The Strenght Of Love
17 Voltando Para A (Triste) Realidade
Notas iniciais
Acordei de uma profunda escuridão para um imenso clarão. Pisquei meus olhos tentando abri-los devagar amenizando a dor da luz. Minha cabeça estava doendo e latejando como na sequência de um sino. Finalmente abri meus olhos por completo e percebi que estava deitada em uma cama e com soro na veia. Fiquei um pouco assustada e logo tentei me sentar. Não olhei no rosto, mas sabia que era uma mulher que estava agora ao meu lado.
- Bem vinda de volta Clara. — disse a mulher.
Parei de olhar para meu próprio corpo e me direcionei para a voz. Era uma enfermeira loira que estava arrumando meu travesseiro.
- Clara que bom que acordou! Como está se sentindo? Melhor? — perguntou Yo segurando minha mão direita enquanto a enfermeira saia do quarto.
- Cherry, fiquei tão preocupada com você! — disse Esther.
- Amiga, você ainda continua linda mesmo um pouco pálida! — disse Hannah sorridente logo em seguida.
Yollanda e minha mãe voltaram um olhar para Hannah, provavelmente porque essa não seria uma boa hora para falar de beleza. Fiquei surpresa pela presença da minha mãe ali. Só de pensar no que aconteceria depois de sair daqui eu já sentia mais dor de cabeça ainda. Vasculhei mais o quarto e vi meu pai dormindo em um sofá marrom ao fundo.
- Oi... pessoal. — disse forçando um sorriso.
- Clara, como você está se sentindo? — perguntou Yo afobadamente.
- Minha cabeça está doendo, mas o que aconteceu direito, eu só lembro de... — parei de falar com a terrível lembrança.
- Eu vi você desmaiada da calçada, percebi que era você e logo te levei pra cá. Mas o que você estava fazendo ali, só você pode explicar. — disse Hannah.
- Clara, o que aconteceu antes de você ter desmaiado? — perguntou minha mãe com uma expressão dura.
- Eu...
- Você... ? — disse Yo impaciente.
- Vamos logo com isso mocinha. — disse minha mãe colocando as mãos na cintura.
- Eu acho que... Eu estava saindo da casa do Bill. — disse e logo fechei os olhos apertando-os.
- Eu não acredito nisso! O que ele fez com você? Eu disse que ele devia ser um delinquente! Você nunca mais vai ver ele, ouviu!? — disse minha mãe com voracidade nas palavras.
- Calma Esther, depois vocês falam sobre isso... É melhor ela terminar de contar antes de precipitações. — Yo disse calmamente.
- Ele não fez nada mãe, e ele não é um delinquente. Nós apenas... — parei novamente de falar sentindo uma angústia enorme em meu peito.
- Vocês brigaram?
"Valeu Hannah!"
- Hmm, é. — disse e deixei uma lágrima rolar em meu rosto.
- Eu sinto muito Clara... Mas acabei de me lembrar de uma coisa. — disse Yollanda.
Minha prima saiu de perto da cama em que eu estava e pegou um dos ramalhetes de flores que estavam no sofá ao lado do meu pai na qual eu tanto sentia saudades. Veio até mim com um buquê lindo de rosas vermelhas e me entregou.
- O Bill mandou eu te entregar. E tem um cartão com tudo o que ele me mandou escrever. — ela apontou para o cartão no buquê me mostrando.
- Bill... — susurrei enxugando minhas lágrimas.
Levantei as flores do meu colo para vê-las. Estavam lindas e cheirosas, exatamente como eu gosto. Peguei o cartãozinho e abri para ler.
"Clara, me desculpe por tudo o que eu fiz. Me desculpe por ser um ciumento idiota e ter te deixado triste, me desculpe por não poder estar nesse exato minuto com você. Me desculpe por te amar tanto e não poder mais viver sem você. Me perdoe mein liebe e não se esqueça que eu te amo mais que tudo"
Não pude evitar meu choro, e deixei que as lágrimas voltassem. Eu te amo também Bill.
