The Secret Behind Your Eyes
14 Algemados? Isso não vai dar certo...
Notas iniciais
Desculpa o atraso! É que eu ia postar ontem, mas antes que eu terminasse de fazer a correção minha mãe puxou o cabo da internet fora (nem xinguei mentalmente nessa hora).
Mas que eu compensei, eu compensei, foram quase 4000 palavras heim?
Enfimmm, o nome do cap ja diz tudo... muahahahahaha.
E Então? Quem foi o espertinho que algemou o casal? rsrsrsrs
Boa leitura!
Espero que gostem.
Depois de uma longa “caminhada” onde a cada degrau que eu descia o moyashi gemia de dor e reclamava de dor de cabeça, nós voltamos ao salão. Sim, você leu certo: Eu, já que no meio da primeira escadaria eu desisti de arrastar a criatura e acabei o trazendo nas costas. Ou talvez fosse só a minha nova mania de carregar o moyashi.
O lugar onde havia rolado a festa estava uma zona dos infernos... Não, o inferno pelo menos é mais arrumadinho. A ordem inteira estava lá, só que desmaiada pelo chão... Balcão... Mesas... Sofás...
Eu e o moyashi apenas olhávamos a cena atônitos até que um dos guardas da entrada chega correndo como se estivesse nas olimpíadas.
– Oe, sua dor de cabeça aind...
–EXORCISTA KANDA!
– O que é?! – Perguntei já enfezado por aquele imbecil ter interrompido minha pergunta ao moyashi e ainda ter chegado gritando, quase fazendo o ser quase vivo nas minhas costas desmaiar de enxaqueca.
– Acabou de chegar uma mensagem avisando que um inspetor da central vai chegar daqui a três horas pela ferrovia.
Ele falou me encarando de cima a baixo com um cara no mínimo... Estranha. Será que esse povo se desacostumou a ver gente por acaso?
– hmm? Que história é essa?
Questionou o moyashi que estava boiando na conversa.
– Por acaso é aquele inspetor? – Perguntei sentindo uma densa áurea negra se instalando a minha volta.
– S-s-sim. – O idiota respondeu trêmulo, mas antes que ele pudesse ao menos cogitar a hipotesa de fugir, eu o agarrei pela gola da camisa o suspendendo com apenas uma mão.
–PARE A PORRA DAQUELE TREM A-GO-RA! – Gritei com raiva o suficiente pra fazer até a algema do meu pulso vibrar.
– Enlouqueceu Kanda?? – O moyashi falou, mas foi totalmente ignorado.
– M-mas Kanda-sama... C-como eu faço... – O infeliz tentou protestar quase chorando de medo, o que só me deixou mais puto. Foi difícil, mas eu consegui lhe lançar SOMENTE um olhar mortal em resposta. Afinal, eu não podia socá-lo com a mão presa ao moyashi.
– Se vira, ou você atrasa aquele trem enquanto eu dou um jeito nessa bagunça filha da puta, ou eu te esfolo vivo. Entendeu? – Falei com uma voz comedida que ficava entre o muito puto da vida e o psicótico.
– S-s-s-sim! – Ele respondeu se borrando. Foi só eu soltá-lo e ele fugiu que nem uma barata. E era bom ele correr mesmo, o desgraçado acabou com a minha manhã.
– Kanda? – O moyashi me chamou puxando uma mecha do meu cabelo.
Olhei pra baixo e ele me olhava com aquela carinha confusa de quem não está entendendo nada. Levantei seu queixo com o dedo e mirei bem de perto aqueles olhos cinzentos.
– Para o seu bem, não entre no meu caminho hoje. – Avisei.
– Kanda...
Eu ainda estava muito puto pelo fato que aquele cachorro vinha cá, e o pior era desconfiar o motivo.
Peguei a primeira garrafa que apareceu na minha frente e fui caminhando até o usagi que estava pelado no chão agarrado com a chifrudinha (Lenalee), que estava no mesmo estado que ele, os dois cobertos apenas pela capa vermelha dela. Dei apenas um sorriso sádico antes de despejar todo o conteúdo da garrafa na cara dele. Olha só... Era wodka.
