The Strenght Of Love
18 Tudo Acaba Aqui?
Notas iniciais
Após mais uma terrível noite com pesadelos naquele hospital, amanhaceu e o dia que eu mais temia havia chegado. Eu me sentia sozinha, controlada, sem um rumo na vida. Algumas vezes sentia também como se não conseguisse respirar, como se alguma coisa me sufocasse, porque tudo o que eu construi e conquistei até agora vai ser arruinado. E minha vida sem o Bill a partir de agora não pode mais ser chamada de vida.
– Pronto, agora sim você pode ir embora. Mas lembre-se de seguir minhas indicações de alimentação, ou você vai querer voltar ao hospital novamente? — disse o médico em um tom sarcástico.
– Não mesmo. Pode deixar que eu vou cumpri-las. — disse com um sorriso murcho.
Fiquei feliz em ter recebido alta. O doutor havia me explicado algumas coisas complicadas sobre o que aconteceu comigo, mas eu só pude entender que minha pressão estava baixa demais e então eu apaguei. Minha imunidade também estava baixa, eu estava me alimentando muito mal. Agora não vou mais poder sair de casa sem tomar café da manhã e preciso comer de 3 em 3 horas.
Meus pais haviam dormido na casa de Yollanda, mas chegaram aqui ás 8 da manhã. Almocei aquela comida horrível de hospital e tirei aquela roupa de paciente azul claro e coloquei um sobretudo bege, saia e meia fina preta junto com um scarpin vermelho que minha mãe havia trazido. Pelo jeito estava frio lá fora, e também chovendo.
– Preparada para ir? Suas malas já estão no carro com seu pai e Yollanda veio se despedir de você. Vou madar ela entrar. — disse minha mãe se levantando do meu lado no sofá.
Certamente preparada é uma palavra que nesse momento não se encaixa ao meu vocabulário. Deixei uma lágrima cair dos meus olhos novamente com as lembranças, eu não sei se vou suportar viver sem o Bill e se eu não suportar, eu já sei o que fazer.
A porta se abriu e Yo entrou andando rapidamente até mim. Se sentou ao meu lado e eu enxuguei minhas lágrimas para ela não perceber nada, mas quem disse que isso iria adiantar? Ela sempre sabe de tudo, exatamente como uma melhor amiga.
– Clara, minha prima que eu tanto amo... — disse Yo emocionada me abraçando.
– Obrigada por tudo mesmo Yo, por ter me deixado ficar em sua casa, por ter me ajudado no passado com a LA Model, por tudo... — disse não conseguindo conter o choro e começando a soluçar.
– Eu não queria que você fosse embora. — ela desvencilhou-se de mim.
– Eu também não, acredite, isso é o que eu menos quero na minha vida... — disse olhando para minhas mãos.
– Porque você está fazendo isso? E o Bill? E os seus sonhos? Tudo isso por causa dela? Não Clara, isso não é certo e você sabe. Você tem idade suficiente para saber o que fazer da vida, está na hora de deixar de ser controlada pela sua mãe!
– Eu sei, eu sei! Mas o que eu vou fazer? Se eu não for é capaz dela me matar ou sei lá então... E o Bill, Yo eu o amo tanto, mas tudo está confuso de mais, eu nem ao menos consigo pensar e nem tenho mais tempo pra isso. Não sei de muitas coisas, não sei se nós vamos mesmo voltar... — disse chorando.
– Você acha mesmo? Eu liguei para ele no dia em que você veio pro hospital e Clara, ele ficou muito preocupado. Ele disse que te ama mais que tudo e ainda te mandou flores. Todo mundo erra. — ela segurou minhas mãos.
– Querida Cherry, está na hora de ir embora. Porque está chorando em um dia tão feliz como esse? Você vai voltar para casa! — disse minha mãe entre a porta me chamando.
– Só se for pra você... — susurrei olhando para Esther com raiva.
– Disse alguma coisa, Clara? — perguntou minha mãe sínica.
– Não, deve ter sido o vento. Vamos logo. — disse me levantando.
