The Story Of The Witch
6 Capítulo 6 - Traidor
Notas iniciais
Cap VI — Traidor
Igor
– Como isso é possível? — Minha voz estava trêmula. — Isso é uma ilusão?
– Quer mesmo saber? — Gabrielle me lança um olhar afiado. — Acabe com esse lobo, garanto a você que não existe ilusão aqui.
Eu não sei o que pensar. Se eu desfazer o feitiço, ela me prenderá, e sabe lá o que fazer comigo. Por outro lado, se eu não desfazer, ela pode matar o Prof. Alfredo. Não parece ilusão, mas como é possível aquele corpo que vi? E se for falso o corpo, como o Prof. Rodolpho não descobriu quando analisou?
– O que vai fazer se eu fizer o que me pediu? — Pergunto sério.
– Não matarei esse velhote, irei até você e deixa-lo onde você deveria ter ficado. — Um sorriso enorme e macabro se forma eu seu rosto. Ela estava se divertindo.
Eu não quero ser preso. Quero sair daqui com o Prof. Alfredo e o pai de Guilherme. Meus olhos fazem uma pequena e rápida análise do local. Perto de Gabrielle tinha uma parede. E se eu conseguir criar um lobo dali? Poderia ataca-la sem dar a chance dela tocar no professor. Pode ser uma boa ideia, e é isso que vou tentar. Me concentro na parede pensando que isso é o único jeito de nos salvar. O poder corre dentro de mim, mas é interrompido por um choque que sinto na nuca, antes de desmaiar.
Lydia
Eu, Rafael e Marina estávamos ainda na enfermaria conversando sobre o ocorrido. Marina estava se culpando por não estar presente, mas Rafael e eu tiramos um pouco disso de sua mente. E então entramos mais no assunto de Guilherme. Olhando pra ele, estava perfeitamente normal, com exceção do seu cabelo, que estava enorme, semelhante a uma juba. Faço um carinho nele. Assim que acordar, cortarei pra você, bruxo.
– Você gosta dele. — Marina ri.
– O que? — Digo sem jeito, com o rosto quente.
– Não diga isso, irmã! — Diz Rafael, corado.
– Desculpe, mas é que pareceu no seu olhar. — Marina ainda solta uma pequena risada.
– Com licença? — Uma menina aparece, ao seu lado tinha um garoto, provavelmente mais velho.
– Sim. — Digo para menina de olhos cor de mel, e pele morena clara.
– Meu nome é Emily. — A menina disse, mas sua atenção era em Guilherme. — Qual o nome dele?
– Guilherme. — Respondo um pouco confusa. — Porque?
– Ele me salvou. — A menina tem um olhar preocupado.
Pera ai, Guilherme salvou essa menina? Quando? Eu não lembro disso, então provavelmente foi antes dele ir para o salão principal, onde nos encontramos. Não entendo o porquê, mas me sinto desconfortável com o jeito que ela o olhava. Me apresento a garota, junto com Rafael e Marina. Ela nos apresenta ao menino que a acompanhava, era seu irmão, chamado Caio. Logo ela nos conta como Guilherme a salvou. Falando também que ele cuidou do seu ferimento. Até chegarmos o porquê dele estar nessa situação, expliquei tudo a ela.
– Ele tem previsão de acordar? — Sua voz estava baixa, e seus olhos cor de mel fitavam Guilherme.
– Sem previsões. — Rafael diz primeiro.
– Se quiser, pode ir descansar. — Emily sorri pra mim. — Eu fico aqui com ele.
Essa ideia não me passa na cabeça, mas Rafael e Marina concordaram que era uma boa coisa a se fazer. No final eu resolvi aceitar, para tomar um banho, comer alguma coisa e voltar pra cá. Não posso ficar muito tempo longe do Guilherme, estou insegura. Igor iria estar aqui o tempo todo com ele. Preciso fazer isso. Por eles.
Igor
Acordo muito tonto, e não consigo sentir muito bem os braços e pernas. Aperto os olhos e os abro novamente. Espero voltar a minha visão normal e olho ao redor. Eu não estava mais naquele quarto, pois o de agora as paredes não estavam quebradas, porém não deixava de ser velho e escuro. Quando recupero um pouco de força no braço, faço força, mas tudo sem sucesso. Eu estava com correntes bem fortes nos braços e pés. Com certeza tinha algum feitiço nelas. Eu não tenho ideia do porquê desmaiei.
– Meu lindo, está acordado? — Ouço a voz de Gabrielle quando a porta se abre.
– O que aconteceu? — Pergunto cansado.