– SOCORRO! DILÚVIO!!- O idiota acordou desesperado.
– Oe, você. – Ele se virou pra mim assustado – Suma daqui e leve a vadia da sua namorada junto, por que se o Komui vê vocês assim, o pau come.
Ele nem discutiu, vestiu uma calça, enrolou a garota na capa e desapareceu.
Logo em seguida eu fui até uma das mesas e quebrei a garrafa na cara do General Sokaro.
– QUEM FOI O FILHO DE UMA PUTA ARROMBADA QUE FEZ ESSA PORRA??!!
– Foi ele.
Apontei pra Daisya que tinha acabado de acordar com o berro do General. Sokaro olhou pra ele com o olhar de fúria mais ensandecido que eu já vi e se levantou já preparando sua inocência para atacar.
– MORRA SUA PUTINHA DOS INFERNOS!!!
Daisya se levantou, ajeitou a peruca e começou a rebolar.
– Você me quer? Então pega honey!
– GRRRRRRRR!!!!!!
O General saiu atrás dele destruindo tudo que encontrava pela frente.
– Anjinhos da purpurina me protejam! Socorro Santa Gaga minha divaaa! – E o Daisya... Bem, esse mais saltitava do que corria.
Putamerda... Mesmo que essa confusão tenha acordado uma galera, a maior parte ainda estava dormindo. E foi ai que eu tive A idéia. Corri pra trás do balcão, quase derrubando um certo ser albino no processo, e peguei um isqueiro. Mas antes que eu pudesse colocar meu plano em ação, senti um forte puxão na algema me fazendo virar e quase bater de testa com o moyashi.
– Kanda, já chega! Vai acabar matando alguém desse jeit... TIMCAMPPY?!
Olho pra trás e vejo aquela bola amarela boiando num copo de whisky.
– Timcamppy não moooorreee!!! – A criatura saiu correndo, quase me arrastando, pra socorrer o trocinho.
Ele estava quase à beira das lágrimas enquanto tentava ressuscitar o gólem.
– Me dá isso aqui.
Peguei a coisa dourada pelo rabo e fui em direção a pia.
– NÃO! NEM PENSE NISSO! Você vai terminar de matar o Tim e...
Assim que eu liguei a torneira e o coloquei embaixo da água, o bicho acordou e começou a se debater que nem um morcego drogado.
– Viu? Vivinho até demais.
Levantei o bichinho pelo rabo observando aquela coisinha baka que tentava inutilmente me morder.
Puxei uma das suas mãos e acomodei a coisa alada nela, e depois puxei a outra, as fechando com as minhas em cima.
– Problema resolvido – Desfiz o contato antes que eu ficasse muito tempo preso naqueles olhos e me virei pegando o isqueiro e dando a volta no balcão sendo seguido por um moyashi de sorridente ninando um golem de ressaca.
Acendi o isqueiro e joguei numa fantasia de Pedobear que se levantou e saiu correndo loucamente, ativando os sensores de incêndio, fazendo os dorminhocos acordarem com a água gelada.
– Kanda, será que você não tem juízo?
– Engraçado você perguntar...
Comecei a subir as escadas indo em direção a um certo quarto enquanto minha cabeça fervia cada vez mais. Arrombei a porta com um chute e tampei os olhos do moyashi antes que ele ficasse traumatizado com a cena.
Komui, Bak e Reever estavam dormindo pelados, cada um em uma posição mais vergonhosa que a outra. Virei a cama com um chute despertando aqueles pervertidos.
– OE FILHOS DA MÃE!
– K-KANDA?!
Puxei Komui pelo pescoço o deixando sem respirar.
– Assim você me mata baby. – Ok, ignorem este comentário ridículo desse pervo. Apenas apertei mais seu pescoço em resposta.
– Primeiro, você tem meia hora pra achar a chave dessas algemas — O joguei de por cima dos outros dois que saiam de fininho. – Segundo, aquele inspetor desgraçado vai estar aqui em algumas horas.
– O-O QUÊ?? –Ah, agora bateu o desespero, não é?
– Até daqui a meia hora.
Sai batendo a porta e deixando aqueles três malucos enlouquecerem lá dentro.
