The Scientist
1 Uma carta
Notas iniciais
Percy levantou cedo naquele dia, como sempre fazia todas as manhãs. Ele se espreguiçou ainda na cama e deu uma olhada no relógio de cabeceira. Eram apenas 06:00 da manhã. Levantou da cama e colocou um roupão branco por cima de seu corpo, já que estava apenas vestindo uma cueca box.
Ele decidiu fazer um café bem forte, tinha realizar algumas pesquisas importantes no trabalho e não estava nem um pouco a fim de dormir em serviço. Foi até a cozinha e colocou a água para ferver. Ele estava com um pouco de cabeça também, estava indo dormir tarde quase todos os dias daquela semana. Estava quase perto de conseguir o que tanto queria ...
Ele trabalhava no laboratório de Manhattan, não gostava de se gabar, mas era um cientista renomado. Uma série de pesquisas suas tinha contribuído -e muito — para o melhoramento do coquetel anti HIV. Ele tinha desenvolvido uma substância que fazia os anticorpos se dividirem e multiplicarem, formando assim uma reação em cadeia. Não era nenhum tipo de cura para a doença, mas era um bom começo.
Ele não se considerava com cara feliz, mas também não chega a ser um homem triste. Morava sozinho e estava muito satisfeito assim. Ele era apenas ele mesmo, sem crises, sem dramas. De vez em quando era divertido, de vez em quando sério, mas sempre fora alguém confiável e agradável. A maioria das pessoas realmente gostava de tê-lo como amigo. Claro, tinha a grande áurea de azar que pairava sobre sua vida. Como a área amorosa, que era um verdadeiro desastre. Tinha o problema com a sua mãe, que parecia definhar o seu coração pouco a pouco. E tinha o problema com a sua equipe de pesquisa, que foi obrigada pelo governo a parar todas as suas pesquisas.
Enquanto pensava em tudo aquilo, ele não tinha se dado conta de que a água do café fervera. Tirou as presas do fogão e com um pequeno descuido deixou que algumas gotas quentes caíssem no seu braço. Ele uivou de dor.
–Mas que droga! Sou um completo desastrado mesmo. -murmurou ele.
Depois que terminou de fazer o café, foi até a porta de seu pequeno apartamento. O porteiro que era seu amigo desde que ele fora morar ali — a mais ou menos sete anos -, sempre deixava as cartas por debaixo da brecha da porta.
Ele as pegou e foi até o sofá.
Se sentou lá e por alguma razão desconhecida teve vontade de ouvir as mensagens de voz na caixa postal do seu telefone. Tocou as mensagens e lia as cartas ao mesmo tempo.
Depois do bipe, ele ouviu a voz da pessoa que mais amava na vida.
–Olá, filho. Não sei se você percebeu, mas você está a uma semana sem ligar para mim. -Aquela era Sally, sua mãe. E ele se sentia horrível e um péssimo filho por não ter se dado conta de que estava a tanto tempo sem ligar para ela. -Queria te dizer que estou com saudades. Não tive nenhuma recaída essa semana e estou feliz por estar a mais de um ano assim. Paul e eu temos pensado muito em sair de férias para o caribe, como te dissemos na última vez que esteve aqui, estivemos economizando dinheiro por muito tempo para irmos. Gostaríamos que você vinhesse conosco. De qualquer forma retorne a ligação. Eu te amo, tchau.
Percy ficou tentado a retornar na hora e aceitar a proposta, mas sabia que não podia. Precisava ficar e terminar as pesquisas no laboratório. Ligaria mais tarde para a mãe, só para lhe dar um pouco de atenção e faze-la parar de reclamar, pra varia. Ele passou os olhos nas cartas ainda na sua mão: contas, contas e mais contas. Todas consequências do seu consumismo exagerado, outras eram o aluguel do apartamento, consertos no carro ou objetos para usar no trabalho. Como se cansou de olhar tudo aquilo, voltou a tocas as mensagens da caixa postal.
–Percy, como vai, cara? -aquela com certeza era a voz de Leo, um de seus melhores amigos. -Então, ontem eu dormir com aquela gata, cara. Era Aquela Indiana, que estava fazendo intercâmbio aqui em Nova York. Aquela que eu disse que já estávamos saindo a algumas semanas. Nós jantamos e depois ela me chamou para ir no apartamento dela e depois rolou, é claro. Mas quando eu acordei ela disse que iria voltar pra Índia. Ou seja, aquela onda que eu estava de apaixonado, já era! Valeu, só isso. Te vejo no trabalho.
Percy teve que rir do amigo. Leo se envolvia regularmente naquele ciclo vicioso de se apaixonar por uma garota que estava totalmente fora de seu alcance. Ele meio que estava acostumado a ouvir o amigo contando as suas desilusões amorosas.
Passou para a próxima mensagem e ouviu a voz de seu pai, Poseidon.
–Fala filhão, como vai? Sua mãe me ligou dizendo pra eu te dar uma bronca por você estar a uma semana sem ligar pra ela. Bem, eu queria te dizer que a Bulgária é linda e as mulheres daqui também. Por falar em mulher você já transou com alguma esse ano? -Percy sorriu, mas ainda assim teve que revirar os olhos pela petulância do pai. -Enfim, estou com saudades. Não fique sem ver ou falar com a sua mãe, e mande um beijo pra ela. Adeus, garotão.
Seu pai era uma figura mesmo. Estava na Bulgária fazendo umas pesquisas, era biólogo marinho. Percy também era biólogo, mas trabalhava mais com física, química e na produção de remédios. De qualquer forma, seu pai vivia viajando mundo a fora, descobrindo novas espécies marinhas em quase todas as viagens. Percy fora fruto de um romance de verão entre ele e sua mãe, eles eram amigos até hoje, mas chegaram a conclusão de que não dariam certo como mais que isso. Sua mãe se casara novamente com Paul Blofis, Percy também amava muito o padrasto.
Ele percebeu que havia outra mensagem, não podia imaginar de quem seria mais decidiu toca-la.
–Percy? Sou eu Jason. -ele ficou surpreso por Jason ter deixado um recado. Eles eram grandes amigos e Jason eram tão importante quando Leo, mas não fazia o tipo de amigo que ligava e perguntava se estava tudo bem. Preferia conversar pessoalmente. -Olha, é um assunto sério. Sei que está cedo ainda, mas preciso que você vá para o laboratório agora. Se você recebeu uma carta da Agência Central de Inteligência, você precisa me encontrar o mais rápido possível lá. Não demore.
Simples e direto, como sempre; pensou Percy. Ele estava a ponto de ligar para Jason e perguntar se ele tinha bebido, porque certamente Percy não havia recebido nenhuma carta federal. Mas então ele olhou pro chão e viu algo curioso.
Era uma carta com um envelope pardo, com a águia símbolo dos EUA como o selo. O remetente era de Washington D.C. Percy a pegou com as mãos um pouco tremulas, não era um bom sinal um cientista receber uma carta do governo.
Ele abriu a correspondência e arquejou ao ler a mensagem.
"Caro senhor Jackson.
Estamos cordialmente o convidando para nos encontrar no centro de pesquisas do Brooklyn. É importante a sua presença, afinal estamos lidando com uma questão de política mundial. Daqui a dois dias, na quarta feira. Às 09:00 da manhã.
Atenciosamente, Agência Central de Inteligência: a CIA."
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