The Secret Behind Your Eyes
21 O apagão. Parte 1
Notas iniciais
Mas parando as explicações por aqui.
Agora com vocês, a continuação da saga do apagão na ordem... Muhahahahahaha...
AH, SIM. ESSE CAP SERÁ NA POV DO KANDA!
Eu tava com saudades das POVs dele.
Era incrível como nem o gerador da ordem agüentava a voz irritante daquele usagi, foi só o idiota gritar e a luz acabou. Eu mereço... Já não basta uma moita, uma montanha e uma gazela me enchendo o saco desde o corredor, a porra da luz ainda tinha que acabar.
Desembainhei a mugen discretamente e a passei por trás do moyashi de modo que nem ele percebeu. O que é? Estamos na ordem negra, todo cuidado aqui é pouco. O primeiro pervo que se atrevesse a chegar perto iria ser fatiado ao meio.
–Que barulho foi esse? – Marie perguntou confuso. Não era como se ele pudesse ter notado a diferença de iluminação.
– Apagão – Respondi com a mandíbula travada. Todos os meus pressentimentos para aquela noite eram péssimos.
– Unnnn... Assim... De novoo... – Daisya começou a gemer dormindo no colo do Mari.
Porque diabos eu não poderia estar com o moyashi no corredor ao invés de preso numa sala cheia de pervertidos agora?
– Kanda... O que eu faço? Ele ta agarrando minha perna. – Marie perguntou deseperado.
– Bate nele, dã. – E tem outra solução?
– Yu-kun, não seja malvado com o Dai-kun! – Reclamou Tiedoll do canto da sala.
Ah como eu queria mandar esse velho de foder...
– Kanda... – O moyashi sussurrou roçando os lábios na lateral do meu pescoço.
Coisas que nunca deveria ter acontecido: Um certo exorcista moyashi ter descoberto sobre a minha sensibilidade excessiva em um certo lugar, que ficava bem ao alcance dele pelo fato de ser menor que eu.
Mas bem... Se eu realmente tivesse algo contra, teria começado a usar cachecol...
– hm? – Respondi sentindo ele sair do braço do sofá e sentar no meu colo.
Só espero que esse apagão dure beeem muito.
– O que acha de... – Ele começou com aquela voz nada sugestiva.
– Acho ótimo.
O puxei pela nuca com minha mão livre acabando finalmente com aquela distância incômoda entre nós. Suas mão acariciavam docemente meu rosto, ao contrário da sua boca que atacava a minha com um desejo que ninguém nunca imaginaria que alguém tão “inocente” fosse capaz de sentir.
Firmei minha mão na sua perna, me inclinado mais para frente, passando o braço que eu segurava a mugen pela sua cintura, intensificando o contato. Mordisquei seu lábio em meio ao beijo ouvindo ele quase arfar meu nome e o calando com outro beijo bem a tempo. Afinal, estávamos em uma sala cheia de gente. E mesmo que eu nunca vá admitir em voz alta, aquilo era excitante.
Então do nada, comecei a sentir umas mãos alienígenas descendo pelas minhas costas (desvantagens de ficar meio de lado no sofá) e uma coisa quente e úmida subindo pelo meu ombro em direção a minha nuca. Oe, perai...
Que. Porra. É. Essa?
Posicionei a mugen de modo que acertasse em cheio a têmpora do infeliz, mas antes que eu pudesse fazer algo, sinto apenas um punho passando perto do meu rosto e acertando em cheio o ser que estava atrás de mim. Depois disso somente o som de um corpo inerte caído no chão foi ouvido no ambiente.
Acreditem se quiser, mas o moyashi acabou de acertar um belo de um soco com toda a força da mão esquerda em algum infeliz, conclusão, a probabilidade do indivíduo estar morto é 90%, os outros 10% são as chances dele de não ter morrido imediatamente e estar agonizando agora.
– EU VOU TE ESTRANGULAR SEU TARADO DO INFERNO! – o moyashi berrou possesso e pulou por cima do meu ombro, por sorte eu consegui segura-lo antes que fizesse algo que fosse se arrepender mai tarde.
– Gente! Achei uma lanterna!
