Notas iniciais
Bom, mudei para um P.O.V do Camus. :3
Esse capítulo ficou realmente um saco litúrgico, e aff.
O capítulo mais uma vez ficou com 999 palavras, e não foi intencional.

As barreiras frias da solidão...

Por quanto tempo vivo fechado nessa angústia gélida revestida de indiferença?

Onde estão meus sentimentos? Onde eu os aprisionei? E os aprisionei, por quê? Fechara todas as minhas portas sentimentais com cadeados de gelo que hora após hora, transformaram meu coração em um pesado floco de neve, e mudara todo o meu ser.

Será que ainda poderei ser salvo e recuperado por alguém que renasça a alegria nessa mente alterada por correntes geladas?

Tantos questionamentos, tão poucas respostas.

Sozinho aqui me sinto indefeso... Incapaz.

Cadê aquele que jurou sempre me proteger? Onde você está Milo? Que todo dia vinha à minha casa me visitar? Sinto-me um fardo para você, meu amigo. Não sei o que pensar, como sorrir após uma semana sem a sua displicente e alegre companhia.

Acho que na verdade, desde aqueles tempos, onde trancafiei meus sentimentos lhe usei como um escudo. Incontáveis vezes você me segurou antes que eu caísse e me ferisse ainda mais, em todos os sentidos.

Lembro-me da última vez que você vira uma lágrima minha escorrer, correra ao meu encontro e me perguntara desesperadamente quem havia me feito chorar. Culpo-me. Fiz você sofrer tanto, te fizera chorar tantas vezes. Oh! Como pudera?

Para onde eu posso ir, sem você para me guiar? Se sozinho não posso me mover?

Isso é tão conturbado e confuso.

Fecho meus olhos e minha melhor recordação toma conta de meus pensamentos;

“ Você corria animado ao extremo. Gritava palavras desconexas e infantis, enquanto eu lhe sorria gentilmente.

Era um dia antes de seu aniversário, e realmente... Você estava empolgado com o fato!

–Milo, não poderei lhe dar um presente. Desculpe-me. – Eu dizia visivelmente chateado.

Docemente você me abraçou e disse baixinho. – Só de ter meu melhor amigo comigo, me abraçando, já fico feliz! É o melhor presente!”

Pode ser uma lembrança fútil e infantil, mas ela me trás uma deliciosa nostalgia. Dos tempos que eu nunca tivera medo de alguém, medo de viver e medo de mim.

Não há surpresa quando paro e penso que me transformei em um monstro. Nunca mais estampara um sorriso sincero, não olhei ao fundo nos olhos de alguém que eu amo. Não expressara reação alguma sobre algo. Fechado em uma escuridão sombria e branca. Como a neve no inverno. És desesperador e maligno.

Preciso de algo que me encoraje a viver, me dê razões suficientes para sonhar, para voltar o brilho em meu olhar, e o calor que este coração necessita.

Onde está a luz dos meus olhos? Estou cercado por escuridão e penumbra. O que está acontecendo comigo? Sinto frio... Meu corpo dói desamparado.

Escute essa voz, ela te chama silenciosa, ela te clama. Feche seus olhos, você enxergará a guerra interna que a sua frieza trava. Quem és a senhora, misteriosa voz? Quem sabe és a voz da razão? Que veio levar a fornicação de minha mente?

Oh sim...

Você irá me ajudar? Irá acalentar este coração solitário e gelado? Esse tempo todo ele vivera no obscuro da solidão.

Dizem que a solidão é um refúgio para quem tem a escuridão na alma... Será mesmo real? Verdade contraditória ou mentira notória?

Esse abismo em que caio cada vez mais rápido; expressando-me como se fosse a sombra que cobre o véu do luar. Poderei te dizer por que as pessoas ficam loucas? Mas não poderei dizer por que elas morrem sozinhas... Será a morte a solução? O descanso? Ou a maior das perturbações?

Enclausurando-me nessa fortaleza de gelo inquebrável, e isso é apenas o albergue de um espírito inquieto.

Que culpa é essa? Que aperto no coração pode ser este? Onde está meu anjo de longos cabelos dourados? Você faz tudo ficar tão bem... Tão iluminado e doce.

Deitado ao chão a olhar as estrelas, feito uma criança tento alcançar uma delas que tem um brilho tão intenso; Antares.

Seus olhos, sempre em chamas de alegria. Seus lábios, sempre curvando-se em um sorriso meigo cheio de ternura.

Oh, como posso lidar com isso?

Há pouco sofria por um amor impossível, e tantas vezes não apenas me feri, mas feri meu melhor amigo com as minhas decisões ortodoxas e cheias de razão.

Mas que bem há, se eu sempre agir por razão, sem nunca uma emoção? Será isso um rancor das estrelas de minha constelação? Ou será obra do destino?

Destino... Realmente existe? Ou a vida é apenas uma jornada? Aonde chega um momento que você é jogado à duas opções; ou ser feliz, ou morrer na solidão. E qual eu escolhera? Será que fizera a escolha certa?

Felicidade... Sempre levara comigo o frio pensamento que felicidade não existe... Existem momentos felizes, e estes devem ser levados consigo até o último palpitar de seu coração. Até o último suspiro que você deixar escapar.

Isso não pode ser o correto... Isso é um pensamento meu, uma ideologia pessoal, já que eu nunca fora feliz realmente.

Minhas mãos tremem... Clamam por calor...

Sensação maligna, de perfuração, quando você irá se esvair e deixar este pobre solitário aproveitar de sua pouca paz?

Desejo olhar pela janela... Mas tenho medo e insegurança do que posso ver. Como lidar?

Tudo parece estar pegando fogo ao meu redor, com chamas de uma paixão involuntária e preciosa. Como se me avisasse de algo. O que poderia ser?

Reviro-me ao chão mais uma vez, e não encontro os braços de meu amigo, me envolvendo e me protegendo de toda a inquietação que eu encontro em meu interior. Os mesmo braços que escovaram meus cabelos, que me acariciaram, me deram toda a ternura e carinho necessários para eu continuar em pé.

Como eu pude machucar tanta gente? Ferir o coração de tantas pessoas, e em especial o do meu anjo? Como isso? Não me perdoarei... Mesmo que ele me aceite, eu não irei mais me aceitar após toda essa reflexão dolorosa, e chego à apenas uma conclusão, triste e real, talvez cruel;

Milo, onde você estará? O sol já está se pondo...

Preciso... de...

Você.


Notas finais
Peço novamente, comparecidamente que se notarem algum erro, me avisem. E já sei, esse capítulo ficou o Ó.