The Woman Of Mafia
4 I Love Their Provocations
"Eu tive sim, mas sei que não estou sozinho.
Eu sinto que é você quem ilumina meu caminho,
Me olhando com carinho, me leva pra casa...
Segura na minha mão e me abraça,
Me cobre com tuas asas."
— Ivo Mozart
* * *
O céu poderia desmoronar, a terra poderia explodir em mil pedaços. Mas não estávamos ligando no momento. A única coisa que nos importávamos era a batida acelerada da música eletrônica. Annabeth e eu nos movíamos de acordo com a batida, numa forma sincronizada. Annabeth parou de dançar, observando-me com um sorriso enorme nos lábios. Sorri de volta, e a loira segurou em meu braço esquerdo, me puxando para longe dos corpos suados que ainda se moviam, enquanto a música ia embora, trazendo outra nova. Annie se apoiou no batente do bar, pedindo dois drinks.
— Thals, sabe que vamos à Dubai amanhã, certo? – Annabeth ficou séria, e eu busquei fazer o mesmo. Assenti, e pedi para que a loira prosseguisse. – Quando pousarmos sabe que tem todo o exagero de check-in, e então, seremos estudados por policiais locais. Nós falsificamos algumas identidades, para que não sejamos descobertos por uma falha tão estúpida.
— Quem falsificou as identidades? – Perguntei. O garçom entregou-nos os drinks, e Annabeth bebericou o próprio, observando a festa à nossa volta.
— Leo. Ele conhece muita gente desse tipo, então foi fácil encontrarmos alguém confiável para tal ação. Mas Nico ainda está inseguro, ele acha que quando pousarmos em Dubai acontecerá problemas. Quais eu não sei.
Concordei com a cabeça, começando a beber o drink. Olhei em volta, percebendo Percy aproximar-se de nós. Ele se apoiou ao lado de Annabeth, depositando um beijo em sua testa. Cumprimentou-me com um aceno de cabeça, que foi devolvido. Aproximou-se do ouvido da loira, sussurrando algo. Annie assentiu, enquanto observava Percy sumir novamente na multidão. Estávamos numa festa localizada no Upper East Side, uma das áreas mais valorizadas de NYC.
— Precisamos ir, Grace. Já são duas da madrugada. – Sorri de lado, acompanhando-a. Ao sairmos da casa, ainda podia-se ouvir a música alta. Annabeth passou seu braço pelo meu, apertando-me contra si. – Você não tem a mínima ideia de quanta saudade que eu senti de você, gracinha.
Sorri divertida, relembrando do apelido de infância. – Claro que sim, Chase. Não existe pessoa mais querida nesta terra do que Thalia Grace. – Nossa risada ecoou pelo jardim pouco habitado, enquanto saíamos totalmente da casa. Percy e Nico estavam apoiados num carro negro, enquanto conversavam animadamente. Annabeth me soltou, se jogando nos braços de Percy, que enlaçou seus braços em torno da cintura de Annabeth.
— Onde está Bee? – Percy perguntou a nós, ainda abraçado com Annabeth. Dei de ombros, cruzando os braços abaixo dos seios. Percy virou-se para Nico, que negou com a cabeça. – Eu e Annie vamos procurá-la, então, nos vemos em casa.
Nico sorriu largamente, se desencostando do carro. – Certo, mas não cortem o caminho para casa. – Ele e Percy trocaram um sorriso malicioso, que logo me fez saber o que significava. Mas era tarde demais para fazer alguma piadinha com o assunto. – Tudo bem, até lá.
Acompanhei com o olhar Percy e Annabeth voltarem a casa, que nem percebi a aproximação repentina de Nico. Desde o nosso pequeno acontecido, não havíamos nos comunicado muito. Oque foi muito torturante, ainda mais com a Bee atrapalhando qualquer momento em que poderíamos ficar a sós. Só que já era muito tarde para dizer algo. Nico colou violentamente nossos corpos, e o baque de minhas costas e do frio da parede de concreto me fizeram notar o alerta de perigo.
