Notas iniciais
Como prometido o segundo capítulo, desculpem a demora, estive um pouco ocupada. Boa leitura *-*

Kanda Yuu POV

Fecho o livro e o coloco no criado mudo, tch, ela realmente poderia pensar um pouco antes de agir, não aguento mais ficar na enfermaria. Levanto-me para pegar água, faz quatro dias que Fuyuki está desmaiada e ainda nenhuma mudança, Akihiko requisitara um curandeiro para ajuda-la, porém não fez nenhuma diferença, de acordo com ele, o corpo dela precisava recuperar toda a energia que havia perdido, e isso era algo que só poderia fazer sozinho. Nesse meio tempo Bookman e Lavi haviam recebido alta, e foram levados diretamente para interrogatório, uma vez que descobriram seu paradeiro, Leverrier se virou contra Fuyu, ele exigiu que o revelasse como fomos capazes de resgata-los, porém Akihiko se intrometeu e declarou que nada seria dito até sua irmã estar recuperada.

Algo "se mexe" no fundo de minha mente, reconheço imediatamente a sensação, viro-me para Fuyuki e vejo pelo aparelho que sua frequência cardíaca está aumentando, ela está acordando. Ela pisca algumas vezes e sua mão se abre e fecha, respirando fundo, a morena finalmente abre os olhos.

Fuyuki-sama! O curandeiro surge, parecendo aliviado, ela olha para ele, mas volta a fechar os olhos em seguida.

Sua mente está tão esgotada quanto seu corpo, seu único desejo é voltar a dormir, tudo dói e ela se sente confusa, quase como se ainda estivesse sonhando, aproximo-me de sua cama, sentindo minha presença, ela abre os olhos.

Yuu. Sua voz é quase inaudível. — Quanto tem...

4 dias. Respondo mentalmente. — Não tente falar.

— O que… Mesmo não tendo que falar, ela ainda precisa se esforçar para fazer sentido.— houve?

Kanda-dono. Volto minha atenção ao curandeiro. — Vou examina-la, poderia aguardar lá fora por alguns instantes, por favor?

Aquiesço e saio, encosto-me a parede, olhando o corredor, pelo pouco que pude ver, Fuyuki realmente está fraca, das outras vezes em que ela esteve mal, eu ainda não era seu guardião, contudo, não me lembro de tê-la visto tão frágil antes.

Sua mente havia ficado completamente inacessível durante este tempo, descobri através dos livros que isto só acontecia em casos extremos. Quando o compatível ao coração estava desmaiado, ele ainda era detectável para seu guardião, porém quando ele atingia um ponto de extrema exaustão, sua mente se desligava por completo, nesse caso ele ficava inacessível.

Kanda! Akihiko corre em minha direção parecendo transtornado. — Ela realmente acordou?

Sim, mas não ent…

Você precisa tira-la daqui! Arqueio uma sobrancelha, eu achei que ele iria invadir o quarto e não me pedir para retira-la. — Estou falando sério, Kanda. Fuyuki está correndo perigo, você precisa pegá-la e sair daqui agora mesmo, eu vou tentar ganhar o máximo de tempo possível.

O que está acontecendo? Indago já planejando a fuga.

Minha família, eles estão aqui. Tsk, isso era problemático, nem Akihiko poderia para-los. — Mesmo sendo o líder da família, o caso dela não é aberto a discussão, se descobrirem…

Então não sabem?

Não, por favor, proteja-a. Ele se dobra ao meio, pisco surpreso, parece que o caso é pior do que eu pensava.

Eles estão vigiando os portais? Ou devemos ir pela floresta? Questiono, ponderando minhas opções.

Usem um portal, de lá, corram para qualquer lugar e se escondam, não voltem! Ele enfia a mão no bolso e tira um saco me entregando. — Aí tem dinheiro o suficiente para se virarem por algum tempo, vocês terão que desativar os golens novamente, não tentem nos contatar, darei um jeito de encontra-los quando for seguro.

O moreno parece querer falar muito mais, contudo ouvimos a porta abrindo, ele se vira, porém parece prestes a chorar.

Seja rápido. Dito isso, ele corre para longe, suspiro, parece que não tem outra opção.

Kanda-dono, o estado de… Acerto o curandeiro o nocauteando, entro no quarto, Fuyuki parece adormecida.

Pego a bolsa com seus pertences que Layla havia trazido alguns dias atrás, visto meu casaco que está na cadeira, passo a alça da bolsa pelo braço e pego Fuyuki no colo, ela abre os olhos.

Yuu!? Ela me encara sem entender e olha para a enfermaria enquanto saímos. — O que estamos fazendo?

Indo embora. A morena pisca diversas vezes.

Onde… Ela faz uma pausa para respirar, seu rosto está desprovido de cor. — Estamos indo?

Qualquer lugar. Fuyuki ri, fechando os olhos ela encosta a cabeça em meu ombro.

Parece um plano.

Surpreende-me a facilidade com que ela aceita o fato, porém noto que ela nem mesmo compreendeu do que se trata, sua mente está tão cansada, que simplesmente aceita qualquer explicação. Muitas pessoas nos encaram enquanto passamos, porém nenhuma nos interrompe, finalmente chegamos aos portais, entro no mais próximo sem dar tempo aos guardas de tentar nos impedir.

Saímos em uma igreja, ignoro as pessoas que tentam falar conosco e saio o mais rápido possível, preciso colocar o máximo de distancia possível entre nós e este portal. Fuyuki dormira, alheia ao perigo que está correndo, realmente despreocupada, penso rindo.

A cidade em que estamos não parece muito grande, sigo sem um rumo certo e percebo logo a mudança no cenário, o arredor da cidade é constituído por grandes fazendas e plantações. Não é uma boa área para se esconder, se eles decidirem mandar pessoas atrás de nós, sem dúvida nos encontrarão por nossa descrição, precisamos de um lugar onde passemos despercebidos.

Finalmente chego a outra cidade, esta tem uma aparência menos rural, creio que não chamaremos tanta atenção aqui, olho para o comércio em busca de algo que me indique em que país estou, tudo está em inglês, então não teremos problemas.

Encontro um hotel e nos hospedo, Fuyuki continua profundamente adormecida, me pergunto por quanto tempo ela continuará assim, teoricamente ela já havia se recuperado, uma vez que tinha acordado.

Yuu… Viro-me para a cama, não havia reparado que ela estava acordada. — Onde estamos?

Finalmente ela parece mais acordada, ainda se sente fraca e dolorida, mas sua mente ao menos está mais clara, porém ela mal se lembra do que acontecera antes, nem que esteve dormindo por quase 10 horas.

Em um hotel em alguma cidade ao sul da Inglaterra.

E o que estamos… Sua frase é interrompida por um bocejo. - Fazendo aqui?

Nós fugimos.