O Komui gritou depois de muito remexer na gaveta e então ligou o objeto o apontando na nossa direção. A cena era a seguinte:
Eu tava quase deitado no sofá segurando um moyashi com o instinto assassino a flor da pele enquanto uma pessoa realmente inesperada estava estatelada no chão com a mão no rosto e uma cara de choro.
– DAISYA???!!
Todo mundo gritou em uníssono e eu apenas arregalei os olhos.
WTF?! Que mundo surubado é esse??? Desde quando a gazelinha está seguindo os passos do usagi?
– Dai-kun, por quê você estava agarrando o Yu-kun?
Tiedoll perguntou em tom de advertência. Bem que eu disse que quebrar espelho da azar, o desgraçado conseguiu irritar até o velho (coisa que nem eu consegui em anos tentando arduamente).
– E-eu... snif... Não tava agarrando o aniki-cretino-kun – ele começou com a voz trêmula – EU TAVA NA CAMA COM O ADAM LAMBERT!
– QUUÊÊÊÊ????
Lá vai todo mundo gritando ao mesmo tempo de novo. Cacete, que saco isso.
– O pior é que é verdade, até o momento do soco Daisya ainda estava dormindo. – Esclareceu Marie.
Bom lembrar de não passar perto desse maníaco a noite, vai que o nível de sonambulismo piora...
– Oe, sua cara ta rachada.
Apontei para sua bochecha onde começara a surgir uma rachadura que aumentava a cada vez que ele se mexia.
– Como é o babado beesha? – Ele começou a se desesperar.
– Bicha é a puta que te pa...
– Kanda! Eu matei o Daisya!! – Exclamou um moyashi a beira das lágrimas.
– Relaxa, vaso ruim não quebra. – o tranqüilizei — Mas esse bem que tá trincando...
Foi só eu calar a droga da minha boca que a cara do troço terminou de rachar e caiu um pedaço no chão.
ÃÃNNNN???
– KYAAAAHHHHH!!! Minha base bronzeadora!!! Snif... Snif... Buaaahahhaaaaaa...
Cutuquei o pedaço de reboco no chão com a ponta da mugen observando aquilo virar pó.
– Ta brincando que esse negócio absorveu todo o impacto do soco do moyashi né?!
Isso é que é ver algo inútil servindo pra alguma coisa.
– Acho que vou começar a usar maquiagem também, Daisya, me ensinaaa? – Começo Komui. Pronto, agora vai ter mais uma gazelinha pra encher o saco. Só espero que o novo bambi não adquira o mesmo delírio por glitter que o anterior, ou pode apostar que as coisa vão ficar sangrentas.
Ei, um momento ai, se era a bicha saltitante que estava atrás de mim, então...
– Oe, cadê a porra louca do usagi?
Perguntei fazendo todos os presentes se alarmarem. De fato, aquele ruivo pervertido não era alguém que se podia perder de vista (sabe-se lá o que aquele idiota pode estar aprontando pra você na escuridão da sua mente suja...).
O komui passou a lanterna por toda a extensão da sala e... Nada. Algo me diz que isso não vai prestar.
O som de uma risada maligna acompanhada por uma voz feminina cantando ao fundo ecoou pelo lugar e eu senti o moyashi ter uma calafrio. E com razão.
– Cross Marian e... – Comecei.
– Grave of Maria – Ele completou.
Não foi preciso nem um segundo para que nos buscássemos nossos tampões de ouvido antes de acabarmos caindo no feitiço daquele puto. Eu sei que qualquer um nesse momento pensaria: “ Quem diabos anda com tampões de ouvido por ai?” Simples. Qualquer um que conheça o General Cross.
E como se não pudesse piorar, de repente a luz da lanterna do Komui apagou, nos deixando na mais completa escuridão.
– Mugen... Ativar.
Mal deu tempo de usar a iluminação da minha espada para vislumbrar alguma coisa e uma cabeleira ruiva surgiu das sombras e saltou em cima da gente segurando a mugen pelo lado não cortante.
– Como se atreve usagi imbecil?? – Berrei lhe acertando um chute na barriga com uma certa dificuldade pra não acertar o albino que tinha caído em cima de mim e estava entre eu e o retardado que tinha pulado na gente.
Aproveitei a distração do usagi para virar a mugen do lado cortante e fatiar aquele animal em seiscentos e sessenta e seis pedacinhos (só pra garantir sua ida ao inferno mesmo), mas o moyashi ativou sua inocência e segurou a mugen me impedindo de matar minha vontade de matar.
