The Scientist
5 Passado
Notas iniciais
A xícara de café fumegava nas mãos de Percy. Ele estava lá fazendo o papel que os cientistas sempre fizeram ao longo da história: O de loucos descabelados que só tem contas matemáticas na cabeça. E assim ele estava, sentado na poltrona da sua sala, de cuecas e um roupão azul por cima do corpo, tomando café e sentindo aquela dor de cabeça insuportável.
Ele sempre teve esse problema de enxaqueca desde pequeno. E naquele dia em especial ela estava pior por causa dos goles de vodka da noite passado. Ele tirou uma cartilha de remédios que ele sempre levava no boldo de alguma roupa — e a roupa tivesse bolsos, lá estava a velha e fiel aspirina.
–Vamos, Percy, melhora essa cara. -disse Jason.
–É, meu irmão, é melhor melhorar mesmo. Está parecendo uma menina de quinze anos, virgem e que perdeu o show do One Direction. -acrescentou Leo enquanto aumentava o volume da televisão e comia pipoca.
–Eu estou perfeitamente normal. -respondeu Percy.
Leo e Jason trocaram um olhar travesso, com toda certeza eles estavam se contendo para não explodir em gargalhadas.
"Ah que se dane", pensou Percy. "Todos pensam que sou louco mesmo"
Os amigos estavam sentados no sofá da sala do apartamento dele. Eles tinham ido lá alegando que queria saber como Percy estava e o por que dele ter saído tão depressa da festa ontem a noite. Mas Percy sabia muito bem o motivo deles estarem ali: iria começar o Super bowl e eles não tinham contratado o pacote da TV a cabo para cobrir a abertura do evento.
–Olha, Percy, se você quiser estávamos aqui para ouvir você desabafar. -Jason olhava com compaixão para ele. -Acho que já está na hora de você nos contar o que ouve entre você e a loira.
–É, já está na hora mesmo de contar. -murmurou Leo. -Mas se quiser desabafar, por favor, faça isso em trinta minutos, que é o tempo que ainda temos antes de começar a partida. Agora se a vossa senhoria quiser continuar de graça ou falar por mais tempo que isso, por favor, só depois do jogo.
Jason lançou um olhar ameaçador para Leo, que se limitou em apenas dar de ombros e enfiar um pouco mais de pipoca na boca.
Percy suspirou. Estava cansado de fazer tanto drama. Em quatro dias ele teria que conviver com Annabeth e cumprir uma missão mundial absurdamente difícil e ameaçadora ao lado dela. Ele teria que superar a droga daquele problema.
–Tudo bem, eu falo. -ele anunciou e os amigos viraram o rosto para ele. -Eu conto toda a história para vocês.
–Então, amigo, estamos aqui para te ouvir. -falou Jason.
–Agora sim as coisas estão começando a se tornar interessantes. -comemorou Leo. -Que comece o show!
–Tudo bem. -repetiu Percy. -Vamos lá.
Tudo começou quando eu nasci...
–Espera, espera — o interrompeu Leo. -Você vai começar a contar a mais e provavelmente a única história interessante da sua vida e você começa com "tudo começou quando eu nasci"?
–Leo, cale a boca e não o interrompa! -o repreendeu Jason.
–Ah tá, está bem. Vai, conte a sua história de forma sem graça. -Leo bufou.
Percy revirou os olhos. Se estivesse com a sua sanidade mental normal, ele teria chutado a bunda de Leo e o proibido de freqüentar a sua casa toda a temporada do Super Bowl. Mas a mente dele estava afetada por aquela mulher de olhos cinza.
Então ele continuou:
Tudo começou quando eu nasci e minha mãe decidiu morar no Upper East Side. Nós não morávamos na parte rica do bairro, morávamos num condomínio para pessoas de classe média. Meu pai passava muitas horas do dia na nossa casa. E assim foi até que quando eu tinha seis anos, quando tudo mudou.
A casa ao lado da nossa sempre estivera vazia. Até que uma família com um cara loiro e alto, uma mulher de cabelos castanhos e olhos cinzento e uma linda garotinha da minha idade; decidiram morar lá. Eu me lembro de ter ficado assistindo o caminhão da mudança deixar as coisas na casa ao lado, enquanto eu me balançava no balaço de pneu pendurado na árvore do meu quintal. Minha mãe foi cumprimentar a mulher bonita de olhos cinza e a garotinha filha dela. Então a minha mãe convidou a senhora Atena Chase a entrar e a garotinha ficou me encarando ali em pé.
