The Scientist
6 Melhores amigos de novo?
Notas iniciais
–E então, foi isso o que eu fiz. -finalizou Annabeth.
Piper estava vermelha de raiva e Frank mantinha o olhar vidrado no chão, provavelmente ele não queria a olhar feio para ela não se sentir culpada. Mas ela sabia que os amigos estavam revoltados com toda a história.
Eles estavam na sala do apartamento das garotas. E Frank vinhera lhe fazer uma visita para se despedir, afinal seria naquele dia às duas da tarde que Annabeth iria para a Europa. Piper e Frank ficariam e estavam chorosos com o fato dela ter que partir. Bem, pelo menos eles estavam, porque agora parecia que eles queriam mata-la.
–Vocês pediram para contar o meu passado entre mim e Percy, e eu contei. E prometeram não ficar com raiva de mim. -ela disse. -Olha, eu sei que o quê eu fiz foi uma atitude horrível, mas vocês são meus melhores amigos. Eu não posso ir embora sabendo que vocês estão chateados comigo.
Frank levantou o olhar, agora ele parecia culpado. A expressão de Piper se suavizou, ela foi se sentar do lado de Annabeth, que repousou a cabeça no colo da amiga enquanto ela lhe acariciava os cabelos.
–Nos desculpe, Annie. -Frank se inclinou para mais perto dela. -A gente sabe que você era uma adolescente que agia pelas emoções e não pela razão. Mas foi meio revoltante o que você fez com ele, por isso ficamos assim. Mas sabemos que você mudou, que não é aquela mesma garota egoísta.
–É, amiga. Você pode ter sido um mostrinho no passado ... -emendou Piper
–Eu não era um monstro! -protestou Annabeth.
– ... Mas agora você está diferente. Amadureceu e tem a chance de se redimir com o Percy. -Piper continuou: -Vocês tem uma missão muito importante pra cumprir, talvez a mais importante do século. Não podem se dar ao luxo de estarem brigados, precisam confiar um no outro.
Annabeth pensou nas palavras da amiga. Suspirou e levantou a cabeça do colo de Piper. Frank se sentou do outro lado dela, ficando ela assim entre os amigos. Ela os olhou, eles eram as pessoas mais compreensíveis que ela conheceu, não a julgaram pelo seu passado. Frank segurou a mão dela e ela teve que se conter para não derramar as lágrimas que estavam presas dentro dela. Ela já tinha passado por tanta coisa ruim na vida que aprendeu a dar um valor imensurável as pessoas que a amam de verdade.
–Vou sentir saudade de vocês. -ela declarou.
Frank piscou algumas vezes, seus olhos estavam marejados também.
–Nós também vamos sentir sua falta, Annie. -ele soltou a mão dela e se levantou. -Eu vou ao banheiro. -Então ele saiu e usou a desculpa do "vou mijar", quando na verdade queria chorar.
Piper deu um suspiro sôfrego.
–Você precisa ser forte, Annie. Eu sei que você já sofreu muito, mas o destino parece querer que você mostre seu valor. -Piper olhava para a janela, que exibia toda a silhueta de Nova York. -Ahh, droga ... Essa situação tirou a minha melhor amiga e o meu futuro namorado!
Piper grunhiu de frustração. Ela e Jason tinha começado a sair desde a festa na boate Abbey, ele passaram poucos dias um com o outro, mas já se gostavam de verdade. E agora ele, Annabeth e Percy iriam para a Europa.
–Não fique assim, Pipes. — a consolou Annabeth. -Nós vamos voltar dessa. E Jason é um cara de caráter, ele vai se manter fiel a você até você voltar.
Piper assentiu e chorou silenciosamente com o rosto entre as mãos. Frank voltou do banheiro.
–Bem, eu vou passar na casa de Hazel e depois nós iremos até o aeroporto se despedir de vocês.
Annabeth e Piper se entreolharam e sorriram. Frank corou.
–Ei! Ela é só uma amiga. -ele disse envergonhado.
–Ok, garotão. Se você diz que não está rolando nem um climinha entre vocês, a gente acredita. -disse Annabeth se segurando para não cair no riso.
Piper não se pronunciou, mas mesmo assim tinha aquela careta de quem está presta a entrar em colapso por não poder rir. Frank ficou mais vermelho ainda.
–Ah, eu odeio vocês. -ele disse, tropeçou e se encaminhou até a porta. Ele tentou a abrir, mas descobriu que ela estava trancada. -Érr ... Será que dá pra alguma de vocês abrir a droga da porta?
