The first snow
38 Bloqueio
Notas iniciais
— Como ainda está se controlando? Sua mão aperta com mais força, desespero-me tentando fazer com que ele me solte. — Isso não é suficiente?
O Apocrypho aperta ainda mais, sinto todo meu oxigênio indo embora, uma dor infernal se instala em minha cabeça, porém minha consciência vai se esvaindo rapidamente.
Tenho impressão de ouvir meu nome ao longe, não venham, penso inutilmente, todos que tentaram estão agora no chão, ninguém mais precisa se machucar…
— Yuki!
Sinto-me sendo solta, mas antes que despenque no chão, sou segurada, não consigo abrir os olhos, mas não acho que faria diferença, estou tão tonta que não conseguiria ver nada provavelmente. Algum lugar ainda racional em meu cérebro, me diz que tem algo errado, porém não estou apta a tentar descobrir o que é, talvez eu deva me deixar levar, não acho que tenho mais capacidade de lutar agora.
— Tyki! Esse nome faz algo dentro de mim se remexer, por que estão chamando por ele? Eu queria vê-lo.
— Fuyuki—chan, você está bem? Sinto a diferença na temperatura, eu gostava mais do lugar que estava antes, era quentinho.
Uma conversa sem sentido acontece a seguir, sinto uma nova fonte de calor e tento me aproximar dela, o máximo que consigo é fazer minha mão ir se arrastando, contudo, assim que a toco sou mexida novamente, dessa vez para mais perto desta fonte de calor, que também é bem macia pelo jeito, parece até que estou deitada em um travesseiro, esse pensamento me faz sorrir.
É engraçado o como pegamos no sono, começa devagar e quando você vê, já está…
— Fuyuki-chan. Algo molhado atinge meu rosto, abro os olhos com tudo e me deparo com Miranda debruçada sobre mim.
— Miranda? Tento me sentar, porém ela me segura delicadamente pelos ombros, negando com a cabeça. — O que houve?
Minha mente está tão clara e já não sinto mais nenhuma dor, estico a mão tocando meu pescoço, nada, finalmente compreendo, sento-me de supetão, reparando então que estava deitada no colo da Lotto.
— Você não deveria! Seus olhos ainda estão lacrimejados, o que me faz recuar um pouco, sentindo-me culpada. — Desculpa, eu não fui forte o suficiente, a culpa é minha.
— De jeito nenhum! Miranda agarra minhas mãos, fitando-me seriamente. — Você lutou por todos nós, você nos protegeu e nos salvou em mais de uma ocasião, isso…
— Finalmente acordada, coração? Viro-me um pouco atordoada, a pouco mais de um metro de distância está um Noah de braços cruzado.
— Fuyuki-chan! Sou atingida por Road, que se joga em cima de mim. — Eu senti sua falta!
— Road? Ela esfrega sua bochecha contra a minha, pelo jeito isso é um cumprimento comum para ela. — O que fazem aqui?
— Nós sentimos uma quantidade ridícula de energia, ao verificar descobrimos que o Apocrypho, o 14° e a inocência coração se encontravam no mesmo local. Diz Wisely se aproximando, por algum motivo ele não parece muito contente.
— O Apocrypho! Falo, ficando de pé, mas ao me virar, vejo os gêmeos, James e Tyki lutando contra ele. — Eles não vão conseguir, o Apocrypho é forte demais…
— Então vai fazer o que? Indaga Wisely aparentemente bravo. — Voltar lá pra apanhar mais?
Encaro o Noah levemente assustada, por que ele está tão bravo? Vejo um movimento em minha visão periférica, viro-me bem a tempo de ver um dos gêmeos sendo arremessado, ele cai bem perto de Lavi, sinto meu estomago embrulhar, estão todos tão machucados. Corro para acudir os dois, crio um escudo capaz de cobrir ambos e passo a cura-los, contudo, percebo rapidamente que apesar de ter sido curada, minha energia não se recuperou. Respiro fundo, vai ter que dar, penso correndo até os outros, um por um vou arrastando-os até o escudo, mesmo que todos os ferimentos não sejam curado, eles estarão fora de risco.
Noto Jay sendo atingido, meus olhos se enchem de água, mesmo não querendo pensar assim, não posso deixar de me sentir culpada por ele estar metido nisso. Quando o loiro não se levanta, corro até ele, vejo que os outros dois também estão tendo dificuldade na luta, como o Apocrypho pode ser tão forte?
- FUYUKI!
O grito me sobressalta, olho para a direção na qual ele veio, porém a expressão de pânico no rosto de Miranda me diz que estou mirando o lado errado, viro-me apenas a tempo de ver a bola de energia, não da pra desviar, penso colocando-me em frente a James, que eu carregava para perto dos outros.
Quando o impacto não chega, abro os olhos para me deparar com Tyki a minha frente, prendo a respiração, ele cambaleia um pouco e logo em seguida desaba, largo o nii-chan e tento ampara-lo, porém caímos os dois no chão.
- Eu já estou cansado disso, por que não libera seu poder Fuyuki? Crio uma barreira, entretanto o Apocrypho a quebra com um soco, ele para a minha frente, sinto meu coração se acelerar. — Seus amiguinhos não foram o suficiente, seu guardião também e nem mesmo esse Noah...
Ele agarra meu braço, colocando-me de pé a força, sinto meu corpo tremer, do que ele está falando? Ele está machucando meus amigos apenas para me fazer reagir, por que está fazendo isso? A que poder ele se refere?
- O que fez com a inocência? Ele me chacoalha. — Eu posso senti-la em seu corpo, ainda assim ela está completamente inacessível! Como a bloqueou?!
Ele me empurra, recuo cambaleando, eu não fiz nada, não sei do que ele está falando, também não entendo por que não consigo mais encontrar a inocência.
— Eu simplesmente não consigo! Abaixo a cabeça me sentindo impotente, não acredito que ele os machucou tanto apenas por isso.
— Não minta! Ele agarra a gola de minha camisa tirando-me do chão e aproxima seu rosto de modo ameaçador. — Eu sinto, posso sentir a barreira Ichinose que recobre a inocência!
Meus olhos se arregalam, como assim barreira Ichinose?
— Não é você. Seus olhos se estreitam e ele me larga, fazendo com que eu caia sentada. — Então é isso! A inocência está sendo bloqueada por algum fator externo.
— Algo em você... ele abaixa os olhos, me analisando. — Há algo em você que bloqueia a inocência.
Uma aura assustadora recobre o Apocrypho, que me olha com ódio, encolho-me assustada, ele parece estar perdendo o controle.
— Você não me deixa outra opção Fuyuki, é uma pena.
De repente uma forte luz surge onde Miranda e os outros estão, um calafrio percorre minha coluna, viro-me sentindo o ar se tornar ártico e rarefeito.
— Impossível...
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