E tirando proveito da situação, o usagi se abaixou com um olhar mega sacana, piscou pra mim e lambeu libidinosamente a lateral do rosto do MEU moyashi.
Agora sim ele pediu pra morrer.
– VOU TE MANDAR PRO INFERNO FILHO DA PUTA!!!
Acertei uma joelhada bem no meio das suas pernas e quando ele se levantou pra gritar de dor, um chute na cara com força o suficiente para mandar aquele idiota para o outro lado da sala, o lançando contra um armário que caiu em cima dele logo após o impacto.
Me levantei deixando minha mugen com o moyashi (eu sabia que naquele momento ele não ia soltar mesmo...) e sai decidido a quebrar aquele usagi na porrada mesmo.
Senti um vento vindo da minha lateral e segurei seja lá o que for que tentaram acertar em mim antes que me atingisse. Olhei na sua direção certo de que não veria nada, mas eu não precisava ver pra saber de quem eram aquelas botas.
Cacete... Até você Lenalee?
– Procurou briga com a pessoa errada, biscate.
A joguei com tudo na mesma direção do usagi. Qualquer coisa que caísse em cima daquele miserável era lucro. E quando eu estava prestes a realizar meu sonho de espancar o maldito até a morte, sinto aquela familiar coisa branca do moyashi me prendendo e acabei sendo arrastado para fora da sala.
No meio do caminho ele pegou a lanterna do Komui, a ligando e nos dando um vislumbre nada civilizado da orgia que estava rolando lá dentro. Daisya se esfregava que nem uma vadia no Komui, Tiedoll fazia strip tease em cima da mesa do supervisor, Lenacorna e seu usagi filho da puta não davam sinal de vida e o Marie estava fumando alguma coisa que ele tinha tirado debaixo do sofá.
Assim que saímos o moyashi trancou todos aqueles malucos lá dentro começou a gritar alguma coisa pra mim que eu simplesmente não ouvi, depois de identificar as palavras “agressividade” e “amigos” com um “não” entre elas, eu resolvi parar de tentar entender.
Até por que, era bem mais interessante observar o movimento daqueles lábios rosados e suculentos ao formarem palavras, e a partir destas, frases, que juntas já deveriam ter formado O Discurso enorme, o qual eu assisti em mudo.
– BAKAAAAANDAAA! – Ele berrou puxando meu tampão de ouvido.
– Sim? – Respondi com cara de paisagem. Sim, sou um ser cínico.
– Será que você não prestou atenção em nada do que eu falei?!
– Claro que não.
– E diz isso com essa cara de pau??
– E eu tenho outra? – Provoquei.
– Ora seu...
– Se acalma moyashi... Estresse dá cabelo branco sabia?
Ele se virou pra mim lentamente com o rosto vermelho de raiva e aquela carinha indignada como se não acreditasse no que tinha acabado de ouvir. E era por isso que eu gostava (e ainda gosto) tanto de irritar o moyashi, nada me diverte mais do que a cara que ele faz quando ta puto da vida.
– C-cala a boca ô Rapunzel! – Ele gritou vermelho de ódio e com o punho tremendo me fazendo soltar a risada que eu tava segurando esse tempo todo.
– Para de rir bastardo! – Ele reclamou franzindo as sobrancelhas e cruzando os braços numa tentativa falha de parecer ameaçador. Sério esse moyashi quer me matar... De rir.
– Ok hiena, então fica rindo da minha cara ai sozinho que eu vou embora. Humpf.
Fiz um esforço sobrehumano para parar de rir por um momento e espiei a direção por onde ele estava indo. E a vontade de rir voltou.
– Eu não iria ai se fosse você... – Falei indiferente tentando não dar bandeira que eu estava prestes a começar a rir que nem um possuído novamente.
– VÁ SE DANAR! – Ele respondeu se afastando.
Me desenrolei daquele troço branco e guardei a mugen na bainha.
Bem, depois não diga que eu não avis...
– AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!
A única coisa que a minha visão conseguiu acompanhar foi um vulto branco com uma lanterna na mão se escondendo atrás de mim.
– Eu disse...
– E-eu nem sabia que aquilo era possível. – Ele murmurou meio assombrado.