Annabeth pegou a chave da porta, foi até ela e a abriu. Frank saiu bufando e com o rosto ainda vermelho, ela só não sabia se era de raiva ou vergonha. Ela voltou a trancar a porta e olhou para o teto do apartamento.
–Aí, céus. -ela balbuciou para si mesma. -Eu vou sentir tanta falta de vocês!
[...]
Annabeth assitia enojada a cena entre Jason e Piper em pé em frente ao banco que ela estava sentada, no aeroporto. Os dois estavam abraçados a quinze minutos dizendo coisas melosas e clichês um para o outro. No início foi até bonitinho, mas agora era grotesco ver duas pessoas repetindo as mesmas frases um para o outro.
–Ah, pelo amor de Deus, vocês se conhecem a apenas uma semana! -gritou Annabeth chamando a atenção deles.
–Ah, não liga pra ela não, amorzinho. -Piper disse com os lábios à apenas milímetros de distância dos de Jason. -É só recalque porque ela não tem um namorado.
Annabeth revirou os olhos. Ela estava segurando uma vela tripla. Frank e Hazel conversavam em um banco atrás dela. Eles conversavam baixo, mas eram tão fofos um com o outro que Annabeth teve de se segurar para não ouvir o que eles falavam. Leo estava sentado do lado dela e conversava com Calipso, a garota que ele havia conhecido na boate, ao celular.
Pelo menos Percy não estava com um par também. Mas ele estava em um dos telefones públicos do aeroporto. Ele parecia abalado, como se seu coração estivesse se quebrando aos poucos.
–Ele está falando com a mãe. -disse Leo ao lado dela. Ela se sobressaltou, passara tanto tempo olhando para Percy que não percebera que Leo tinha finalizado sua conversa no celular. -A situação com a mãe dele é complicada.
–É, pelo o que eu me lembre ele sempre foi apegado demais com a mãe. Deve ser triste ter que deixa-la. -ela falou.
–Não é isso, Annabeth. Olha, é melhor que ele te explique, sabe? -Leo tinha um olhar tão triste que ela preferiu deixar o assunto pra lá.
Percy saiu do telefone. Ele estava com uma expressão mais alegre no rosto. Ele parou na frente de Annabeth e se ajoelhou. Ele começou a mexer no tênis esquerdo dela, ela não tinha percebido, mas seu cadarço estava desamarrado.
Percy o amarrou e depois se sentou do seu lado.
–Boa tarde, Annie. -ele disse. Ela estremeceu de nostalgia por dentro ao ouvir ele chama-la pelo apelido . -Pronta pra viagem?
–Eu estou pronta pra ir em qualquer lugar em que eu não tenha que aturar Jason e Piper se pegando. -ela respondeu.
Percy sorriu. Ele era bonito mesmo, de uma forma singela, nada exagerado, mas com toda certeza admirável. Ele era o estereotipo que mais fascinava Annabeth: Bonito e simples. Seu sorriso era como o de Piper: contagiante. Era impossível não sorrir enquanto ele sorria também.
–Eles só estão aproveitando o último momento juntos. -Percy deu de ombros. -É sempre difícil dizer adeus.
–E como é. -concordou Annabeth.
Ela estava pensando nos amigos, mas principalmente na família: O pai, Frederick, a mãe Atena e o irmão Malcom. Ela não os via a dois anos por conta do trabalho no serviço secreto. Ela daria tudo para voltar viva daquela missão e dar apenas mais um abraço na família.
Percy não falou mais nada, apenas fico sentado ao lado dela com um sorriso torto no rosto. Talvez ele estivesse se lembrando de algo bom, talvez estivesse apenas se camuflando para parecer confiante. Mas mesmo que estivesse fingindo, Annabeth sabia que ele era confiante. Ele tinha o destino do mundo nas costas e ainda assim parecia pronto para o que vinhesse. Ela um dia já fora assim, mas a vida foi mutilando aos poucos toda a sua autoestima.
De repente ela percebeu que os papeis estavam invertidos. Quando eles tinham 17, ela era a pessoa confiante e de bem consigo mesma e ele era o menino inseguro.
–Então, nós vamos para Londres. -ela disse tentando puxar assunto. -Alguma expectativa?
–Não, nenhuma. Na verdade eu só quero que tudo isso termine, sabe? -ele suspirou e franziu o cenho. -Eu acho essa história toda muito complicada. E eu não gosto de coisas complicadas.