– Meu amor me ajudou. — Um gigante sorriso malicioso se forma em seu rosto. — Entre, querido.
Engulo a seco imediatamente com o que vejo. Um homem muito parecido com um leão entra no quarto, mas leão é o que menos se parece. Tinha juba sim de leão, porém de lá saiam dois grades chifres vermelhos. Em suas costas haviam duas asas, encolhidas, mas pareciam grandes. Sua pele tem uma aparência escamosa. Ele também tinha uma calda, onde era pontuda no final. Sua presença me dava medo, mas não abaixei a cabeça. Foi então que vi seus olhos, pois eram vermelhos.
– Onde estão os dois homens? — Pergunto em tom seco.
– Estão em outro quarto, e estão bem, por enquanto. — A mulher me olha bem séria, o que acho estranho. — Está chegando a hora de você conhecer seu verdadeiro poder.
– O que quer dizer com isso? — Sinto um gosto amargo na minha boca antes de perguntar.
– Olhe para o Edward. — Seu sorriso malicioso volta. — Não é lindo? Poderoso?
Sinto calafrios nesse instante. Ela está tentando me dizer que eu vou ficar desse jeito? Só pode estar ficando louca. O que ela está querendo de verdade? Porque fazer isso comigo? Me pegar, me prender, me beijar. Não a entendo, e isso piora a cada minuto. Eu quero voltar pra Tworn, quero ver meus amigos. Quer ver Guilherme. Quero ver Lydia. Acabo de lembrar do sonho que tive enquanto estava desacordado. Lydia estava nele, estava sentada do meu lado, me olhando. Lembro de tocar minha mão na dela. Infelizmente acordei logo após.
– Eu nunca vou fazer o que você quer. — Olho pra ela com raiva.
– Você não terá escolha. — Diz ao me acariciar na cabeça, como se eu fosse um cachorro.
Lydia
Eu havia acabado de sair do banho e vestir uma roupa mais confortável. Eu não precisarei usar uniforme enquanto não tiver aula, e pelo visto não terá durante um tempo. Rafael e Marina estavam comigo no quarto. Enquanto eu estava no banho, tudo que ocorreu me veio a mente. Não consegui contar as lágrimas. A cena de Igor sendo envolvido por aquelas bestas foram as que mais me assombraram. Eu não acredito que ele esteja morto, pois eu não quero. Uma dor muito forte me vem ao peito quando penso sobre isso.
– Lydia, Rafa me contou sobre o seu amigo Igor. — Marina me fita séria. — Ele disse que acredita que ele esta vivo, isso é mesmo sério?
– Obrigado, Rafael. — Ponho a mão no ombro dele. — Eu acredito que ele esteja, ele foi levado para baixo d'água, mas o Prof. Miguel tirou a água do local onde ele afundou, ele simplesmente desapareceu.
– Acho que posso ajudar em algo. — Marina se levanta da cama vindo em minha direção.
Sei que ela quer ajudar, mas com tudo isso, é meio difícil. Como ela poderia ajudar? O único jeito seria encontrarmos pra onde ele foi levado. Isso se ele não estiver.. não. Ele está vivo!
– Me de sua mão, e pense no Igor, pegue alguma lembrança que ele esteja presente, uma lembrança forte, e então feche os olhos. — Marina sorri confiante.
Lhe dou as mãos e fecho os olhos. É muito difícil manter meus pensamentos em só uma coisa, mas aos poucos vou me concentrando. Uma coisa vem a minha mente sem querer. A primeira vez que vi o Igor. Eu estava andando por um dos corredores, lendo sobre o feitiço Ignus Spiritus, quando esbarro forte em alguém. Nós dois caímos, e então eu olho pra ele. Um menino de cabelos e olhos castanhos, com um sorriso bem desajeitado, mas charmoso. Ele me ajuda a levantar, pede desculpa e se apresenta rindo.
Foi então que tudo escurecei, fiquei um pouco assustada, mas logo passou. Cenas estranhas começaram a se passar pela escuridão, pessoas sentadas a mesa comendo, trabalhando em escritórios, correndo de manhã, até que para em uma cena especifica. Vejo Igor e uma mulher, o rosto dela estava borrado, assim não consegui identifica-la. Ela chega bem perto de Igor e o beija. Não no rosto, na boca. Um sentimento muito forte e ruim me vem ao peito. Eu estava sentindo raiva, não consigo controlar meus pensamentos, tudo vai sumindo e a ultima coisa que ouço e Igor a chamando de louca.
– Calma. — Marina me diz ofegante, eu também estava.
– Como fez isso? — Digo com pouco ar.
