?

Castle: Mas eu morri ontem! Por que ela iria trabalhar hoje?

Jack: Você acredita mesmo que ela ainda não sabe que você não estava naquele carro?

Castle o olhou surpreso.

Jack: Richard, ela é policial! Os melhores amigos dela são dois detetives e uma médica legista. O que você acha que ela deve estar fazendo?

Castle: Investigando meu acidente, claro!

Jack deu um suspiro.

Castle: Vem cá, essa coisa de adivinhar tudo... é algum truque? Porque você poderia me ensinar isso.

Jack: Eu vou tomar um banho e dormir. E deixar vocês dois a sós.

Castle: Nós dois quem?

Castle lança o olhar para a janela de novo e vê Kate entrando em casa. Linda, misteriosa e triste.

Cena 4 (na casa de Castle)

Kate: E eu não tenho mais nada a dizer para vocês. Nossa única pista por enquanto é o carcereiro que tirou Bracken da cela na última segunda-feira para um encontro, mas Ryan não conseguiu encontrá-lo hoje.

Kate tinha um tom sombrio, de impotência.

Martha: Querida, nós confiamos em você. Sabemos que está fazendo o seu melhor.

Jim: Você deve descansar por hoje. Amanhã é outro dia e novas pistas podem surgir.

Kate fez que sim e saiu para o quarto.

Castle observava tudo de longe. Queria tanto poder abraçá-la, dizer que a amava e que estava ali. Sempre. Sempre ali do seu lado. Desejou que Kate ficasse na sala por mais uns minutos. Como era ruim perdê-la para os outros cômodos da casa. Mas ela não voltou...

Mais tarde, no quarto de Castle...

Alexis: Kate?

Kate: Oi Alexis.

Alexis: Posso entrar?

Kate: Claro.

Alexis: Você está bem?

Kate: Sim. Quer dizer... não sei.

Alexis a olhou nos olhos.

Kate: Não, eu não estou bem. Eu sinto tanta falta dele.

Alexis: Eu sei.

Kate: Eu me sinto tão culpada...

Alexis: Não é sua culpa. Quer dizer, você não é o tipo de mocinha que aparece livre de problemas...

Kate esboçou um sorriso, e Alexis sorriu de volta.

Alexis: Uma vez meu pai me disse que estava cansado das mesmas coisas. As mesmas festas, as mesmas mulheres. E então você apareceu. Você é diferente, Kate. Você nunca vai ser igual a elas. E é por isso que ele te ama tanto. Você é a grande diferença da vida dele.

Kate: E isso foi bom? Porque até agora eu sinto que só o coloquei em perigo.

Alexis: Você não o colocou. Ele foi porque quis. Porque “te” quis. Quando vocês começaram a namorar eu tive tanto ciúme. Eu nunca tinha sentido isso com nenhuma namorada do meu pai. E sabe por que?

Kate: Não...

Alexis: Porque eu sempre soube que você era a mulher certa. As outras entravam e saíam e meu pai sempre era o mesmo. Você não. Eu sempre soube que você ficaria. E eu confesso que tinha medo disso. Mas quando eu vi o quanto meu pai estava feliz, eu não tive mais medo. Eu quero você aqui, Kate, fazendo-o feliz.

Kate: Obrigada, Alexis. Você não sabe o quanto é importante ouvir isso de você.

Alexis: Eu confio em você, Kate. E eu sei que você vai trazê-lo de volta.

Kate sorriu e as duas se abraçaram. Depois que Alexis saiu, Kate se deitou. Como aquela cama era grande sem ele! Na noite anterior, no pouco que tinha dormido, Castle apareceu em seus sonhos. Abraçou-a, beijou-a e amou-a do jeito que só ele sabia. Kate sorriu triste, abraçou o travesseiro e dormiu com o cheiro do seu amor.