–Oi, meu nome é Perseu. Mas todo mundo me chama de Percy. Quer brincar? -eu perguntei a ela.
Eu lembro que ele me olhou com dúvidas naqueles olhos cinza iguais o da mãe. O cabelo loiro caía pelas costas. Ela parecia uma princesa.
–Sim, quero. -ela respondeu. -Meu nome é Annabeth. Annabeth Chase.
Depois daquele dia, eu e ela nos tornamos amigos inseparáveis. Íamos a escola juntos, brincávamos juntos e estudávamos juntos. Quando entramos no fundamental, a forma como lhe dávamos com as pessoas começou a mudar, mas não a forma com que lidávamos um com o outro. Annabeth sempre fora linda, extrovertida, simpática e uma pessoa que tinha facilidade em fazer novos amigos. Eu era o garoto caladão, que preferia passar horas lendo HQs de super heróis, estudando um pouco e jogando vídeo game. Eu nunca fui anti-social, só era muito tímido e geralmente as pessoas não têm muita paciência com gente assim. Os únicos amigos que eu fiz no fundamental foram Grover Underwood e Rachel Dare. Eu até falava com bastante gente também, mas nenhum era meu amigo de verdade. E com certeza, ninguém era tão próximo como Annabeth.
Na escola ela não falava muito comigo, quer dizer, ela sempre me dava um beijo no rosto e perguntava como eu estava quando me via. Mas depois das aulas nós sempre nos víamos. Corríamos pelo Central Park, tomávamos sorvete e conversávamos até o sol se por e dar a hora de irmos para casa.
Eu sempre fui apaixonado por ela, acho que desde o dia que a conheci. Sempre ficava meio abobalhado quando a via.
–"Ficava"? -perguntou Leo.
–É, talvez eu ainda fique, mas é só porque ela é bonita. Não tem nada a ver com paixão, acredite.
Enfim, ela mexia comigo. Mas ela nunca percebeu isso, sempre namorava aquelas caras do time com músculos e carros. Acho que ela jamais me olharia com outros olhos.
No começo do terceiro ano ela começou a namorar um babaca chamado Luke Castellan. O cara era um canalha de primeira. A tratava mal, a traía, e quase sempre gritava com ela. Mas eu acho que ela o amava e o amor a cegava. Ela sempre chorava no meu ombro quando ele fazia essas coisas. Em um dia eu estava guardando meus livros no armário e ela veio até a mim. Tinha os olhos tristes e estava cabisbaixa, uma mancha vermelha estragava a perfeição do seu rosto.
–Ei, Percy, vamos ao cinema hoje à tarde? -ela perguntou sem me olhar nos olhos.
–Annabeth, o que é isso no seu rosto? -eu coloquei a mecha loira que tampava o seu rosto e toquei de leve a mancha vermelha. Ela estremeceu.
–Ah não é nada. Eu fui pegar uma lata de ervilhas no armário da cozinha, me descuidei e deixei ela cair em cima do meu rosto. Só isso. -ela mentia muito mal.
–Aquele idiota está batendo em você, não é? -eu controlava a minha voz, se perdesse um pouco do juízo iria acabar gritando. -Como você se sujeita a isso? Ele não merece você!
–Por favor, não faz isso. Não me faça me sentir pior do que já estou. Apenas vamos ao cinema e esquecer essas coisas. -ela relutava para não deixar as lágrimas cair.
Eu suspirei, agarrei o pulso dela e a conduzi para fora da escola. Ela não falou nada apenas me seguiu. Eu a levei até o estádio de futebol, estava vazio naquele horário. Caminhei com ela até o centro do campo e deixamos nossas mochilas no chão, enquanto continuávamos em pé.
Eu entrelacei minhas mãos nas dela.
–Você não nasceu pra ser tratada assim. Você é uma princesa, Annie. Merece ser tratada da melhor forma possível. -ela estava de frente pra mim, um pouco surpresa talvez. Eu encostei minha testa na dela. -Você merece que cuidem de você.
