The Story Of The Witch
5 Capítulo 5 - Os Prisioneiros
Notas iniciais
Cap V — Os Prisioneiros
Prof. Miguel
Não acredito que esse garoto tem tanto poder para liberar assim. Tenho que impedir antes que seja tarde demais para o idiota.
– Velox Pedes! — Sussuro, antes de minha velocidade aumentar mais de sete vezes.
Quando chego perto o suficiente do aluno chamado Guilherme, lhe dou um soco forte no rosto. O menino cai de imediato, desacordado. Os dois que o acompanhavam correm em nossa direção para conferir sua situação. Seu cabelo estava grande ainda, semelhante a uma juba. Porém, sua pele estava normal. Por pouco o feitiço não se completou.
Malditas Sombras Demoníacas aparecem cada vez mais de dentro do rio, envolvendo o outro aluno que nele estava. Miro nas bestas e lanço um jato de fogo, mas não acerto muitas, a água não está me ajudando. Pego minha varinha e preparo para usar um feitiço de luz, quando as sombras envolvem completamente o rapaz e o afunda, não deixando nenhum rastro.
– Igor, não! — Soluça a menina enquanto grita.
– Furacãio aqua! — Levo meus braços as águas do rio.
Ondas começam a se formar, até se tornarem um enorme furacão no local onde o menino tinha sido afundado. Quando tiro toda água de lá, vejo que não há nenhum sinal do aluno. O que causa mais choro a garota, Lydia, que tinha Guilherme em seus braços.
– Temos que voltar. — Me viro para os três, apontando para Guilherme. — Ele precisa de ajuda.
Lydia
Eu não posso acreditar que levaram o Igor, mesmo tendo assistido. Eu sou uma estúpida, fraca. Eu deveria ter feito algo, se eu tivesse estudado mais feitiços, me esforçado mais, talvez isso não teria acontecido.
E Guilherme, desmaiado, na enfermaria. Nenhuma notícia sobre ele até o momento. Não nos deixaram ficar lá com ele. Agora eu e Rafael, estamos em uma sala de aula junto com o Prof. Miguel. Eu tinha que saber o que aconteceu com o Guilherme.
– Quero saber absolutamente tudo sobre isso, professor. — Falei, de cabeça baixa.
– Eu também. — Rafael estava bem sério, preocupado.
– Vocês conhecem a história de um aluno chamado Edward? — O professor se aproxima de nós. — Tem o quadro dele em um dos nossos corredores.
– Conhecemos. — Eu e Rafael falamos juntos, ele me olha com um sorriso no canto da boca.
– Então sabem que existe um feitiço proibido que lhe dá incrível poder, mas traz a consequência de ter uma aparência horrível. — Miguel estava mais sério que nunca. — Algo parecido aconteceu com o amigo de vocês.
– Isso é impossível. — Lhe interrompi. — Guilherme não faz ideia de como realizar um feitiço como esse.
O professor me lança um olhar mortal, que faz minha espinha congelar. Automaticamente, anoto em minha mente, nunca mais interrompe-lo.
– Algo parecido, semelhante, aconteceu com ele. — Enfatiza cada palavra. — Isso pode ocorrer com alguns bruxos.
– Desculpe, ainda não entendi. — Rafael diz.
– Alguns bruxos, tem mais poder que outros, sua força, sua mágia é mais poderosa. — Ele se vira de costas. — Isso pode ser interferido por ancestrais, ou pela própria pessoa.
Isso explicaria o porque de muitos bruxos não aprenderem certos feitiços facilmente, o que é bem injusto, mas eu sei de uma coisa que não bate com a explicação do Prof. Miguel.
– Desculpe interromper, mas eu estudei que todos bruxos podem aumentar seu poder quase infinitamente, desde que treine adequadamente. — Rebato, confusa.
– Pois bem, deixa-me explicar melhor. — O professor me lança um sorriso irônico. — Esses bruxos nascem com essa quantidade de poder já disponível, pra um bruxo normal chegar a essa quantidade, tem que treinar muito.
Agora sim entendi. Isso é bom, mas como o Guilherme liberou esse poder naquela hora? Ele poderia ter virado um monstro, e se acontecesse o que aconteceu com o Edward? Ponho a mão no peito. Eu não aguentaria perder Guilherme depois do que aconteceu com o Igor.
– Como você disse, o menino não sabe o feitiço. — Fixa o olhar em mim. — Por isso foi diferente, pois ele apenas liberou sua raiva, seu medo de perder o amigo.
Abaixo a cabeça novamente.
– O poder enorme dele foi liberado, e não sabendo controlar, seu corpo foi se adaptando. — Continua, sério. — Mas não seria igual ao feitiço, o corpo não ia aguentar e possivelmente ele morreria.
– Não pode ser. — Meus olhos enchem d'água.
– Sabendo o feitiço, o corpo consegue se adequar para recebe-lo. — O professor suspira. — Não sabendo, ele não consegue.
Rafael me olha preocupado. Põe a mão sobre a minha e aperta. Fico envergonhada na hora, mas sei que ele só está preocupado, não devo pensar em coisas sem sentido.
– Vai ficar tudo bem. — Me lança um olhar mais tranquilo, o que me alivia um pouco.
Igor
Fico desesperado vendo o pai de Guilherme daquele jeito. Tento gritar, mas nenhum som sai da minha boca, o que me deixa angustiado.
– Acho que nosso convidado quer se manifestar. — A voz do homem estava diferente, estava feminina.
– Fuja. — O pai de Guilherme diz com muita dificuldade.
