The Three Spiritual Stones
4 Capitulo 04
Quando os últimos raios de sol estavam desaparecendo, Mark saía do banheiro, uma construção alta e branca, com ladrilhos preto e branco enfeitando-o.
Depois do desastre que havia acontecido na Arena lutando contra Kelly, uma garota de voz irritante e que tinha o deus do Medo como guardião, Mark se sentia um perfeito lesadiota, que era a mistura de lesado com idiota. Ele não conseguira passar cinco minutos no duelo contra a garota antes de ela o desarmar e lhe dar um bom corte no braço e depois na coxa. Trinity o socorreu e logo após sugeriu para não terminar a luta, mas Mark trincou os dentes e prosseguiu. Dez minutos depois, mais cortes havia pelo seu corpo e mais risos ecoavam entre os que assistiam a luta.
Após essa vergonha, Mark passou o resto da tarde em seu chalé, deitado na cama, com curativos e sentindo-se um lixo. Uma tristeza misturada com raiva tomava conta dele. Era para isso que ele servia, afinal? Para passar vergonha e divertir os outros?
Sou um palhaço, pensou ele, deprimido. Só sirvo para isso mesmo. O que eu estou fazendo aqui se não tenho um guardião comigo?
De repente, Mark pensou em fugir. Fazer como o garoto da lenda. Fugir daquele lugar, ir pra bem longe, para depois chegar e destruir tudo. Acabar com todos.
Ei, cara, calma, falou sua consciência. Você seria capaz disso? Destruir todos da Terra dos Deuses? E os seus amigos?
Era verdade. Mark nunca que iria ferir seus amigos. Nem todos ali era um completo idiota.
— Mas mesmo assim vou fugir. — disse Mark consigo mesmo. — Não tem nada para mim aqui.
Ele lembrou-se de um dia em que o sr. Austin havia dito que, não muito longe dali, havia uma cidade com um imenso castelo. Lá, as pessoas levavam a vida normalmente. E não muito longe do castelo havia três enormes templos, o da Floresta, do Fogo e o das Sombras. Mark ouvira que esses três templos tinham três guardiões que passavam vinte e quatro horas vigiando tudo. Não sabia se isso tudo era mesmo verdade.
— Mark? — chamou alguém as suas costas.
Ele virou-se e viu Jimmy e Agnes em pé, na entrada da porta. Mark levantou-se da cama e se sentou.
— O que querem?
Jimmy olhou para Agnes, hesitando, depois falou:
— Cara... sinto muito pelo o que aconteceu.
— É, eu também sinto muito. — replicou Mark, passando a mão por seus cortes. — Literalmente.
Os dois amigos se aproximaram.
— Bom, não é querendo piorar a sua situação — disse Agnes, colocando os cabelos para trás. —, mas você não poderia esperar que lutasse bem de uma hora para outra, não é?
Mark deu um sorriso falso, afirmando.
— É claro, amiga. Eu não seria estúpido a ponto de pensar assim.
— Cara, você precisa sair desse estado de desânimo. — aconselhou Jimmy. — Eu sei que isso tudo que tem acontecido é uma droga pra você, mas não adianta ficar...
— Sim, eu sei! — exclamou Mark, levantando-se. — Não quero mais falar sobre isso. Só quero ficar sozinho.
— Você não vai para a Disputa de Guardiões? — perguntou Agnes.
Mark riu. É claro, havia a disputa. Como ele poderia esquecer?
— É verdade, eu nem estava me lembrando. Só falta isso para completar a lista de Vergonhas Que Eu Passei. Vamos lá, o que estamos esperando? Ainda tenho mais uma vergonha para passar.
Ele tentou passar pela porta, mas Jimmy o agarrou pelos ombros e o sacudiu.
— Mark! Chega, cara! Já basta de se menosprezar desse jeito!
— Não sei do que está falando. — murmurou Mark.
— Você está sempre desanimado e depressivo. Isso só faz piorar, cara! Você precisa...
Mark não estava com saco para ouvir e empurrou Jimmy para o lado.
— Me deixa!