–Para com isso. -ela balançou a cabeça.
–Parar com o quê?
–De me fazer me sentir especial, única. Você é o único no mundo que me faz sentir que sou tudo isso que você diz. -pela primeira vez ela olhou nos meus olhos. Seu nariz tocava o meu.
–Não quero parar de fazer você se sentir assim. -eu abracei sua cintura e ela o meu pescoço. -Deixe eu cuidar de você, Annabeth.
Então a beijei. Um beijo calmo e suave. Eu amava os lábios dela. Mas ela cortou o meu barato e se afastou.
–Não faça mais isso. -ela disse com firmeza. -Você é meu melhor amigo só isso!
Então ela saiu pisando duro e me deixou sozinho lá no meio do estádio.
Uma semana depois do ocorrido, ela já tinha voltado com o Luke e esquecido do que eu disse pra ela. Ela me disse que ele prometeu nunca mais encostar um dedo nela e ela, muito ingênua ou se fazia de tal, acreditou.
Em um dia enquanto eu e Grover conversávamos no vestiário depois da aula de educação física, Luke entrou com as suas piranhas seguidoras: Ethan Nakamura e Chris Rodriguez.
–E aí, Jackson, como vai? -ele me cumprimentou com um aceno de cabeça. Ele estava sem camisa e cruzou os braços sobre o peito, só pra reforçar aqueles músculos cheios de bomba injetada.
–Vou bem, Castellan. -eu respondi. -E você já aprendeu a fazer contas de adição e subtração?
Ele agarrou meus ombros e me jogou com tudo na parede, sem esperar eu me recuperar, me deu um chute na barriga e me ergueu acima de sua cabeça. Os caras no vestiário riam e Grover quase desmaiava de pânico. Eu tentava conter os gemidos de dor.
–Olha aqui, seu nerd desgraçado, é melhor ficar longe da minha namorada. -ele rosnou e cuspiu na minha cara enquanto falava. -Não quero saber de você saindo com Annabeth pra lugar nenhum.
–Você não controla os passos dela, idiota. Ela faz o que quiser. -eu disse e ele deu um soco nas minhas costelas. Eu me contorci.
–Enquanto ela estiver comigo, Jackson. Sou eu que mando. -ele me deu um tapa estalado no rosto, me fazendo cair com tudo no chão. Ele era muito forte e eu muito magro, o que significa que aquilo doeu muito. -Agora ver se entende isso, porra!
Depois daquele ocorrido, eu não procurei ficar muito perto de Annabeth. Não porque tinha medo daquele babaca, mas porque tinha receio dele bater nela de novo. Se eu não estivesse lá para protegê-la ele poderia machucá-la de verdade.
Mas ele não bateu mais nela e a gente não se via mais. Mas conversávamos muito pelo telefone, nos divertíamos a nosso modo assim. Eu sempre fazia ela esquecer os seus problemas, mesmo me sentindo um pouco usado, já estava acostumado com isso.
Em uma quarta-feira eu decidi ir até o campo de futebol de novo. E mais uma vez não tinha ninguém lá. Eu me sentei em uma das arquibancadas e fiquei bebendo uma coca-cola. Eu tirei os óculos e observei abertamente o sol naquele dia.
–Meditando, Percy? -alguém perguntou ao meu lado me dando um susto.
–Sempre faz bem. -eu respondi já sabendo quem era.
Annabeth me deu um beijo no rosto e eu recoloquei meus óculos. Ela bebeu um pouco da minha coca.
–Tenho algo pra te contar. -ela disse.
–Então me conta. — eu retruquei.
–Eu terminei com o Luke.
Quase cuspi o refrigerante na cara dela. Eu abri a boca em um perfeito "O". Estava feliz, surpreso e mais um monte de outras coisas juntas.
–O que? Por quê?
–Ele quis ver minhas fotos no celular. Só que acabou vendo meus registros de ligações e as minhas mensagens. Ele disse que eu estava proibida de falar com você. E eu disse que estava cansada dele querer mandar em mim. E querer que eu pare de falar com você foi a gota d'água. Você é muito importante pra mim. -ela tirou meus óculos e os colocou. Ela costumava a brincar comigo assim. -O mandei se fuder e terminei tudo. Ele veio querer levantar a mão pra mim, mas eu dei um chute no saco dele e fui embora.
