The first snow
37 A única opção
Notas iniciais
Layla Foster POV
Sento-me olhando para o céu, suspiro, acho que já é o suficiente por hoje, estico-me pegando a garrafa de agua e dando um gole.
Quando decido que já descansei o bastante levanto-me, passo meu arco pelo ombro, pego a garrafa e a toalha que havia trazido e volto para casa tranquilamente. Acho que hoje vou roubar Fuyu, ela realmente está melhorando muito com o arco e flecha, talvez ela deva trocar a lança, não é exatamente uma arma fácil, quer dizer a arma é gigante e Fuyu é pequenininha.
Recentemente Fuyuki tem progredido muito, é visível o resultado de seu treinamento, ela está mais ágil e forte, seu equilíbrio melhorou e ela está muito mais concentrada, também aprendeu feitiços incríveis e parece mais decidida e tranquila. Eu havia ficado assustada quando a encontrei alguns meses atrás, Fuyu tinha desistido, ela simplesmente não via mais motivo para lutar ou até mesmo para viver, e isso era aterrorizante, porém algo mudou, ela parece ter recuperado seu brilho e...
— Akihiko?! O moreno está sentado na janela, seu olhar perdido no céu, vendo-o assim, até se parece a uma pintura.
— Layla? Ele se vira para mim. — O que está fazendo aqui?
— Treinando. Respondo apontando o arco com a cabeça, por algum motivo ele parece distante. — E você?
Ele da de ombros, mas ao invés de me irritar, isso me preocupa, o que está acontecendo com ele? Apesar de estar me olhando, o moreno parece não me ver, é quase como Fuyu quando o Apocrypho veio atrás dela.
— Akihiko. Chamo me aproximando. — Hum, Aki?
O moreno não responde, o que me deixa ainda mais inquieta, aproximo-me e balanço a mão em frente a seu rosto, ele olha para minha mão, depois para mim e volta os olhos para o céu. Seus olhos se parecem de vidro, é impossível que ele esteja fazendo isso de propósito, certo?
— Akihiko! Chacoalho-o pelo ombro. — O que houve com você?
— Fuyuki… Ele sussurra, paro de balançar seu ombro e sua cabeça cai para frente, sinto meu coração disparar.
— O que aconteceu com Fuyuki?! Agarro seus ombros, fazendo com que me encare. — Me diga, o que tem a Fuyu?
— O selo… Irritada, chacoalho-o novamente, por que está desse jeito, o que aconteceu a ele também? — Quebrou.
Vejo seus olhos marejarem, assustada recuo um passo, o que isso significa?
— A inocência havia sido selada. Surpreendo-me ao ouvir a voz de Natsumi, logo em seguida a porta é aberta e ela se junta a nós. — A pulseira com o símbolo Ichinose tinha sido enfeitiçada, ela lacrava os poderes da inocência coração. Feitiços de selamento só podem ser desfeitos por quem o fez, ou, por quem o ativou, por essa razão Aki o colocou em uma pulseira, o objetivo era que ele pudesse coloca-la em Fuyu, mas não saiu bem como planejado.
— E o que isso significa? O que aconteceu com a Fuyu? Quem retirou a pulseira? Por…
— Não adianta me bombardear de perguntas, só tenho suposições. Sinto meu coração acelerado, não sei o quão ruim serão, mas pela atitude de Akihiko, só posso esperar o pior. — Fuyuki também não seria capaz de colocar sozinha a pulseira, então pediu a Kanda, sendo assim, foi ele quem a abriu agora.
— Por quê? Indago nervosa, no que ele estava pensando, seria muito melhor se Fuyu continuasse sem a inocência.
— Como te disse antes, só posso lhe oferecer suposições. Creio que a esta altura já tenha compreendido que eles não estão aqui, certo?
Aquiesço, isso é pior ainda, se estivessem aqui, teríamos como ajuda-la, mas eu nem sequer imagino onde Fuyu esteja, e se ela estiver em perigo? E se a inocência coloca-la em perigo?
— Quanto ao motivo, muito provavelmente foi ela que o convenceu. Sinto meus olhos se arregalarem e abro a boca, pronta para retrucar, porém Natsumi levanta a mão me parando. — Kanda pode ser imprudente, mas ele não faria nada que colocasse Fuyuki em risco a toa. Em compensação, ele não seria capaz de negar isso a ela, afinal, o poder é dela por direito.
— Você acha que foi necessário?
— Provavelmente, do contrário Fuyuki nem se daria conta de que a inocência estava selada.