No entanto, Agnes o segurou pela cabeça, colocando as duas mãos em ambos os lados e fez com que o garoto a olhasse nos olhos. Depois, usando seus poderes de encanto, falou:
— Mark, escute! Não queria fazer isso, mas você não me da outra opção. Pare de ficar se lamentando! Pare de reclamar. Hoje á noite haverá a disputa. Você vai entrar lá, vai lutar, e vai vencer. Eu garanto! Lute com todas as suas forças. Mesmo que você perca, saiba que nunca será um perdedor. Nunca!
Silêncio.
No inicio, Mark não sentira nada. Mas, quando Agnes acabou de falar, uma calma o invadiu. Uma energia de confiança o tomou. Ele olhou para Agnes, os olhos sem expressão, e disse:
— Tudo bem.
Agnes o soltou, e ele se dirigiu a Arena, sem saber ao certo o que estava fazendo.
***
Mark se sentia como se tivesse sido hipnotizado. Ele não queria fazer mais nada, não pensava em mais nada, somente se importava com as palavras e as ordens dadas por Agnes. Ele iria entrar na Arena, iria lutar e iria vencer. Não podia fracassar.
A noite caía lentamente. O clima estava úmido e frio. A hora da Disputa dos Guardiões estava chegando. Meninos e meninas se direcionavam a Arena, saindo de suas casas em uma animação total. Um vento frio soprou em meio ao ambiente, fazendo Mark se arrepiar. Ele acompanhava a pequena multidão de adolescentes e jovens, e parecia não escutar o que um grupo de meninas falava sobre ele.
— Vocês souberam? — cochichou uma. — Ele vai lutar na disputa.
— Sério? — riu outra. — Depois daquela luta patética em que ele participou, ainda tem coragem de se candidatar?
Outra garota murmurou:
— Ouvi dizer que foi Graham quem colocou o nome dele na lista.
Risos e mais risos.
Mark não exibia qualquer reação àqueles comentários, apenas caminhava.
Chegando a Arena, todos o que não iriam lutar se colocaram na arquibancada para assistir ao espetáculo. O ambiente estava todo iluminado. O sr. Austin estava sentado na ponta da primeira fileira da arquibancada, e vestia um estranho uniforme preto. Quando viu Mark, sorriu, levantando-se, e se aproximou:
— Mark, ai está você. Como está se sentindo?
O garoto olhou para ele, sem expressão.
— Bem.
— Bom, muito bom. — disse o sr. Austin com uma alegria forçada. — Me diga, vai mesmo lutar? Ouvi dizer que Graham colocou seu nome na lista e que você não gostou. Pode me explicar?
— Sim. Vou lutar. E vou vencer. Não posso perder. E se eu perder, não vou ser um perdedor.
As palavras saíam da boca de Mark como se ele fosse um robô. No fundo da sua mente, sabia que estava sob o efeito do encantamento de Agnes, mas não sabia como reverter.
O sr. Austin arqueou as sobrancelhas, parecendo impressionado.
— É isso ai, meu garoto. Gosto disso. Foco e Determinação. — ele sorriu. — Ouça, tenho uma coisa para lhe contar...
De repente, seus olhos foram tomados por uma estranha expressão de confusão. O sr. Austin abaixou a cabeça e olhou para o chão, como se estivesse sentindo alguma coisa. Alguma coisa... mau.
Mark observava, mas não conseguia perguntar nada.
O sr. Austin colocou os dedos sobre a têmpora, parecendo assustado.
— Hã... me desculpe, Mark. Eu... não estou me sentindo muito bem. Não sei o que aconteceu. Com licença.
Ele saiu e voltou-se a sentar na primeira fileira da arquibancada. Mas parecia receoso. Seus olhos não paravam de se mexer, sempre olhando para os lados e depois para cima, como se estivesse sentindo que algo não estava certo.
Os três conselheiros mais velhos, Martin, Lisa e Frank estavam no centro da Arena conversando e organizando armas e escudos. Os que iam participar da disputa se encaminhavam para o centro da Arena. Os demais já estavam assentados na arquibancada.