–Sério? -eu sorria abertamente. -Você é incrível mesmo.
–Eu nem sei por que aceitei que ele me batesse da primeira vez. Acho que foi porque eu tinha bebido e estava com os neurônios abalados. -ela fez uma careta. Ou pelo menos eu acho que fez. Naquela época eu ainda não tinha me acostumado com a miopia. -Eu fui muito burra de não ter comprado uma arma e ter atirado nele. Eu sou feminista, caramba! Não posso sair por aí sendo controlada por homens.
–Não, você não pode. -eu concordei.
Então ela me beijou. Aquela língua quente me fazia perder os sentidos, literalmente. E ela me beijou de novo quando a deixei na porta de casa. E me beijou outra vez no dia seguinte.
[..]
Percy tinha interrompido sua história porque o jogo tinha começado. Ele e os rapazes assistiram ao jogo e xingaram tanto que a Percy ficou com medo da Sra Dodds, sua vizinha, batesse na porta dele e os obrigassem a lavar a boca com sabão em pó. Era um costume deles ficarem descontrolados enquanto assistiam futebol americano. Leo tinha acabado com todas as pipocas de microondas dele e naquele momento estava devorando batatas fritas. Jason tinha pedido pizza e sua cara estava lambuzada de Ketchup.
Percy se limitou em apenas comer um pedaço de pizza e comer algumas batatas fritas. A sua enxaqueca estava matando naquele dia, então o que ele engoliu mais três comprimidos de aspirina. Se pudesse morrer por overdose disse ele certamente morreria. Ele estava mais calmo depois de contar uma parte da história. Claro que não tinha contado aos amigos todos aqueles detalhes dos quais ele se lembrava. Ele iria parecer muito gay.
Quando o jogo terminou, seus amigos tentaram não parecer tão decepcionados.
–Ah não, o jogo acabou. -choramingou Leo. -Agora vamos ter que terminar de ouvir a novela mexicana do Percy.
–Pois eu quero terminar de ouvir. -falou Jason. -Afinal, até agora ele não falou nada do porque ser tão grilado com a Annabeth.
–Tem certeza que vocês querem ouvir? -ele perguntou. -É mais fácil vocês irem embora ou então colocar assistir Game Of Thrones pra gente ver.
–É, Jason, vamos ver a Khaleesi gostosa e esquecer a história da donzela aqui. -implorou Leo.
Percy sabia que ele estava apenas implicando com ele, mas dava pra ver nos olhos imperativos do garoto que ele estava tão curioso quanto Jason. Senão até mais.
–Claro que não! Vamos, Percy, conta logo o que ouve. -exigiu Jason.
–Ah, vocês são um saco. -Percy revirou os olhos.
Eu e Annabeth meio que adentramos em uma amizade colorida. Eu tinha quase certeza de que ela não sentia nada por mim. Mas eu a amava demais e estava tão cego quanto ela foi por Luke um dia.
Porém minha felicidade logo acabou. Ela não voltou com Luke, mas se envolvia com alguns garotos da escola. Ela tinha virado uma verdadeira feminista, ou seja, mandava em todos os garotos com quem se relacionava. Gritava com eles, lhes dava tapa na cara e os fazia implorar por sua companhia. Aquilo era de deixar os caras no cio e as meninas se mordendo de inveja.
O baile de formatura estava chegando e, é claro, eu pretendia ir com ela. Então numa tarde sábado eu decidi levá-la ao Central Park. Nós fizemos um piquenique e estendemos uma toalha no chão. Eu me deitei e ela se deitou por cima de mim, com a cabeça apoiada no meu peito.
–O baile está chegando. -comentei.
–É, está mesmo. -ela retrucou enquanto levantava a cabeça para me olhar. Ela apoiou o queixo no meu peito e olhou nos meus olhos — Já pensou em quem vai levar?
–Sim. Vou levar você. -eu disse a fazendo dar uma risadinha.
–Eu? Ah não, não acho que mereço tanta honra.
–Pare de drama, Annabeth. Vai comigo ou não?
–Vou pensar no seu caso. -ela falou. Eu fiz cara feia e ela gargalhou. -Eu vou com você, seu bobo!