– Isso é que é ser curto e grosso...
Comentou o moyashi tirando a minha mão do seu rosto e segurando entre as suas.
– Esse cheiro por acaso é... comida?
Ele perguntou cheirando o ar que nem um cachorro.
– Não sinto nada.
– Hmm... Torradas passadas na manteiga, queijo, curry... – Puts, tudo isso? Eu ainda nem tô sentindo nada — ...cookies, pudim, panquecas ao molho, dango... DANGO? Jerrryyyyyy!!!
Aquele sem noção saiu correndo que nem louco me arrastando junto.
– Vai devagar porra!
– Meus dangos não podem esperar!
Ele aumentou a velocidade me fazendo apanhar um pouco pra pegar o ritmo. De uma coisa eu tenho certeza: Se deixarem esse ser sem comida por uma semana, ele quebra a barreira do som.
Depois de chegarmos no refeitório, aquele poço sem fundo devorou no mínimo uns duzentos dangos, uma quantidade incontável de fornadas de cookies e eu acabei desistindo de calcular seu café da manhã e me concentrei no meu copo de água. Devo confessar que descer a escadaria da ordem de barriga e pelo corrimão sendo arrastado por um moyashi possuído me embrulhou mais o estômago do que a maldita visita do inspetor.
– Awnn... Não dá pra comer panquecas com uma mão só...
O monstro sem fundo choramigou. Detalhe, ele já tinha devorado umas dez pilhas de pratos.
– Então não come.
– Kanda... – Ele começou se aproximando.
– Nem vem.
– Me ajuda...? – Ele sussurrou fazendo aquela carinha quase irresistível.
– Não.
– Por favor?
– Já disse que não.
– Ok, então vou comer em você.
– C-como é?!
Ele pegou um pouco de chantilly da cobertura de um bolinho e melou a ponta do meu nariz...
– Tá perdendo a noção do perigo?
... e lambeu.
– Mas o-o-o que você pensa que...
– O gosto fica melhor em você.
Não deu pra impedir de ficar da cor de uma pimenta com essa.
– P-pare já com isso idiota.
Ele melou minha bochecha com mais chantilly e voltou a lamber.
– Então me ajuda.
– Tch. Isso é ridículo.
– Olha só onde o chantilly veio parar...
Antes que eu pensasse em algo, ele se apoiou na minha perna e lambeu vagarosamente o meu pescoço me fazendo ter um arrepio tão violento que meu corpo tremeu, O que ficou bem evidente pelo fato de que eu ainda estava sem camisa. E ele notou.
Será que eu posso morrer agora?
– T-T-T-T-TÁ, eu ajudo.
Respondi rápido e morto de vergonha começando a cortar a droga da panqueca.
– Já disse que você é muito fofo?
Aquele filho da mãe perguntou me olhando com um sorriso idiota.
– CALADO. Ou eu corto seu pescoço com essa faquinha. — Ameacei lhe mandando um olhar assassino.
– Ok, to quieto.
Quieto ele estava, o problema era aquele sorriso idiota que não saia do seu rosto.
–------------------ POV do Allen ----------------------------------------------------
Depois de um dia inteiro de ameaças de morte e tentativas de homicídio (contra a ordem inteira praticamente) o Kanda parecia finalmente ter se acalmado um pouco e estava na mesa de centro do quarto comendo seu sobá.
A propósito, depois do nosso café da manhã na hora do almoço, onde eu praticamente obriguei o Kanda a comer um mísero pedaço de panqueca e ele ameaçou enfiar pregos embaixo das minha unhas, o Komui apareceu dizendo que nos íamos ficar presos até amanhã, já que para essa algema ainda teria que ser confeccionada uma chave específica. Desnecessário dizer que ele quase morreu ao dar a noticia.
Mais tarde, fiquei sabendo que o tal inspetor era um representante do Papa e se chamava LeVerrier. A Lenalee chorou litros quando soube que ele viria, e por incrível que pareça, no colo do Kanda. (Que por mais absurdo ainda que pareça a “consolou”, por assim dizer). Eu bem que queria perguntar mais sobre o cara, mas como Kanda estava no modo “Japonês endemoniado” e parecia ter lá suas diferenças com ele, fiquei calado.