– Da próxima vez, tente passar longe de onde você ouvir gemidos suspeitos.
–Vou lembrar disso.
Ele realmente tinha ficado assustado com o que viu.
– Sobe ai. – Me virei para que ele pudesse subir nas minhas costas.
– Yeaahh! – Dava até para ouvir o sorriso de orelha a orelha na sua voz. A criatura adorava me fazer de “cavalinho”.
– E desliga a lanterna, ou vamos chamar muita atenção para nós.
Ele apagou a luz de imediato e eu comecei o trajeto.
– Não te atrapalha me levar nas costas?
Resposta educada que eu nunca vou dar: Não.
Resposta sincera:
– Se eu te colocar no chão você se perde.
Ouvi só uma risadinha em resposta.
– E como sabe onde está indo nessa escuridão?
Impressão minha ou ele vai me lotar de pergunta só pra encher minha cabeça?
– Vivo aqui desde os oito anos, conheço esse hospício como se fosse o cabo da mugen.
– E... Onde estamos indo? – Ele acabou rindo no meio da pergunta. Definitivamente tava tentando me irritar.
Resposta que eu tive muita vontade de dar: Pro inferno.
Resposta real:
– A um lugar onde o som da Grave of Maria não chega.
– Nossa... Isso existe?
– Pois é, mas é no fim do mundo. Então segura.
Comecei a correr virando os corredores de acordo com as coordenadas que eu tinha memorizado quando era criança. Acontece que eu tinha redescoberto aquele lugar na mesma situação na qual nos encontramos agora, fugindo da maldita inocência de Cross na base do salve-se quem puder. Mas como eu tinha o descoberto pela primeira vez, eu preferia não lembrar.
Passei dois corredores, virei a direita, mais uma direita, mais cinco corredores, passei pelo hall e avancei pelo corredor seguinte com a certeza de estar seguido. Qualquer um poderia julgar impossível detectar um perseguidor sorrateiro nessa escuridão, mas eu posso dizer que ouvir ou enxergar o inimigo era o de menos, principalmente quando se pode sentir seus passos silenciosos, precisos e ritmados com os seus.
Aumentei a velocidade e por um momento, onde nossos passos se desincronizaram, pude ouvir um “tec tec” estranho. Com certeza não era ninguém da ordem, primeiro porque nenhum deles seria suicida o suficiente para me seguir, e depois , pela primeira vez a minha intuição me mandava correr o para o mais longe possível daquele ser.
Forcei mais minhas pernas e virei a direita quase derrapando, para logo depois virar alucinadamente a esquerda duas vezes, despistando temporariamente o filho da mãe. Parei bruscamente no meio do corredor desembainhando a mugen.
– Kanda, o que está acontecendo? – O moyashi perguntou descendo das minhas costas e vindo para o meu lado pensando que era minha frente.
– Só ouve. – Segurei fortemente sua mão e o puxei para mais perto pra poder sussurrar em seu ouvido – use a sua inocência para prender sua mão na minha, ou vai acabar se perdendo, depois que eu atacar me siga o mais rápido que puder. Depois explico.
Ele apenas confirmou e eu senti uma coisa quente envolvendo meu pulso.
Fechei os olhos (que só atrapalhavam nessa situação, já que não dava pra ver nada mesmo) me concentrando em perceber a aproximação do inimigo. E dessa vez era rápida e direta.
– KAICHU ICHIGEN!
– Mas como voc...
– CORRE!
O puxei pelo corredor lateral que terminava em um lance de escadas que nos continuamos subindo freneticamente com o infeliz bem na nossa cola e minha intuição martelando mais e mais forte na minha cabeça a medida que o troço se aproximava.
Quando finalmente chegamos ao fim da escadaria, me joguei contra a porta que havia lá e a fechei bem na cara do perseguidor. Nos encostamos contra a porta ofegantes e deslizamos até o chão, nos sentando. Abri meus olhos, podendo finalmente ver alguma coisa graças a enorme janela de vitral por onde entrava a luz da lua, e confirmei a triste realidade que minha mente estava tentado negar até o ultimo instante.
Eu estava de novo naquele lugar que eu tinha prometido a mim mesmo nunca mais voltar.
– Kanda, você ta bem?
– ...
Ele se aproximou de mim e encostou sua testa na minha enquanto mexia no meu pescoço daquele jeito que fazia todos os meu nervos amolecerem.