Suspirei de alívio. Os olhos cinza dela brilhavam e aquele sorriso lindo adornava seu rosto.
–Eu amo você. -soltei as palavras sem nenhum motivo aparente.
Ela desviou olhar de culpa. Eu segurei o seu rosto e a fiz olhar pra mim novamente. Ela suspirou.
–Percy... Eu já te disse que não gosto de você assim. Eu te amo, mas não desse jeito.
–Ok.
Eu tentei me segurar pra não gritar de frustração. Meu coração estava quebrado. Ela continuou naquela mesma posição, me olhando. Levantou uma sombracella e eu pude ver uma idéia se formando em sua mente.
–Quer transar comigo? -ela perguntou.
Eu me engasguei com o ar, com a própria saliva, com o gás carbônico, com tudo. Como assim ela tinha me perguntado isso?
–O que? Annabeth, você fumou maconha?
–Não, pelo menos ainda não. -ela respondeu. -Olha, é nosso último ano. Todo mundo está perdendo a virgindade. Logo nós vamos pra faculdade, vamos conhecer pessoas legais, vamos querer transar e etc.
Ela se deitou em cima de mim. Eu fiquei vermelho até a raiz dos cabelos. Tudo bem que o lugar que nos estávamos não tinha muita gente, mas era um local público se alguém nos visse eu ia morrer de vergonha. Isso se não nos filmasse e jogassem no YouTube.
–Você é meu melhor amigo, me ama e é bonito. Claro, só é um pouco magro e usa essas roupas ridículas... -eu quase a esganei por ser tão sincera — Mas eu confio em você, mais do que ninguém. Quero que seja meu primeiro.
Eu queria que ela fosse a única. Mas resolvi não comentar aquilo.
–Também quero que você seja a primeira. -eu respondi.
–Então está combinado. -ela sorriu pra mim. -Vamos ter uma noite incrível depois do baile de formatura. E não se esqueça de ser romântico!
–Não vou me esquecer.
E continuamos nos beijando por aí. Ela continuava pegando alguns rapazes populares, mas eu sabia que ela ainda sentia alguma coisa pelo canalha do Castellan. Eu tinha ficado mais próximo de Rachel Dare, Ananbeth morria de ciúmes dela. Eu e Rachel conversamos horas a fio no telefone, ela gostava de mim e eu até me apaixonaria por ela se meu coração já não pertencesse a outra. Rachel ficou decepcionada quando sou que eu já tinha par para o baile.
Então a noite do baile chegou. Eu fui cuidadoso até os últimos detalhes. Aluguei um quarto de hotel super caro, aluguei uma limousine, aluguei um terno. Gastei boa parte das minhas economias.
Quase tive um ataque cardíaco quando busquei Annabeth na casa dela. Ela estava tão linda que parecia uma deusa grega. Vestia um vestido azul, a minha cor preferida. Os cabelos loiros estavam jogados para o lado direito.
–Você está linda. -eu sussurrei no ouvido dela quando nos sentamos no banco da lumousine.
–Você também não está nada mal. — ela rebateu com um sorriso.
O baile não ocorreu como eu esperava. Ela não ficou um segundo sequer do meu lado. Deu atenção para seus amigos e deu uma atenção especial para Luke. Rachel percebeu que eu estava sozinho na minha mesa, então ela e seu par, Tony Griffits, foram me fazer companhia. Tony era gay, então não se importou nem um pouco quando Rachel me chamou pra dançar.
–Ela não merece você. -Rachel me disse enquanto dançávamos uma música lenta.
–Rachel, é melhor você não se meter nisso. -eu disse de forma mais gentil possível.
–Você deveria prestar atenção em quem sempre te deu valor, Percy. -Ela virou meu rosto, que estava observando Annabeth, para ela. -Deixe eu fazer você esquecer ela essa noite.
Eu não respondi e depois voltamos a nos sentar e conversar com outros amigos da nossa sala. Acho que eu podia perdoar Annabeth, ela estava se formando e aproveitando uma última noite com os amigos fúteis dela. Acho que eu poderia lidar com isso, afinal ela iria ser minha dali a poucos minutos.
Mas a porcaria da vida decidiu me dar um banho de água congelada. No final da noite Annabeth veio falar comigo:
–Olha, eu acho que... Que não...