A respiração descompassada do Di Ângelo se chocava contra minha bochecha, e suas mãos passeavam pelo final de minhas costas, dando leves puxões no fino tecido do vestido. Seus lábios gélidos tocaram levemente meu rosto, descendo até meu pescoço e beijando o local. Sua mão saiu de minhas costas, se fechando em meu pulso. Pressionou-o com força, descolando nossos corpos e me encarando intensamente.
— E você, Grace, vai vir comigo. – Sua voz não soou como um pedido, mas sim como uma ordem. Nico deu espaço para que eu entrasse no carro negro, dando a volta e entrando logo em seguida. Talvez, só talvez, eu estivesse com um pouquinho de medo do Di Ângelo, mas ainda sim, estava ansiosa para saber como aquela noite iria terminar.
— Para onde está me levando, Di Ângelo?
Nico deu um sorriso de lado, mostrando que aquilo seria algum tipo de surpresa. Bufei, cruzando os braços e observando a paisagem passar rapidamente em meus olhos. As janelas estavam abertas, fazendo com que o vento frio da noite bagunçasse meus cabelos soltos. A única coisa boa que se passava em minha mente naquele momento era o quão Bee iria ficar puta da vida quando descobrisse que Nico havia saído comigo. Mesmo que não seja para algo realmente interessante, ela não precisaria ficar sabendo sobre oque ocorreu. Deixaria aquela ansiedade corroê-la por dentro. Mas se fosse ela no meu lugar, eu não ficaria muito diferente no tópico ciúme.
— Você gosta de carros, Grace? – A voz rouca de Nico ecoou pelo carro, chamando-me a atenção. Pensei por um momento, sim eu gostava, mas não de todo o tipo de carro. Sim, eu sou bastante exigente. Sou uma mulher fina, gosto de carros potentes. – Seja sincera, porque a maioria das mulheres só gosta de carro para se exibir, não para correr.
— Você gosta de adrenalina, Di Ângelo? – Ele sorriu com a pergunta, ainda olhando para a pista. – E sim, eu gosto de carros. Eu gosto de correr. E gosto ainda mais do perigo.
Nico mordeu o lábio inferior discretamente, oque me fez sorrir imensamente por dentro. Ah, como eu adorava provocá-lo. Ele fica tão sexy assim. O moreno virou-se para mim, olhando-me de cima à baixo. – Ah Grace, quantas vezes vou ter que dizer? Não brinque comigo, se não for até o final.
— Não fui eu quem desistiu no melhor momento. – Falei, dando de ombros. Nico rangeu os dentes, acelerando o carro. O moreno parou o carro bruscamente, saindo do mesmo. Segui-o, enquanto Nico destrancava uma porta de ferro. Afastou-se, para que eu entrasse primeiro no local de pouca iluminação. – Que caralho de lugar é esse, Nico?
— Olha as palavras sujas, Grace. – Disse, num tom debochado. – Se gostasse mesmo de correr, saberia onde fica uma das melhores pistas de NYC.
Nico empurrou a segunda porta com o pé, revelando uma pista, iluminada apenas por um poste de luz fraca, e a própria lua. Não esperei o Di Ângelo ser cavalheiro, empurrei o moreno de leve, saindo do corredor de iluminação precária. A pista aparecia de acordo com o quanto que eu andava, mostrando-se imensa. Senti a mão de Nico deslizar por minha cintura, e minhas costas baterem contra seu peito. Mordi o lábio inferior, virando-me para olhá-lo. – Você quer correr, Nico?
— Só se for com você, morena. – Sorriu de lado, indo na direção contrária, entrando num enorme galpão, parando para me olhar uma última vez. – Já volto, fique aqui.