– Você tá frio que nem uma pedra de gelo. – Perguntou com aquelas orbes, ainda mais prateadas a luz da lua, demonstrando preocupação.
– Tô bem. Obvio. Deve ter sido por causa da correria.
Bem... Eu não tava, mas nada que meu albino não pudesse melhorar.
– Falando em correria... O que diabos foi isso? – Ele indagou se acomodado no meu colo e mal tive tempo de começar a explicar e um arranhão longo e demorado, daqueles de gelar o sangue e travar a mandíbula, foi ouvido na porta as nossas costas.
– Kanda...
– Estamos numa torre, não tem como aquilo entrar aqui.
– Tem certeza?
– ... Não.
Eu, definitivamente, devia aprender a calar a boca.
No momento seguinte uma coisa preta de capuz e com garras afiadas nas pontas dos dedos alongados, atravessou o vitral nos dando somente um vislumbre de sua forma horrenda e de seus brilhantes olhos amarelos.
Por um milésimo de segundo foi como se tudo estivesse em câmera lenta, o vidro se rachava para logo depois se partir em milhares de pedaços pequenos e grande que flutuavam no ar momentos antes de começar sua trajetória até o chão. Os dentes negros e pontiagudos apareciam em um sorriso satisfeito de um predador que acaba de capturar sua tão trabalhosa presa.
E seus olhos estavam fixos em mim.
Porra, esse negócio de novo?
Ao fim desse segundo, quando seus pés se encontraram com piso de pedra , a criatura se escondeu na escuridão.
O moyashi começou a se levantar, pronto para a luta, mas eu o puxei de volta o segurando em um abraço.
– Ouça, eu quero que você desça essas escadas até o fim. Quando elas acabarem, você vai estar na entrada da ordem, use a lanterna para encontrar o general Cross e mande aquele imbecil parar de brincar de marionetes que a ordem está sendo atacada, você é o único que coloca juízo na cabeça dele e eu duvido muito que esse ai tenha vindo sozinho.
– E quando a você?
Desviei o olhar para o lado bem a tempo de ver uma mancha negra se esgueirando para dentro de um dos “cômodos” daquele local. Mas não qualquer um deles, aquele em especial.
E era minha chance.
Aproveitei o momento de desatenção do moyashi e corri na direção da besta-réptil, me trancando na mesma sala em que ele estava.
– Kanda!
Ele berrou socando a porta de ferro.
– Até um general teria dificuldade para abrir essa porta. Então desista.
Falei o encarando através da grade.
– NÃO ME IMPORTA! – Ele socou a porta com a inocência ativada, mas ainda assim causando somente alguns arranhões no metal.
– VAI LOGO!
– NÃO VOU TE DEIXAR AQUI IDIOTA! – Ele gritou chutando a porta.
– E VAI DEIXAR SEUS AMIGOS MORREREM POR ISSO??
É, eu sei, foi golpe baixo. Mas por um lado era verdade.
Ele parou por um momento me olhando chocado.
– M-mas...
Entrelacei meus dedos nos seus cabelos prateados que caiam pela sua nuca.
– Você confia em mim? – Perguntei olhando no fundo dos seus olhos.
– Confio minha vida a você, Kanda. – Ele respondeu com uma convicção que não parecia pertencer a um garoto de apenas quinze anos, o que de fato, o moyashi não era.
Puxei seu rosto para o meu roubando seus lábios uma ultima vez antes de me despedir, iniciando um beijo intenso que não pararia por ali se não fossem a porta e as grades entre nós.
– Então continue andando, Walker.
Sussurrei seu nome ainda mordendo seu lábio antes de me afastar de uma vez por todas.
– Pode me esperar, por que eu vou te matar quando você sair daí! — Ele gritou antes de começar a correr no sentido oposto ao meu.
Quando sua voz sumiu, foi como se o ultimo raio de luz tivesse sumido do lugar, restando unicamente a escuridão na qual eu iria mergulhar novamente, da mesma maneira que afundei a anos atrás, nessa mesma cela.
– Felizzzz em me verrr de novo, exorcisssta Kanda...? – Uma voz reptiliana soou da escuridão.
– Quer mesmo que eu responda, maldito?
Ironizei ouvindo apenas um riso deturpado em resposta.