–Fala logo, Annabeth. -eu mandei.
–Acho que fizemos um acordo precipitado. -ela disse. -Não posso fazer isso com você, amigo. Eu amo outro.
–E você me fez acreditar que podia ter você por uma noite. -eu lutava contra as lágrimas. -E você vai fazer o quê? Vai abrir as pernas pro babaca do Castellan?
–Percy, não fale assim comigo! -ela gritou. Odiava quando os homens agiam de forma rude com ela. -Não posso fazer isso. Você é um cara incrível, mas não é você que eu amo. Você vai encontrar uma garota que te ame. Apenas... Supere.
Eu queria fugir e invernar no Tibé depois daquelas palavras. Mas me limitei a dizer:
–Se você fizer isso, é melhor me esquecer. Não vai ter nunca mais o seu melhor amigo.
–Não diz isso pra mim. -os olhos dela estavam marejados. -Não posso viver com você fora da minha vida.
Eu esperei mais um pouco. Queria abraçá-la e dizer pra ela não chorar, queria limpar as lágrimas dela com beijos molhados e carinhosos. Mas ela estava me trocando e a minha raiva superava tudo.
–Eu o amo. -ela tomou sua decisão. -Vou com ele pra casa.
Não esperei ela terminar de falar, fui andando a passos largos pra fora dali. Rachel me seguiu. Eu expliquei toda a situação pra ela e liguei para o cara da limousine vir nos buscar. Antes do motorista, eu segurei o rosto de Rachel entre as mãos e disse:
–Ainda quer me fazer esquecer ela essa noite?
Ela sorriu para mim.
–Essa noite e todas que você quiser.
Então, quando o motorista perguntou se era mesmo para ir para o hotel eu disse que sim. Tratei Rachel com o maior carinho do mundo, acho que até fiz ela se apaixonar ainda mais ainda. Naquela noite eu escondi meu rosto numa cabeleira ruiva, mas eu queria a loira. Eu ouvi um par de lábios chamarem meu nome, mas não era a voz que eu queria escutar. Quando olhava nos olhos verdes de Rachel eu via os olhos dela. Quase entrei em combustão tentando não sussurrar o nome dela.
Depois de um tempo fiquei sabendo que Annabeth e Luke tinham sido o rei e a rainha do baile. Rachel me deu os melhores dias da minha vida, me apaixonei de verdade por ela. Não acho que era amor, mas tínhamos algo forte. Ficamos juntos por três anos.
[..]
Quando Percy terminou de falar, Leo deixou a batata frita que iria levar a boca cair. Jason estava com os olhos tão arregalados que só faltavam cair da cara.
–Então é isso. Foi isso o que aconteceu. -finalizou Percy.
–Puta que pariu ein! -exclamou Leo.
–Cara, ela fez isso mesmo com você? Que coisa horrível. Ela sabia que você a amava. -falou Jason.
Percy balançou a cabeça e engoliu a seco outro comprimido de aspirina.
–Eu não sinto o que sentia por ela, sabe? Não é mais amor, mas eu ainda sinto desejo por ela.
–Claro, maior gostosa. -acrescentou Leo.
–Nisso eu tenho que concordar com o Valdez. -disse Jason.
Eles gargalharam um pouco. Percy se sentia aliviado, pela primeira vez falara daquilo abertamente com alguém. Seus amigos se recuperaram e se entre olharam.
–Você tem que fazer ela comer na sua mão, cara. -sugeriu Leo.
–Nada disso. Você tem que apenas fingir que ela não existe. Você não é um adolescente pra ficar se vingando de paixonites. -Jason o olhou com aqueles olhos azuis eletrizantes. -O destino vai cuidar das coisas.
Eles conversaram um pouco mais com Percy antes de irem embora. Leo insistiu que Percy deveria vingar-se. Jason se limitou a lhe lançar olhares repreensivos. Quando estava se próximo de meia noite, seus amigos foram embora.
Quando Percy se deitou para dormir, pegou uma foto no criado mudo da sua cama. Era uma foto dele e de Annabeth aos seis anos, quando se conheceram. Ele sorriu com a lembrança. Se enfiou entre as cobertas e dormiu.
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