— Mas…
— Não há nada que possamos fazer agora, se é isso que vai me perguntar, contudo, lhe aconselho a estar preparada. Sinto um arrepio pelo tom que a morena usa. — Honestamente não vejo o como isso possa acabar bem.
Tyki Mikk POV
— Desculpe. Murmura a morena apertando as mãos na saia e evitando meu olhar.
— Quem é você? Questiono angustiado, não pode ser ela, de jeito nenhum eu me interessaria pela compatível ao coração. — Qual o seu nome, de verdade?
— Fuyuki... Meu coração despenca, por que logo ela?
- Ichinose!? Pergunto apenas para confirmar, ela anui, desvio os olhos para o chão e rio, definitivamente eu devo ter enlouquecido. — Eu devia ter imaginado.
— Por quê? Ela indaga se inclinando levemente em minha direção, levanto os olhos sustentando seu olhar, aproximo-me, fazendo-a recuar até a parede.
Coloco cada um de meus braços ao lado de sua cabeça, ela desvia o olhar, a máscara não permite que eu veja muito de seu rosto, mas seus olhos deixam transparecer todos seus sentimentos.
— Porque está aqui? Questiono já imaginando o motivo, só gostaria de saber o como ela chegou até aqui. — Bookman?
A morena mantém-se olhando para baixo, suspiro internamente, se a matasse aqui e agora seria o fim da guerra, fácil assim, mas o simples pensamento de feri-la me da náusea. Eu devo ter perdido completamente a cabeça.
— Por quê? Sussurro aproximando-me mais dela, eu a havia seguido até aqui apenas para confirmar minhas suspeitas, se ela de fato fosse a compatível ao coração então eu iria mata-la, mas acho que desde o inicio isso era uma desculpa, no fundo eu já sabia que não conseguiria. — Porque não consigo odiar você?
— Tyki... Suspiro. — Pare de sonhar acordado, TYKI!
Sou atingido na cabeça por Lero, levanto os olhos irritado, porém noto apreensão no rosto de Road.
— Seria bom se prestasse atenção. Diz Lulubell.
— Hunf, não estou a fim de ouvi-los. Falo, querendo despista-los e interrogar Road, não sei por que, mas sinto que o motivo de sua angustia envolva Fuyuki.
— Pare-de-sonhar-acordado! A cada palavra Road me acerta com Lero novamente.
— O mestre nos deu ordem de irmos atrás de Allen Walker, que está batalhando contra o Apocrypho, na companhia da inocência coração. Sinto meus olhos se arregalarem, isso não pode ser.
— É a nossa grande chance, vamos pegar todos de uma vez. Fala Devit fazendo uma dança da vitória.
Olho para Road sentindo meu estômago despencar, como ela permitiu isso? Achei que estivesse protegendo Fuyuki, achei que ela e Wisely tivessem tudo sobre controle. Enquanto os outros se preparam para a batalha, vejo o Knight se aproximando de Road, aproximo-me também.
— Você não disse que a estava protegendo? Seus olhos faíscam de raiva. — Não falou que estava ao lado de Yuki?
— E estou, mas está fora do meu controle se ela sai por aí logo com o 14° e ainda por cima se depara com o Apocrypho. A quantidade de poder que todos eles estão usando é imensa, não há como disfarçar.
— E o que pretende fazer? Ele questiona, tentando se controlar.
— Primeiro temos que ir até lá, não imagino como esteja a situação. Só espero que ela não faça nada idiota.
— Isso já é pedir demais, é de Fuyuki que estamos falando. Fala Wisely se aproximando, estreito os olhos por seu comentário e vejo o loiro fazer o mesmo.
— Você não sabe como ela está? O Knight parece quase em desespero. — Como está a batalha?
— Eu quase não tenho mais acesso à mente dela, isso é uma droga. Diz suspirando. — A batalha está empatada, no limite do possível.
— O que isso significa?! Exijo irritado, porque ele não fala de modo mais claro.
— Os exorcistas se tornaram capazes de contra atacar, mas só a Fuyuki pode derrota-lo. Suspiro exasperado, isso não vai dar certo.
Toraido chama Wisely, todos trocamos um último olhar e seguimos para nossos quartos. Arrumo-me o mais rápido possível, ao me encaminhar para o salão, passo pelo corredor onde tive a confirmação sobre Fuyuki, ainda agora, se fechar os olhos consigo sentir o cheiro de seu perfume. Suspiro, não é hora de ficar distraído, digo a mim mesmo.
Quando chego ao salão a porta da arca já está aberta, todos parecem agitados, porém os motivos não são os mesmos, assim que os gêmeos chegam, atravessamos o portal, finalmente irei revê-la.
Fale com o autor