A cada palavra daquele monstro minha fúria crescia em proporções descontroladas. Era esse lugar, com certeza. Senti minha expressão se moldar em um sorriso macabro a medida que o ódio transbordava para fora do meu corpo.
– Sabe... Esse lugar foi uma das principais sedes do tribunal da inquisição – Comecei, desembainhando a mugen e passando os dedos pela lâmina fria – Era nessas celas que os prisioneiros eram “interrogados”... E isso me lembra algo que quero lhe perguntar.
– Diga...
– Que tipo de tortura você prefere para sua morte?
–------- EXTRA: POV do Cross --------------------------------------
Eu balançava freneticamente o corpo inerte do meu ruivinho em meus braços enquanto o mesmo não esboçava nenhuma reação.
– QUEM FOI O FUTURO CADÁVER QUE MATOU A MINHA PUTA?
Perguntei muito puto da vida ( o que é extremamente raro) fazendo todos se calarem. Ah, então ninguém vai abrir o bico né...?
– Grave of Maria!
– Maker of Eden!
Antes que algum som fosse emitido, uma porra branca fechou a boca da minha Grave.
Perae... Se Marie e Daisya então aqui, e a moita quatro olhos ficou toda fulinha a ponto de me atacar só porque eu queria uma informaçãozinha, só pode ser...
– Eu sabia que tinha dedo do revoltadinho de rabo-de-cavalo nessa história...
– Você nem ouse...
– Seu filhotinho mimado vai berrar na minha cama essa semana...
O que é? Alguém tem que ocupar o lugar do meu coelhinho pra ele poder se recuperar direito... E admito, sempre tive uma queda pelo traseiro empinado daquele moreno.
– Mantenha suas mãos imundas longe do meu filho!
– Olha, depois que eu me aliviar até pode ser... – A imagem do Kanda cavalgando e gemendo em cima de mim era excitante demais pra ser ignorada – Mas SÓ as mãos. Afinal, se ele ficar por cima eu até poss...
– ORA SEU MISERÁVEL VA...
PRAFT!
Antes que a moita pulasse no meu pescoço, a porta se abriu de vez, quase caindo no chão, a luz forte de uma lanterna invadiu o cômodo e eu aponto minha lanterna para a criatura.
Na soleira da porta estava Allen, com os primeiros botões da camisa abertos, suado, levemente corado e ofegante.
Santa puta que me pariu... Por que é que eu ainda não tinha provado essa delícia ainda?
– KANDATAPRESONUMACELACOMUMMONSTRODEOLHOAMARELOAJUDAONEGAI!
Ah, isso responde minha pergunta.
– Fala devagar desgraça!
Ele me ignorou. ME ignorou. E correu pra moita.
– arf...arf...Kanda...arf... Preso...Cela...Monstro...Ajuda...General...
– YU-KUN! AHHH PAPAI JÁ VAI!!!
Sério, essa moita tem problemas.
– Mestre...
O aprendiz idiota me encarava esperando algo. Ei, ele não tá querendo que...
– Eu ainda to com raiva daquele filho da mãe, nem conte comigo. – Declarei tranquilamente acendendo um cigarro.
– E quem disse que você tem escolha?
Ele perguntou com uma voz um tanto quanto... Ameaçadora?
–O que eu ganho com isso? Um ménage com vocês dois? – Perguntei soltando a fumaça e dando uma bela olhada no garoto a minha frente.
– Sua vida, o que acha?
Olho para o lado e vejo um albino com um olhar fulminante, uma áurea demoníaca e uma inocência potencialmente perigosa ativada.
Não sei por que, mas tenho a leve impressão de que agora eu to lascado.
Notas finais
Como eu disse antes eu estou em semana de prova, mas vou postar normalmente mesmo assim.
Esse é só o começo do meu draminha que eu tinha prometido antes do lemon, acredite a coisa vai embolar muuuito a partir daí.Mas acho que vocês vão gostar.
Tô sem tempo agora (leia-se mãe gritando aqui por causa do castigo)então não vou enrrolar muito.
Essa semana ainda eu vou postar um extra que foi pedido de uma leitora e na próxima, a segunda parte do cap.
Gente, amo vocês! Quero ver todo mundo nos reviews e vou implorar por recomendações até enlouquecer alguem.
KISSU
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