Além de querer controlar a minha vida, minha mãe ainda gosta de brincar para ver quem é melhor nas respostas grossas. Isso me lembra uma certa cobra cascavel. E como eu odeio quando ela me chama de Cherry, ela sabe que meu apelido da escola sempre me deixa brava, pois todo mundo me zoava assim porque eu era tímida e ficava vermelha como uma cereja em apresentações.
Sai do quarto, dei meu último suspiro, peguei minha bolsa e caminhei em direção a saída ao lado de Yo e minha mãe andava em nossa frente. Yollanda segurou minhas mãos quando chegamos até a porta da saída.
– Você está linda Clara Miller, se esconda dos flashes e eu espero que você mude de ideia até o aeroporto. — disse Yo susurrando bem perto do meu ouvido e me dando seu último abraço.
– Como assim flashes? — perguntei surpresa com minha boca perto de sua orelha.
Antes de poder ouvir sua resposta fui puxada pela minha mãe. Me deparei com muitos paparazzis e pessoas com microfones me fazendo perguntas absurdas do lado de fora como: "Clara Miller, você foi mesmo agredida?" "Você e Bill Kaulitz terminaram!?"
Só faltava meus olhos pularem para fora de tanto absurdo que eu ouvia. Eu fico dois dias no hospital, tenho que voltar para o Brasil e ainda quando vou sair preciso ouvir essas baboseiras? Isso é demais para um humano apenas.
Ainda sendo puxada pelo braço, achamos um carro preto no qual meu pai estava no banco do motorista, e aquele povo continuava todos nos seguindo. Entrei no carro e fomos em direção ao aeroporto de Los Angeles.
Durante a viagem eu e meus pais não ouvimos nada um do outro, apenas o "oi" do meu pai. Suas expressões estavam rígidas e duras. E eu, assustada e triste. Fiquei pensando nas fotos que estariam amanhã nos jornais e na internet, "a ex supermodelo doentia", eu mereço.
Fazia um certo tempo que não abria meu celular para ver as tal mensagens, e como sou curiosa e ansiosa resolvi dar uma olhada. Peguei ele na minha bolsa e havia uma.
"Escolhas são sempre difíceis não são? Mas qualquer que for sua decisão, eu vou estar sempre te observando."
Observando? Mas como!? Isso está começando a me deixar profundamente irritada. Primeiramente porque essas drogas de mensagens praticamente destruiram meu relacionamente com o Bill e segundo porque eu não sabia quem era o autor delas. Mas cedo ou tarde eu vou descobrir.
Chegamos no aeroporto e meus pais colocaram as malas no carrinho. Eu não queria andar, por isso fui o mais devagar possível. Eu queria poder ficar na linda LA para sempre ao lado do Bill. Mas ao pensar nisso já podia sentir meus olhos ficando úmidos de novo.
– Clarinha, nós vamos fazer o Check-in. Quer esperar aqui? — perguntou meu pai com um leve sorriso.
– Sim. — disse sem humor.
Meu pai foi até um dos balcões junto com a minha mãe e eu me sentei em uma das cadeiras que tinha ali. Coloquei minhas malas na minha frente e a única coisa na qual eu consegui pensar era no Bill. Comecei a chorar. A dor não cabia dentro de mim, não conseguiria imaginar minha vida sem ele ao meu lado, sem seus beijos, sem senti-lo perto de mim. Peguei o iPod dentro da minha bolsa e comecei a ouvir Run For Your Life do The Fray, e a letra fazia muito sentido.
Corra por sua vida agora
Corra e não desista
Tudo o que você é
Tudo o que você quer
Corra por sua vida
Todas as vezes em que eu ouvia musica eu sentia uma certa força para fazer o que eu quisesse, me dava coragem e eu me sentia livre. Mas isso parecia ser impossivel para mim.
Algum ser cutucou minhas costas me acordando dos pensamentos e eu dei um pulo de susto. Tirei os fones de ouvido e ouvi meu nome ser chamado.
– Clara?
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