Notas iniciais
Boa leitura ; )

Não acredito! Digo suspirando. — Jamais imaginei que ele me seguiria até lá.

Ainda parecia inacreditável que o Apocrypho havia ido até a Ordem, atrás de mim, quer dizer, ele só me atacara quando eu estava fraca e não havia ninguém por perto, até agora eu não entendera o porquê, afinal ele foi capaz de derrotar todos os meus amigos, ainda assim, não achei que ele iria voltar a Ordem para me caçar, fecho os olhos me jogando na cama, por que não posso parar em nenhum lugar? Já estou tão farta de fugir.

Ainda não podemos parar. Abro os olhos e viro a cabeça para o lado do moreno. — Ele sem dúvida irá nos seguir, precisamos colocar o máximo de distância possível entre ele e nós.

Aquiesço, suspiro novamente e fecho os olhos, de novo em fuga, mais uma vez sou arrastada para uma situação além do meu controle, novamente jogo Kanda em perigo e o faça largar tudo para vir em meu socorro, outra vez coloco meus amigos em uma situação delicada, já que o Apocrypho é bem capaz de se virar contra eles para tentar chegar a mim. Impulsiono-me, levanto e vou até a minha bolsa, acho um vestido cinza de lã e meias brancas 7/8, bom, decidido o que vou vestir, penso pegando tudo e carregando comigo para o banheiro.

Uso o tempo do banho para pensar sobre minha situação, sei que me lamentar não ajudará em nada, mas não consigo deixar de me sentir amargurada, tento afastar todos os sentimentos e pensamentos ruins que estou tendo e me concentro no que poderemos fazer de agora em diante. Obviamente vamos fugir, porém me nego a correr de um lado para outro sem nenhum propósito, lembro-me do sonho, ainda preciso entender o que ele significa, e descobrir o que significa o mundo ser destruído não importa qual dos lados ganhe. Como seria possível destruir ambos os cristais, e por que eu? No final ela não me explicou nada, meio Ichinose, meio Noah, mas isso Natsu e Aki também são, o fato de eu não ter sido escolhida para sincronizar, então também poderia ser Natsu, nada parece único em mim, não consigo imaginar um motivo que faça com que eu seja a escolhida. Não me destaco em muitas coisas, qualquer exorcista é mais forte que eu, não gosto de lutar e nem de violência, meus irmãos tem dons incríveis, enquanto eu era tão doente que só sobrevivi graças à inocência, simplesmente não consigo ver o que me faz tão "especial", tudo que fiz até agora foi chorar, fugir e me esconder atrás dos outros, não imagino o como isso ajudaria a salvar o mundo.

Canso de dar voltas e não sair do lugar, fecho o chuveiro, me visto e deixo o banheiro, não adianta me debater, não vou chegar a lugar nenhum, então por enquanto, tudo que posso fazer é sair daqui e planejar meu próximo objetivo.

Sabe onde estamos? Indago abrindo a porta, continuo a secar meu cabelo, enquanto guardo minhas coisas de volta na bolsa.

Não. Deixo escapar um suspiro. — Tem alguma ideia de lugar para irmos?

Luto bravamente, contudo, meus pensamentos me traem, eu só queria ir para casa, rio balançando a cabeça, nem mesmo tenho uma casa para voltar, na Ordem todos me odeiam, na mansão Ichinose eu os causaria problemas, no orfanato os colocaria em perigo, acho que nunca me senti tão perdida em toda a minha vida, engulo em seco, obrigando as lágrimas a ficarem longe de meus olhos, acho que se associar a mim virou uma sentença de morte. Lembro-me de Beatrice e não consigo mais evitar as lágrimas, por que tudo tem que ser tão difícil, por que eu machuco aqueles que quero proteger, por que...

Sinto uma mão em meu ombro e viro-me, encostando a cabeça no ombro de Kanda. Não abro a boca, mas nem tem necessidade, ele sabe tudo que estou pensando de qualquer jeito, sinto-me mal por despejar mais coisas em cima dele, afinal, quem realmente tinha que fugir era eu, ele só veio por minha causa, se alguém deveria estar bravo com essa confusão, esse alguém é ele.

Já estou acostumado. Não respondo, obviamente ele não vai concordar que ficar ao meu lado é algo suicida e cansativo. — Fuyu...

Estou bem. Falo, me afastando e enxugando os olhos, não posso lidar com ele me consolando agora, simplesmente me faria sentir ainda mais miserável. — É melhor procurarmos uma estação de trem, podemos entrar escondidos e...

Seu irmão me deu dinheiro. Pisco surpresa, não estava ciente disso. — Foi ele que me avisou sobre o Apocrypho.

Aceno com a cabeça, pego a bolsa e saímos do quarto, do lado de fora está ártico, é incrível ainda não ter começado a nevar, obviamente Kanda me faz ficar com seu casaco, não discuto, não estou no humor para isso. Para nossa sorte a cidade tem uma estação, pegamos o penúltimo horário, que é daqui a uma hora e aproveitamos para comer enquanto esperamos. Uma vez no trem o silêncio continua, simplesmente não consigo me forçar a me animar, decido por vasculhar minha bolsa novamente, Kanda me dissera que Layla a arrumará, então havia grandes chances de ela ter colocado algo para que eu me distraísse, ela tinha essa sutileza. Encontro uma caixa retangular e macia, pego-a trazendo para mais perto para poder analisa-la, o material parece veludo, é preta e lisa, não me lembro de ter nada parecido, porém já vi caixas deste tipo em várias joalherias, abro-a e sinto um nó se formar em minha garganta, não há a menor dúvida de que se trata de um presente de meu irmão, dentro da caixa se encontra uma fina corrente de prata, ao longo dela estão pequenas pedrinhas vermelhas, que pelo brilho suspeito ser rubi, agora o ponto principal é o pingente no centro, reconheço o símbolo sem precisar olhar duas vezes, entalhado em prata está o brasão da família Ichinose. Ao retirar da caixa descubro se tratar de uma pulseira, coloco-a em meu pulso, apreciando sua beleza, sem dúvida é uma joia fina e cara, ouso dizer que talvez até mesmo única, viro o braço e começo a lutar com o fecho, desistindo, estico o braço e peço ao general que me ajude, uma vez devidamente fechada, volto-a para mim, ficou perfeita, o tamanho é exato,o que não chega a ser surpreendente, já que meus irmãos viviam me enchendo de roupas, joias e outros presentes, olho-a, obviamente não vou dizer a eles, mas nenhum presente até agora se compara a este.

Fuyuki. Luto para abrir meus olhos, eu nem percebera que havia dormido, vejo que Kanda está de lado e noto que estou deitada na poltrona, espreguiço-me e sento. — Estamos chegando.

Aquiesço e bocejo, olho pela janela e me deparo com uma verdadeira tempestade, que conveniente, penso rindo, sinto-me melhor após ter dormido, por mais que tenha a impressão de que nos últimos dias não tenho ficado mais do que duas horas acordada. Saímos do trem e paramos na estação para pensar, se pisarmos fora estaremos encharcados antes de dar cinco passos, mas não podemos passar a noite aqui, e pelo que ouvi, todas as carruagens já estão alugadas.

Yuki-hime?! Viro-me descrente, só há uma pessoa no mundo que me chama assim e não acho que a encontraria aqui.