Eu tento me mexer, mas não consigo, era como se eu estivesse carregando uma tonelada nas costas. O homem misterioso se cobre de fumaça, antes de aparecer nas brechas de luz. Meu olho se arregala com o que vejo. Quando a fumaça some eu enxergo claramente. Era uma mulher.
– Gostou da cena? — A menina solta uma gargalhada. — Porque sempre o misterioso tem que ser homem? Só brinquei com você.
Ainda não consigo me mexer, e o olhar do pai de Guilherme ficava ainda mais desesperado quando olhava para a moça. Ela tinha pele clara, cabelos castanhos escuros, encaracolados. Sua altura era normal, um pouco baixa, mas isso não me deixava com menos medo de tudo ali.
– Meu nome é Gabrielle, Igor. — Diz antes de segurar meu queixo e me beijar. — Muito prazer.
Minha cabeça quase explode no momento, literalmente, uma pressão enorme a preenche. Não dá pra saber se é pela surpresa disso tudo ou algo que a maldita me fez com esse beijo. Que infelizmente, eu não havia odiado.
– Vai ser bem aproveitado aqui. — Sua voz estava muito maligna.
Rafael
Finalmente estávamos na enfermaria, a enfermeira tinha liberado nossa visita. Guilherme estava bem no momento, mas não tem como descobrir quando ele vai acordar. Seu coração estava muito acelerado, mas conseguiram melhorar isso. Lydia não tirava os olhos dele, ela realmente se importava muito.
– Obrigado por ficar assim comigo. — Me surpreende ao me dar um sorriso.
– Não tem o porque agradecer, ficarei o quanto precisar. — Retribuo.
– Nos conhecemos a pouco tempo, mas sabe, criamos uma ligação muito forte. — Seus olhos se enchem d'água ao olhar novamente para ele. — Eu, ele e o Igor, sempre estamos juntos.
– Eu já havia percebido isso. — Solto uma pequena risada. — Não desgrudam.
Fico feliz por faze-la rir um pouco, isso me deixava bem. Conversar com ela era bom. Estou com muita raiva de mim por não conseguir impedir aquelas malditas Sombras Demoníacas. Infelizmente não fui forte o suficiente. Mas vou ser.
– Com licença. — Ouço uma voz familiar. — A enfermeira me deixou entrar.
– Marina, irmã!. — Levanto e a abraço. — Que bom que está bem.
– Estou sim, acabamos de chegar da expedição. — Sua voz estava preocupada. — E você, está bem? Desculpe não estar aqui.
Marina, minha irmã e outros dos melhores alunos de Tworn foram convidados a uma expedição, eu também, mas não senti vontade de ir. Ainda bem.
– Estou sim. — Suspiro, triste. — Mas muitos nem tanto.
– Marina. — Minha irmã estende a mão para Lydia. — Sinto muito pelo seu amigo.
– Lydia. — A garota responde enquanto aperta a mão. — Obrigado por se preocupar.
– Qualquer coisa, pode contar comigo. — Sorri.
Marina era dois anos mais velha que eu, sua altura era normal, sua pele morena clara e seus cabelos castanhos escuros. Olhos também. Não muito parecida comigo, havia puxado mais nosso pai e eu, nossa mãe.
– Isso aqui foi horrível. — Tremo um pouco ao pensar. — Sombras Demoníacas.
Seu rosto se encheu de medo.
Igor
– Me solta! — Grito com raiva. — Sua louca!
– Calma, querido. — Seu sorriso era o mais irônico que eu já vi. — Quero brincar bastante com você.
Eu estava com raiva e muito confuso. Eu não sei o porque disso tudo estar acontecendo, pois a minha ultima lembrança antes das visões foi o salão principal de Tworn sendo atacado. Mesmo não admitindo, estou com medo de ter morrido. Isso seria um castigo após a morte?
– Você tem poder, Igor. — Seu sorriso era brilhante de tão branco. — E não sabe muito bem disso.
– Foge, garoto. — O pai de Guilherme cospe palavras fracas.
– Cale-se. — Gabrielle aponta a mão aberta, fazendo-o dar gritos de agunia.
– Pare com isso. — Digo entre os dentes, furioso.
Eu precisava salvar o pai do meu melhor amigo. Ele acredita que seu pai vai voltar, ele é sua única familia. Alguém que o ame de verdade, e não o ache um monstro. Alguém que o ajuda quando precisa de carinho. Eu quero machucar essa mulher.
– Muito bem querido, vou te explicar umas coisas. — A mulher se aproxima bastante com um olhar pesado.
– Não! — Grito bem alto.
Gabrielle é jogada na parede em uma velocidade incrível, que com certeza a machuca. Ela parece desnorteada com a situação, pois consigo me mover perfeitamente agora. Ela me lança um olhar mortal, que parece congelar minha alma. Levanta suas mãos e algo arrepiante acontece. O teto do cômodo estava muito escuro e de lá começa a cair serpentes, uma maior que a outra.
– Vai pagar. — A mulher cerra os dentes.
Começo a gritar tão alto que sinto poder correndo em minhas veias. Forço meus braços para a frente e é quando me sinto mais poderoso. Três lobos feitos de pedras sabem da parede, no lugar de onde saíram ficaram buracos, como se tivéssemos quebrado elas.
Os lobos avançam e atacam as serpentes, que reagem. Dois lobos enfrentam várias serpentes de vez, conseguem destrui-las com as garras mas elas explodem, levando os dois com elas. Gabrielle voa pra uma parte do quarto que estava totalmente escura, e com sua mão a ilumina. Quase desmaio com o que vejo.
– Mande seu pequeno lobinho embora. — Suas unhas crescem e ficam em chamas. — Ou adeus a esse aqui.
Ela coloca as unhas bem próximas do pescoço de Prof. Alfredo. Vivo.
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