Mark avançou, encaminhando-se para o centro da Arena, quando Trinity o chamou, correndo em sua direção. Ela estava usando uma camisa cinza de mangas longas com o desenho de um cérebro no centro.
— Ei, é verdade o que eu ouvi? — perguntou ela. — Você vai lutar?
Mark virou-se, piscando.
— Sim. Vou lutar e vou vencer. Não posso fracassar. Tenho que obedecê-la.
Trinity franziu a testa.
— O quê? Obedecer a quem? E por que seus olhos estão estranhos?
Mas Mark não respondeu.
Trinity virou o rosto do garoto em sua direção.
— Ei! O que está acontecendo com você? A quem você está obede... — ela se interrompeu, parecendo lembrar-se de algo. — Agnes?
— Alguém me chama?
Mark e Trinity se viraram. Agnes estava chegando junto com Jimmy e Graham.
— E aí, Mark? — cumprimentou Jimmy com um sorriso, dando tapinhas em suas costas. — Você vai lutar?
— Sim.
— E irá vencer, não é?
— Sim.
— Isso ai! — comemorou Jimmy. No entanto, Trinity deu uma cotovelada em suas costelas. — Ai! O que foi?
— Como vocês puderam fazer isso com ele? — perguntou ela, depois se virou para Agnes. — Como você pôde fazer isso com ele?
— Desculpe. — disse Agnes, erguendo as mãos. — Eu... eu pensei que fazendo isso... ele pudesse ter uma chance de vencer a luta. Ele estava muito desanimado e depressivo. Daí...
— Daí você usou o seu poder nele. — completou Trinity, nada satisfeita com aquilo. — Ótimo! Ele vai conseguir lutar muito bem desse jeito. Em transe.
— Ah, tudo bem. — disse Agnes. — Desculpa. Só queria ajuda-lo. Vou desfazer.
Ela estalou os dedos, e a visão de Mark clareou. Sua mente parecia que havia sido restaurada. Ele observou os amigos e o ambiente ao redor.
— O que estou fazendo aqui?
— Não se lembra? — indagou Graham. — Você vai lutar.
Nesse momento, Martin bateu palmas pedindo silêncio a todos. As conversas cessaram.
— Boa noite a todos! — exclamou ele. — Estamos realizando mais uma vez a nossa grande Disputa de Guardiões.
Palmas e assovios se ergueram da arquibancada.
Lisa ergueu as mãos, pedindo silêncio. Ela vestia um estranho vestido azul escuro com desenhos de ondas.
— Vamos ler os nomes dos candidatos de hoje. As regras são as mesmas. Só vence a disputa quem permanecer na Arena até o final, derrotando todos os adversários. O prêmio para quem vencer... — ela sorriu, maliciosamente. — será uma grande surpresa.
Murmúrios agitados se espalharam por entre as pessoas da arquibancada. O que seria essa grande surpresa?
Frank, o outro conselheiro, pegou uma prancheta e passou a ler os nomes dos que iam competir.
— Charles contra Jimmy.
Imediatamente, Mark virou-se para o garoto.
— Você vai lutar?
Jimmy deu um sorrisinho.
— Vou ver no que vai dar.
Frank continuou lendo os nomes. Uma garota chamada Aisha iria competir contra Kelly, a garota que derrotara Mark na outra luta. Graham iria competir contra outro garoto, Duarte. Finalmente, o seu nome apareceu.
— Henry contra... — Frank reprimiu um sorriso. — Mark.
Todos riram ao ouvir o nome dele. Alguns gritinhos.
Trinity colocou a mão sobre o ombro de Mark, dizendo para permanecer confiante.
Depois de cinco minutos, as risadas pararam. Frank, Martin e Lisa estavam vermelhos de tanto rirem.
— Okay. — Lisa se abanava, tentando recuperar o fôlego. — Não devemos subestimar ninguém, pessoal. Parem de rir.
— Então, vamos lá. — disse Martin, batendo palmas. — Vamos iniciar a Disputa de Guardiões!
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