–Ah, não me leve a mal, Percy. Mas você fez faculdade de química, talvez você tenha sim uma queda pelo complicado. -ela retrucou.
Percy deu uma gargalhada rouca e alegre, fazendo Annabeth rir também.
–É, talvez você tenha razão, Annie.
Então ele a olhou e ela percebeu os resquícios de seu antigo amigo. Aqueles olhos verdes a encaravam com uma expressão divertida e de repente ela se esqueceu dos seus problemas. Assim como se esquecia também no passado, quando ele a olhava.
Eles ficaram conversando sobre política, logo depois ciência e seguido por isso, comentaram sobre as mulheres vulgares que se amostravam de uma forma completamente chula na mídia. Percy sempre fora muito conservador, ele não era o tipo de cara que falava mal de mulheres por elas quererem ser liberais e nem a ficava as chamando de mulher da vida por isso.
–Muita gente diz que eu sou machista, sabe? -ele disse. -Mas eu não sou! A mulher tem todo o direito de se sentir sensual, só não acho que tenha que sair sensualizando pra todos os caras por aí. As mulheres tem que se dar ao valor.
–Ah, então um cara sair por aí pegando várias ele é o fodão. Agora se a mulher fizer isso ela é a "mulher da vida" ? -perguntou ela imitando a voz dele.
Percy sorriu e balançou a cabeça.
–Os caras que saiem pegando um monte de mulheres por aí, pra mim são moleques que ainda não aprenderam o que é ser homem de verdade. Afinal, saber honrar e amar uma mulher só é muito mais difícil do que se engraçar com várias. Isso sim é ser homem de verdade. Por isso as mulheres tem que se dar valor, para que esses homens de verdade também as deem.
Annabeth revirou os olhos. Eles passaram a adolescência inteira discutindo aquele assunto e eles sempre tiveram essas opiniões divergentes. Mas ela gostava daquilo, afinal, Percy era o dia de cara que vivia o que falava. E ela, bem, por uns tempos ela poderia ser classifica como "mulher da vida", mas depois que entrou para o serviço secreto e percebeu que tinha se tornado adulta; ela decidiu seguir os conselhos do amigo. Ela nunca mais se relacionou com vários homens ao mesmo tempo ou no mesmo mês e etc. Por mais que ela achasse injusto chamar uma mulher de vadia só por isso.
Phill, o chefe de Annabeth e coordenador da missão, venho andando até eles. Ele estava vestido normalmente, como se fosse uma pessoa comum e não um agente da CIA que está em uma missão ultra mega perigosa.
–Boa tarde, senhores Jackson, Chase e Grace. O voo para Londres irá sair daqui a trinta minutos e como eu tenho certeza que vocês já fizeram o Check out, por favor, se dirijam para o avião na classe econômica. -ele disse e se virou para Annabeth. -Quando chegar a Londres, procure por Daniel Crawley, ele será seu parceiro em toda a viagem. Passar bem, senhores.
Annabeth assentiu e assistiu Phill dar meia volta e sumir no meio das pessoas que estavam no aeroporto.
–Cara, que medo desse homem. -murmurou Leo. -Ele chega aqui diz algumas palavrinhas e some. Será que veio de Hogwarts?
–Ele é assim mesmo -disse Annabeth soltando uma risadinha. -Quando você é o chefe do principal departamento do país, não pode ficar no mesmo lugar por muito tempo. Tem que aprender a aparatar. -finalizou ela entrando na brincadeira de Leo e o fazendo rir.
Ela, Jason e Percy se levantaram e se despediram dos amigos. Piper chorava tanto e seus olhos estavam tão vermelhos que Annabeth ficou com medo de policias quererem revista-la alegando consumo de drogas. Quando Annabeth a abraçou ela murmurou:
–Eu estou bem -disse Piper. -Vou ficar legal.
–Você vai ver que vamos voltar mais rápido do que você espera. -Annabeth tentou consola-la.
Leo se colocou ao lado de Piper e passou o braço esquerdo pelos ombros dela. Eles tinham se tornado melhores amigos com a mesma velocidade que Jason e Piper tinham se apaixonado.
–Eu cuido dela, loira, pode deixar. -Leo pegou uma pastilha de menta do bolso e deu para Piper. -E pode deixar que eu cuido dela também, Grace. -Leo mandou um sorriso malicioso para Jason.
–Se quiser cuidar dela da formar que eu estou pensando que está, é melhor não se importar em ser castrado. -respondeu Jason com um olhar ameaçador.