Encostei-me no poste, olhando em volta. Estava tudo completamente silencioso, e mesmo que eu nunca admitisse isso em voz alta, estava com um pouco de medo. Aquilo era praticamente um breu completo. Uma luz atravessou meu rosto, me fazendo tentar de forma inútil observar oque era. A única coisa que eu conseguia perceber era os dois faróis ligados em minha direção. Nico saiu do carro, vindo até mim com um sorriso. Retomei minha postura, indo ao encontro do moreno. – E então, quem vai dirigir?
— Eu não sei se me orgulho disso, ou se estou quebrando alguma regra que impus para mim mesmo, mas, nós dois vamos dirigir. Ao mesmo tempo? Talvez. Ou pelo menos eu queira fingir que colocarei você em meu colo para evitar acidentes. – Nico pensou por um momento, dando de ombros. – Ah, que se foda, eu quero você no meu colo mesmo. E, aliás, nada melhor que sentir o vento no rosto, principalmente um carro desse tipo.
Soltei uma gargalhada alta, e percebi Nico sorrir juntamente comigo. – Como você é discreto. Só falta você dizer que, só agora, quer me comer.
— Não fale isso como se fosse alguma mentira. Estou pagando por minhas próprias palavras em que falei que nunca iria querer foder você. – Comentou, abrindo a porta do carro e entrando. Segurou minha cintura, me puxando para dentro do mesmo, e me aconchegando em seu colo. – Mas isso não é como se eu fosse algum maníaco. Convenhamos, você é muito gostosa. Não tem como não reparar na sua bunda, Grace.
— Deuses, estou começando a ficar envergonhada aqui! Nem parece que sou eu quem implora para você me dar alguma atenção especial. – Gritei em tom de brincadeira, e Nico soltou uma gargalhada alta. Ele acelerou o carro, começando a correr pela pista. Aproximei meu rosto do seu, começando a distribuir beijos por seu pescoço. O carro não tinha a área de cima coberta, então o vento dava puxões em meus cabelos. Não que eu estivesse me importando com aquilo no momento. Subi meu rosto, ficando na altura de Nico. – Mas então, quer dizer que você fica olhando a minha bunda, Nico?
Um sorriso se estampou na face do moreno, mostrando que aquela pergunta não necessitava mais de resposta. Mas eu queria o ouvir admitir aquilo. Era tão boa a sensação de superação. Não era mentira, ele estava pagando pelas próprias palavras. E eu particularmente estava adorando aquilo. Endireitei-me em seu colo, tomando o controle do carro. Nico passou as próprias mãos por cima das minhas, apertando-as. A cada curva que fazíamos, meu pé ia mais fundo no acelerador. Isso era tão bom. Nico passou as mãos por minha cintura, aproximando seus lábios de meu ouvido, mordendo o lóbulo.
— Uma última volta, Thalia. E então, iremos para casa. – Sussurrou, beijando minha clavícula.
E com certeza consegui fazer aquela volta ser a melhor de todas. Não era como se nós sentíssemos algum remorso por qualquer coisa errada que fazíamos acontecer. Infelizmente, ou felizmente, havíamos nascido para fazer aquilo. Para sermos errados. Talvez as pessoas não tivessem mesmo escolha de vida. Cada uma nasce com um destino, ou é mesmo nós que o escrevemos? Nem todo mundo tem a vida perfeita, mas eu não reclamava da minha. Eu a achava perfeita, mas, do meu modo. Se Zeus quisesse que eu voltasse para casa agora, eu voltaria? Claro que não. Era uma insanidade minha querer o perigo, mas todos nós temos a loucura interior, não é? Tenho toda a certeza disso. Mas, dessa vez, eu estava pronta para fazer alguma coisa que realmente deixasse uma marca. Mesmo que essa marca não fosse considerada gentil pela sociedade.
»♥«
Em minha sincera opinião, a pior coisa do mundo era acordar cedo. É algo desnecessário, principalmente quando você está cansada, quer dormir, e as filhas da mãe que convivem com você não respeita essa sua decisão. Mas, como eu sou uma pessoa de extrema educação, resolvi acordar naquele momento, sem fazer pirraça, para mostrar que eu posso ser sim responsável.