Nesse momento, graças a nossa nova condição de algemados, o Komui havia nos deixado no quarto que era do general Yeegar quando era mais jovem, já que era mais espaçoso (tinha que ser, Yeegar sempre leva consigo um verdadeira biblioteca).
– Você come muito pouco para alguém tão grande.
Comentei sobre o fato de que a única coisa que ele tinha comido o dia inteiro havia sido aquela porção de sobá.
– E você demais para alguém tão pequeno.
Ele retrucou e eu apenas acomodei melhor minha cabeça na sua perna aproveitando a sua atual calma para começar o assunto que havíamos evitado o dia inteiro.
– Kanda... Eu acho que nós precisamos de um banho.
– Você acha?
– Você entendeu.
–Tch.
Nos levantamos e fomos em direção ao enorme banheiro de piso preto, com um Box de vidro transparente que era tão pequeno que não caberia nós dois ali, e no final do cômodo uma banheira de louça branca.
Nos encaramos por um momento e acabou que eu fui encher a banheira enquanto ele procurava qualquer coisa que fizesse muita espuma pra deixar a situação menos constrangedora.
Depois de deixarmos a banheira mais parecendo uma tigela de chantilly (ou seja, visibilidade zero), me virei de costas pra ele pra me trocar. Até ai tudo “bem”, o problema mesmo era a distância mínima que estávamos um do outro, já que pra executar essa tarefa, era necessário usar as duas mãos e uma delas estava algemada.
– Ajuda com a camisa? –Ele perguntou ainda de costas pra mim.
– Sim, por favor.
Por uma fração de segundo, senti algo frio na minha pele e no momento seguinte a minha camisa estava no chão em tiras. E olha que ele nem tinha se virado.
– R-rápido.
– Questão de prática.
Comecei a tirar minha calça com minha boxer junto enquanto as costas da sua mão deslizavam despropositalmente da pele desnuda do meu quadril, por toda a extensão da minha perna, fazendo um calor estranho subir pelo meu corpo.
– T-terminei.
Como resposta, ouvi apenas um som metálico e um baque surdo. Me virei pra ver o que era e... OH MY FUCKING GOD!
Olha, eu juro que a minha intenção não era espiar, mas... Como eu ia advinhar que ele iria cortar a calça fora?
Mas fosse como fosse... Eu nunca ia me arrepender de ter tido aquela visão... E que visão...
– Oe, moyashi, to falando com você.
– hm?
– Tô entrando.
Nos entramos na banheira e ficamos lado a lado por causa das algemas.
– Sou eu, ou isso tudo ta parecendo meio “suspeito”?
Ele falou esticando uma perna pra fora da banheira e cutucando uma das várias velas vermelhas que estavam espalhadas a nossa volta.
As vezes acho que o Kanda faz de propósito. Não bastava nós dois estarmos nessa situação no mínimo sugestiva, ele ainda tinha que pôr aquela perna pra fora da água quase me fazendo babar pela sua coxa. Por Deus! Mana, o que está havendo comigo?!
E por falar em acontecimentos inexplicáveis, um certo fato me veio a cabeça de repente.
– Kanda, por acaso você bebeu alguma coisa azul naquele dia?
– Na festa, eu acho que não.
– E antes disso?
– Ah, naquela tarde eu bebi o arco-íris inteiro. Mas eu me lembro que tinha uma garrafa desconhecida por ali e... ESPERA! A cor do troço que o usagi te deu era...
– Azul.
Completei. Agora eu já havia confirmado minhas suspeitas.
– Você acha que...
Ele gesticulou significadamente para as algemas.
– Teremos que ver pra ter certeza.
Chamei Timcamppy e nós nos debruçamos sobre a banheira pra ver o que ele iria nos mostrar. A primeira cena já foi o suficiente pra me deixar chocado.
–---------- Projeção on -----------------------------
O Kanda descia girando sensualmente em um poste de ferro, as luzes do local pareciam estar todas focadas nos seus movimentos que acompanhavam a batida forte da música enquanto mordia o lábio e me lançava um olhar devasso.