–E-eu estava só brincando, cara. -disse Leo com o rosto pálido de pânico.
–É melhor mesmo. -Jason deu um sorrisinho, feliz por ter contornado a brincadeira e assustado o amigo.
Percy estava dando um abraço em Hazel e murmurou algumas coisas no ouvido dela. Depois ele trocou um aperto de mãos com Frank. Ele foi para o lado de Jason e Annabeth ficando no meio deles dois.
–Hazel, Leo, vocês poderiam cuidar do meu apartamento pra mim? -ele perguntou.
Hazel e Leo assentiram. Leo murmurou algo como "Super Bowl, todo dia, baby", mas Annabeth não tinha certeza já que não ouviu direito.
–Frank e Piper, eu não conheço vocês direito, mas se Annabeth confia em você eu também confio. -continuou Percy. Annabeth a olhou surpresa, ele ainda confiava nela. -Cuidem da minha mãe, por favor, ela vai sentir muito a minha falta e está passando por um momento difícil. Passem um tempo com ela para que ela não sinta tanto a minha ausência. Hazel e Leo vão explicar a situação para vocês e vão ajuda-los.
Frank e Piper assentiram. Percy deu meia volta e andou de depressa até o plataforma do avião, nem dando tempo de Annabeth perguntar o que tinha a mãe dele. Ela e Jason o seguiram.
Quando já estavam na classe econômica do avião, Jason ofereceu o lugar na janela para eles. Annabeth recusou, odiava ficar na janela quando ia viajar de avião e Percy apenas negou freneticamente com a cabeça. Ele parecia assustado.
Então, ficaram assim: Jason na janela, Annabeth no banco do meio e Percy no corredor. Jason pegou um jornal para ler e parecia absorto em seus próprios pensamentos. Quando Annabeth ia tentar ser educada uma aeromoça -morena, com um corpo lindo e o sorriso de uma biscate- esbarrou em Percy e o copo de água que estava na bandeja dela se desequilibrou jogando água na calça dele.
–Ah, me desculpe, senhor. -ela disse com a voz esganiçada e com uma falha tentativa de ser sensual. -Eu não deveria estar tão desatenta.
–Não se preocupe, está tudo bem. Essas coisas acontecem mesmo. -Percy sorriu simpático para a mulher.
Pelo visto ela entendeu o sorriso como um incentivo para um flerter, porque tirou um lenço do bolso da saia e começou a tentar secar a calça de Percy.
–A-ah, não precisa limpar. -ele tentou se esquivar da mulher que passava o pano perto depois dos seus "países baixos". -Pode deixar que eu mesmo faço isso.
–Ah não, senhor, eu faço questão. -disse a mulher enfiando os peitos na cara dele.
Percy ficou vermelho, Jason soltou deu um sorrisinho sem tirar os olhos do jornal. Annabeth não sabia se ria da cara de desconforto de Percy ou se ficava com raiva da audácia da mulher. Ela preferiu sorrir e dar um aceno de cabeça a Percy, um incentivo para ele ir adiante com a mulher oferecida.
Ele contorceu o rosto em uma careta. Mas logo sua expressão se converteu em pura malicia.
–Então me deixe te ajudar, senhorita. -ele disse a aeromoça e pegou na mão dela a ajudando a secar a água na calça.
Quando ele ia fazer uma cena mais obscena ainda, outra aeromoça chamou a que estava tentando masturba-lo.
–Charlotte, você poderia checar o cinto de segurança de uma criança no assento E3? -perguntou a aeromoça mais velha olhando reprovadora para a cena.
–É claro, senhora Albert. -e com essas palavras ela foi embora deixando Percy com um sorriso bobo nos lábios.
Annabeth balançou a cabeça para ele.
–Tsc, tsc. Que coisa feia de se fazer em um avião, senhor Jackson. -ela lhe lançou um sorriso reprovador e brincalhão ao mesmo. -Nada conservador da sua parte.
–Me desculpe. -ele murmurou. Mas não parecia envergonhado. -Ela era uma morena bonita.
–Você deveria ir atrás dela. -Annabeth sugeriu. -Aposto que adoraria transar com você no banheiro do avião.
–Será mesmo? -ele perguntou esperançoso.
Annabeth bufou e comeu um dos doces que comprou no aeroporto.