— Thalia, acho bom que as suas malas estejam feitas, porque se não, você fica. – Annabeth diz, olhando o quarto. Piper e Bianca estavam ao seu lado, apenas me observando. Assenti meio preguiçosa, me levantando da cama. – Estamos lá embaixo, todos prontos. Então, até o carro, gracinha.
Entrei no banheiro, e tomei uma ducha rápida. Ao sair do banheiro, meus olhos se concentraram em Bee, que estava sentada em minha cama, mexendo no celular. Arqueei uma sobrancelha, ficando em sua frente. – Certo, o que você está fazendo aqui, Bee? – A ruiva levantou o olhar, me olhando de cima a baixo. Deu um sorriso sem dentes, levantando-se da cama, e ficando em minha frente. Coisa que não foi muito legal. Odeio perceber o quanto sou baixinha. Ignorei esse pensamento, voltando a encara-la. – Pode sair? Até porque, nem convidada para entrar aqui você foi.
— Nossa Thalia, esse estresse logo de manhã? – Falou ela, fazendo um bico. Guardou o celular no bolso de trás da calça jeans, cruzando os braços abaixo dos seios. – Onde esteve com ele ontem à noite?
— Ciúmes? – Provoquei, sorrindo. Bee sorriu debochada, levando sua mão ao meu ombro. Observei seus dedos pálidos, cobertos por anéis de variados tipos. Meu olhar se voltou ao dela, e sorri tanto por dentro, como por fora, ao perceber seu incomodo quanto à minha saída com Nico. Cheguei mais perto dela, sussurrando em seu ouvido. – Não há nada que você realmente precise saber, Bee. Mas a única coisa que lhe digo é: Ele é muito bom no que faz.
Sei que mentir feio, mas eu não poderia perder essa chance. Não que não tivesse acontecido absolutamente nada entre mim e ele, mas o principal, oque realmente me interessa, não aconteceu. Infelizmente, a vida é dura. Não ia admitir que nem uns míseros beijos trocamos, mas iria deixar ela com aquela vontade de saber.
— Não se sinta privilegiada, Grace. – Rosnou, se virando para sair. Ao abrir a porta, de uma última olhada em mim, sorrindo sarcástica. – Você não sabe que loucuras fizemos ontem à noite.
Por um milésimo de segundo, eu tive a vontade pular no pescoço dela, esganar, estrangular, cortá-la em pedaços e depois jogar para os cachorros vira-latas da rua. Bee saiu de meu quarto, e a única coisa que eu consegui fazer foi vestir aquela maldita roupa, pegar a maldita mala, descer a maldita escada, e entrar no maldito carro. Foda-se, não estava ligando para minha cara de puta da vida. Até porque eu realmente estava puta da vida. Chegamos no aeroporto, fizemos todo o processo do check-in, e não tivemos problemas. Ao entrarmos no avião, agradeci a quem pudesse por ser Annabeth quem se sentara ao meu lado.
— Que mau humor é esse, Grace? – A loira perguntou, se aconchegando na poltrona.
Bufei, me virando para o outro lado, evitando olhá-la. – Só queria que algumas pessoas morressem. É pedir muito?
— Na verdade, sim. – Respondeu, me puxando, fazendo com que ela voltasse para meu campo de visão. – Até porque, ela também quer que você morra. Digo, ela nunca namorou o Nico, e ele sempre a quis, mas acho que ela se sente ameaçada com você. Bee me disse que Nico não é o mesmo de antes.
— Ah sim, tenho certeza de que ele mudou. – Dei um sorriso mínimo, arqueando a sobrancelhas, olhando na outra extremidade do avião, observando Nico esticar as pernas para frente. – E um desses fatores é que, agora, ele é meu.
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