– É um feitiço forte, mas também é difícil de controlar. — Responde tomando ar.
O feitiço realmente era forte. Como ela sabe faze-lo? Não importa, pois agora sei que Igor está vivo. Isso me deixa realmente feliz. Mas não é por isso que deixo de ficar confusa e com raiva daquela cena. Eu escutei no final Igor chamando a mulher de louca, acho que é a coisa mais inteligente que ele já disse.
– O que viram? — Rafael pergunta, ansioso.
– Ele está vivo. — Não consigo conter o sorriso.
– Fico feliz por isso, mas conseguiram ver onde ele está? — Rafael sorri também, mas estava com os olhos preocupados.
– Me desculpe Lydia, eu tentei fazer com que fosse mais forte, mas não consegui. — Marina se senta cansada na cama. — Eu não consigo controlar muito bem, é muito forte.
– Isso já foi mais que o suficiente. — Lhe dou um abraço. — Saber que ele está vivo é ótimo. Mas é que com certeza ele sofre perigo.
– Só irei descansar um pouco e tentamos novamente, ok? — Marina fala animada.
Prof. Miguel
Estou em minha sala, corrigindo provas desses alunos desprezíveis, mesmo minha mente ainda estando naquele rio. O aluno Igor foi levado pelas Sombras Demoníacas e eu não tenho muitos palpitos do porquê. Enquanto o Guilherme, tem um grande poder escondido por trás daquele rosto tolo. Quando acabo de corrigir uma prova, pego outra logo em seguida. Minha mão treme um pouco. A prova pertencia a menina que estava no refeitório, que foi a primeira atacada pelas sombras. Minha mão treme cada vez mais, até que jogo a prova sobre a mesa.
Minha sala estava escura, pois as cortinas estavam fechadas. Apenas um abajur está ligado em cima de minha mesa, sua luz não é muito forte. No resto da sala, que era pequena, estava minha poltrona, onde sempre tiro um tempo para pensar. Do lado oposto, estão minhas estantes de livros, os quais, a maioria, li diversas vezes.
Outro assunto que não sai de minha mente, é a morte do Prof. Alfredo. Meu único amigo. Morto por uma simples Sombra Demoníaca? Isso tudo é muito estranho. O Prof. Rodolpho havia afirmado com toda certeza que tinha saliva dessas besta no seu estômago, porém, não consigo acreditar. Eu e ele já matamos algumas desses monstros, e o poder do meu amigo é muito alto. Conhecedor de vários feitiços poderosos, como pode ter uma morte assim?
Havia mais. Eu já tentei usar meu melhor feitiço de rastreamento só para ver, e uma coisa estranha aconteceu. Me mostrou uma imagem totalmente embaçada, onde não podia se enxergar nada. Isso podia não significar nada, mas esse não é o caso. O feitiço que usei me mostra a pessoa, o que ela está fazendo no momento, mesmo estando morto eu iria ver o seu corpo e não uma visão embaçada.
A porta da minha sala abre, bem devagar, fazendo um barulho agudo. Aberta só um pouco, apenas mostrava uma flecha de luz do corredor. Franzi as sobrancelhas e esperei. Nada. Começo a levantar sem fazer barulho, e é quando sou surpreendido por uma sombra em formato de mão, que agarra em minha gartanta e me joga na parede.
A mão era em formato humana, pois não havia garras, se houvesse eu estaria morto. Agarro a sombra com as duas mãos e forço para se soltar, ela começa a afrouxar mas em seguida recupera a força. A porta se abre completamente, me fazendo arregalar os olhos. Prof. Rodolpho entra por ela, com um sorriso hostil.
– Porque está fazendo isso? — Digo com dificuldade, enquanto faço bastante força para afrouxar a sombra do meu pescoço.
– Vai acabar rápido, seu merda. — Rodolpho me mostra uma faca, parecia bem afiada.
Fecho meus olhos e agarro mais forte na sombra. Das minhas mãos luzes bem fortes saem e conseguem evaporar a sombra, mesmo com dificuldade. Sem pensar duas vezes, miro as mãos em direção ao maldito.
– Spinas abyssi! — Digo com ódio.
Atrás de mim, no ar, aparece uma chuva de espinhos, tinham de quinze a vinte centímetros. Sem pensar mais, mando todos em direção ao Rodolpho. A velocidade foi bem alta. Prof. Rodopho me olha bem atento e grita: "SUBVOLO". Minha poltrona e duas estantes levitam em direção a frente do homem, se encostam o máximo possível, formando uma proteção ao desgraçado, que quando o ataque de espinhos acaba, me olha com desprezo.
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