Assim que terminou sua descida, quando seus joelhos chegaram ao chão, ele jogou a cabeça pra trás fazendo seus cabelos acompanharem o movimento e a multidão que havia se juntado em volta do palquinho delirar.
Então do meio dos expectadores, uma mão aparece agarrando-o pelo cinto. Era minha mão. Eu subo no pequeno palco deixando uma trilha de beijos e mordidas do seu umbigo até seu pescoço, lhe fazendo soltar alguns gemidos entrelaçando seus dedos no meu cabelo.
Ele me puxou para o seu colo roçando seus lábios nos meus, mas desviando rapidamente quando eu busquei por mais contado, e me deixando uma mordida na clavícula.
–------- Projeção off --------------------------------------
Passei os dedos na marca que aquela mordida havia deixado e olhei pro Kanda que parecia ter entrado em choque.
Por um lado, isso era até bom, levando em consideração o estado em que uma certa parte do meu corpo se encontrava agora depois de ter assistido aquela cena.
– V-você viu mais alguma coisa Timcamppy?
Agora sim eu tava com medo do que estava por vir.
–------------- Projeção on ---------------------------
Eu e Kanda subíamos um longo lance de escadas correndo de mãos dadas e rindo.
– Sério Yu, pra onde vamos?
Eu pergunto recebendo somente um beijo no maxilar como resposta.
– Vou te mostrar o meu lugar especial.
– Se é seu lugar, por que está me mostrando?
– Por que quero que seja nosso.
Então ele abriu a porta e a fechou na cara de Timcamppy.
–------------------- Projeção off ---------------------------------------------
– Que Kawaii – comentei.
– Kawaii uma porra! Desde quando você me chama pelo primeiro nome?
– Kanda, você é complexado com isso.
– Eu aposto que o usagi já estava tramando de nos embebedar sabendo que ia dar nisso.
Ele exclamou furioso.
– Espera, como ele sabia que ia dar nisso?
Perguntei já me sentindo estranho pelo significado da resposta a essa pergunta.
– Eu... Eu... Eu sei lá! Droga!
Ele esmurrou a água frustrado, espalhando espuma pra todo lado.
– Argh porra! Meu olho! – Ele reclamou esfregando os olhos com as mãos em forma de patinhas. Eu até ia dizer que ele estava muito fofo, mas o risco de levar um soco era muito alto.
– Vem cá, eu ajudo.
O puxei para a ponta da banheira e me ajeitei apoiando os joelhos nas suas coxas enquanto pegava um pouco de água da torneira e lavava seu rosto.
– Prontinho. Esta melhor?
Ele abriu os olhos lentamente e eu notei que nossos rostos estavam perto demais.
– Sim. Obrigado.
COMO É? Eu ouvi errado ou o Kanda disse “obrigado”? Sério, eu ouvi mesmo isso?
– De nada. – respondi sem conseguir conter o sorriso e continuei encarando aquelas orbes cor da noite.
Senti seus dedos traçando uma linha imaginária da minha bochecha até meu lábio inferior. Era inacreditável o quanto me corpo se aproximava do dele sem que eu me desse conta.
Apoiei uma das minhas mãos em seu peito sentindo seu coração bater acelerado. No mesmo ritmo do meu. Nossos rostos estavam tão próximos que eu quase podia sentir a textura dos seus lábios nos meus.
Aquela necessidade de sentir sua pele na minha, seu corpo no meu, de ouvir sua voz rouca me chamando de moyashi, de sentir suas mãos, sua presença, sua respiração, seu coração acelerando quando eu chego perto... A sensação de que eu simplesmente não podia viver sem isso não me era estranha, eu já convivia com ela a muito tempo. Mas só agora eu conseguia compreender.
– Kanda... – Eu murmurei contra seus lábios – Eu acho que te a...
– KANDA! ALLEN-KUN! O Inspetor chegou e está exigindo a presença de vocês na sala de reuniões!
Mana, você é testemunha que eu não sou de xingar, mas a única coisa que veio na minha mente naquele momento foi: MORRA LENALEE SUA PUTA DESGRAÇADA!!!