Mas porque ele fez aquilo? Ele disse que não confiava em mim, ele disse que precisava pensar. Pensar? Pensar sobre o que? Sobre nosso namoro? Eu sinto raiva e amor nesse exato momento. Também sinto tristeza.
- Deixe-me ler Clara. E pare de chorar.- disse minha mãe em uma ordem.
Dei o cartão hesitantemente para ela. Ainda não tinha me esquecido de que eu sou uma vergonha para ela agora, e de que não passo de uma criança.
Ela leu como se tudo ali não passasse de um simples papel. Terminou de ler e rasgou. Não acreditei no que ela fez.
- Porque você fez isso!? — gritei.
- Porque já está na hora de você tomar jeito, ele é um d-e-l-i-n-q-u-e-n-t-e! E aliás, amanhã você irá sair no hospital e iremos logo para o Brasil, suas aulas na faculdade de advocacia começam na outra semana. — disse ela me olhando chorar ainda mais.
Antes de eu abrir a boca para falar ouço meu pai vindo em nossa direção. Todas as mulheres ao meu lado abriram caminho.
- Clarinha, que bom que você acordou. Senti muitas saudades, porque você está chorando filha? — Guilherme me abraçou confortavelmente.
Pai, como eu senti a falta dele. Não tinha mudado nem um pouco desde a última vez que o vi no aeroporto de Guarulhos. Continuava usando seus paletós formais.
- Também senti saudades pai. — abrecei ele mais forte tentando não chorar.
- Acredita que ela está chorando por causa daquele cantor delinquente, o tal de "Bill", é só um romancezinho passageiro. Mas ela não entende. — disse minha mãe ao meu pai como se fosse dona da razão.
- Filha, você está mesmo apaixonada por ele? — meu pai perguntou pegando minhas mãos.
- Pai, eu o amo. Nós brigamos mas... as coisas precisam voltar ao normal. — ele enxugou minhas lágrimas.
- Eu ainda não acre... -
- Deixa a Clara falar Esther! Pare de fazer ela ficar pior do que está! — interrompeu meu pai.
Minha mãe ficou indignada e finalmente entendeu o quanto estava atrapalhando minha recuperação e foi se sentar no sofá.
- Olha... Eu sei o quanto sua mãe é complicada, mas ela só quer seu bem assim como eu. Eu não concordo com esse namoro, ele é mais velho que você e... nós nem o conhecemos. Você vai voltar para o Brasil e tudo vai voltar a ficar bem. — disse meu pai sorrindo gentilmente.
- Não... Vocês não entendem! — disse agoniada. — Eu não quero voltar!
- Mas vai! — gritou minha mãe do sofá.
Meu pai saiu do meu lado e foi até minha mãe e começaram a conversar. Eu só conseguia ouvir minha mãe gritando baixinho que eu iria de um jeito ou de outro.
Minha cabeça está tão confusa. Eu quero fazer o que eu quiser, se dependesse do meu pai, tudo estaria bem e eu sei que ele me entende. Mas minha mãe sempre precisa estragar as coisas.
Eu quero que as coisas entre mim e o Bill fiquem bem, e eu acredito nisso. Eu quero poder viver minha vida como eu sempre quis, da minha maneira. Mas nem tudo é como nós queremos, e pra mim, as coisas sempre foram assim.
E o que o Bill vai pensar se eu for embora desse jeito, sem dizer absolutamente nada? Eu ficaria ainda pior. Como eu vou viver sem a pessoa que eu amo ao meu lado todos os dias e ainda fazendo uma coisa que eu não gosto? Eu queria poder ter um saída, poder ter escolhas como qualquer ser humano livre, mas eu vou ter que voltar para a realidade, por mais sofrida que for.
- Eu ainda não acredito que você vai embora amanhã amiga, vou sentir muito a sua falta. — disse Hannah triste agora ao meu lado.
- Eu também não acredito.
Fale com o autor