Quando o avião começou a decolar, Percy ficou pálido e segurou com tanta força nos braços da cadeira que o nó dos seus dedos ficaram brancos. Então, Annabeth se lembrou de quando eles tinha doze anos e seus pais decidiram leva-lo com a família para uma viagem em Acapulco. Percy tinha quase desmaiado porque ele tinha medo de altura. Viajar de avião, então? Era quase um martírio.
–Percy, segura a minha mão. -ela disse.
–Não precisa, não. -ele tentou parecer confiante.
–Segura logo e cala a boca. -ela ordenou.
Percy segurou a mão dela pelo menos mais um trinta minutos. Ele tinha segurado a mão dela também na viagem para Acapulco. E assim como no passado ele estava mais calmo agora segurando a mão dela.
Eles ficaram em silêncio a maior parte da viagem. Jason tinha dormido e Percy tinha pegado uma foto do bolso da calça. Pelo o que Annabeth reconheceu, aquela era uma foto da mãe dele e do padrasto.
–É sua mãe? -ela perguntou mesmo sabendo a responta.
–Sim, é ela sim. -A voz dele estava trêmula.
–Ela está mais magra e o cabelo está curto. Mas continua linda. -falou Annabeth.
–É, ela emagreceu e o cabelo até cresceu um pouco. -Percy comentou.
Ele estava com os olhos marejados. Como assim o cabelo cresceu? Isso significava que ou ela tinha cortado ou o cabelo tinha caído.
–Percy, está acontecendo com a sua mãe? -ela perguntou preocupada.
Percy suspirou e limpou uma lágrima que escorreu pelo o seu rosto. E então falou com a voz embargada:
–É difícil falar isso pra mim, Annabeth. Mas quando eu estava com vinte anos e no segundo ano da faculdade, minha mãe descobriu que tinha Leucemia. Ela fez cinco anos de tratamento e a dois está tudo bem. Mas eu ainda me sinto mal por estar a deixando.
Annabeth segurou a mão dele.
–Mas você está fazendo isso por uma boa causa. -ela falou baixinho. -E ela vai ficar bem. Você tem amigos cuidando dela agora. E não precisa mais falar sobre isso, se quiser.
Eles voltaram a ficar em silêncio. Até que ela falou:
–Percy, eu quero te pedir desculpas pelo o ocorrido na boate Abbey.
–O ocorrido? -ele parecia confuso. E então pareceu lembrar. -Ah, sim o beijo. -Ele apertou a mão de Annabeth um pouco mais forte, porém carinhosamente. -Tudo bem, Annie. Nós tínhamos bebido e além do mais... O beijo foi muito bom. Você beija incrivelmente bem e melhor até do que eu me lembrava.
Ela arregalou os olhos e corou. Quando ele tinha ficado tão atirado?
–Ah, sim. Que bom que você não se importou. -ela quase gaguejou com as palavras.
–E eu gostaria de algo, Annabeth. -Ele a olhou nos olhos. -Quero que sejamos amigos de novo. Melhores amigos pra ser exato.
–Ah, por mim, tudo bem. -ela franziu o cenho estranhando toda aquela conversa.
–Ótimo. Agora eu vou tentar dormir um pouco. Me acorde quando chegarmos. -ele disse e virou a cabeça para o lado.
[...]
Quando eles chegaram a Londres, um rapaz de cabelos castanhos e olhos azuis os esperava. Ele era alto e estava parado do lado de fora do aeroporto londrino. Annabeth o observou e foi até ele, deixando que Jason e Percy pegassem um táxi para o hotel. Ela parou na frente dele e o olhou nos olhos, ele a fitava frio e calculista.
–As águias costumam observar tudo do alto. -ela disse para ele.
O rapaz não estranho a fala dela. Abriu um sorriso que realçou os traços de seu lindo rosto.
–Isso porque as águias são as melhores na caça. -ele responde.
Aquele era o código mais famoso e estúpido da CIA. As águias significavam os agentes e os códigos "alto" e "caça" era para se identificar um novo parceiro que ainda não se conhecia. O rapaz que aparentava ter a idade dela, vinte e sete anos, sorriu e estendeu a mão.
–Meu nome é Daniel Crawley, e pelo o que me disseram que serei seu novo parceiro, senhorita Chase. -ele cumprimentou.
–É um prazer conhece-lo, Daniel.
Annabeth apertou a mão dele. E olhou para o céu que parecia estar sempre nublado em Londres. Ele estavam em solo Europeu, ou seja, tudo estava oficialmente começando. A missão estava com o seu primeiro passo dado.
–E que comece o jogo. -Annabeth disse para si mesma.
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