Por isso eu fiquei calado, mas em compensação...
– Então diga a ele que Yu Kanda o mandou dar uma sentadinha no colo do capeta, mesmo ele sendo filho do próprio.
Cai na gargalhada me apoiando no ombro dele.
– Kanda! Isso é sério! – Ela protestou do lado de fora.
– O que eu to falando também é sério. Manda aquele filho da puta se foder e nem me venha com desculpas por que eu sei que você quer isso tanto quanto eu.
Escutei apenas alguns risinhos do outro lado da porta.
– Vou dar o recado. – Ela falou ainda rindo e logo depois ouvi o som de passos de afastando.
– Moyashi, temos um problema.
– O quê?
– Não trouxemos toalhas.
– E...?
– Como a gente sai daqui?
Sabe que eu não tinha pensado nisso...
–-------------- EXTRA: POV do Kanda ---------------------------------------
Eu tinha tudo pra estar doido da vida. Havia ficado muito louco numa festa que eu nem lembrava que tinha ido, LeVerrier estava na ordem pra tornar minha vida um inferno e no meio disso tudo eu ainda estava algemado ao moyashi. Mas por mais insano que pareça, eu estava perfeitamente calmo.
Parei de olhar pro teto e fechei os olhos suspirando enquanto aproveitava os toques do moyashi que estava deitado sobre meu braço e desenhava os contornos da minha tatuagem com o dedo.
– Por que ela é mais quente que o resto do corpo?
– Vai saber...
Respondi ainda de olhos fechados.
– Tem a ver com a ampulheta que você trouxe pra cá?
Instintivamente eu me remexi na cama pra olhar o objeto. Nenhuma pétala fora do lugar. Por enquanto...
– Tch.
Respondi sem querer tocar no assunto, e pela primeira vez ele não ficou me enchendo pra saber o que era.
– Não sei nada sobre você. – ele murmurou chateado.
– Um dia você descobre...
Hm? De onde saiu isso?
– Humpf.
Ele se remexeu inquieto escondendo o rosto no meu pescoço. Na verdade, já fazia um tempo que ele parecia agoniado com alguma coisa.
– Oe, o que é que você tem?
Perguntei afastando alguns fios de cabelo do seu rosto.
Como se tivesse tomado um choque, ele pulou em cima de mim com as mãos em meu peito e seu rosto a centímetros do meu. Seus olhos cinzentos, normalmente calmos, pareciam segurar uma tempestade.
– Você realmente me odeia?
Ele me perguntou com um voz aflita.
Que pergunta idiota, mas é claro que...
– Não.
Respondi simplesmente e por um momento o moyashi quase desabou.
Olha, eu não sei mentir mesmo, então o jeito é chuta o pau da barraca de uma vez.
– ããnnn? – ele perguntou pasmo. Porra... Eu sou tão ruim assim?
– Eu. Não. Te. Odeio. Baka. – Terminei a frase esticando meu braço que estava algemado, puxando o dele também e o fazendo cair e cima de mim. – Agora vê se dorme.
Ele apenas abraçou meu pescoço com um sorrisinho satisfeito no rosto e eu comecei a fazer cafuné no seu cabelo.
Tch, eu nunca te odiaria, afinal, fui eu que te algemei Walker.
Notas finais
Espero que tenham gostado desse cap por que eu simplesmente AMEI escreve-lo!
E agora FINALMENTE o romance REALMENTE começa a se desenrrolar de fato. Nesse jogo de "eu gosto de você mais aposto que você não gosta de mim" quem será a caça e quem será o caçador?
Aguardem ALTAS doses de YULLEN nos prox caps.
Bem, como eu tô meio com pressa vou terminar essa nota por aqui.
Vou tentar postar o proximo NESSE FIM DE SEMANA.
Se gostaram, ou não, se tem sugestões, reclamações ou qualquer coisa, e mesmo que não tenham DEIXEM REVIEW!
e POR FAVOR! RECOMENDEMMMM!!! *Tô chorando atrás de recomendação aqui*
Espero que essa fic louca esteja prestando, e se estiver, que esteja do agrado de vocês [ui]
ate o prox cap!
KISSUS
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